segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Trump e a sardinha

Uma crónica do eng. Daniel Santos publicada no Diário as Beiras em 16 de Setembro de 2016

"Esta foi uma semana para esquecer. Donald Trump ficou mandatado para mandar no país mais poderoso do mundo. Com ele, está prometido o regresso de uma carga de ódio, racismo e misoginia que nos revelam perigos que todos julgávamos enterrados para sempre há já mais de setenta anos. Exatamente no momento em que morreu o poeta cuja voz transmitia um sentimento de melancolia de estranha e suave tranquilidade. Que nos impôs, por isso, tentar perceber as suas mensagens.
Com tanta coisa a correr mal, prefiro então dedicar-me às sardinhas. Às pequenas coisas do nosso quotidiano que também nos vão retirando acanhadas esperanças de manifestação de humildade, de contrição, que não ocorrem. Quem sabe se também por causa deste momento estranho que vivemos que nos coarta as expetativas de um futuro melhor.
A interpretação que faço do motivo escultórico que constitui uma homenagem aos laboriosos pescadores e peixeiras que ali mesmo labutavam há décadas atrás nas atividades da lota da sardinha, independentemente da sua qualidade artística e da repetição (que não pretendo discutir agora), transmite-me exatamente o seu labor e o clamor da atividade. E também o movimento. Que já vinha do mar com os pescadores.
Por isso mesmo, a justa homenagem merece a correção do topónimo inscrito na Memória. Vá lá, ao menos nestas pequenas coisas, venha de lá um pequeno sinal de humildade.
Era mesmo a Praia da Sardinha! "


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