Desde 1990, que os cruzeiros vêm à
nossa cidade, sem que os figueirenses tenham recolhido disso qualquer
benefício.
Uma ou duas excursões vindas de Fátima, que passem por
cá, com a venda de umas minis e uns copos de tinto, apesar das despesas com as mijadelas nos mictórios do Jardim Municipal, sempre dão mais lucro
aos comerciantes da nossa cidade que a vinda dos endinheirados
passageiros dos cruzeiros.
Esses, que se saiba, comeram, beberam e dançaram - tudo à borla - e foram para Coimbra.
Houve polémica antes da chegada do "Corinthian". Ao que disseram, inclusivamente ouvi
isso na Assembleia Municipal, a Figueira, neste momento, não tem
nada de especial para mostrar aos que nos visitam por mar.
Nada de mais errado: ironia das ironias,
a Figueira tem uma relíquia, uma coisa que deve ser praticamente
única em Portugal e na Europa – o campo de futebol do Grupo
Desportivo Cova-Gala.
Para o próximo cruzeiro que arribar ao
nosso porto – é em outubro, ao que veio nos jornais – é só coordenar as coisas, e trazer os endinheirados turistas a esta outra margem a ver algo da
pré-história, peculiar e impossível de ver no seu país. Qual Serra da Boa Viagem, quais Lagoas,
qual Casino, quais Museus, qual CAE, qual Salgado, qual Praia, qual
gastronomia?..
Nada disso.
Os figueirenses podem surpreender os
ilustres visitantes com um jogo de futebol, a contar para a prova
rainha da Associação de Futebol de Coimbra, disputado num pelado
pré-histórico que já não existe em lado nenhum...
Aquilo sim é futebol autêntico e genuíno, só
comparável a Camões, que escreveu os seus poemas conforme viveu: com dificuldades.
Tal como nós, covagalenses, foi um poeta marcado por múltiplas
experiências e vicissitudes. Mas, da dureza que a realidade lhe
apresentava, brotou uma obra singular que nos define enquanto cultura
e enquanto parte da Humanidade...
É o que vai acontecer ao futebol na nossa Aldeia!
Perante a hipocrisia, valha-nos a
ironia com os dentes afiados...











