domingo, 6 de setembro de 2026

O SNS, a joia da coroa da democracia portuguesa, nunca correu tantos riscos

Os problemas do Serviço Nacional de Saúde não são de hoje. A memória leva-me a Durão Barroso.
A partir de Durão Barroso o hospital passou a ser encarado uma empresa como qualquer outra empresa, pelo menos em muitos aspectos, devendo, portanto, recorrer aos métodos, técnicas e instrumentos próprios da gestão empresarial. 
A legislação desta Reforma falava em ganhos em saúde: isto não era aproximar-se da essência e da finalidade de uma empresa?
Isto é: o lucro.
Aconteceu o que tinha que acontecer: os gestores dos hospitais, transformados em sociedades anónimas, os dirigentes dos que continuaram a pertencer ao Sector Público Administrativo, ou dos que forem objecto de negociações do tipo parceria público-privada, procuraram conquistar determinados mercados para que a sua "empresa" obtivesse "ganhos".
E como ficámos nós os utentes perante esta nova realidade?
Convém não esquecer que o que está em causa é um produto que podemos chamar de saúde. O povo diz  que a saúde não tem preço. É uma realidade. Para o  doente/utente - sei por experência própria - no momento em que está a precisar de cuidados de saúde, aquilo que menos o preocupa é se o hospital tem  gestão empresarial ou gestão tradicional. O que doente/utente  pretende é ser bem atendido e não esperar meses a fio por uma consulta ou por uma intervenção cirúrgica sem recorrer aos subsistemas privados de saúde.
Sabemos quem assume o tratamento dos doentes mais caros: o SNS, que o mesmo é dizer, o orçamento de estado para a saúde.

Sabemos que o PSD e o CDS votaram contra a criação do SNS, mas a forma como estão a tentar empurrar o SNS para a mão dos privados é bem visível e não deixa margem para dúvidas. 
Basta vero que se está a passar com a contratação de enfermeiros. 
Mais uma vez, a atitude tomada mostra que não querem contratar pessoal para o SNS tão carenciado dele, mas pretendem, sim, convidá-los a emigrar ou deixá-los livres para os privados. 
Luís Montenegro e Ana Paula Martins estão a cometer um crime. António Arnaut não merecia isto. 
E os portugueses também não.
Luís Montenegro e a ministra da saúde, Ana Paula Martins, estão a tentar ferir o SNS de morte. 

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