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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A ganância ainda vai dar cabo deles caro vereador...

O vereador PS na Câmara da Figueira, António Tavares, hoje no jornal AS BEIRAS.
“Pretende a Comissão Europeia, em consonância com o Governo português, que os salários baixem até cinco por cento.
Os objectivos são sérios: baixar o desemprego, aumentar a competitividade das empresas e reduzir o endividamento do país ao estrangeiro.
A lógica é fácil de entender: a descida das remunerações diminui o preço do factor trabalho, suscitando mais contratação, reduz os custos de produção, tornando as mercadorias mais competitivas e mais “exportáveis”, e, com menos rendimento, baixa o consumo e, por conseguinte, as importações; vista assim, a economia parece fácil.
O problema é que por trás da sedutora dedução que explica as diferentes variáveis existem pessoas com necessidades reais. Apesar disto, a solução de baixar os salários parece ser sempre a forma mais fácil de resolver todos os problemas que as sucessivas crises vão gerando.
E tal acontece apesar de os empresários estarem preocupados com a diminuição do consumo, de o Governo afirmar que o crescimento das exportações está consolidado e de o ministro Pires de Lima referir que o “ajustamento” salarial no sector privado foi “o suficiente”. Repare-se, no entanto, no seguinte: em 2011, a produtividade real por hora trabalhada era, no nosso país, de 16,5 euros. Na média da zona euro era, quase, 37 euros. Na Holanda, este valor era de 46,2 euros, em França 45,4, em Itália 32,5 e em Espanha 30,2 euros, para só citar alguns países. Ou seja, mesmo ganhando pouco, com baixa produtividade, os custos do trabalho resultam elevados; e lá se vão a competitividade, as exportações sustentadas, a diminuição do desemprego. Não é, portanto, baixando os salários que vamos compor a situação; a verdadeira conquista é a da produtividade e esta depende muito mais de outros factores que o trabalho.”

Pois é: a ganância ainda vai dar cabo deles...
Recorde-se  o que  desencadeou a crise financeira: o empobrecimento das pessoas.
Este empobrecimento foi a consequência  de o crescimento da riqueza dos ricos se ter tornado superior ao crescimento total da riqueza, o que implica que passou a alimentar-se do empobrecimento dos não-ricos.
Claro que houve os produtos tóxicos, mas isso tudo só estoirou porque as pessoas deixaram de ter dinheiro para os alimentar - foi aí que eles se tornaram "tóxicos", antes disso eram fantásticos...
Consta, por aí, que a economia está a melhorar pois as exportações estão a crescer.
Todavia, sabemos que não é assim...
É óptimo que as exportações cresçam mas não são elas que marcam a economia - o que marca é o mercado interno.
Nos últimos anos, a crise financeira agravou-se  porque os portugueses  estão  a empobrecer.
Portanto, presumo eu,  a solução não passa por empobrecê-los mais...
Austeridade, para este governo e os interesses que defende,  consiste apenas em tirar dinheiro às pessoas...
A ganância desmesurada ainda vai arruiná-los...

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