domingo, 6 de setembro de 2026

"O nojento Frazão"

A democracia representativa tem pelo menos um mérito: é que um membro do parlamento nunca pode ser menos do que aqueles que votaram nele.

Texto de Eduardo Dâmaso. Jornalista

"No dia em que André Ventura acusava Luís Neves de usar uma linguagem pouco apropriada num Estado de Direito, o deputado do Chega Pedro Frazão ameaçava fechar a agência Lusa e chamava “nojentos” aos jornalistas deste órgão de informação. O homem indignou-se por a Lusa não chamar terrorista ao Hamas e qualificá-lo como movimento extremista. Frazão tem direito a indignar-se com o que quiser. A indignação é a sua residência habitual, bem como dos seus comparsas de partido. O que Frazão não pode é ameaçar os jornalistas e uma empresa de comunicação social.
Frazão, essa figura de duas caras que navega no espaço público a tentar tornar-se aceitável no clube restrito da política ao mesmo tempo que desata todo o ódio nas redes sociais, que insulta jornalistas e adversários sempre pela bitola mínima do “nojento” e dos “porcos”, é uma metáfora ambulante da hipocrisia do Chega. Num momento, grávido de sentido de Estado, no minuto seguinte metido dentro desse quadro impiedoso da miséria moral que é o filme Feios, Porcos e Maus. Frazão, o Nojento, assim ficará conhecido no seu bairro pela quantidade de vezes que usa o adjetivo, simboliza o que será o Chega se um dia tiver um pequeno naco de poder. Mesquinho, vingativo, ressentido, sempre na pele do pequeno e ridículo ditadorzeco imortalizado por Chaplin."

1 comentário:

CeterisParibus disse...

Cilício e avental.
Mais um virtuoso com lugar garantido no céu.