quarta-feira, 1 de abril de 2026

A pluralidade tem de ser defendida na Constituição

Dizem que mais de metade dos portugueses defende uma revisão constitucional

Depois de na passada semana, ter dito que avançaria com um processo de revisão constitucional "até ao final do ano", André Ventura afirmou ontem que o Chega pretende dar início à revisão da lei fundamental já neste mês de Abril, quando se cumprem 50 anos da Constituição de 1976. Referindo que os deputados do partido com assento na Comissão de Assuntos Constitucionais vão "começar a redigir um primeiro texto de revisão constitucional", Ventura acrescentou que esta não pretende ser "uma revisão nem maximalista, nem minimalista".
"É uma revisão de que o país precisa neste momento para ter uma Constituição adequada aos novos tempos." 
Para o deputado, são quatro os grandes pontos que devem merecer atenção e que, de resto, são bandeiras antigas do Chega. O primeiro é a "limpeza da carga ideológica que a Constituição ainda tem", com as referências ao socialismo; o segundo o da "revisão do modelo económico", que diz estar "muito assente naquilo que era o modelo económico dos anos 1970 e 80. num modelo de estatização"; em terceiro lugar, uma "maior proximidade entre eleitos e eleitores", mas com redução de cargos políticos, nomeadamente do número de deputados; e a quarta, "a questão da justiça" - e, neste âmbito, o agravamento de penas que possam ir, "no limite, até à prisão perpétua"
Vamos à realidade.
Mais de metade dos portugueses, não sabe o que é a Constituição e, muito menos, o que nela consta. 
Isto é importante. Esta é a política do Chega.
Andamos no mundo das percepções: os velhos não saem à rua com medo de viver num país governado por quadrilhas de assassinos, ladrões, violadores, bandidos.
Duvidam: vejam a televisão do Correio da Manha [sem til], com os mesmos casos em loop 24 horas, e até mais, a entrarem permanentemente na cabeça das pessoas.
É por aqui que anda a direita, há anos e anos, a fazer a cabeça dos portugueses para uma revisão constitucional que erradique o que resta da Revolução do 2 de Abril de 1974.
Tomem atenção às palavras de José João Abrantes, actual presidente do TC: "têm-se ouvido vozes a dizer que o TC não pode contrariar aquilo em que o povo vota e há mesmo quem questione que sentido faz a decisão de um tribunal de 13 juízes prevalecer sobre uma maioria de deputados". Sublinhando que "esta argumentação tem sido utilizada noutros espaços, inclusivamente para justificar o caminho para algumas autocracias", destacou que a "legitimidade democrática não vem unicamente do voto e a separação de poderes é um valor igualmente importante para a democracia”.
O projecto, valores e o conjunto de direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa (CRP), aprovada no dia 2 de Abril de 1976, estão profundamente enraizados na sociedade portuguesa, são actuais e perspectivam um rumo de desenvolvimento e justiça social, que urge intensificar, defender e promover.

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