sexta-feira, 3 de julho de 2015

É pá não incomodem o senhor presidente...(III)


Um dos acessos à praia do Cabedelo. Mais fotos aqui e aqui.

A importância das autarquias locais na proliferação do caciquismo

Quem não feche os olhos à realidade que o rodeia, sabe que se passam  coisas “estranhas”.
Um regime não é corrupto em função do número de casos de corrupção que se vão conhecendo e se provam... 
Um regime é corrupto quando toda a sua arquitectura política e jurídica foi realizada para facilitar e legalizar a corrupção, como elemento fulcral da acumulação de capital.
As câmaras e as juntas têm sido a base para a continuidade histórica do caciquismo, ancorado em políticos protagonistas do desordenamento urbanístico, oleados pelo sector imobiliário -  todos financiados pelos bancos.
Foi assim que nasceram e cresceram caciques um pouco por todo o lado…

Relvas, o estratega dos desígnios governamentais, foi aplaudido num salão de um hotel de cinco estrelas ocupado por cerca de 300 convidados!..

"Tudo bem, tudo em ordem?”, pergunta Pedro Passos Coelho, selando num abraço o encontro com Miguel Relvas. O primeiro-ministro foi o último a chegar à apresentação do livro O outro lado da governação, de Relvas e Paulo Júlio, antigo secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa. Ambos já saíram do Governo há muito tempo. O ex-ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares por ter confessado falta de ânimo no turbilhão dos créditos da sua licenciatura na Universidade Lusófona. O seu antigo secretário de Estado demitiu-se quando foi acusado, enquanto presidente da Câmara de Penela, de um crime de "prevaricação de titular de cargo político". Ambos falaram da reforma da administração local. Entre amigos.

Pelos vistos, Miguel Relvas está de volta...
Com a aproximação das eleições, e com o terreno bem preparado pelo efeito grego (que jeito dão os gregos, servem a esta gente para tudo: até para que ninguém fale dos escândalos das privatizações que o Tribunal de Contas denunciou no início da semana...) o espaço do governo tornou-se num espaço de alta fertilidade. De repente, o governo passou da Idade Média para o Renascimento. Mas sem nunca largar o obscurantismo!
Os livros - lembram-se - servem para isto. Até Relvas – “vai estudar malandro” – ressuscita num livro.

Atentem na ironia: foi à volta de um livro que se reuniram as várias testemunhas da ressurreição de Relvas.
“É um convite de um amigo e é muito difícil dizer não a um amigo”, justificou José Manuel Durão Barroso a sua condição de apresentador da obra. “A minha presença é um acto pessoal, muito pessoal, entendo que devo estar aqui e estou”, disse, ao PÚBLICO, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Também o ministro Luís Marques Guedes, que de alguma forma herdou funções de Relvas no organigrama governamental, esteve presente. Como o secretário de Estado Sérgio Monteiro, um conviva tardio que ficou em pé, junto à porta, de um salão de um hotel de cinco estrelas ocupado por cerca de 300 convidados. Ou os secretários de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, do Desporto, Emídio Guerreiro, e da Cooperação, Luís Campos Ferreira. Feitas as contas possíveis, foram estes os membros do executivo que estiveram presentes.
Entre os deputados da maioria, presença maciça e diversificada da bancada do PSD. “É um livro, é um testemunho, estou aqui como amigo, também fui ouvido para a realização do livro”, disse, ao PÚBLICO, Luís Montenegro. Convidado a um flashback da situação do executivo quando Miguel Relvas deixou de ser ministro, o líder da bancada laranja admitiu que foram tempos de dificuldade. “A primeira parte da legislatura foi muito intensa, penso que o livro não deixa de reflectir isso”, disse.
Relvas, o estratega dos desígnios governamentais, ressuscitou e está de volta. Continua vivo e a andar por aí!..

Bombeiros Municipais recebem medalha

O Ministério da Administração Interna atribuiu a medalha de mérito de protecção e socorro, no grau ouro e distintivo azul, aos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz. 
A atribuição consta do Despacho n.º 7256/2015, publicado ontem em Diário da República. “Por ocasião da celebração do 150.º aniversário dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz e reconhecendo o exemplar percurso da sua existência ao serviço da comunidade e da protecção e socorro de populações com uma actuação sempre caracterizada pelo heroísmo, pela abnegação e pela solidariedade para com o próximo, concedo a medalha de mérito de protecção e socorro, no grau ouro e distintivo azul”.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

É pá não incomodem o senhor presidente...(II)

Um dos acessos à praia do Cabo Mondego. 

Uma fábula contemporânea, sobre uma força política figueirense em “deriva” e a caminhar para a catástrofe... (parte II)

A propósito da moção que a  presidente da Junta da Quiaios apresentou na última Assembleia Municipal, a favor a construção da variante externa que vai ligar a EN109 à Praia de Quiaios, para entender os factos, há algo a acrescentar ao que já ficou escrito aqui.

Recuando à Assembleia de Freguesia de Quiaios, realizada em  Abril.
O executivo da Junta, pela boca da sua Presidente, dá a conhecer  as reivindicações da Junta, que no âmbito da discussão pública, tinham sido consideradas pela Câmara. No entanto, ressalvou que a "variante a Quiaios" deveria ser estudada novamente.
O eleito da CDU, Agostinho Cruz, “ficou estupefacto, pela simples razão que no mandato anterior "só faltava" o estudo ambiental a ser executado pelos técnicos da Câmara”.
Face à não reacção dos restantes membros da Assembleia de Freguesia e do executivo, o representante da CDU, “esclareceu que tomaria a iniciativa de escrever uma carta ao Edil Figueirense.”
Foi o que fez.

“Ex. Senhor Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz
                Sou Agostinho Manuel Pereira da Cruz, eleito pela CDU, na Assembleia de Freguesia de Quiaios. Dirijo- me a V. Ex. para lhe dar conta da minha indignação e espanto sobre os factos dados a conhecer na última Assembleia de Freguesia.
                Na Assembleia de Freguesia de Quiaios, realizada no dia 10 de Abril p.p., foi informado pela Sr.ª Presidente da Junta que as Propostas de Revisão do P.D.M. para a Freguesia de Quiaios, levadas a efeito pela Junta de Freguesia, no âmbito da discussão pública, tinham sido aceites pela Câmara Municipal. No entanto, ressalvou que a “variante à vila vai ser de novo estudada pela Autarquia”.
                Não entendi o que tinha sido dito, e pedi à Sr.ª Presidente que repetisse o que acabava de ser afirmado. A resposta veio e confirmava a dúvida.
                No ponto nº13 do documento da Junta de Freguesia pode ler-se; “Manter o actual traçado da variante a Quiaios”.
                Sr. Presidente: Vamos então a um breve resumo histórico.
Desde que se realizam eleições autárquicas, as forças concorrentes inscreveram nos seus programas as acessibilidades para a freguesia de Quiaios. Neles encontramos diversas explicações sobre o modo como essas acessibilidades deveriam constar e fazer parte do léxico desta Freguesia; uns intitularam-na de Variante a Quiaios, outros Circular Externa a Quiaios, Via Alternativa, Estrada por Fora, etc., etc.
                No mandato de Augusto Marques afirmou-se que as expropriações estavam para começar. Foram exibidos traçados em planta e os perfis nos diversos pontos do traçado. No mandato seguinte, Carlos Rabadão, e em reunião da Câmara na sede da Junta de Quiaios, o Sr. Presidente esclarece que a circular externa era para ser executada. Estávamos no mês de Novembro de 2010, primeiro mandato do actual executivo.
                Pela voz do Presidenta da Junta, em Junho de 2013, veio a confirmar-se que o projecto estava pendente de um estudo de impacto ambiental relativamente simples de executar pelos técnicos da Câmara Municipal.
                Sr. Presidente: Em que ficamos? Quiaios precisa de uma circular externa URGENTEMENTE.
O progresso, com a A17, passa ao lado. O investimento para esta freguesia vem com o acesso às praias da Murtinheira, Quiaios e as diversas actividades atractivas aí existentes, deveriam merecer por parte dessa Autarquia um olhar e uma atenção mais frequentes e mais empenhados.
                Sem outro assunto de momento, agradeço respeitosamente a sua atenção para as questões aqui deixadas.
Com os melhores cumprimentos.
Agostinho Cruz”

Em virtude desta carta e da exposição feita pelo autor, e único eleito pela CDU em Quiaios, na reunião de Junho da Assembleia de Freguesia de Quiaios, foi discutida a posição que os elementos do PS e PSD representados na Assembleia Municipal, e membros da A.F., deveriam tomar quanto ao tema. 
Entendeu-se, por consenso, que deveria ser lida uma moção na A. M. na sessão de 29 de junho p.p.
Na sequência disso, fez-se a moção que foi aprovada,  por unanimidade, para ser lida na Assembleia Municipal de 29 de Junho, que foi o que aconteceu.

Ainda faltava este grande "democrata" e enorme "socialista"...

... a "syriza" em cima do bolo!..
"Gregos têm oportunidade de ouro" para dizer adeus ao Syriza, 
disse Vital Moreira.

Uma fábula contemporânea, sobre uma força política figueirense em “deriva” e a caminhar para a catástrofe...

Na passada segunda-feira, dia 29 de junho p.p., a partir das 15 horas, realizou-se mais  uma sessão da Assembleia Municipal. 
Como faço sempre que posso, assisti a parte da ordem dos trabalhos. 
Foi o que aconteceu mais uma vez. 
Como, por problemas pessoais, não consegui estar presente no decorrer de toda a sessão, lamentavelmente não assisti a este número político incómodo, triste,  surreal e ridículo.
Isto, no mínimo, demonstra a mediocridade da política local, a ausência de preparação das sessões da AM, neste caso, por parte da bancada socialista, e a exibição pública de uma frenética descoordenação geral... Resumindo: incompetência pura.
A notícia, inserta na edição de hoje do jornal AS BEIRAS, que passo a citar, é suficientemente esclarecedora.

"A presidente da Junta da Quiaios apresentou uma moção na Assembleia Municipal a favor a construção da variante externa que vai ligar a EN109 à Praia de Quiaios, pela qual a freguesia aguarda desenvolvimentos há 10 anos. 
A proposta de Fernanda Lorigo advoga que o Plano Diretor Municipal (PDM), em fase de revisão, deve contemplar a obra e que esta seja realizada logo que estejam reunidas as condições financeiras para o efeito. Porém, aquilo que parecia uma moção geradora de unanimidade revelou-se um pomo de discórdia momentânea. Depois de elencar as diligências feitas pela autarquia a favor da execução da obra, o presidente da Câmara da Figueira da Foz (PS), João Ataíde, adiantou que acompanha o sentido da moção. O edil garantiu ainda que a estrada “será uma prioridade absoluta na revisão do PDM”
Todavia, o líder dos socialistas na assembleia, Nuno Melo Biscaia, levantou dúvidas legais sobre se o órgão autárquico tinha competência para votar a proposta tal como fora apresentada. O deputado municipal alegou “duvidosa interpretação legal”. Como tal, advogou, “a moção não deve ser votada”. Contudo, depois de ouvir outros argumentos, mudou de posição e disse: “não nos causa qualquer incómodo votar a moção”
Para Teotónio Cavaco (PSD), que na ausência de Pereira da Costa, liderou os social-democratas, o seu homólogo socialista acabara de protagonizar “uma autêntica cambalhota”. A moção acabou por ser aprovada por unanimidade."

"So long"...

"Há tráfico de influências na Assembleia da República"...

Palavras para quê, é um artista português...

"Marcelo Rebelo de Sousa defende que é "mau para a coligação" PSD/CDS-PP a apresentação imediata de um candidato presidencial e, por isso, discorda do momento em que Francisco Pinto Balsemão declarou apoio a Rui Rio. 
Foi na terça-feira, que o fundador do PSD e antigo primeiro-ministro desafiou o ex-presidente da Câmara do Porto a montar o "cavalo do poder" como candidato a Belém, dizendo que de todas as possíveis candidaturas esta é a que mais o entusiasma."
daqui

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Nem tudo está perdido

Britânico lança campanha de crowdfunding para ajudar a Grécia e em menos de 24 horas já conseguiu angariar 173 mil euros. Consulte esta campanha aqui.


"Eu criei a campanha de crowdfunding para apoiar o resgate grego porque estava cansado com a indecisão dos nossos políticos. Cada vez que uma solução para salvar a Grécia é atrasada, é uma oportunidade para que os políticos exibam o seu poder, mas durante este tempo o efeito real incide sobre o povo da Grécia.
A reacção foi tremenda, tenho recebido milhares de mensagens de agradecimento e, enquanto escrevo, quase € 630.000 foram prometidos por mais de 38.000 doadores. Muitos gregos enviaram-me mensagens dizer como ficaram felizes por saber que pessoas reais em toda a Europa se preocupam com eles. Deve ser difícil quando se acha que o resto do continente está contra você."
[Thom Feeney, no The Guardian]


Uma coisa é certa, a direita, tão fã da caridade, deve estar deliciada com a iniciativa.Há esperança na Europa, falta ultrapassar as barreiras que os políticos levantam.
[Actualização 1/7/2015, 18:27]:aca bei de saber que o valor recolhido ultrapassa um milhão de euros: €1,005,217EUR, raised by 59,109 people in 3 days
Via Aventar

aF248


Uma das fotos que nos últimos tempos mais me impressionou


foto sacada daqui
Há fotos que, ao olhar para elas, sentimos que contam uma história…

E agora: nada?..

No PS, muda-se o tempo, muda-se a vontade?
Muda-se o homem, muda-se a confiança?
Todo o partido é passível de mudança...
Contudo, nada muda, sem realmente mudar!
Preciso, é ter mesmo vontade de mudança
e respeito pela verdade...

Em tempo.
José Sócrates juntou as palavras proibidas numa frase que o PS mantém fora do seu discurso a todo o custo. 
“Tenho a legítima suspeita de que a verdadeira intenção da minha detenção abusiva e da minha prisão sem fundamento não foi perseguir crime nenhum mas tão só impedir o PS de ganhar as eleições legislativas”.

Privatizações: "mais um ficheiro para o arquivo dos casos que não iam custar um cêntimo ao contribuinte"...

As privatizações concretizadas por este governo, com o aplauso de Cavaco Silva, resultaram em negócios de milhões para alguns à custa de prejuízos irreparáveis para o país e a generalidade dos portugueses. 
"Da falta de transparência à ilegalidade dos actos, passando por favorecimentos clientelares, encontrou de tudo a auditoria do Tribunal de contas."

BES: "mais um ficheiro para o arquivo dos casos que não iam custar um cêntimo ao contribuinte"...

"Portugueses: preparem-se para pagar"...

Fechou-se o ciclo: a data prevista era até ontem e assim aconteceu...


“O GML deixou de existir formalmente em 2012.
 Entre janeiro de 2013 e junho de 2015 foi-se procedendo à sua desactivação”.

terça-feira, 30 de junho de 2015

É pá não incomodem o senhor presidente...

FOTO SACADA DAQUI
REMO
"A Direcção da Naval dá os parabéns ao nosso técnico de remo que festeja hoje o seu 66º aniversário. 
É uma honra para a Naval poder contar com a sua colaboração, além de ser um excelente técnico é também uma figura do desporto nacional como o seu currículo o demonstra. 
Apesar desse vasto currículo que culmina com duas participação em Jogos Paralímpicos, ainda não foi reconhecido pela cidade embora o seja por muitos figueirenses." 
daqui

Em tempo
PARABÉNS AUGUSTO ALBERTO!
Um abraço.

O algodão não engana e o PS também não...

"Governo grego errou ao assumir uma opção estratégica de confrontação com as instituições europeias". - Marcos Perestrello

Em tempo
"PS não é PASOK, mas também não quer ser Syriza".

E mais ninguém vai para Évora?..

"Estado pode ter perdido milhões com privatizações da EDP e REN"...

Tanto folclore…

O 41.º FestiMaiorca-Festival Internacional de Folclore de Maiorca regressa a 15 de julho e prolonga-se até ao dia 23. Ritmo, dança e muita cor serão distribuídos através da presença dos vários grupos internacionais, nacionais e locais. 
Este ano, o festival conta com mais dois dias de folclore. A garantia foi dada ontem, pelo presidente da Casa do Povo de Maiorca, que organiza o evento, em conjunto com a autarquia figueirense. 
A qualidade do FestiMaiorca foi, por seu turno, enaltecida pelo presidente da Câmara da Figueira da Foz. “É um festival muito heterógeno e para nós tem sido motivo de grande satisfação. Por isso, a câmara municipal acompanha a promoção deste evento”, afirmou João Ataíde. 
O FestiMaiorca está orçado em 30 mil e a autarquia figueirense apoia o certame em cerca de 13.900 euros (10 mil financeiro e 3.900 logístico).

Em tempo.
Tantas Câmaras por este País fora que baixaram o IMI e o IRS aos seus munícipes!..
Efeitos eleitoralistas, certamente, mas, ainda assim, a Figueira ainda não faz parte da lista. 
Por aqui, tudo o que se puder fazer pagar aos contribuintes será pouco para tanto folclore
Qualquer político de meia tigela, mas ambicioso, sabe que para conseguir controlar o eleitorado do qual depende, tal desiderato passa pela estratégia da distracção o mais contínua e continuada possível
Tal estratégia, consiste basicamente em desviar a atenção da populaça eleitora dos assuntos importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica de informações contínuas e distracções abundantes. “Pequenas coisas” e informações insignificantes também servem o mesmo fim. 
A estratégia tem ainda como objectivo manter a atenção da populaça eleitora ocupada, alienada e distraída, portanto, longe dos verdadeiros problemas sociais, presa a temas menores e sem importância real no seu dia a dia. 
O que interessa é que o futuro eleitor esteja ocupado – quanto menos tempo para reflectir e pensar, melhor para os objectivos do político de meia tigela
Aliás, para estes políticos o eleitor ideal seria aquele que “voltasse aos tempo do pasto como os outros animais”
É para isto que servem os parques de merendas, os futebóis, os carnavais, os festivais de piratas, os folclores, com que enchem as nossas vidas.

X&Q nº1243


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Se me permitem, deixo uma palavra de apoio e solidariedade a todos os que o PS e PSD já meteram o dedo - também na Figueira...Vocês sabem quem são.

"Nos dias que correm a competitividade entre municípios é cada vez maior e sem espaço para experimentalismos e falhas. A câmara municipal anunciava para este ano um maior investimento nas festas joaninas, principalmente no fogo de artifício e nas marchas populares. Houve de facto, maior número e mais qualidade nas marchas deste ano, quando comparado com o ano anterior, e o espectáculo pirotécnico também não defraudou as expectativas. Mas é inadmissível que milhares de pessoas tenham regressado às suas casas, sem ter podido assistir ao fogo de artifício que só foi lançado já passava das duas da manhã. Como também não se percebe, como é que a iluminação de São João, nas poucas ruas que tiveram direito a tanto, foram ligadas apenas no próprio dia 23. Nestas festas, como infelizmente, em muitos outros casos, cumprem-se os “serviços mínimos”, sem rasgo nem imaginação. Mas claro, como estamos no verão, “siga a banda” porque em Setembro voltamos à realidade."

Em tempo.
Crónica de Miguel Almeida, hoje no jornal AS BEIRAS.

Já que estamos em época de transferências: "o dinheiro foi para outros bolsos"...

"Há quem não tenha percebido porque é que as alterações na Taxa Social Única causaram, em 2012, tamanha indignação. Foi porque sintetizavam a frase dita, um ano antes, pelo primeiro-ministro: “Só vamos sair da crise empobrecendo.” 
A estratégia corresponde a dois ajustamentos simultâneos: na redução dos custos de trabalho, para diminuir os custos de produção e aumentar as exportações; e na redução do poder de compra, para diminuir o consumo interno e as importações. 
Mas, ao tirar ao trabalhador para dar ao patrão, a alteração da TSU proposta em 2012 deixava também evidente uma das duas grandes transferências de recursos a que estamos a assistir: do trabalho para o capital

A proposta que agora é apresentada parece menos maligna. 
Os descontos dos patrões são reduzidos, os dos trabalhadores ficam na mesma
Mas esta alteração aumenta, no conjunto dos descontos, a proporção que está a cargo do trabalhador. E põe em causa a sustentabilidade da segurança social, levando inevitavelmente a novos cortes nas pensões, que também são rendimento do trabalhador. 
O que não tiram agora vão tirar depois."

Daniel Oliveira

Siga a farsa

Resta-nos continuar a empobrecer e esperar por Outubro…
Tudo está no seu lugar: o PSD está no lado do costume; o PS está no lado do costume…
"Se temos maus políticos é porque os portugueses querem, se temos más políticas é porque os portugueses querem”... 

É bom que daqui por 4 meses não seja esquecido que "pode haver falta de verba, mas existem prioridades"...

“A protecção da Orla Costeira Portuguesa é uma necessidade de primeira ordem... 
O processo de erosão costeira assume aspectos preocupantes numa percentagem significativa do litoral continental. Atente-se, no estado em que se encontra a duna logo a seguir ao chamado “Quinto Molhe”, a sul da Praia da Cova. Por vezes, ao centrar-se a atenção sobre o acessório, perde-se a oportunidade de resolver o essencial...” 
Este alerta Outra Margem tem quase 10 anos, como podem comprovar clicando aqui
No sábado passado, dirigentes da Concelhia da Figueira da Foz do PSD e deputados eleitos por Coimbra pelas listas do mesmo partido visitaram as obras de protecção da costa em São Pedro, Lavos e Leirosa. 
O líder local dos social-democratas, Manuel Domingues, e o deputado Maurício Marques lembraram que esta intervenção era reclamada há vários anos. Não obstante a crise, realçaram. 
No entanto, os dois políticos reconheceram que estavam a falar de obras urgentes, quase concluídas, porque falta ainda realizar as estruturais, para a segurança de pessoas e bens e protecção da orla marítima. 
José Elísio, presidente da Junta de Lavos, independente, não podia estar mais de acordo com os visitantes. “Estas obras são as indispensáveis e há 10 anos que eram sucessivamente prometidas e adiadas”, frisou. 
De resto, segundo o jornal AS BEIRAS, os presidentes das freguesias do sul do concelho concordam que esta intervenção de emergência não deve substituir as obras de fundo que a costa reclama. 
Sabemos que estamos em campanha eleitoral, mas ainda bem que a erosão costeira é uma preocupação do PSD figueirense e dos presidentes das juntas das freguesias do sul do nosso concelho.

Syriza política alternativa contra Austeridade


"Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.
Bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país. As duas coisas estão relacionadas, bate-se na Grécia porque o Syriza resultou num incómodo e, mesmo que o Syriza morda o pó das suas propostas, – que é o objectivo disto tudo, – o mal-estar que existe na Europa é uma pedra no orgulhoso caminho imperial do Partido Popular Europeu, partido de Merkel, Passos e Rajoy e nos socialistas colaboracionistas que são quase todos que os acolitam. É isto a que hoje se chama “Europa”.

A Grécia é a Grécia, muito mais parecida com Portugal naquilo que é negativo que os que hoje lhe deitam pedras escondem, e bastante menos parecida com Portugal, numa consciência nacional da soberania, que perdemos de todo. No dia da vitória do Syriza, o que mais me alegrou, sim alegrou, como penso aconteceu a muita gente, à esquerda e à direita, não foi que muitos gregos tenham votado num “partido radical” ou num programa radical, ou o destino do Syriza, mas sim o facto de que votaram pela dignidade do seu pais, num desafio a esta “Europa” que agora os quer punir pelo arrojo e insolência. Nisso, os gregos deram uma enorme lição aos nossos colaboracionistas de serviço, que andam de bandeirinha na lapela."

A Figueira e o mar... (II)


A situação que esteve iminente, em 1997, de se fazer desaparecer, de vez, os seis  exemplares antigos de arquitectura naval — barcos tradicionais, incluindo um "Meio Batel-do-Sal", verdadeiro, e um "Barco-da-Arte", grande, da Leirosa (e que haviam antes sido seleccionados, obtidos, e estudados, para fins museológicos, pelo próprio Arq. Octávio Lixa Filgueiras, a maior autoridade científica, em Portugal, sobre arquitectura naval tradicional em madeira) —, os seis exemplares antigos de arquitectura naval que então estavam em processo de destruição, desde há anos, no pátio interior do Museu Municipal da Figueira da Foz.

domingo, 28 de junho de 2015

Morrer a tentar viver...

Maria da Glória escolheu Sousse em memória do marido, das férias felizes que ali passaram os dois. 
Era a primeira viagem que esta mulher de 76 anos fazia depois de ter ficado viúva há dois anos. 
Morreu ao 5º. dia de férias...
Maria da Glória foi a portuguesa que morreu no ataque terrorista na Tunísia.
Viajou para recordar um amor...
O seu amor. 
Tinha ficado viúva recentemente e resolveu escolher como destino aquele onde tinha sido feliz com o seu marido.
Tão simples quanto isto. 
Uma história de amor.

Dizem que estes senhores são "socialistas" e verdadeiros "democratas"!..


"Tsipras falhou o alvo: apostou em ser anti-Merkel" - Francisco Assis, eurodeputado do PS!.. 




Decisão do governo grego "é muito lamentável" - Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo!..

A Figueira e o mar...

Navio "JOSÉ CAÇÃO"o último bacalhoeiro da  Figueira da Foz, numa foto tirada a 14 de Maio de 2002
"O dr. António Cação ofereceu o navio à Câmara Municipal e não foi aceite tão preciosa oferta. Que belo seria podermos ver hoje o navio José Cação instalado numa abertura feita na Morraceira, junto à Ponte dos Arcos. Ílhavo tem um belo museu, o navio Santo André e tem o casco do Santa Maria Manuela, o qual pensam aparelhar para pôr a navegar. E o que tem a Figueira que honre os seus filhos?" - palavras de Manuel Luís Pata.

Estávamos em 1998 na Figueira da Foz.
Santana Lopes tinha tomado posse de presidente da Câmara Municipal há poucos meses.
Com o apoio do Centro de Estudos do Mar - CEMAR, uma comissão de cidadãos (constituída por Manuel Luís Pata - que, então, estava a publicar os seus livros sobre a Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau, e já era associado do CEMAR - e pelos últimos Capitães figueirenses desse navio: o Capitão Marques Guerra e o Capitão Abreu da Silva) desenvolveu esforços para tentar salvar da destruição e da sucata o último de todos os navios bacalhoeiros da Figueira da Foz (o "José Cação", antigo "Sotto Mayor").

Com o declínio das pescas portuguesas, fruto em grande parte da adesão à União Europeia, após o falhanço da tentativa levada a cabo nos anos de 1998 e 1999 de transformar este navio em museu - a Câmara da Figueira presidida então por Santana Lopes não apoiou a iniciativa da sociedade civil - o “José Cação” acabou na sucata por volta de 2002-2003.
Recordo, um pequeno excerto de uma  interessante crónica de Manuel Luís Pata, publicada no jornal O Figueirense, em 2.11.207, que pode ser lida na íntegra aqui.
"A pesca do bacalhau foi a indústria que mais contribuiu para o desenvolvimento da Figueira da Foz. Nas campanhas de 1913/14 foi este o porto que mais navios enviou à Terra Nova (15 navios), ou seja, quase metade de toda a frota nacional. Hoje o que resta? Nada de nada!” 

Foi assim que as coisas se passaram, mas tudo poderia ter sido diferente. Recordo as palavras do vereador então responsável, Miguel Almeida de seu nome: “esta proposta (a oferta do navio que o dr. António Cação fez em devido tempo à Câmara Municipal da Figueira da Foz, presidida na altura por Santana Lopes) foi o pior que nos podia ter acontecido”.
Como disse na altura Manuel Luís Pata, “nem toda a gente entende que na construção do futuro é necessário guardar a memória”.  
E, assim,  o “José Cação” foi para a sucata. Como sublinhou Álvaro Abreu da Silva, o seu último Capitão, "foi e levou com ele, nos ferros retorcidos em que se tornou, a memória das águas que sulcou e dos homens que na sua amurada se debruçaram para vislumbrar os oceanos”.

sábado, 27 de junho de 2015

Os políticos são como o vinho: há sempre uma altura em que azedam de vez…

“A Figueira Domus reestruturou a dívida com a Caixa Geral de Depósitos, alargando para 12 anos a maturidade e estabelecendo uma mensalidade de 100 mil euros. 
A empresa municipal de habitação social e o banco do Estado renegociaram dois empréstimos. Um deles, no valor de 7,5 milhões de euros, foi contraído em 2002, era de curto prazo, e devia ter sido liquidado em seis meses. Porém, devido ao esforço financeiro que implicava, a empresa municipal entrou em incumprimento. O valor da nova mensalidade foi definido em função da capacidade financeira da Figueira Domus, cuja dívida global ascende aos 12 milhões de euros.” 
Em tempo.
O troca-tintas do "leme" já está no lote…

À atenção dos votantes...


Em tempo.
"O chefe de gabinete do primeiro-ministro, o diplomata Gilberto Jerónimo, vai ser colocado como embaixador na UNESCO em Paris depois de o actual Governo cessar funções. A embaixada de Portugal na Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura havia sido encerrada pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas no início de 2012, a pretexto de poupança de custos. A representação passou desde então a ser assegurada pelo embaixador na capital francesa."
Isto, é apenas uma notícia do Expresso de hoje, não é campanha eleitoral...
Aliás, como se facilmente se dá conta, Passos é  amigo do seu amigo: reabrir uma embaixada só para dar um tacho ao seu adjunto, é obra. 

Não se cuidem não...

Em Abril de 2011, Pedro Passos Coelho foi a uma escola nos arredores de Lisboa, já em plena pré-campanha eleitoral. As crianças perguntaram-lhe se era verdade que ele tinha intenções de acabar com o subsídio de Natal. 
"Nada disso, isso é um disparate". E para melhor rejeitar tão "disparatada" ideia, Pedro Passos Coelho não hesitou em acusar José Sócrates de ser o autor dessa invenção como sendo do PSD. Um "disparate", sublinhe-se, que um grupo de crianças também concordou. 
Pode ser ouvido no vídeo clicando aqui, com as vozes das crianças e a rejeição convicta de Passos Coelho
É sempre bom, nestas alturas de pré-campanha eleitoral, recordar estes pequenos disparates que se dizem na caça ao voto.
Depois de ganhar as eleições, em Outubro desse mesmo ano de 2011, Passos Coelho anunciou o fim dos subsídios de Natal e de Férias para salários acima dos 1000 euros na Função Pública.
Reparando bem, a visita à escola aconteceu no dia 1 de Abril. Dia das mentiras. Ou Passos Coelho estava a brincar com as crianças ou foi ainda mais maquiavélico: disse a verdade, era um disparate, de facto, cortar UM subsídio. Nos DOIS é que estava a verdade.

DISTINÇÕES HONORÍFICAS E HOMENAGENS PARA NOVENTA E OITO [98] ENTIDADES, INSTITUIÇÕES E PESSOAS NA FIGUEIRA DA FOZ…

foto de Pedro Agostinho Cruz, que me
 convidou para o acompanhar na entrega,
 que fez no passado dia 9 a este velho e
 incansável lutador
 
pelo progresso
da nossa Figueira, de
 um exemplar
do ALERTA COSTEIRO 14/15
Nos últimos dias, através dos jornais e outros órgãos de informação, tomámos conhecimento de que, comemorando-se em 24.06.2015 o dia anual do Município da Figueira da Foz (Portugal), para além dos habituais festejos e folias de praia, localmente tradicionais — e também uma "Procissão e tradicional Benção do Mar" [sic]... (que, de facto, não tem nada de verdadeiro, pois é uma mentira que foi inventada, para ser "tradicional", por volta do ano de 1998 [!], ao mesmo tempo da preparação da Expo de Lisboa…) —, foi também agora celebrada, nesse mesmo dia 24.06.2015 (numa cerimónia solenizada à maneira local, numa instalação que parece que se chama "Centro de Artes e Espectáculos Pedro Santana Lopes"...), uma atribuição de distinções honoríficas, e homenagens, conferidas a noventa e oito (98) entidades, instituições e pessoas individuais desta cidade (segundo o jornal, tratou-se de "...98 entidades repartidas entre funcionários do Município, entidades e personalidades figueirenses, PMEs", etc.).

O Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque (CEMAR) — a pequena associação científica privada que, neste ano de 2015 (desde 27 de Janeiro), por acaso, está a celebrar os vinte (20) anos da sua fundação (pois foi criada, por escritura pública assinada no salão nobre da Câmara Municipal da Figueira da Foz, em 27.01.1995, e tendo como primeira sede o Forte de Santa Catarina, na Foz do Mondego) —, congratula-se portanto com o facto de que, ao que parece, nesta cidade, são consideradas como existentes e como homenageáveis (e em números tão significativos) tantas entidades, instituições e pessoas que tão publicamente se prestigiam localmente como merecedoras de tais distinções e homenagens municipais. Mas não pode, nem deve, deixar de lamentar que não tenha sido tida em conta a sugestão, que atempada e discretamente havíamos formulado (perante quem havíamos julgado que dirigia e representava a cidade), de que fosse homenageado, em vida, neste ano de 2015, um homem como o nosso Exº. Amigo (e Associado Honorário do CEMAR) Senhor Manuel Luís Pata, o homem a quem a Figueira da Foz deve um capítulo tão importante da sua História Marítima como é a publicação dos três volumes sobre a Pesca do Bacalhau pelos Navios Figueirenses (uma actividade que, no passado, foi tão central, tão importante e tão emblemática para a economia, a sociedade e a identidade local figueirense); e a quem a Figueira da Foz deve o esforço para a organização do movimento cívico que, ingloriamente, tentou salvar da destruição o último navio bacalhoeiro figueirense (o "José Cação", antigo "Sotto Mayor", que acabou por ser entregue para a sucata); e a quem a Figueira da Foz deve (em parceria com o seu conterrâneo Capitão João Pereira Mano) o esclarecimento do equívoco e do erro científico (que, nas últimas décadas do século XX, estava cada vez mais disseminado, avolumado, e generalizado… por estar a ser doutoralmente repetido a partir dos "milieus" da "comunidade científica"…) de se andar a chamar "Xávega" [sic] e "Barco da Xávega" [sic] à "Arte" e ao "Barco da Arte" ("Barco do Mar") da Beira Litoral; etc..

Enfim, o Senhor Manuel Luís Pata, neto, bisneto e trineto de pescadores, a quem a Figueira da Foz deve tudo isso, e muito mais do que isso, pela sua voluntariosa e inglória tentativa de defesa do Património Local, ao longo de muitas décadas.
A quem a Figueira da Foz deve e, infelizmente, vai continuar a dever.

De facto, o nosso Exº. Amigo Senhor Manuel Luís Pata, um homem corajoso, e de opiniões desassombradas — e que, por isso, na Figueira da Foz, é alguém que sempre muito admirámos, e continuamos a admirar —, é o homem que em 1997, 2000, 2002, 2003, havia coligido, publicado, e re-publicado (com a nossa colaboração, do CEMAR, que nos orgulhamos de então ter prestado) os livros, que vão ficar para sempre, sobre a Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau. E é o homem que, em 1998-1999, tentou em vão salvar da destruição o último navio figueirense (e com uma denúncia cívica que, em 07.09.1998, chegou a ter que ser feita em conferência de imprensa realizada na rua, na via pública, à porta do Museu e Auditório Municipal…! [em mesas, e cadeiras, fornecidas, à última hora, pelo Centro de Estudos do Mar...], devido à proibição de utilização desse Auditório Municipal...). E é o homem que, além disso — para além dessa sua defesa do Património Cultural e Histórico —, teve sempre também a coragem de se manifestar em defesa do Património Natural e Ambiental… apontando a catástrofe da acumulação das areias represadas pelo molhe norte do porto comercial da Figueira da Foz (as areias que, ao longo das últimas décadas, cada vez mais, afastaram a cidade do mar, destruíram o turismo urbano, e fizeram falta, dramaticamente, nas outras praias, escavadas e ameaçadas, do sul da Foz do Mondego).

E é o homem que, já antes disso, em 17.10.1997, se havia prontificado a testemunhar, corajosamente, a destruição dos seis (6) exemplares antigos de arquitectura naval — barcos tradicionais, seleccionados, obtidos, e estudados, para fins museológicos, pelo próprio Arq. Octávio Lixa Filgueiras (a maior autoridade científica, em Portugal, sobre arquitectura naval tradicional em madeira…) —… os seis (6) exemplares únicos e insubstituíveis (incluindo um "Meio Batel-do-Sal", verdadeiro… e um "Barco-da-Arte", grande, da Leirosa…) que foram destruídos no pátio interior do Museu Municipal da Figueira da Foz.

Não somente pela publicação dos seus três volumes, mas também por todas estas outras razões, acima citadas — pela denúncia da destruição do património de Arquitectura Naval local, e pela denúncia da destruição do património ambiental marítimo (aquilo que, nas suas próprias palavras, veio a ser, em frente à Figueira da Foz, "a Praia da Calamidade"… —, Manuel Luís Pata, descendente de uma das primeiras (se não a primeira) família de patriarcas pescadores ilhavenses que no século XVIII criaram as povoações a sul da Foz do Mondego (Cova, Gala, etc.), é credor de um reconhecimento, na sua cidade, que ainda não lhe foi prestado.

Pela nossa parte — pela parte do Centro de Estudos do Mar - CEMAR (em que, desde há muitos anos, já nos orgulhávamos de o ter como associado) —, fizemos o que nos competia: neste mesmo ano de 2015, em 29.03.2015 (por ocasião do vigésimo [20º] aniversário do próprio Centro de Estudos do Mar, que, neste mesmo ano de 2015, estamos a celebrar), atribuímos ao Senhor Manuel Luís Pata o título de "Associado Honorário" do CEMAR, pelo seu Mérito Cultural e Histórico (mérito, acrescido, de alguém que é um autodidacta).

Não é demais repetir que, para além dessas matérias culturais, também nas outras matérias, as do Património Natural e Ambiental (dinâmica sedimentar das areias, porto comercial errado, erosão costeira), foi Manuel Luís Pata quem chamou as coisas pelos seus nomes — chamou bois aos bois... —, pronunciando-se sobre o maior e o mais grave de todos os problemas da Figueira da Foz, o problema que levou à decadência e ao desaparecimento, no todo nacional, desta região e desta Cidade de Mar.

O problema que, ainda hoje (e, agora, mais do que nunca), continua a ser decisivo, momentoso, e grave, para o Presente e o Futuro da Figueira da Foz e da sua praia… Mas perante o qual, em vez de se procurarem e se encontrarem quaisquer soluções verdadeiras e efectivas, só se têm aumentado, acrescentado, e avolumado, os maiores erros vindos do Passado… Assim se agudizando as contradições, eternizando os impasses, e se originando as situações insustentáveis, absolutamente previsíveis, e de extraordinária gravidade (que nenhuma hipocrisia pseudo-"ambientalista" vai poder disfarçar), que cada vez mais se aproximam, nos desenlaces do futuro próximo dessa "Praia da Calamidade" que é, infelizmente, a da Figueira da Foz.

Em suma, para além da dramática gravidade da catástrofe cultural que é o estado de destruição, abandono, e desprezo, do Património Cultural e Histórico Marítimo da Figueira da Foz (uma área em que este homem, só, absolutamente autodidacta, e descendente de Pescadores, fez o que pôde, e fez muito, somente com os seus próprios meios, enfrentando todas as contrariedades que lhe foram movidas nos círculos que eram supostos defender e preservar esse Património Cultural), também acerca da calamidade ambiental irresolúvel em que a Figueira da Foz desde há décadas se encontra sepultada (com toda a gente a fingir que não vê, quando a areia, tanta, está à frente dos olhos…) foi Manuel Luís Pata quem tomou sempre posição pública, voluntariosamente, corajosamente, à sua maneira.
Foi ele quem disse o essencial: "a Figueira da Foz virou costas ao Mar…!".

É essa coragem que distingue a verdadeira intervenção e serviço de utilidade pública (e da parte de quem nem sequer recebe, para fazer tal intervenção cultural ou ambiental, quaisquer remunerações, reformas, etc., pagas com dinheiro público…!). É a coragem de quem tenta voluntariosamente ser útil à sua terra, metendo ombros a tarefas e a obras que são trabalhosas e meritórias (em vez de viver simplesmente em agrados e ambições de carreirismo pessoal, em intrigas políticas fáceis, nos bastidores, acotovelando à esquerda e à direita, à sombra do poder do momento). É a coragem de quem é capaz de se pronunciar, não menos voluntariosamente, sobre tudo o que é verdadeiramente importante, não receando, para isso, tocar nas feridas dos assuntos verdadeiramente graves e polémicos (em vez de mostrar a cara em artigos de jornal para escrever sobre insignificâncias pessoais e diletantismos, "culturais", pseudo-"progressistas").
É a coragem — típica de Pescador…? (mesmo quando um pouco brusca…?) — de quem é capaz de tentar mesmo fazer alguma coisa, a sério (mesmo que não consiga…)… e, para isso, é capaz de tentar enfrentar, de frente, qualquer vaga, seja de que tipo for. Em vez de viver no (e do) manhoso tacticismo, no (e do) elogio mútuo, no (e do) tráfico de influências, nos bastidores do poder que anseia e rodeia, e ao qual espera chegar rodeando.
Enquanto todos os verdadeiros problemas, os do Presente e do Futuro, culturais ou ambientais, ficam por resolver (e, por isso, se agravam)… e todos os verdadeiros patrimónios, os do Passado, culturais ou ambientais, se vão perdendo com o tempo ("como neve diante do sol")... Enquanto as nuvens negras das catástrofes, quer culturais e sociais, quer ambientais e ecológicas, se avolumam, em dias de sol, no horizonte próximo.

A Cultura e a Natureza estão, talvez, estranha e paradoxalmente ligadas de uma forma muito íntima, de maneira muito simbólica: quem sabe se, um dia, na luxuosa pobreza extrema, e na merecida desgraça última, quando se enfrentar as vagas assassinas de um tsunami que venha a devastar uma área de ocupação humana ao nível do mar — mas… será possível que haja alguém que, em pleno século XXI, esteja a querer legitimar ("ecologicamente"…!!!), e a, assim, adensar e avolumar (!) uma ocupação humana (dita "turística", e "cultural"… e, até, "ambiental"…! [e, na verdade, pré-imobiliária…?!]) ao nível do mar…?! —, irá ser lembrada, e recordada, com saudade, a geometria fina e a silhueta esguia, cortante, dos antigos "Barcos-da-Arte" ("Barcos-do-Mar"), em "meia-lua"… Que, nesse dia, já não existirão… nem existirá ninguém que os saiba construir...! (embora, provavelmente, vá continuar a existir gente funcionária e política, paga com dinheiro público, que estará pronta para tentar continuar a viver à custa dessas tais matérias, "culturais", e "ambientais", dos barcos antigos, e das praias ecológicas…).

Com o nosso Exº. Amigo Senhor Manuel Luís Pata, aprendemos, há muito tempo, o lema que ele sempre proclama (e que nós sempre repetimos): "O Mar não gosta de cobardes… não gosta de quem lhe vira as costas…".

Centro de Estudos do Mar e das Navegações Luís de Albuquerque (CEMAR)