quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Políticas radicais de austeridade...

"Já foram apontadas as principais falhas que provocaram o drama que se viveu na barra da Figueira. Há muitas responsabilidades a apurar, falhas técnicas, falhas humanas, etc. Mas a falha política, a falha de quem tutela os serviços de socorro é a falha mais fria, a mais racional, a mais pensada, aquela que não depende de um instante infeliz de um homem ou de uma falha técnica ocasional de uma máquina. E neste caso essa falha, foi a decisão de encerrar os serviços de socorro às 18 horas. A decisão de restringir a um determinado número de horas por dia serviços de emergência dedicados a acudir acidentes que podem ocorrer durante as 24 horas do dia comporta sempre enormes riscos de mais tarde ou mais cedo se consumar um acidente fatal. É aqui que se traça a fronteira entre a austeridade que mata e políticas de racionalização que não entram em conflito com o conceito de urgência. Um ataque cardíaco tal como um acidente marítimo não têm horas do dia para ocorrer, mas este governo repetidamente implementou medidas de racionalização irracionais, limitando horários de determinadas urgências ao comum horário laboral, como se a morte ao final do dia fosse também para casa jantar e dormir. O conceito estendeu-se à segurança marítima e o acidente acabou por acontecer."

Rui Curado da Silva no jornal AS BEIRAS.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

É uma cena lá deles...

"Comandante do Porto da Figueira da Foz demitiu-se".

"O comandante do Porto da Figueira da Foz pediu a exoneração do cargo, que foi aceite", disse Nuno Leitão, o porta-voz da Autoridade Marítima, à agência Lusa. 
Paulo Inácio manter-se-á em funções até ser substituído, disse a mesma fonte, acrescentado desconhecer qual a data da posse do novo comandante. O novo responsável pela capitania do Porto da Figueira da Foz é Silva Rocha, um oficial, com "larga experiência", que exerce funções na Direcção Geral da Autoridade Marítima e que foi comandante do Porto da Póvoa de Varzim/Vila do Conde. As razões do pedido de Paulo Inácio não foram reveladas. 
No dia 06, um naufrágio à entrada da barra do Porto da Figueira da Foz provocou cinco mortos. Dois outros pescadores foram resgatados com vida por uma moto de água da Polícia Marítima. 
A operação de salvamento, que se prolongou por seis dias, foi criticada por pescadores e familiares das vítimas.

Esta nossa barra: uma preocupação de sempre na minha vida...

Mais tarde ou mais cedo tudo acaba por se saber.
Nada ficará por esclarecer. 
Por mais que se queira encobrir ou dissimular a realidade, vem sempre o tempo em que a verdade se torna clara e exacta.
Isto, porque o que é verdadeiro, já antes aparecia como evidente, mas capsulado num jogo de interesses que só engana quem é tolo ou finge que não quer ver.
Toda a gente sabe que não se deve mexer na forma natural do litoral, sem precaver as consequências.
Como todos sabemos, isso nunca aconteceu com a barra da Figueira. 
Pergunto a quem de direito, se foi assim, de modo "anti-científico" que tudo se passou,  e a quem, nesta altura, se podem pedir responsabilidades por tudo o que tem acontecido, tanto na barra da nossa cidade, como no litoral, a sul da foz do Mondego. 
Fale-se então dos molhes, já que eles estão atravessados na vida das pessoas e no equilíbrio da região, sem que, até ao momento, se assuma o que eles atacam, prejudicam ou perturbam a vida das pessoas. 
Isto é, aquilo que eles continuam a afectar e a destruir.
A Figueira, desde que me recordo, encontra-se à mercê de meia dúzia de empregadores, alguns dos quais enricaram como intermediários ou como jogadores. 
Pouco têm a ver com o trabalho - salvo no que respeita à  exploração.
Portanto, nada perturba esta gente, salvo o que pode prejudicar o negócio. Ou, precisando, os negócios dos seus homens de negócios.
Que importância tem para quem não trabalha ou não produz mais do que as pessoais contas dos seus lucros, as verdadeiras condições e a realidade em que um pescador é obrigado a desenvolver a sua actividade numa barra como a da Figueira? 

Quando em 1977, já por má influência dos molhes,  a Cova esteve quase a ser invadida pelo mar, quem é nos acudiu para além dos militares da Figueira?
Quem é que esteve verdadeiramente preocupado para além dos habitantes da Cova que, na altura, sentiram, por assim dizer, os pés molhados?
Por isso, a mim, quando toca a assuntos do mar, ninguém me ameace com processos em tribunal
Os poderes - e os jornalistas são um poder e em vez de conviver alegremente com o poder - têm a obrigação de pensar no que pode acontecer se se modifica a forma do litoral sem prever as respectivas consequências.
Ao contrário do que dizem, por ignorância pura e dura, os meus detractores, eu tenho passado, uma vida, uma experiência e uma vivência, que é a maior e a única riqueza de que sou dono.
As imagens acima mostram que, mesmo como jornalista, assumi ser sempre uma voz emprestada ao Povo, no sentido de procurar dar a conhecer os problemas vividos e sentidos, por exemplo, pelos pescadores. 
Foi assim, que no desempenho da minha função de jornalista em Janeiro de 1980 embarquei a bordo de uma pequena embarcação de pesca artesanal- o "Tó Cesar" -  e escrevi a reportagem que foi publicada na edição nº. 107 do jornal Barca Nova, cuja publicação data de 1 de fevereiro de 1980.
Quem tiver dúvidas leia. As imagens podem ser ampliadas. Basta clicar em cima.

Em tempo.
Ainda há quem se lembre do meu passado.

Os esclarecidos, não têm dor de burro: têm dor de pertinente inteligente...

"Porque é que uma aliança pós-eleitoral entre o PSD e o CDS foi, em 2011, uma coligação e uma aliança pós-eleitoral entre o PS, o BE e o PCP é, em 2015, uma frente?"
Daniel Oliveira

A barra da Figueira não pode continuar a ser um cemitério

Crónica do eng. Daniel dos Santos, publicada na edição de hoje do jornal AS BEIRAS
Para ler melhor basta clicar em cima da imagem.
Foi pelo Mondego acima, num curso de água agora assoreado, que se processou muito do comércio dos princípios da nacionalidade. Coimbra, Soure, Verride, Montemor-o-Velho e Santa Eulália eram então portos flúvio-marítimos forjados pela sua influência.
O assoreamento progressivo do rio, que data do século XI, mas que se acentuou, sobretudo, a partir do século seguinte, foi eliminando a navegabilidade do Mondego, empurrando para a foz todo um somatório de actividades que levaram um modesto povoado do século XII a desenvolver-se.
A nossa história, a história da Figueira e das suas gentes, é muita da história da transformação do Mondego, que passou pelo histórico  e pela influência do acerto e do desatino que o homem fez nas intervenções da nascente até à foz ao longo dos séculos.

Mais tarde, a dominação filipina , vexatória e opressiva, viria a criar ao nosso País dificuldades acrescidas. 
A navegação foi das actividades industriais mais atingidas pelo desaforo do dominador.
A independência em 1640, ditaria uma mudança radical: os figueirenses meteram mãos à obra e desenvolveram a construção naval. Construíram caravelas, naus e outros tipos de embarcações. O desenvolvimento da construção naval permitiu o desenvolvimento local e a melhoria de vida para os figueirenses. Na altura, chegou mesmo a ser criada uma marinha mercante própria do porto, fortalecida com caravelas de armadores de Buarcos e Redondos, povoações à época mais ricas que o povoado da Figueira.
Ao movimento de navios e de mercadorias durante as décadas seguintes viria a corresponder uma expansão da Figueira povoado, que a elevaria ao nível das importantes povoações do nosso País.
À tutela do jugo filipino responderam alguns dos nossos antepassados, com um esforço colectivo, que só não foi inteiramente libertador, por, ao mesmo tempo, terem promovido e desenvolvido a dominação e a exploração dos outros.

Mas, a Figueira teve sempre um problema: o assoreamento da barra. 
E de projecto em projecto, de obra em obra, de erro sobre erro, chegámos ao prolongamento do molhe norte em 400 metros.
Registe-se, a propósito do recente sinistro do Olívia Ribau, que o presidente da Câmara da Figueira, além de sublinhar "que falharam as medidas de prevenção" e "a estação salva-vidas fechar às 18 horas e uma embarcação de socorro estar avariada", lembrou que há mais de três anos que a autarquia vem fazendo "insistentemente" apelos para a dragagem da barra, a última vez em abril de 2014, dando nota das dificuldades das embarcações dos pescadores para entrarem no porto, após as obras de prolongamento do molhe norte em 2010.
Como sabemos, é mais do mesmo: a única solução que os responsáveis encontram para manter a cota da nossa barra, passa pelas constantes dragagens. Isso, como diz há muito tempo o covagalense Manuel Luís Pata, "é cómodo para quem é responsável e a extracção das areias tem constituído «uma mina de ouro». Se não fosse esta »mina», estariam hoje construídos aqueles palácios («aqueles monstros») junto ao rio?"
O aumento do molhe em 400 metros, como a realidade já provou e como quem tinha o saber da experiência feita previu e preveniu em devido tempo, nunca evitará que as areias se depositem na enseada e fechem a barra. Além do mais, uma barra nunca se estrangula.
Quem promoveu e apoiou tão aberrante obra - como foi o caso, ainda na segunda-feira, do vereador Miguel Almeida -  não tem o mínimo conhecimento do que é o mar.
Por outro lado, mesmo que essa obra trouxesse algum benefício à barra da Figueira - e não trouxe, trouxe dor e luto (vários acidentes e 14 vítimas mortais em menos de meia dúzia de anos aí estão infelizmente para o provar) - isso seria sempre um acto egoísta e irresponsável de quem tem mandado na Figueira, dado o conhecido estado crítico da orla costeira a sul da barra da nossa barra.

Passados estes dias de brasa, os figueirenses vão continuar a viver como sempre viveram: em passividade.
Se não for olhado com urgência o problema da barra da Figueira da Foz, a Figueira poderá sofrer, mesmo a nível do negócio, uma crise com prejuízos irreparáveis.
Por exemplo: acham que foi com prazer que as duas fábricas de Celuloses instaladas no nosso concelho - e os principais utilizadores do nosso porto - construíram um ramal de caminho-de-ferro, pouco utilizado aliás nas exportações via porto da Figueira?
Não teria sido, em grande parte, pela falta de confiança da barra local?..    

Em que se basearam os técnicos para o prolongamento, curvando para sul, do molhe norte?
Quiseram criar um segundo porto de Leixões?
Só que o molhe daquele porto do norte do nosso país, está implantado num sítio fundo, por isso o mar não rebenta,  ao passo que na enseada de Buarcos, devido ao constante assoreamento das areias que vêm do norte, o mar rebenta e fecha a barra -como aconteceu naquela fatídica terça-feira...
Eu sei, porque falo todos os dias com pescadores que arriscam a vida na barra da Figueira, que esta barra vai dar mais problemas.
Oxalá esteja completamente enganado.
Mas, quando me dizem - e estou a falar de homens experimentados e corajosos, não estou a falar de "copinhos de leite" -  que os sustos são de tal ordem que, por vezes, "até nos borramos pelas pernas abaixo", temos de continuar preocupados.
Pelo menos que haja o mínimo: meios de socorro e de salvamento, em prontidão, que permitam que se faça o possível quando a desgraça acontece.
O que foi que não aconteceu no mais recente sinistro que ocorreu na entrada da barra da Figueira da Foz.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

"Para que não se esqueça..."

Cerca de duas centenas de familiares e amigos dos tripulantes do arrastão Olívia Ribau homenagearam hoje, junto ao rio Mondego, na Figueira da Foz, os cinco pescadores mortos no naufrágio de há uma semana.
Após a vigília, os familiares realizaram um novo protesto junto à capitania.

Parabéns, meu...

Foto Pedro Agostinho Cruz
“Passava a vida a espreitar para contentores do lixo”, “mas nunca foi sem-abrigo”.
Ao longo dos seus 55 anos, António Tavares já vestiu muitas peles: professor do ensino secundário, advogado, jornalista, vereador da oposição e, nos últimos anos, do poder.
Se «passava a vida a espreitar para os contentores do lixo», era porque, no início das suas funções executivas na Câmara Municipal da Figueira da Foz, queria «mudar o mundo» e, sob o peso dessa responsabilidade auto-impos­ta, cedia à obsessão pelos pormenores. O tempo, garante, curou-o. Os livros, e a escrita, libertaram-no.
Resumindo, concluindo e moral desta «estória» - se esta «estória», que tive oportunidade de ler no Diário de Coimbra, há uns tempos atrás, porventura, tivesse moral!..
Ontem, António Tavares como homem inteligente que sempre foi, queria “mudar o mundo”Hoje, António Tavares, como homem sábio e político que passou a ser, “mudou-se a ele mesmo”.
Aprendeu a saber  jogar, de igual para igual, com os que se movem num terreno partidário armadilhado e movediço, como é,  e sempre foi,  desde que me conheço,  o PS figueirense.
Nos dias que passam, António Tavares é um político feito e assumido, pois melhorou muito no saber lidar com as relações políticas dentro do partido socialista e continua com a visão estratégica e o sangue frio que sempre lhe reconheci. 
Mas, vamos ao que interessa.
"O Prémio Leya 2015 foi esta terça-feira atribuído a António Tavares, pelo romance O Coro dos Defuntos. O júri escolheu esta obra por unanimidade. Este é o galardão de maior valor pecuniário - 100 mil euros - para romances inéditos em literatura de expressão portuguesa."
Sublinhe-se: o Prémio Leya é, a par do Prémio Camões - no mesmo valor, mas que distingue carreiras literárias -, o mais valioso atribuído na literatura de expressão portuguesa.

Eu acredito que todas as pessoas são boas em alguma coisa. Eu sabia, há muitos anos, que o António Tavares era bom a escrever. Mas eu também sei que o António Tavares, como político, tornou-se mais do mesmo.
Se o António Tavares lesse o que escrevo, sugeria-lhe que largasse a política e se dedicasse à escrita. 
Assim, como está a sua vida, conseguir juntar tudo, fazer com que a sua vida tenha sentido e que haja alguma ligação, deverá ser - presumo eu - muito difícil.
É com todo o gosto que registo, felicito e dou publicidade à conquista do prémio.
Por fim, assinalo a diferença entre o Super-Homem e o vereador Tavares!..
Só um tem um livro premiado para atirar à cara de quem o tente chatear...

Barra da Figueira foi reaberta

foto sacada daqui
A navegação na barra do porto da Figueira da Foz, encerrada desde o naufrágio, na passada terça-feira, do arrastão “Olívia Ribau”, que vitimou cinco dos sete tripulantes da embarcação, foi ontem aberta à navegação, embora sujeita a alguns condicionalismos, e utilizando o mesmo canal que no domingo foi utilizado para a saída de embarcações.
A entrada de navios no porto da Figueira da Foz está a ser efectuada com recurso a sinalização de bóias e apoio de embarcação da Marinha.

A pornografia nem sempre foi como é hoje...

Há quem considere que a melhor coisa do mundo é a pornografia. 
A pornografia nem sempre foi como é hoje em Portugal. 
Houve uma altura em que não havia jornais destes. 
Foi no país do passado.  
Nesse país do passado, a pornografia tinha revistas especializadas que circulavam quase que na clandestinidade.
Agora já ninguém liga. A pornografia circula livremente.

E depois havia a tradição. 
O filho do pedreiro era pedreiro, o filho do pescador era pescador, o filho do sapateiro era sapateiro, o filho do trabalhador rural era trabalhador rural, que por acaso era camponês, e por aí, e andavam na escola até à quarta classe a aprender que D. Afonso Henriques tinha sido o primeiro rei de Portugal e que em 1385 tinha havido uma batalha em Aljubarrota onde tínhamos dado nos cornos dos espanhóis, os rios do Continente, as plantações das Ilhas Adjacentes e os caminhos-de-ferro do Ultramar, a escrever o nome para quando fossem tirar o bilhete de identidade ao registo civil e a tabuada de cor e salteado para contar os trocos e o rol a pagar na mercearia no final do mês. O filho do rico era o filho do rico e o filho do doutor era o filho do doutor, categoria que abrangia todos os doutores de todas as categorias à face da terra, à excepção do engenheiro que era senhor engenheiro e era filho do senhor engenheiro. As mulheres eram as mulheres com a nuance de poderem ser mulheres ricas ou mulheres pobres, mulheres dos ricos ou mulheres dos pobres, quietas lá no seu sítio de donas de casa e parideiras. Na Santa Paz do Senhor, Amém.
E pode o partido que não ficou em primeiros no final da contagem formar Governo, com o suporte da maioria dos deputados que foram eleitos para formar maiorias e não para eleger primeiros-ministros, e governar? 
Não pode, por causa da tradição.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Ainda andam a recuperar...

É a democracia, estúpidos...

ORAÇÕES DE SEGUNDA-FEIRA |

Meu Sant'antoninho, não nos deixes ficar mal e livrai-nos dos gajos por bem. Santa Catarina do Bloco, negociai por nós, ponde os olhos em S. Jerónimo que fez das tripas coração e dai-lhe a mão. 
(Rezar 3 vezes com um copo de esperança no futuro)
António Costa Santos

Miguel Almeida: tanto que ainda ficou por explicar na sua crómica...

A obra, considerada fundamental pela tutela e comunidade portuária, visava permitir a melhoria das condições de acessibilidade ao porto da Figueira da Foz.
Anos depois de concluída a obra, a barra para os barcos de pesca que a demandam está pior que nunca e a erosão, a sul, está descontrolada. 
Neste momento, pode dizer-se, sem ponta de demagogia, que a situação é alarmante.
E não foi por falta de aviso.
Por exemplo, Fernando Veloso Gomes, intervindo num debate na Figueira da Foz promovido pela Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARHC) em maio de 2010, recordou que na apresentação "há dez anos" (ano de 2000) do projecto de prolongamento em 400 metros do molhe norte do porto da Figueira da Foz - cuja intervenção se encontrava nessa altura (2010) em curso - que "avisou para as consequências da obra.”
Por exemplo, Manuel Luís Pata, em 1996, escreveu isto no Correio da Figueira a propósito da ideia que então já existia do prolongamento do molhe norte. 
“Prolongar em que sentido? Decerto que a ideia seria prolonga-lo em direcção ao sul, para fazer de quebra-mar.
Se fora da barra fosse fundo, que o mar não enrolasse, tudo estaria correcto, mas como o mar rebenta muito fora, nem pensar nisso!..
E porquê?... Porque, com  os molhes tal como estão (como estavam em 1996...), os barcos para entrarem na barra  vêm com o mar pela popa, ao passo que, com o prolongamento do molhe em direcção ao sul, teriam forçosamente que se atravessar ao mar, o que seria um risco muito grande...
Pergunto-me! Quantos vivem do mar, sem o conhecer?”.

Hoje, numa crónica que assina no jornal AS BEIRAS, Miguel Almeida escreve isto.
"Quantas vidas mais terá o mar de levar para que se resolva em definitivo o problema da entrada da barra? O problema não está na construção do prolongamento do molhe norte, mas sim nos impactos negativos que provocou e que eram conhecidos desde o início da sua construção. Isto é, o prolongamento do molhe norte era necessário para a estabilização do canal de navegação, o que não se compreende é que conhecidos os impactos que ia provocar não se tenham tomado as medidas necessárias para os eliminar."
Mas, onde andou tanta gente que não contribuiu para prever, em devido tempo, o que era facilmente previsível?..
Recorde-se que Miguel Almeida, apesar de ainda jovem, é detentor de uma brilhante biografia política com cerca de duas dezenas de anos, ou mais:  foi deputado na Assembleia da República, deputado na Assembleia Municipal da Figueira da Foz, vereador executivo na Câmara Municipal da Figueira da Foz e candidato a presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Neste momento, é vereador na oposição...

A minha maior mágoa - e isso é o que eu lamento mais profundamente - é que o negócio sempre foi o que mais influenciou o desenho e a gestão da barra do porto da Figueira da Foz.
Como escreve Miguel Almeida, mais à frente, agora veio o resto, que esta tragédia colocou completamente a nu.
"Infelizmente, existe uma enorme nebulosa sobre todo este caso, que se exige que os inquéritos da Marinha e do Ministério Público dêem respostas. Fica a sensação que o Serviço Municipal de Protecção Civil e a Autoridade Marítima não estão articulados. Enfim, fica a sensação que quase tudo falhou. Felizmente, ainda foi possível salvar a vida de dois tripulantes, graças à disponibilidade do polícia marítimo Carlos Santos, que, apesar de estar de licença, se fez ao mar e resgatou os únicos sobreviventes. Saibamos todos honrar a memória de para quem “o pão, às vezes, é morte”, não permitindo que esta tragédia caia no esquecimento e não se resolvam os problemas". 
Esta crónica de Miguel Almeida, a meu ver, teria ficado mais completa, se tivesse também referido a política de cortes cegos feitos pelos que governaram nos últimos 4 anos em Portugal e que, pelos vistos, se preparam para continuar.
Um dia - essa é esperança que me alimenta desde sempre -  ainda hão-de ser as pessoas o mais importante na definição do desenho e da gestão da barra da Figueira e do Portugal em que desejava viver.

aF253


No país dos farsantes...

Um pantomineiro antes de ser O pantomineiro

João José Cardoso

Sou leitor de todos os dias do blogue Aventar, desde há vários anos.
Dos inúmeros autores do Aventar, João José Cardoso é dos preferidos.
Foi pelo Aventar que tomei conhecimento da sua morte.
Não o conhecia pessoalmente, mas pelo que li durante anos do que escreveu e pelo que li do que nas últimas horas escreveram dele, pertencia aos "gajos terríveis e com um feitiozinho de mula", mas escrevia com respeito pelo que pensava e pelo que sentia.
Tinha-o como um  Homem de causas.
Lamentavelmente, o lado da barricada dos que ainda não desistiram de lutar por uma sociedade mais justa e respeitadora dos direitos humanos,  ficou ainda mais pobre.

domingo, 11 de outubro de 2015

Pro memoria...

Encontrado corpo do último pescador do naufrágio do Olívia Ribau

O corpo do Adriano Camboia apareceu na zona da marina da Figueira da Foz, cerca das 13 horas e 4 minutos.

Pescadores exigem socorro 24 horas por dia

Os pescadores estão com medo da barra da Figueira.
 "Tememos pela vida. O medo de que possamos naufragar está sempre na nossa mente", disse  ao Correio da Manhã José Santos, pescador da Figueira da Foz. 
"Sentimo-nos abandonados e com medo de não sermos socorridos", afirmou ao mesmo jornal o pescador José Carriço, para quem os serviços do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) devem estar abertos "24 horas por dia" e com duas equipas em permanência. 
É precisamente o encerramento deste serviço, às 18h00, que deixa revoltados os pescadores tendo em conta que é a partir daquela hora e até à meia-noite que se regista um grande movimento de entradas e saídas de barcos.

A segurança e o salvamento marítimo, um caso grave na barra da Figueira que acidente do Olívia Ribau pôs a nu...

Desde a passada quarta-feira que a Associação Sócio-Profissional da Polícia Marítima quer que seja aberto um inquérito à operação de socorro, desencadeada na sequência do naufrágio do dia anterior na Figueira da Foz.
"Este infeliz episódio deverá servir de alerta para as fragilidades do actual sistema de salvamento marítimo, sustentado no altruísmo dos profissionais da Polícia Marítima", frisa a ASPPM.
É tempo de "encarar a inoperância do sistema na busca e salvamento no mar com a frontalidade que a situação merece e responsabilizar as entidades competentes no salvamento marítimo, antes que se contem mais vítimas no seio da instituição policial", pode ler-se ainda no comunicado da ASPPM.
A associação sindical sublinha também que o "altruísmo que move os profissionais da Polícia Marítima não deve ser confundido como um dever especial de garante da vida humana no mar".

"As incontáveis vidas salvas por profissionais da Polícia Marítima não devem servir para ocultar a inoperância do actual sistema".

A realidade, segundo a ASPPM é que "os profissionais da Polícia Marítima não dispõem de competências para a busca e salvamento no mar, nem estão habilitados, treinados ou em prontidão para responder a ocorrências de naufrágio".
A Figueira tem um grave problema de segurança no salvamento a náufragos, que este acidente colocou a nu.
Um agente da Polícia Marítima, de folga, que por mero caso estava próximo da Figueira, e se muniu de uma mota de água e conseguiu salvar duas vidas, não pode servir para camuflar a realidade.
O Instituto de Socorro a Náufragos encerra às 18 horas numa barra que, a não ser que as condições do tempo não o permitam, permite entradas e saídas 24 horas por dia.
De sublinhar:
1. na passada terça-feira o Instituto de Socorros a Náufragos não tinha os meios necessários para acudir ao acidente, por uma das embarcações, a Patrão Macatrão, estar avariada
2. o facto da Protecção Civil Municipal da nossa cidade não ter tido conhecimento de que as instalações encerram às 18 horas!..
Depois de tudo ter falhado no naufrágio do Olíva Ribau,  espera-se que a justiça funcione.

sábado, 10 de outubro de 2015

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Naufrágio do "Olívia Ribau": depois de tudo ter falhado espera-se que a justiça funcione

O Ministério Público está a investigar as circunstâncias em que ocorreu o naufrágio do "Olívia Ribau", na Figueira da Foz, nomeadamente se houve falhas na prestação de socorro. 
Ontem, nas operações de resgate, foi encontrado o corpo de Américo Tarralheiro dentro do barco. Até agora estão confirmados quatro mortos e um pescador, Adriano Combóio, continua desaparecido. Apenas dois tripulantes foram resgatados com vida.

Fonte judicial confirmou ao Correio da Manhã que já foi instaurado um inquérito para apurar se terá havido ou não responsabilidade das instituições neste desfecho trágico. 
crónica publicada hoje no jornal AS BEIRAS
A par da investigação do MP, os familiares de um dos pescadores também já anunciaram que vão recorrer aos tribunais. Vítor Gaspar, advogado que representa a família de Adriano Combóio, disse que vai apresentar queixa por eventual omissão de auxílio e mover uma acção administrativa para responsabilizar "a actuação das instituições". A actuação dos meios de socorro tem sido fortemente criticada. 
Ontem, porém, a Autoridade Marítima reafirmava em comunicado que "as decisões tomadas foram inequivocamente as mais adequadas face a todos os factores presentes"
O comunicado alerta para a necessidade de "implementação de uma cultura de segurança, que aumente as probabilidades de sucesso em emergências desta natureza", responsabilizando assim os próprios pescadores por não adoptarem as necessárias medidas. À cabeça da lista dos exemplos negativos da falta desta cultura está "a não utilização de coletes pelos tripulantes em momentos de risco elevado, que diminui as probabilidades de sobrevivência na água não dando tempo para que o resgate se efectue". Outro exemplo referido é a entrada numa barra condicionada com o material desarrumado e sem estar preso, provocando instabilidade e a sua libertação à volta do barco, o que impossibilita "a chegada do socorro por via marítima"

A BARRA
Nos últimos quatro anos registaram-se três acidentes graves, com vítimas mortais, à entrada da barra da Figueira da Foz. Os pescadores apontam o dedo às obras ali realizadas. "Aquela barra ficou mais perigosa depois do aumento do cais. Temos mais areia e a navegação é muito mais arriscada", refere José Festas, presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar. 
"Está na altura de questionar porque é que há tantos naufrágios", afirma, revoltado, Alexandre Carvalho, pescador na Figueira da Foz. "A barra transformou-se numa ratoeira para os pescadores", refere. Com o aumento do molhe em 400 metros, explica, "os barcos têm de entrar ou sair da barra atravessados, não há segurança"
Segundo José Festas, na altura em que foram realizadas as obras, a associação que representa alertou os responsáveis para o problema, mas sem sucesso: "Nós tentámos impedir que a barra fosse feita assim. Avisámos que ia matar muita gente"
O responsável por este blogue, dentro das suas modestas possibilidades, tem feito o que pode no alerta dos problemas da nossa barra - que, em abono da verdade, não são de hoje nem de ontem: na Figueira, há mais de 100 anos que os engenheiros se dedicam a fazer estudos para a construção de uma barra... 
Vejamos o caso do prolongamento em 400 metros do molhe norte.
Manuel Luís Pata, outra voz que tem andado a pregar no deserto, avisou em devido tempo, mas ninguém o ouviu... Recordo, mais uma vez, o já longínquo ano de 1996. Manuel Luís Pata,  no extinto Correio da Figueira, a propósito da obra que então se perspectivava e, entretanto,  concretizada, do prolongamento do molhe norte da barra da nossa cidade para sul, publicava isto que era um alerta, que ninguém teve em conta.
“Prolongar em que sentido? Decerto que a ideia seria prolonga-lo em direcção ao sul, para fazer de quebra-mar.
Se fora da barra fosse fundo, que o mar não enrolasse, tudo estaria correcto, mas como o mar rebenta muito fora, nem pensar nisso!..
E porquê?... Porque, com  os molhes tal como estão (como estavam em 1996...), os barcos para entrarem na barra  vêm com o mar pela popa, ao passo que, com o prolongamento do molhe em direcção ao sul, teriam forçosamente que se atravessar ao mar, o que seria um risco muito grande...
Pergunto-me! Quantos vivem do mar, sem o conhecer?”

O SOCORRO
O Sindicato dos Trabalhadores das Administrações Portuárias revelou  que há estações de salva-vidas "com um só elemento" quando deveriam ter seis. No País há 60 tripulantes dos salva-vidas, mas a lei prevê 130, diz o comunicado. Nuno Leitão, porta-voz da Autoridade Marítima, confirma que existem 60, mas recusa comentar o comunicado. Serafim Gomes, do Sindicato, diz que na Figueira da Foz só foi usada a moto de água porque não havia pessoal para tripular os salva-vidas. 
Em declarações aos jornalistas, João Ataíde, presidente da câmara da Figueira da Foz, disse que a estação salva-vidas do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) não tinha os meios necessários para acudir ao acidente, por uma das embarcações, a Patrão Macatrão, estar avariada, e criticou o facto da Protecção Civil Municipal não ter tido conhecimento de que as instalações encerram às 18 horas.
Consciente do papel de destaque que se encontra reservado à protecção civil ao nível do bem estar da população figueirense, tendo em conta o cumprimento do estatuído no artigo 5º do Decreto-Lei nº 203/93, de 3 de Junho, que ao regulamentar a Lei nº 113/91, de 29 de Agosto (Lei de Bases da Protecção Civil), impôs aos municípios a promoção da criação dos seus serviço municipais de protecção civil, aos quais cabe desenvolver actividades de coordenação e execução tendentes a prevenir riscos colectivos inerentes à situação de acidente grave, catástrofe ou calamidade de origem natural ou tecnológica, atenuar os seus efeitos e socorrer as pessoas e bens em perigo, quando aquelas situações ocorram das populações, deixo duas perguntas: 
1ª. - para que serve a Protecção Civil Municipal da Figueira da Foz?
2ª. - quantas reuniões de coordenação existem por ano com todas as entidades envolvidas?
Recordo, para quem não se lembre, que o presidente da Câmara tem a seu cargo a direcção das actividades a desenvolver no âmbito da Protecção Civil, cabendo-lhe designadamente, "criar e dirigir o Serviço Municipal de Protecção Civil Concelhio, procurando garantir a existência dos meios necessários ao seu funcionamento".
Isso passa, entre muitas outras coisas, por "convocar e presidir às reuniões da Comissão Municipal de Protecção Civil", "promover a cooperação de cada organismo ou entidade interveniente, diligenciando assim, o melhor aproveitamento das suas capacidades", "coordenar a elaboração do Plano Municipal de Emergência e promover a preparação, condução e treino periódico dos respectivos intervenientes", "promover e contribuir para o cumprimento da legislação de segurança relativa aos vários riscos inventariados, oficiando para o efeito aos órgão competentes", "promover reuniões periódicas da Comissão Municipal de Protecção Civil, sempre que necessário e no mínimo duas vezes por ano".

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Apareceu o cadáver de mais uma vítima...

Foi encontrado mais um corpo dentro do Olívia Ribau... 
Na terça-feira tinha sido resgatado um corpo e na quinta-feira mais dois. Falta aparecer um tripulante. Da tripulação constituída por sete elementos apenas se salvaram dois.

Apesar de algumas manobras com o arrastão naufragado terem decorrido com sucesso ...

...4 dias depois do acidente a barra da Figueira da Foz permanece fechada.

Tão bom comentador que ele era e agora não passa dum candidato a suceder a Cavaco!..

"Marcelo Rebelo de Sousa anuncia candidatura a Presidente da República às 18 horas"...

Esclarecimento da Marinha e AMN - Naufrágio da embarcação Olívia Ribau

Na sequência das declarações vindas a público, criticando as operações de socorro após o naufrágio da embarcação de pesca Olívia Ribau, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) vem reafirmar que as decisões tomadas foram inequivocamente as mais adequadas face a todos os factores presentes.
Permanece a duvida:
"Como é que os meios existem e foram adequados, e foi tudo um sucesso se quem salvou está de licença de paternidade e nem sequer trabalha na Figueira da Foz????? 
Os dispositivos de segurança será que é assim que funcionam, por mero acaso????"

O Comandante Nuno Leitão acabou de responder ao Presidente da Câmara da Figueira da Foz em directo na CMTV

Começou por dizer que as críticas do senhor presidente da câmara da Figueira da Foz "foram críticas infelizes."
Depois, em tom manifestamente exaltado, perdeu mais uma bela oportunidade de estar calado, pois repetiu o que já disse inúmeras vezes nos últimos três dias.
Mais uma vez, esteve "infeliz" este inenarrável porta voz da Autoridade Marítima Nacional, mais um insuportável pesadelo que se veio juntar à tragédia que nos assolou na passada terça-feira ... 
Como pergunta e bem João Traveira:
"Uma coisa que é tão simples e que ninguém se está a lembrar, nem a comunicação social, pois ainda não vi ninguém fazer esta pergunta ao sr. Leitão. Como é q os meios existem e foram adequados,e foi tudo um sucesso se quem salvou está de licença de paternidade e nem sequer trabalha na Figueira da Foz????? Os dispositivos de segurança será que é assim que funcionam, por mero acaso????" 
Sinceramente, ouvir Nuno Leitão é cada vez mais o mais perto que se pode estar de ter um pesadelo acordado.

Quando a realidade ultrapassa a ficção

Recordam-se? Foi há poucos dias...
Paulo Portas, em plena campanha eleitoral, com a desfaçatez, à vontade e falta de vergonha que lhe é peculiar, deu a entender que os empresários só estavam à espera de saber se ele e Passos Coelho seriam reeleitos para decidir dos investimentos na economia - na tal economia que cria emprego, do tal emprego que cria riqueza, da tal riqueza que traz bem-estar às pessoas e proporciona o tal crescimento económico ao país!...
O blah-blah-blah do costume,  que, tal como a música pimba, entra mesmo nos ouvidos  dos mais distraídos desta coisa da política, pois foi repetido até à exaustão pela tal comunicação social - tipo câmara de eco...
Passaram-se  apenas 4 – quatro dias - 4, e a resposta dos empresários, que investem na economia, que cria emprego e coisa e tal, aí está.
«O ministro da Economia, Pires de Lima, admitiu hoje ficar preocupado com o encerramento da fábrica de Santarém da Unicer, que poderá envolver o despedimento de 150 pessoas"...

"Estive 15 anos naquele barco. Reformei-me em 2015, não imaginam o que estou a viver”

Via jornal AS BEIRAS

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

João Ataíde confirmou: a estação salva-vidas da Figueira da Foz "fecha às 18 horas e a embarcação de busca e salvamento estava há dois meses incapaz" ".

O Sindicato dos Trabalhadores Portuários acusou a Marinha de estar a iludir as pessoas sobre o naufrágio da Figueira da Foz e de o Instituto de Socorros a Náufragos não ter meios para acudir.
Segundo o JN, Serafim Gomes, da direcção do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações e Juntas Portuárias, frisou que o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) não tinha meios disponíveis aquando do alerta, cerca das 19.15 horas de terça-feira, porque a estação salva-vidas da Figueira da Foz "fecha às 18 horas", dado que os seus funcionários "têm o regime normal da função pública como qualquer funcionário de secretaria", acusou.

"O porta-voz da Marinha está a iludir as pessoas. Diz que os pescadores deviam usar coletes salva-vidas e que foi o estado do mar e as redes na água, mas não diz que o ISN não tinha meios para acudir quando o alerta foi dado", frisou Serafim Gomes.

"Isto é uma situação incrível, que se arrasta há mais de uma década e que não serve para um socorro deste tipo. É como se os polícias e os bombeiros tivessem um horário limitado", comparou.

Serafim Gomes revelou que o salva-vidas do ISN Patrão Macatrão, fundeado na Figueira da Foz, "está avariado há duas ou três semanas" e não podia ser utilizado para acorrer às vítimas do naufrágio, que provocou um morto, havendo ainda quatro pescadores desaparecidos.

"Se tivessem uma embarcação em condições e meios humanos, se calhar, nada disto tinha acontecido", lamentou.

Serafim Gomes disse ainda que os capitães do porto possuem a "arte do desenrasca", porque não havendo meios no ISN "mandam polícias marítimos que não têm preparação" para operações de salvamento.

Ouvido pela Lusa, o comandante Nuno Leitão, porta-voz da Autoridade Marítima, disse que as declarações de Serafim Gomes "não fazem qualquer tipo de sentido", embora tenha admitido a avaria no salva-vidas do ISN.

"São declarações de quem não conhece minimamente a realidade de uma operação de busca e salvamento. Lamento que as pessoas, nestas alturas, apontem o dedo a outras pessoas que estão a fazer o seu melhor e com os meios todos disponíveis para o sucesso da missão", frisou Nuno Leitão.

"Esse sucesso resultou em duas vidas salvas pelo meio empregue , estou nessa tristeza também, foram vidas que se perderam, situações que se podiam ter evitado se as pessoas estivessem a envergar os coletes salva-vidas, se tivessem cumprido aquelas regras elementares que a Marinha e a Autoridade Marítima diariamente divulgam", adiantou Nuno leitão.

"Agora, não podem estar a apontar o dedo a atrasos do salvamento quando aquilo que foi possível fazer foi feito" justificou. No entanto, Nuno Leitão admitiu que o salva-vidas do ISN "está avariado".

"A avaria que tem é uma avaria normal, está a espera de peças para ser reparado. A capacidade da estação salva-vidas nunca deixou de estar em causa", garantiu.

O porta-voz da Autoridade Marítima frisou ainda que se a embarcação do ISN estivesse em condições de ser utilizada "não tinha qualquer tipo de empregabilidade" no socorro, por ser um navio "grande, com capacidade oceânica".

Apesar da explicação do porta-voz da Autoridade Marítima sobre a falta de adequação do salva-vidas do ISN à operação, vários pescadores lembraram que há cerca de dois anos, em outubro de 2013, o "Patrão Macatrão" salvou cinco pescadores num naufrágio de uma embarcação de pesca, sensivelmente na mesma zona do acidente do arrastão Olívia Ribau, junto à barra da Figueira da Foz e com condições adversas de mar.


Hoje, João Ataíde falou sobre o naufrágio.  Sublinhou que "as condições de prevenção e segurança" do porto da Figueira da Foz não "estavam nos seus devidos termos". O ISN "fecha às 18 horas e a embarcação de busca e salvamento estava há dois meses incapaz".
"Não direi que falhou o socorro, falharam as medidas de prevenção. Esta questão de [não] termos conhecimento de que o Instituto de Socorros a Náufragos fecha às 18:00 é demasiado grave", frisou João Ataíde, que por inerência é o responsável pela Protecção Civil na Figueira. O autarca figueirense sublinhou que "não havia ninguém disponível" no ISN para acudir ao naufrágio e registou que o salva-vidas Patrão Macatrão "que é o único que tem condições para acudir a estas situações, estava indisponível devido a uma avaria técnica".
João Ataíde disse ainda que um porto comercial com a envergadura do da Figueira da Foz "merece ter a necessária prevenção", alegando que o ISN devia ter articulado com a administração portuária a permanência de meios que permitissem acudir a um acidente como o que ocorreu terça-feira. João Ataíde notou que nos últimos três anos, "este é o terceiro acidente" mortal junto à barra do porto da Figueira da Foz. 
Por outro lado, o Presidente da Câmara lembrou que há mais de três anos que a autarquia vem fazendo "insistentemente" apelos para a dragagem da barra, a última vez em abril de 2014, dando nota das dificuldades das embarcações dos pescadores para entrarem no porto, após as obras de prolongamento do molhe norte em 2010. 

E agora senhor comandante Nuno Leitão, o problema continua a ser os coletes?..

"Sem me querer mandar muito para fora de pé", deixo uma questão pertinente que acabei de ouvir no programa da manhã de hoje da SIC "Queridas Manhãs", sobre o naufrágio do Olívia Ribau, cerca das 13 horas e trinta e três minutos...

"A Figueira é a barra mais difícil do País... Não podemos cortar nas questões de segurança. Quando cortamos dá azar... O acidente deu-se às 19 horas e 13 minutos e se verificarmos a hora a que o helicóptero foi pedido, ficaremos a perceber muita coisa: verificamos que não há maus exércitos, há maus generais... E isso também se aplica ao mar... 
As autoridades devem saber... 
Na incapacidade de decisão pode estar o destino de muita gente..." 

- Hernâni Carvalho, é jornalista auditor da defesa nacional. Não fala de cor...

Actualização às 14 horas e 28 minutos:
O vídeo pode ser visto aqui.

Dois corpos encontrados esta manhã dentro de arrastão Olívia Ribau ...

Já apareceram mais 2 cadáveres, o que eleva para 3 o número de mortos confirmados.
Os trabalhos de busca vão prosseguir durante o dia de hoje.
O naufrágio provocou três mortos, dois corpos continuam desaparecidos e há ainda a registar o salvamento de dois pescadores.

NA FIGUEIRA E NO PAÍS EXISTE UM GRANDE PROBLEMA: A BARRA.

Recordo uma postagem de 11 DE ABRIL DE 2008, uma sexta-feira.
“O prolongamento em 400 metros do molhe norte do porto da Figueira da Foz foi hoje adjudicado, um ano depois do lançamento do concurso público que sofreu reclamações dos concorrentes e atrasos na análise das propostas.
A obra, considerada fundamental pela tutela e comunidade portuária, vai permitir a melhoria das condições de acessibilidade ao porto da Figueira da Foz e deverá estar concluída até Fevereiro de 2010.
Com um preço base de 12,5 milhões de euros, a intervenção compreende a extensão do molhe em 400 metros, bem como a ampliação do canal de navegação.”
Mas, será que alguém sabe, porque estudou, as REPERCUSSÕES QUE MAIS 400 METROS NO MOLHE NORTE terão?

Mas, neste País de merda,  já tinha havido "avisos" anteriores a quem de direito.
Vou recuar até ao já longínquo ano de 1996. 
Manuel Luís Pata,  no extinto  Correio da Figueira, a propósito da obra, entretanto  concretizada, do prolongamento do molhe norte da barra da nossa cidade para sul, publicava isto.

 “Prolongar em que sentido? Decerto que a ideia seria prolonga-lo em direcção ao sul, para fazer de quebra-mar.
Se fora da barra fosse fundo, que o mar não enrolasse, tudo estaria correcto, mas como o mar rebenta muito fora, nem pensar nisso!..
E porquê?... Porque, com  os molhes tal como estão (como estavam em 1996...), os barcos para entrarem na barra  vêm com o mar pela popa, ao passo que, com o prolongamento do molhe em direcção ao sul, teriam forçosamente que se atravessar ao mar, o que seria um risco muito grande...
Pergunto-me! Quantos vivem do mar, sem o conhecer?”

Como ninguém ligou, ninguém tratou do problema, o resultado aí está: desde que a obra que aumentou em 400 metros o molhe norte da barra da Figueira da Foz ficou concluída,  temos um grande problema.
Tratar o problema é urgente: exige colocar ordem na desordem, que é a administração do território, e colocar ordem na desordem, que existe na gestão do litoral português.

António Miguel Lé, presidente da Cooperativa de Produtores de Peixe Centro Litoral, ONTEM, no decorrer da manifestação frente à Capitania da Figueira, disse aos jornalistas que “muita coisa falhou”, acrescentando que “não houve operação de socorro”. O armador figueirense relacionou a vaga de naufrágios de embarcações de pesca com mortos ocorridos à entrada da barra nos últimos cinco anos com as obras de prolongamento do molhe Norte
“É a conclusão que toda a gente tira”, afirmou Lé, exortando que se faça a “correção” antes que aconteça outro acidente. A empreitada teve como finalidade melhorar o acesso e a segurança do porto comercial, mas as embarcações de pesca têm-se deparado com dificuldades, por terem de fazer uma abordagem à barra lateral, ficando mais vulneráveis a golpes fortes de mar. Foi o que terá acontecido com o “Olívia Ribau”.

Na mesma oportunidade, em declarações ao mesmo DIÁRIO AS BEIRAS, João Traveira defendeu que o “país tem que despertar para os problemas da barra da Figueira que estarão na origem de naufrágios com um saldo de 15 mortos, nove nos dois últimos anos”

E tudo poderia ser diferente:  a Figueira poderia ter um grande porto... 

Naufrágio do arrastão Olívia Ribau gera onda de revolta e solidariedade na Figueira

A tarde de ontem ficou marcada pelos protestos de cerca de 300 manifestantes, entre familiares das vítimas, pescadores, muitos anónimos e praticantes de desportos de mar, que frente ao edifício da Capitania da Figueira da Foz, acusaram as autoridades de falta de meios e atraso no socorro e exigiram a colocação da bandeira a meia haste na capitania.



Entretanto, ontem também, a Câmara da Figueira da Foz decretou três dias de luto municipal na sequência do naufrágio de terça-feira à entrada da barra. A bandeira do município será colocada a meia haste em todos os edifícios municipais e nas 14 juntas de freguesia.

Por sua vez, a Direcção da Naval, com o acordo do Paços de Ferreira, solicitou à F. P. F. a emissão de 9500 ingressos para o encontro a realizar entre os dois clubes, referente à III Eliminatória da Taça de Portugal, que terá lugar na Figueira da Foz no próximo dia 18, ao preço único de 5.00€, cuja receita reverterá na íntegra para auxiliar as famílias dos pescadores da unidade pesqueira “Olívia Ribau”.

Sindicato da Polícia Marítima alerta para fragilidades do salvamento.
Esta Associação Socioprofissional da Polícia Marítima alertou ontem, quarta-feira, para as "fragilidades do actual sistema de salvamento marítimo" e enalteceu a actuação de um agente daquela polícia que salvou dois pescadores num naufrágio na Figueira da Foz.
Sabe-se também que a Autoridade Marítima vai fazer uma análise interna à operação de busca e salvamento no naufrágio do arrastão Oliva Ribau na entrada da barra da Figueira da Foz.

TRAGÉDIA DO ARRASTÃO OLÍVIA RIBAU EM 15 FOTOS IMPRESSIONANTES

Mais 14 Fotos de Paulo Octávio. Para ver clicar aqui.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hoje pela 18 horas e 30 minutos frente à Capitania do Porto da Figueira da Foz

Actualização.
A manifestação silenciosa, agendada para as 18h30 desta quarta-feira em frente às instalações da Capitania do Porto da Figueira da Foz, pretende contestar a actuação dos meios de socorro no naufrágio ocorrido terça-feira.
Em declarações à agência Lusa, João Traveira, um dos promotores do protesto e praticante de 'bodyboard', frisou que a manifestação pretende contestar a demora na actuação dos meios de socorro e a versão da Marinha, que alega que as condições do mar e a existência de redes na água não permitiram que embarcações com hélices se aproximassem do navio naufragado. 
"Dizem que não saíram porque o mar estava mau e havia redes na água. Mas quais redes? Onde estão as redes? Se houvesse uma ou duas motos de água com pessoas que soubessem andar no mar tinham salvado toda a gente", criticou João Traveira. 
O promotor do protesto disse ainda que o agente da Polícia Marítima que estava de licença e veio a resgatar dois pescadores que estavam numa balsa à entrada da barra, mais de uma hora depois do naufrágio, "actuou sozinho, à revelia" da Autoridade Marítima, versão que o porta-voz daquela entidade, Nuno Leitão, desmentiu, alegando que a moto de água foi accionada pelo Comandante do Porto da Figueira da Foz.