A apresentar mensagens correspondentes à consulta a coisa ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta a coisa ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Santana Lopes já havia dito em março que considerava um “gasto excessivo”

"Câmara deixa de assegurar iluminação de Natal".
A iluminação de Natal na Figueira é aquilo que acontece uma vez por ano para lembrar aos figueirenses que a vida podia ser bem pior. 
Calma. Ainda falta muito para o Natal! Na Figueira, "cada dia uma coisa"?..

 Via Diário as Beiras

Nota de rodapé.

Em Março passado, segundo o Diário as Beiras, "as buscas da PJ reforçaram a posição que Santana Lopes há muito vinha defendendo: o investimento do município na iluminação decorativa de Natal deve ser simbólico."  

Estou de acordo.
Há muito que defendo que nem todas as datas são comemoráveis.
O natal é uma delas.
A  meu ver, o consumismo, o desperdício, o sorriso de circunstância - resumindo, a hipocrisia em que transformaram o que era o Natal, não é  para comemorar.
E depois na Figueira tivemos a cereja em cima do bolo!..
Numa cidade que chegou a apagar, pelo menos, metade das lâmpadas de iluminação pública para poupar, chegados ao natal, tínhamos as ditas iluminações de Natal!
 
Isso irritava-me: ao menos, dessem-lhe o nome correcto.
Chamassem-lhe iluminações comerciais, já que só surgiam para apelar ao comércio. 
Esse apelo desmedido ao consumismo, num mundo que tanto precisa de uma melhor distribuição da riqueza, é uma afronta a quem tenha um sentido mínimo de humanidade.

As comemorações dos aniversários do CAE (para o ano são 25 anos), os natais de forte  investimento a engalanar as árvores, as ruas e avenidas da cidade, foi chão que deu uvas. 
Mas será mesmo assim?
Veremos. 

O tempo passa depressa. A quadra natalícia aproxima-se.
Vamos ver se, entretanto, o executivo figueirense não perde o medo de gastar na luz, no som, na cor e na alegria. 
Como sabemos, o programa de animação de Natal e Passagem de Ano foi sempre uma opção dos executivos figueirenses. Podemos apoiar ou torcer o nariz a esta forma de autarcas gastarem o dinheiro. Estou em crer, porém, que a maioria da população do concelho, apoia esta opção política camarária. Santana Lopes, tal como os seus antecessores, «quer que a cidade receba bem e que as pessoas voltem e desfrutem».

domingo, 7 de junho de 2026

É disto que o povo gosta: comer, música e animação!

"De 8 a 24 de junho, vivem-se as tradicionais Festas da Cidade e do São João na Figueira da Foz, com dias cheios de animação, música, tradição e muita alegria!"
Em termos de animação, o povo come o que come, porque gosta desta comida.
Nada, porém, acontece por acaso: durante décadas e décadas, o pimba foi alimentado, de norte a sul do país, por autarquias do CDS, PSD, PS e CDU.
Foi um investimento e peras. 
Há quem diga (que não eu, que não tenho estudos para afirmar tal coisa) que isto  poderá roçar o financiamento ilegal.
O certo, porém, é que o sucesso tem sido enorme.
O povo come - pudera, os espectáculos são (aparentemente) à borla.
Os políticos do momento, dão o que o povo sempre gostou: pão e circo.
Todos - eleitores e eleitos - ficam contentes e felizes. 
Que interesse tinha na Figuiera, por exemplo, ter sido retomado um festival internacional de cinema de autor, ou um festival de música clássica dirigido por Sequeira Costa? 
Isso são coisas elitistas e pouco apelativas para um povo educado para evitar pratos de mais difícil digestão.
Interessa é manter e promover o glamour do pimba. 
Ao povo o que o povo gosta.
Ainda existem histórias com finais felizes: ... e, assim (há lá coisa mais bonita?) todos vamos ser felizes para sempre!

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Troiadelos...

Em 2017, em toda a costa figueirense, apenas uma pequena parte se mantinha razoavelmente incólume à pressão e especulação urbanísticas induzidas pelo turismo. 
Refiro-me, à faixa litoral a sul do Mondego, entre o Cabedelo e o Campo de futebol.
Era ainda possível aí fazer férias em comunhão com a Natureza e frequentar boas praias, sem os inconvenientes das urbanizações selvagens. 
Por conhecermos o triste destino da restante costa figueirense, devemos manter-nos atentos e vigilantes. 
Recordo que o Cabedelo nunca tinha tido Bandeira Azul. E bem. Era o único pedaço de Paraíso imaculado  da costa figueirense  que ainda nos restava.
Entretanto, algo mudou. Ficámos a meio caminho. Mas, o objetivo estava lá: quem não tinha categoria para usufruir dum espaço nobre foi para o olho da rua.
Agora temos aquela coisa deserta na maior parte do ano.
O trabalho que havia a fazer foi feito por um executivo de maioria absoluta do Partido Socialista.
E assim se foi abrindo o caminho ao Portugal/2026.
O texto acima não serve para nada. Foi apenas para chamar a atenção para texto "a praia dos ricos" de José Eduardo Martins, Advogado, ex-secretário de Estado do Ambiente, publicado no jornal Expresso.

"Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Há vinte anos, o litoral alentejano entre Tróia e Melides (sim, com a Comporta e o Carvalhal a ocuparem o meio) foi palco de uma operação cuidadosamente planeada para condicionar a fruição destes 40 quilómetros de costa. Sob a bandeira dos PIN (Potencial Interesse Nacional), grandes grupos imobiliários obtiveram de Pinho e de Sócrates a luz verde para urbanizações de enorme dimensão, erguidas numa das mais sensíveis áreas protegidas do país.
O argumento invocado foi sempre o mesmo, o do turismo de qualidade, do investimento estrangeiro e da criação de emprego. A alternativa óbvia: recuperar as áreas já degradadas ao longo da costa não permitia a entrada nos paraísos pristinos da zona.
Em vez disso, entrou-se de bulldozer pela área protegida adentro, a fim de cavar infraestruturas que viriam a ficar mais de uma década abandonadas. O que ninguém se deu ao trabalho de explicar foi aquilo que verdadeiramente se congeminava e agora se executa: uma fronteira invisível a separar os que podiam e os que não podiam ir à praia.
Falo disto com conhecimento de causa, pois tenho casa em Grândola há muitos anos e sou testemunha direta do que se foi passando. Como tantos outros, fui aos poucos perdendo a paciência para frequentar estas praias, não por falta de vontade, mas por acumulação de obstáculos, sendo o escândalo dos preços a face mais visível de uma atmosfera crescente de exclusão que metade da sinalética pelo caminho nem sequer se dá ao trabalho de disfarçar.
Essa fronteira tornou-se, nos últimos dois anos, escandalosamente visível.
Foi o Expresso quem primeiro o revelou, no ano passado, ao dar conta de que 80% dos acessos ao areal, nos 45 quilómetros entre Tróia e Melides, se encontravam condicionados ou bloqueados por empreendimentos privados.
As dunas, integradas no domínio público desde que D. Luís assim o determinou em 1864, encontravam-se fisicamente cercadas por propriedade privada, entre cancelas, muros e a estratégica ausência de caminhos públicos. A resposta do Estado revelou-se algo tímida, resumindo-se a sinalização obrigatória e a promessas de novos acessos.
Vieram depois os preços, com cafés a cinco euros, espreguiçadeiras a valores de resort na Côte d'Azur e produtos a quantias que excluem as famílias portuguesas de classe média, tudo isto numa praia pública, num bem do Estado. O Governo reagiu com uma portaria de preços máximos, medida necessária, mas insuficiente face à escala do problema.
Já agora, quando vos vierem dizer que sobre o concessionário recaem muitas obrigações (lembro que fiscalizar o cumprimento do acesso de todos os banhistas às suas casas de banho seria, garanto-vos, uma boa ideia), imaginem só que eram donos do único café da vossa terra…
Chegámos agora aos chapéus de sol, a propósito dos quais a APA se viu obrigada a emitir uma norma técnica para esclarecer que os banhistas podem colocar o seu próprio chapéu à frente das concessões. Uma norma a esclarecer o que a lei nunca tinha proibido, mas tristemente necessária porque a prática, tolerada, tinha criado a aparência de uma apropriação que a concessão obviamente não permite, mas que na areia funciona tão bem como uma cancela alta.
Sabemos, no fundo, o que verdadeiramente sucede, pois aqueles que pagam a espreguiçadeira a peso de ouro querem sentir-se nas Maldivas, já que são as Maldivas que pagam, e anseiam por afastar da vista os chapéus foleiros e as sungas do povo. Já aqueles que as vendem precisam de enxotar os pobres, e é mesmo disso que se trata, sob pena de se esvair a sensação de Hamptons e de se perderem as vendas dignas do Mónaco.
Desta vez, porém, a reação foi diferente, mais rápida, mais firme e mais definitiva do que nas polémicas anteriores, e nisso não deixa de haver significado. Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Três polémicas a obedecerem a uma única lógica, a da privatização silenciosa e gradual do maior areal português, levada a cabo não por decreto, mas por urbanizações aprovadas onde jamais deveriam ter existido, por concessões atribuídas sem acautelar o interesse público, por sinalética equivocamente conveniente e por décadas de não-fiscalização. A lei nunca cedeu porque o domínio público hídrico é inalienável e imprescritível. Quem cedeu foi a vontade política de a fazer cumprir.
O problema de fundo é o de que aquela faixa de litoral foi, de facto, entregue a um turismo de luxo que exclui os portugueses, e a sua superação exige a revisão das concessões, a abertura efetiva dos acessos e a coragem política de dizer com clareza o que aconteceu.
A praia é pública, sempre o foi, e está na hora de o Estado se mostrar mais forte do que as pífias elites que sempre encontram maneira de o convencer de que aquilo que é nosso lhes pertence."

A luta (tal como a incerteza que tem nome: Chega) continua

Dois dias depois da Greve Geral, nada está decidido e a luta continua.
Como disse Montenegro, “esta greve não trouxe nenhuma novidade e nem uma solução"
Não trouxe nenhuma novidade, porque a mobilização de largas faixas do sector público continua a perturbar a vida do país e a transformar a greve num facto político incontornável. 
A incerteza continua a ter nome: Chega. 
Muitos terão feito greve por acreditarem que, mostrando a impopularidade desta medida, largamente comprovada por sondagens, é a melhor forma de manter o Chega arredado de um acordo. 
Para o executivo, que decidiu regressar a algumas das suas propostas iniciais, haverá sempre a hipótese de André Ventura seguir o que é a sua matriz ideológica e vir a aprovar a reforma em troca de alguns recuos.

Ventura falou para dizer que a luta pode continuar. 
Como habitualmente, numa curta declaração, disse uma coisa e o seu contrário. Que a rua nada vale e que o que interessa é a discussão no Parlamento, onde a legislação “será derrotada”. Que este "pacote laboral é mau", mas, "se houver alterações, se houver outra lei laboral, o Parlamento, mais uma vez, cá estará para a discutir”

Numa greve, os trabalhadores não recebem salário pelo dia em que faltaram.
A ausência é considerada justificada, mas não remunerada. 
Num país onde a maioria dos trabalhadores ganha mal, faltar um dia para fazer greve, deveria fazer pensar os governantes.
Será que esta greve geral fez pensar este Governo?

Esta greve geral reforçou a sensação de que este Governo é incapaz de encarar os problemas e resolvê-los nos limites das possibilidades e da sensatez.
É evidente que a greve perturbou o quotidiano, paralisou serviços e empresas, anulou a normalidade do país, causou danos na economia e agravou a sensação de que o país caminha sem rumo para destinos perigosos. Sendo tudo isto normal em democracia, importa saber se a nova legislação laboral do Governo justifica os prejuízos causados. Os tangíveis e, em especial, os danos à relação entre os cidadãos e o poder político. 

Tudo isto poderia ter sido evitado ou mitigado se a ministra do Trabalho e o primeiro-ministro fossem capazes de perceber que, no quadro de um Governo sem maioria, não há nada que se possa fazer sem cedências nem negociação. Como não há nada que seja, de facto, eficaz quando se confrontam os cidadãos com escolhas que eles não podem nem devem aceitar: ser despedido sem justa causa e não ter ao reingresso incondicional; e, fundamentalmente, poder ser despedido sabendo que as funções que desempenhava serão facilmente assumidas por trabalhadores em regime de outsourcing. 

Não admira que a maioria dos cidadãos, mesmo os que não fazem greve, esteja ao lado dos sindicatos neste conflito. 
E o Chega sabe isto.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Goooooolo do Torreense

O Torreense ontem teve uma vitória que teve tanto de inesperada, como de justa, merecida, e espectacular. 
Ontem foi o Clube mais representativo do concelho onde existe o melhor Carnaval genuinamente português, que marcou mais um golo. 
A vida é mesmo assim.
A bola é redonda. 
Contudo, se calhar, cá pela Figueira, isto está a ficar excessivamente redondo
E, quando menos se espera, a bola cai-nos em cima.
Vocês estão a perceber alguma coisa?
Eu ignorante me confesso.
Mas, também nunca fui bom em nada.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Fogos em Portugal "têm um salvador, um culpado e um herói"

Na conferência "Incêndios Florestais: O Fogo Está A Mudar - E Nós?", que se realizou no CAE - Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz e foi promovida pela papeleira Navigator, Ribau Esteves defendeu que, em Portugal, o negócio do fogo, que marca a má notícia, tem de passar a ter menos importância do que o negócio da floresta, a boa notícia, na sua opinião. "Arranjámos um salvador, mas que não vai funcionar. Mas, para manter a história bonita e o palco marcado pela má notícia, nós temos um culpado e temos um herói. Qualquer telenovela se alimenta infinitamente se tiver um salvador, um culpado e um herói". "E esta história tem um salvador, que é o Bupi [o Balcão Único do Prédio, que permite registar e identificar terrenos rústicos], tem um culpado, que é o eucalipto, e tem um herói, que é o bombeiro. E aqui está o exercício base que faz com que, sistematicamente, a má notícia esteja no palco e o negócio do fogo tenha mais importância na comunicação e no peso político, porque não é assim na sua dimensão económica que tem o negócio da floresta", vincou Ribau Esteves. 
Num discurso incisivo e crítico de mais de 25 minutos, repleto de ironia e de sarcasmo, o presidente da CCDRC notou que, em Portugal, "há uma coisa que não falta, há uma coisa que sobra, sobra planeamento", elencando uma série de planos existentes. "A maior parte dos planos estão feitos para quem os fez, para fazer um visto na 'checklist' das obrigações legais e não exatamente para ser um instrumento que nos permite gerir melhor aquilo que justifica o planeamento e a base de assento da floresta, que é o território, voltamos sempre ao território", considerou o também antigo autarca de Ílhavo e de Aveiro. 
Sobre o território, Ribau Esteves apontou, então, o Bupi como o "salvador da pátria", explicando porque é que "com tantos planos em cima deste território" Portugal não consegue "parar ou reduzir, a um nível baixo, a incidência dos fogos" florestais. 
"Arranjámos um salvador, chama-se Bupi. Entendemos que o problema, afinal, é nós não conhecermos o cadastro, ou melhor, não conhecermos os donos do cadastro, não conhecermos os proprietários [dos terrenos rústicos]. E, então, vamos resolver o problema com o cadastro feito e a caracterização de quem é dono de cada uma coisa", afirmou. 
"Já toda a gente percebeu que não vamos conseguir", enfatizou Ribau Esteves, estimando que o país atingirá, "talvez, na média (...) pelos 50%" de cadastro rústico realizado. Essa percentagem, alegou, deriva do facto do financiamento da operação do Bupi, por via do "famoso PRR", o Plano de Recuperação e Resiliência, estar a meses de terminar. "A grande questão continua a ser o que é que o Estado faz, o que é que nós conseguimos, como país -- o tal 'nós' do lema da conferência [de hoje] - fazer para agir sobre os tais 50% [de proprietários] que vamos continuar a não conseguir saber quem é", manifestou. 
Na sua intervenção, Ribau Esteves fez ainda uma curiosa dissertação sobre a denominação 'fogos rurais' - que passou, há anos, a ser usada -- e que se recusa a utilizar. "Eu sou engenheiro zootécnico, sou das ciências agrárias, e nunca vi nenhuma couve, nenhuma abóbora, nenhuma alface a arder", ironizou o presidente da CCDRC, dizendo que a explicação para a nova denominação lhe foi transmitida por um técnico da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais: afinal, foi "uma coisa de marketing para tirar a dimensão negativa e a culpa de que o fogo é sempre da floresta". "Eu não adiro a isso. É importante saber que o fogo é na floresta, é na floresta de pinheiro, é na floresta de eucalipto, ou dizermos aquilo que nos envergonha a todos: é que a maior parte da área ardida, sistematicamente, ano após ano, é nos territórios abandonados, é fogo de mato. E dá um bocado a noção de terceiro mundo a um país, se nós dissermos a verdade, e chamarmos 'fogos de mato' dá um ar horrível, mas é a verdade objetiva", declarou.

domingo, 10 de maio de 2026

XIV Gala Figueira TV

Na opinião da vice-presidente da Figueira da Foz, Olga Brás, "a XIV Gala Figueira TV constituiu um momento de elevado reconhecimento do mérito, da excelência e do contributo de personalidades e instituições para o desenvolvimento do concelho da Figueira da Foz. Neste contexto, destaca-se a intervenção do Senhor Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, marcada pela valorização da identidade figueirense e pela reafirmação do compromisso com o progresso cultural, social e humano do território. Uma intervenção de inequívoco sentido institucional, que dignificou este relevante evento da comunidade figueirense." 
Desse discurso, que pode ouvir na página de facebook da vereadora Olga Brás, destaco o seguinte, dito por Santana Lopes: "Nem eu sei o que perdi por não ter estado aqui nestes 20 anos de intervalo. Estaria com um aspecto mais jovem, de certeza absoluta". 
Não podia estar mais de acordo.
O PSD, ao longo de várias dezenas de anos, teve de aturar Santana. 
Em Agosto de 2018, Santana Lopes despede-se do PSD para formar um novo partido. 
Crítico da liderança de Rui Rio, deixou avisos sobre a aproximação do PSD ao PS e um partido avesso a agendas de esquerda.
E assim a 23 de outubro de 2018, surgiu o Aliança. Definiu-se como um partido personalista, europeísta, conservador nos costumes e liberal na economia. 
Assumidamente de direita
A coisa não correu bem.

Dado esse passo em falso, ficava comprometida uma candidatura presidencial, com sucesso, em 2026, um projecto essencialmente pessoal, ao alcance, não dos mais capazes, não dos mais brilhantes, não dos mais lógicos, não dos mais competentes, não dos mais indicados, mas dos mais audazes.: "o tal populismo".

E chegamos a 2021.
O melhor que a Figueira podia ter, nesse momento, perante os pretensos candidatos que se foram chegando à frente era Santana. 
E Santana deu o corpo ao manifesto. 
Os políticos, tal como os piões, testam-se rodopiando. 

No xadrez, porém, os peões são sacrificados e comidos pela rainha.
Santana tinha o direito de querer ser presidente da República. 
E a câmara da Figueira podia ser, mais uma vez, um atalho para a concretização dos seus objectivos pessoais. 
Santana tem todo o direito de achar que era um bom candidato a presidente da República. 
Precisava de espaço mediático.
Santana tem todo o direito de ocupar o espaço mediático. 
Santana tem todo o direito de querer ser hoje controverso e amanhã consensual. 
Santana tem todo o direito de achar que ser popular não é ser ingénuo. 
Contudo, também tem de entender que nem todos os outros são ingénuos ou otários. 
Santana tem todo o direito de utilizar a Figueira como quer. 
Mas, também tem de ter a humildade de perceber que pode ser utilizado.

Eu sei - e Santana também o sabe e tem todo o direito de o dizer -, que se não fosse ele, hoje o presidente da câmara da Figueira da Foz, continuaria ser Carlos Monteiro.
Santana tem todo o direito de pensar que eu não percebo nada disto. 
Mas, ninguém, nem Santana Lopes, me vai inibir de expressar a minha opinião.
Nota-se por aí uma crispação dos diabos na minúscula bolha política local.
Não se preocupem: vai acabar tudo bem. 
Como sempre, para alguns. 
Não se preocupem com quem não faz mal a uma mosca...
Há lá coisa melhor, apesar de o tempo passar para todos, do que continuar jovem?

sábado, 9 de maio de 2026

NA DEMOCRACIA NÃO HÁ VÍTIMAS, HÁ CÚMPLICES

Há uma mentira confortável que muitos repetem a si próprios:
Eu não tenho culpa.”
Tem.
Na democracia, todos têm.
E essa é talvez a verdade mais incómoda do regime democrático: a liberdade não vem sozinha. Vem sempre acompanhada de responsabilidade.
Na ditadura, o povo pode verdadeiramente ser vítima.
Na democracia, não.
Na democracia, o povo escolhe.
E quem escolhe, responde.
Quem participa, influencia.
Quem se abstém, permite.
Quem se cala, consente.
Por isso, numa democracia, não há vítimas.
Há cúmplices.
Uns por acção.
Outros por omissão.
Mas cúmplices na mesma.
Porque democracia não é apenas um direito.
É um dever.
E quem não compreende isto não compreende democracia.
Numa democracia existem, politicamente, quatro tipos de cidadãos.
A primeira categoria é a dos que votam em quem vence.
Esses são responsáveis directos pelo rumo do seu concelho, da sua cidade ou do seu país.
Escolheram.
Legitimaram.
Entregaram poder.
Se corre bem, partilham o mérito.
Se corre mal, partilham a culpa.
Não podem, depois, lavar as mãos.
Quem escolhe governantes escolhe destinos.
E quem escolhe destinos é responsável por eles.
A segunda categoria é a dos que votam em quem perde.
Esses fizeram o seu dever.
Participaram.
Exerceram soberania.
Cumpriram.
Podem não ter vencido eleitoralmente, mas honraram a democracia.
Porque democracia não é ganhar.
É participar.
A derrota eleitoral nunca é derrota cívica.
Pelo contrário.
É prova de vida democrática.
Mas há uma terceira categoria.
Os que não se revêem em nenhum candidato, em nenhum partido, em nenhuma proposta.
E aqui é preciso fazer uma distinção essencial.
Se não se revê em ninguém, há dois caminhos:
ou constrói alternativa,
ou abandona o combate.
E quem constrói alternativa honra a democracia.
Critica.
Questiona.
Exige.
Escreve.
Debate.
Organiza-se.
Intervém.
Expõe.
Mobiliza.
E se for preciso, candidata-se.
Porque compreende algo fundamental:
se não existe alternativa, cria-se.
Democracia não é um menu fechado.
Não é um supermercado político onde apenas escolhe o que está disponível.
Pode e deve criar o que falta.
Mas depois existe a quarta categoria.
E essa é a mais perigosa.
A mais nociva.
A mais decadente.
Os abstencionistas.
Os indiferentes.
Os resignados.
Os que não querem saber.
Os que vivem na crítica, mas fogem da responsabilidade.
Os que dizem que está tudo mal, mas no dia de decidir ficam em casa.
Esses não são neutros.
São cúmplices.
E mais:
objectivamente, são os únicos que apelam à lógica da ditadura.
Porque há uma verdade brutal que poucos têm coragem de dizer:
o único regime político que dispensa o voto é a ditadura.
Na democracia, o voto é a base.
Na ditadura, o voto é irrelevante ou inexistente.
Na democracia, o cidadão decide.
Na ditadura, decidem por ele.
Quem despreza o voto despreza o mecanismo central da democracia.
E quem despreza o mecanismo central da democracia despreza a própria democracia.
É duro?
É.
Mas é verdade.
A abstenção, quando nasce do comodismo, da preguiça cívica ou da indiferença, não é protesto.
É desistência.
E desistir da democracia é abrir espaço à lógica autoritária.
Porque quem abdica de escolher está, no fundo, a aceitar ser governado sem decidir.
E essa é precisamente a essência da ditadura.
Mais ainda:
há quem não esteja preparado para a liberdade.
Porque liberdade exige responsabilidade.
E responsabilidade exige maturidade.
Quem não quer decidir não pode reclamar.
Quem não participa não pode exigir.
Quem foge do dever político não tem autoridade moral para criticar.
É como aquele indivíduo que vive num condomínio.
Critica tudo.
Critica a administração.
Critica as quotas.
Critica as obras.
Critica as decisões.
Mas nunca vai às reuniões.
Nunca vota.
Nunca intervém.
Nunca propõe.
Nunca assume responsabilidades.
Que valor tem essa crítica?
Nenhum.
É ruído.
É ignorância.
É estupidez.
Na política é exactamente igual.
Se quer falar do país, participe.
Se quer falar do concelho, intervenha.
Se quer criticar, primeiro cumpra.
Porque crítica sem participação é apenas cobardia disfarçada.
Antonio Gramsci (1891–1937) percebeu isto de forma profundamente estratégica.
Não porque devamos admirá-lo ideologicamente, mas porque devemos compreender o seu método.
Gramsci percebeu que o socialismo, nas sociedades ocidentais, não triunfaria através da simples tomada militar do poder.
Triunfaria primeiro pela conquista da cultura, do ensino, dos intelectuais e da comunicação.
Aquilo que politicamente hoje se resume assim:
o socialismo não toma primeiro os quartéis; toma primeiro a cultura, o ensino e os media.
Essa é a essência da sua teoria da hegemonia cultural.
Primeiro molda-se a consciência.
Depois molda-se o voto.
Depois molda-se o poder.
Gramsci escreveu, em 1917:
“Odeio os indiferentes.”
E odiava-os por uma razão simples:
porque o indiferente é o terreno perfeito para o domínio ideológico.
O indiferente não resiste.
Não questiona.
Não combate.
Absorve.
Repete.
Obedece.
E é exactamente por isso que o abstencionista é tão perigoso.
Porque a sua ausência fortalece sempre quem domina o espaço cultural.
Joseph Goebbels (1897–1945), ministro da propaganda do III Reich, aperfeiçoou outro mecanismo essencial do poder moderno:
a repetição.
Goebbels percebeu algo fundamental:
uma mentira pura é frágil.
Mas uma mentira misturada com partes de verdade torna-se poderosa.
E se essa narrativa for repetida vezes suficientes, torna-se verdade social.
Não porque seja verdadeira.
Mas porque foi repetida.
A propaganda moderna vive disso.
Simplificar.
Repetir.
Emocionar.
Dividir.
Criar inimigos.
Criar consensos artificiais.
Estigmatizar dissidência.
Hoje já não é preciso um Ministério da Propaganda.
Basta uma comunicação social dependente.
Basta redes sociais.
Basta algoritmos.
Basta repetição.
Basta censura informal.
Basta vergonha pública.
Basta cancelamento.
Basta pressão social.
Richard von Coudenhove-Kalergi (1894–1972), fundador do movimento Pan-Europa, defendia uma Europa unificada e escreveu em Idealismo Prático (1925) sobre o homem do futuro como produto de mistura e transformação civilizacional.
Independentemente das interpretações posteriores, há uma lição política importante:
as elites sempre pensaram sociedades como matéria organizável.
Como massas administráveis.
Como engenharia humana.
E o problema nunca é apenas a teoria.
O problema é a intenção política.
Porque todo o poder deseja a mesma coisa:
populações previsíveis.
fáceis de governar.
fáceis de dividir.
fáceis de controlar.
E quanto menos pensamento crítico existir, mais fácil isso é.
É por isso que discutir política não é discutir partidos.
Isso é uma visão infantil da política.
Política é discutir poder.
É discutir regras.
É discutir orçamento.
É discutir urbanismo.
É discutir segurança.
É discutir justiça.
É discutir imigração.
É discutir liberdade.
É discutir educação.
É discutir soberania.
É discutir cultura.
É discutir o modelo de sociedade onde todos vivem.
Quem diz:
“Eu não gosto de política”
está, no fundo, a dizer:
“Não quero saber das regras que governam a minha vida.”
Mas isso é impossível.
Porque a política importa-se consigo, queira ou não.
Decide os seus impostos.
Decide o seu salário.
Decide a sua casa.
Decide os seus filhos.
Decide a sua segurança.
Decide a sua liberdade.
Decide o seu futuro.
Ignorar política não faz a política desaparecer.
Faz apenas com que outros decidam por si.
E quem deixa outros decidir por si sem lutar, sem pensar e sem participar, não é vítima.
É cúmplice.
Claro que a democracia moderna não é perfeita.
Está cheia de falhas.
Cheia de condicionamentos.
Cheia de interesses.
Cheia de manipulação.
A comunicação social tem dependências.
O poder económico influencia o poder político.
Criar alternativas é difícil.
Combater narrativas dominantes é difícil.
Dizer verdades incómodas tem custo.
O sistema protege-se.
Defende-se.
Fecha-se.
Mas ainda não é impossível.
E enquanto não for impossível, continua a existir responsabilidade.
Essa é a linha que separa democracia de ditadura.
Na democracia ainda pode falar.
Ainda pode criticar.
Ainda pode organizar-se.
Ainda pode expor.
Ainda pode candidatar-se.
Ainda pode combater.
Se não o faz, escolheu não fazer.
E isso também é uma escolha.
Na democracia até o silêncio vota.
Até a ausência decide.
Até a omissão governa.
Por isso não.
Não há vítimas.
Se votou em quem venceu, é responsável.
Se votou em quem perdeu, cumpriu.
Se não se revia em ninguém e construiu alternativa, honrou a democracia.
Mas se ficou em casa…
calado…
indiferente…
confortável…
à espera que outros decidissem o seu destino…
então não é vítima.
É cúmplice.
Porque democracia não é um espectáculo.
É um combate.
E quem foge do combate não pode chorar o resultado.
Estude.
Leia.
Questione.
Duvide.
Pense.
Participe.
Ou continue adormecido.
Mas depois não diga que foi vítima.
Porque na democracia ninguém é arrastado.
Cada um caminha para o destino colectivo com os seus próprios pés.
E o destino de um povo é quase sempre a soma exacta da coragem — ou da cobardia — dos seus cidadãos.

Autor: João Ferreira 

domingo, 3 de maio de 2026

O chega é isto

Fernando Pessoa, que tinha aquela natural curiosidade que o levava a querer perceber tudo, escreveu que "cultura é o aperfeiçoamento subjectivo da vida, dividido entre arte (aperfeiçoamento directo) e ciência (aperfeiçoamento do conceito do mundo), sendo mais do que erudição; é uma atitude de espírito que extrai sabedoria das experiências, cultivando a curiosidade e o aprofundamento, e não apenas o acúmulo de saber."
Natália Correia, em carta enviada a José Afonso, depois de o ter visto e apreciado num programa televisivo, escreveu isto: "temos que perceber a cultura dos incultos". Era já então a preocupação com a evidente ocupação do espaço mediático pelos arautos do populismo cultural e político. 
Mais pessimista, Nelson Rodrigues achava que "os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos." 
A absorção cega de tretas vagas ou mentirosas não são documentação cultural. 
A curiosidade intelectual não cega: alarga a visão. 
Os cargos políticos deveriam ser ocupados por quem assume valores e tem ideias. Por quem tem cultura. 
Em democracia deveríamos sempre tentar eleger com critério.
Que cultura teria a Figueira Capital da Cultura para mostrar?

Na quinta-feira passada o líder do Chega manifestou disponibilidade para negociar com o Governo a reforma laboral e colocou como uma das exigências a descida da idade da reforma.
Quando André Ventura coloca como condição única para aprovar o pacote laboral, baixar a idade da reforma sabe bem que isso é inaceitável. 
Por uma simples razão: para tentar tomar conta do regime ficou mais uma vez visível aquela coerência "chegana", trapalhona e demagógica de quem defende tudo e o seu contrário e de quem pede "sol na eira e chuva no nabal".
Está-se a discutir a reforma laboral (banco de horas e coisas assim) e de repente, há um Ventura (o partido não conta. Ele é o partido...) que diz que aprova tudo desde que se desça a idade da reforma.
Mas o que é que a idade da reforma tem a ver com a reforma laboral?
Sim: o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
A lei laboral diz respeito e tem a ver com a forma como se exerce o trabalho.
A reforma tem a ver como se vive a vida pós-emprego e com quem paga o seu custo.
No primeiro caso, pagam os patrões.
No segundo caso, pagam os jovens.
Esses mesmos, que já pagam as casa mais caras e que se a vontade de Ventura fosse viabilizada, teriam de pagar mais pelas reformas dos seus pais e dos avós, em prejuízo da sustentabilidade das próprias e futuras reformas.
Tenham juízo "cheganos".
Haja um mínimo de seriedade...

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Abril em Maio

Há datas que acrescentam qualquer coisa à normalidade das nossas vidas. 
O 1º. de Maio é um desses dias. 
É dia de lutarmos para sermos pessoas inteiras. 
É dia de luta por direitos. 
É dia de defesa de direitos. 
É dia de luta pela dignidade e pela alegria de viver. 
É dia de Festa. 
Bom 1º de Maio para todos.
A CGTP-IN, através das suas estruturas regionais, assinala o 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, com manifestações, concentrações, convívios e iniciativas culturais, desportivas e lúdicas em 43 localidades do continente e das regiões autónomas.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Filipa Martins Romancista, argumentista e realizadora de cinema

"Se aquilo que eu escrever conseguir pôr alguém a pensar, especialmente se for de uma geração mais jovem, atualmente desequilibrada, então já tenho a missão cumprida. Não acho que vá mudar o mundo, mas é isso que me faz levantar todos os dias".

Imagem via Filipa Martins
O mundo que temos é este em que vivemos. 
Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» 
Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O valor dos rios: “e no dia em que não tivermos políticos que aprenderam a nadar no rio?”

Na minha geração, praticamente todos aprendemos a nadar na borda do rio da Aldeia. 
O rio da minha Aldeia deveria fazer pensar.
Quem está ao pé dele, não está apenas e só ao pé dele... 
O rio da minha Aldeia, não sendo o que já foi, continua a ser fonte de vida, de prazer, de divertimento e de lazer. 
Continua a ser de um agrado incontornável olhá-lo, conhecer os seus recantos, as suas correntes e as suas contra-correntes, as suas diferentes tonalidades, o seu murmurar!.. 
Uma coisa é ser. Outra, é gostar de (a)parecer... 
O rio da minha Aldeia continua a provocar emoções... 
Mas, é preciso estar atento!
O rio da minha Aldeia, tem uma particularidade: enche na maré alta e quase seca na baixa-mar...
Na minha geração, quase todos aprendemos a nadar no braço esquerdo Mondego, que é rio da minha Aldeia.
Na imagem sacada daqui, uma tela pintada de magia da borda do rio da Gala.
Autor: Cunha Rocha

O valor que uma população atribui aos rios depende da experiência vivida.
O engenheiro ambiental Pedro Teiga, em entrevista ao Público, na sede da E.Rio, a empresa de reabilitação fluvial que criou ao lado do rio Torto, em Gondomar disse. 
“Não é à toa que os políticos com quem é mais fácil falar são aqueles que tiveram a experiência de rio na sua formação de vida." E deixa о aviso: "E no dia em que não tivermos nenhum político que tenha aprendido a nadar no rio? Esse dia está para chegar em breve. Ainda falta resolver, em muitos lugares, o problema do saneamento. Porque ainda temos descargas e problemas para resolver.
Os rios são uma oportunidade para as pessoas se juntarem a falar de um bem comum. Tem de ter água de boa qualidade, peixе, libelinhas, amieiros, com galeria ribeirinha e populações de entorno tal como existia antes - sim, porque antes as populações não se metiam em cima do rio. Deixavam espaço para que o rio fosse rio. E as localidades ficavam fora do leito de cheia, para poderem ter a segurança das casas. Por isso, há todo um conjunto de camadas de aprendizagem com os rios."

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento...

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento. 
E não existem, ou pelo menos não têm expressão, a nível local, investidores. 
Por isso, porque cá não há empresários com dinheiro que se veja, em princípio, é uma boa política que se faça captação de investimento e que haja qualquer coisa de atractivo para que isso aconteça. 
Ressalvando, porém, que não se acolherão foragidos e que a Figueira não será transformada numa lavandaria de dinheiro sujo.
O investimento de que a Figueira precisa é de investimento reprodutivo. 
Um bom investimento é aquele em que há criação de riqueza, criação de postos de trabalho, pagamento de impostos.
Como vimos no passado recente, vender casas a estrangeiros não foi um investimento do tipo dos que são necessários para ajudar o País a elevar-se. 
Neste caso, admitindo que se está a falar de gente honesta e que o dinheiro é limpo, recuperar património edificado pode ser positivo.
Recorde-se, porém, que o "visto gold" foi uma criação que fugiu ao controlo do criador -  Paulo Portas.
Por isso, a vinda desses "novos portugueses" só interessa se o que vier não for gente obscura, com dinheiro em notas dentro de malas, que usará o "visto gold" para poder circular livremente na Europa.

As doações à Cultura para obter vistos gold dispararam quase 300% e atingiram 46 milhões de euros em 2025.
Há milionários estrangeiros que estão a comprar a autorização de residência em Portugal doando dinheiro à Cultura. Em 2025, o montante que entrou no país cresceu quase cinco vezes. São sobretudo norte-americanos e chineses que recorrem a este expediente legal que garante o chamado "passaporte dourado".

É o maior investimento desde que o programa foi criado há seis anos. Trata-se de um crescimento de 298% em comparação com 2024. No ano passado, as doações de cidadãos estrangeiros para projetos culturais ultrapassaram os 46 milhões de euros, face aos 11 milhões do ano anterior.

Os dados são do Ministério da Cultura e revelam também que, devido a estas doações, foram emitidas 211 autorizações de residência para investimento. Em 2024 tinham sido 50. Na prática, basta doar 250 mil euros ou mais para poder ter acesso a estes “vistos gold”Segundo o Diário de Notícias, os cidadãos norte-americanos são os que mais recorreram a este regime, com 120. Os chineses ocupam o segundo lugar, com 70 doações. Seguem-se os indianos, com 30 vistos. Sete britânicos também fizeram transferências para a cultura portuguesa. Os paquistaneses, cinco. Turcos e iraquianos, quatro. O pódio termina com a obtenção de visto por cidadãos do Bangladesh, Irão e Jordânia.

Foram ainda feitas 36 doações, mas sem indicação da nacionalidade. Os "vistos gold" no imobiliário acabaram em 2023, ainda no governo de António Costa, mas permaneceram na cultura e na economiaÉ possível obter "vistos gold" através da criação de empresas que criem no mínimo 10 postos de trabalho ou transferências de capital de valor igual ou superior a meio milhão de euros. A investigação científica também está abrangida.

"O projeto elaborado pelo Município da Figueira da Foz para a reabilitação da Casa da Criança Infanta D. Maria tem por finalidade voltar a instalar no imóvel um jardim-de-infância, com capacidade para 75 crianças. A obra tem um orçamento inicial de 1,2 milhões de euros, que será candidatado aos Vistos Gold da Cultura. Segundo adiantou Santana Lopes ao DIÁRIO AS BEIRAS, a autarquia também pretende candidatar a reabilitação do Paço de Maiorca e do Palácio Conselheiro Branco àquela fonte de financiamento. São dois imóveis históricos municipais situados na zona histórica da vila de Maiorca."

Imagem via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)