quinta-feira, 17 de julho de 2014

Conviver com as memórias...

 Conheci bem o Comandante João Mano: recordo, com emoção, ter colaborado com o actual vereador da Cultura, António Tavares, então o Director do Linha do Oestena feitura de uma das últimas entrevistas que ele concedeu a um jornal da nossa cidade Aliás, foi mais uma agradável conversa, que decorreu no modesto pré-fabricado da Gala, naquele recanto, espécie de pequeno alpendre, que se vislumbra do lado direito da foto abaixo, tendo como pano de fundo, os viveiros e as salinas que existem na traseira desta modesta casa de férias que o Capitão Mano tinha na sua Aldeia natal e que se conseguiam espreitar para lá do canavial que delimita o quintal

Há menos de um mês – precisamente a 24 de junho p.p. - estive no CAE da Figueira da Foz, propositadamente, para assistir à entrega da distinção que, em agosto de 2012, por unanimidade, a Câmara da Figueira da Foz tinha atribuído a título póstumo ao Comandante João Pereira Mano: a Medalha de Mérito Cultural em Prata Dourada.
Contudo, ainda não perdi a esperança de que,  um dia, a Homenagem que ainda falta prestar ao Capitão João Pereira Mano acabe por acontecer na Figueira.
Em 2005, a Junta de Freguesia de São Pedro decidiu  homenagear algumas personalidades locais, com a atribuição  do seu nome a ruas da nossa Terra. Uma dessas figuras, foi o Capitão João Pereira Mano.
Hoje de manhã, como acontece praticamente todos os dias, na minha habitual caminhada matinal, cruzei-me com a placa que identifica a Rua Comandante João Mano (nasceu  na  Gala, então freguesia de Lavos, concelho da Figueira da Foz, em 2 de Setembro de 1914 e faleceu em Lisboa em Agosto de 2012. Os restos mortais repousam desde a tarde do dia 10 de agosto de 2012, uma sexta feira, no cemitério de Lavos), na minha opinião, até ao presente,  o maior investigador figueirense e o maior conhecedor da história marítima do concelho da Figueira da Foz, autor de livros fundamentais para o conhecimento das nossas raízes, como Lavos, Nove Séculos de História” e Terras do Mar Salgado”, tudo resultado de décadas de investigação aturada em fontes directas.
A minha eterna gratidão ao Capitão João Pereira Mano,  por me ter dado a conhecer e a entender muito melhor, a minha Terra e a minha Raiz.
Uma das consequências da passagem dos anos é passarmos a coexistir com pessoas que apenas perduram na nossa memória.
Essa realidade, para mim já longa,  não tem sido fácil de gerir: já dura desde 6 junho de 1974, data em que morreu o meu Pai.
Foi isso que senti, hoje de manhã, ao cruzar-me com a placa toponímica do Comandante João Mano. Por vezes, ainda me custa acreditar que o Comandante João Mano morreu quase há dois anos...
O tempo a passar por nós é, também, isto: a soma, sempre crescente, das ausências
Nos últimos anos de vida, o Comandante João Mano já não tinha condições para se deslocar à sua Gala natal. Então, passou a ser-me uma voz familiar ao telefone, vinda lá de Lisboa, apesar do sofrimento que, para mim, na fase final, era falar com ele, pois apercebia-me dos problemas respiratórios que o atormentaram na fase final e quase o impediam de ter uma conversa prolongada.
Foi uma voz que se calou há quase dois anos, mas que, enquanto respirar, jamais se apagará da minha memória.

Que futuro para Portugal?


"Os portugueses vão ter de acordar e aceitar que o seu futuro está em Portugal e não em Bruxelas."
DOMINGOS LOPES, hoje no jornal público - via entre as brumas da memória

Só merda...

Em Maio de 2013, o doutor Ricardo Salgado queixava-se da dificuldade em encontrar mão de obra disponível no Alentejo. Apesar da crise e do desemprego. Explicação, na altura, do presidente do BES: "Os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego".  
Na altura, era visível que o cagão já estava de caganeira. Agora, já deu para ver que a merda sobrou para nós...
Um banqueiro que tem uma quota-parte da culpa da situação do endividamento das famílias, não deveria jamais abrir a boca para disparatar deste modo. Seria o mesmo que afirmar que os banqueiros querem fugir ao fisco e só coatados é que regularizam a sua situação fiscal, pagando os respetivos milhões em falta. Obviamente, que estaria perigosa e injustamente a generalizar. Do que é público, só um é que o fez.
Um dia destes, este João César das Neves, que é – digamos assim - um espanto, vomitou: “É criminoso subir o salário mínimo”!..
A merecida resposta, por quem sabe, está aqui para ser lida.
Por mim, despeço-me deste homem, que é – digamos assim – um espanto, que se limitou a "TRANSMITIR O RECADO daqueles que LHE PAGAM: «há que reduzir os salários!».
O João, afinal,  está bom da cabeça. Disse TUDO aquilo perfeitamente pensado. Cumpriu aquilo para que lhe pagam os seus amigos da Opus Dei (a que pertence), dos Bancos (que assessora), das Grandes Corporações (que lhe pagam Consultorias).
Foi lá para transmitir o recado: “há que reduzir salários!”.
Assim já se percebe a figura de mentecapto a que se prestou.
E, assim, já merece uma resposta:
- Vai à MERDA, João!”

Vai cair o muro de silêncio?..

A propósito da investigação que, segundo foi noticiado recentemente, o Ministério Público vai fazer à Junta de São Pedro, tem-se falado muito, outra vez, aqui pela Aldeia, de justiça, da presunção de inocência e de julgamentos justos. 
Há por aí, até, quem seja da opinião que, no fundo, no fundo, em Portugal, na Figueira e na Aldeia, não se passou nada. 
É claro que, em Portugal, na Figueira e na Aldeia não se passa nada...
“Nas últimas duas décadas assistimos a uma série práticas gravíssimas que tiveram o seu pináculo durante os mandatos de Duarte Silva. O à-vontade de certas personagens em casos gravíssimos como o do Galante mostra que havia muita confiança na impunidade.
Se algo de positivo se passou nos últimos cinco anos, sobretudo depois da derrota de Duarte Silva, foi a rejeição clara de uma certa forma de fazer política. Apesar de tudo ainda estamos longe do aceitável, ainda temos grandes berbicachos no concelho. Lá iremos...”
A parte do texto acima, que está entre aspas e a negro, não é da minha lavra. Foi sacada de uma crónica do investigador Rui Curado da Silva, publicada hoje no jornal AS BEIRAS.
A mim resta-me esperar, sem grandes ilusões, que as equipas de investigação, em Portugal, na Figueira e na Aldeia, consigam ultrapassar o muro de silêncio e de interesses...
Eu, não esqueço que estamos num País de senadores. E temos o "arco do poder". E temos o bloco central de interesses...
Querem um exemplo: António Vitorino foi o mandatário do PS às últimas europeias. O seu principal adversário, Paulo Rangel, é seu sócio da sociedade de advogados...
Portugal é isto... VERGONHA?.. 
Não há. Sobra a farsa da falsa seriedade. 
Ser sério, não é ser sisudo. Ser sério, é ser honesto.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O sistema vai rebentar na Aldeia?...

foto sacada daqui
Se quisermos entender como o sistema funcionou, do ponto de vista político, temos de dar uma vista de olhos aos últimos 15 anos da vida na Aldeia.
O chefe do partido determinou, nesses anos, quem ocupava os cargos, os lugares cimeiros das listas eleitorais, os postos das chefias, os tachos e os lugares de destaque na Aldeia: esses, eram os eleitos locais....
Dos seus cargos dependiam, por seu lado, as redes de cargos e de tachos, cujos detentores, os condes, margraves, condes imperiais, landgraves, tinham, por seu lado, cargos a atribuir.
Quem teve a maior probabilidade de alcançar um posto alto, teve o maior séquito.
Este, por seu lado, apoia-o porque espera obter, em troca, um rico saque em termos de cargos, isto é, feudos, isto é, tachos.
Isto fucionou assim: só aqueles que, devido à sua capacidade, à sua audácia, ao seu bom nome junto do senhor supremo, tiiveram as maiores perspectivas de poder ter cargos na Aldeia...
Na condição, claro, de guardarem total lealdade ao chefe.
Esta teia de relações funciona sempre em circuito fechado.
Quem tem feudos a conceder, tem vassalos, e quem tem vassalos é o primeiro a ter acesso aos cargos.
No entanto, o mesmo circuito fechado também actua ao contrário, quando o imprevisível trai o homem do topo.
É precisamente por isso que, na Idade Média, que é onde vegetou a Aldeia nos últimos 15 anos, se apelava tanto à fidelidade.
A concorrência entre os legítimos e os hábeis foi constante.
Isso, aliás, fez da Idade Média a época das querelas partidárias.
O programa do partido reduzia-se, invariavelmente, ao homem do topo, ao cabecilha de uma teia de influências...

Em tempo.
Esta, é uma «estória» de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. 

A Voz da Figueira

Escrevi-o recentemente e mantenho, pois é o que continuo a pensar.
"A escolha de notícias, o critério de fazer as primeiras páginas e o modo como se discutem na redacção, as imagens que se colocam, os temas que se abordam e os convidados para emitir opinião,  tudo isso é matéria reservada a quem pontifica e manda nos jornais.  
Como leitor, não devo ter direito a explicações." 

Todavia, é com agrado que registo a existência de um jornal semanário na Figueira que vai conseguindo resistir à crise.
Mas, a Figueira tinha direito a mais.
Repito, também, aquilo que escrevi recentemente - pois é o que penso desde o final dos anos setenta do século passado e que era, no fundo, o grande desafio do barca nova e do Zé Martins... - e que causou burburinho em certos meandros figueirenses ligados ao meio... 
"Que falta faz à nossa cidade e aos nosso concelho um jornal diário feito na figueira - e por figueirenses..."

Primárias no PS

Por estes dias, e desde há uns tempos a esta parte, não há alminha que se preze que não tenha opinião sobre as primárias do PS.
As notícias e as análises sucedem-se.
Até eu, que não percebo nada desta política, já percebi que “o PS tem um problema cabeludo”...

(Recenseamento dos simpatizantes)
 A inscrição como simpatizante obedece à assinatura de um compromisso individual de concordância com a Declaração de Princípios do Partido Socialista e de não filiação noutro partido político, bem como de autorização de divulgação do respectivo nome, número de identificação civil, data de nascimento, endereço postal e endereço eletrónico nos cadernos eleitorais, e ainda de autorização de acesso aos mesmos por parte das candidaturas às eleições.

Basta entender o óbvio. Para escolher o próximo secretário-geral do PS já não é preciso ser militante. Basta ser simpatizante.
Ora, por exemplo, na área política de direita, quem não simpatiza com o PS?
Como me considero um democrata de longa data, fica o meu contributo para que a tarefa, que é este desafio, se concretize de forma normal, como é desejável em todos os processos eleitorais em Democracia. Com seriedade, com respeito democrático e com uma forte mobilização. Espero que, no futuro, seja considerada a meu crédito esta minha colaboração que, modéstia à parte, reputo, desde já, como muito importante: 
Primárias do PS dia 28 de Setembro. Inscrições aqui.

Trevas

Os textos de Almada Negreiros são pouco divulgados. Hoje, fica este sacado daqui

«De dia não se via nada, mas p'la tardinha já se apercebia gente que vinha de punhaes na mão, devagar, silenciosamente, nascendo dos pinheiros e morrendo nelles. E os punhaes não brilhavam: eram luzes distantes, eram guias de lençoes de linho escorridos de hombros franzinos. E a briza que vinha dava gestos de azas vencidas aos lençoes de linho, azas brancas de garças caídas por faunos caçadores. E o vento segredava por entre os pinheiros os mêdos que nasciam.

E vinha vindo a Noite por entre os pinheiros, e vinha descalça com pés de surdina por môr do barulho, de braços estendidos p'ra não topar com os troncos; e vinha vindo a noite céguinha como a lanterna que lhe pendia da cinta. E vinha a sonhar. As sombras ao vê-la esconderam os punhaes nos peitos vazios.

A lua é uma laranja d'oiro num prato azul do Egypto com perolas desirmanadas. E as silhuetas negras dos pinheiros embaloiçados na briza eram um bailado de estatuas de sonho em vitraes azues. Mãos ladras de sombra leváram a laranja, e o prato enlutou-se.

Por entre os pinheiros esgalgados, por entre os pinheiros entristecidos, havia gemidos da briza dos tumulos, havia surdinas de gritos distantes - e distantes os ouviam os pinheiros esgalgados, os pinheiros gigantes.

A briza fez-se gritos de pavões perseguidos. E as sombras em danças macabras fugiam fumo dos pinheiraes p'lo meu respirar.

Escondidas todas por detraz de todos os pinheiros, chocam-se nos ares os punhaes acêsos. Faz-se a fogueira e as bruxas em roda rezam a gritar ladainhas da Morte. Veem mais bruxas, trazem alfanges e um caixão. Doem-me os cabellos, fecham-se-me os olhos e quatro anjos levam-me a alma... Mas a cigarra em algazarra de alêm do monte vem dizer-me que tudo dorme em silencio na escuridão.

Veiu a manha e foi como de dia: não se via nada.»

Almada Negreiros, Frisos - Revista Orpheu nº1 

Dois poemas japoneses

Para ler melhor, clicar em cima da imagem

terça-feira, 15 de julho de 2014

Peixe graúdo também foi no embrulho?..

Américo Amorim investiu dinheiro da sua holding pessoal em papel comercial do GES. O homem mais rico de Portugal é um dos nomes na lista de investidores e clientes institucionais que vivem hoje o "dia D", sem saberem se vão ser pagos. O topo da lista é ocupado pela PT, que tem os sócios brasileiros em ebulição.

Recordar é viver...

fotos sacadas daqui
Medina Carreira que tinha sido ministro das Finanças no primeiro governo Constitucional, com Mário Soares como primeiro-ministro, em 3.2.1978 dava uma entrevista ao O Jornal em que traçava um panorama cada vez mais negro da nossa economia. 
...em Janeiro de 1977 (O Jornal de 28.1.1977) entrou a Coca-Cola em Portugal e pela primeira vez alguns puderam provar a "água suja do imperialismo". 
Recordam-se como era Portugal em 1977?..
Mário Soares era Primeiro-Ministro e Henrique Medina Carreira ocupava o cargo de Ministro das Finanças. 
Dizia o primeiro ministro de então, ao Diário de Notícias.
"Sou partidário de uma sociedade totalmente aberta e livre, em que se assegurem largamente os direitos humanos, mas não pode haver tolerância com a criminalidade, mesmo que esta se oculte sob o pretexto falacioso da razão política".
O povo andava entretido e, numa "alocução ao País em 28/02/77, o "nosso" primeiro de então expressava a ideia do seu País.
 "Nós não queremos, em Portugal, constituir ou criar uma sociedade de burocratas, uma sociedade de homens que vivem à mesa do Orçamento e à sombra do Estado. Queremos, em Portugal, criar uma sociedade de homens livres que tenham a capacidade de iniciativa própria, capazes de contribuir para a riqueza nacional".
Já nessa altura o problema era o "pilim". Portanto, nada melhor que uma crise - mas isso foi em 1977.
"Não nego que exista uma crise em Portugal, crise que, no seu aspecto fundamental - o aspecto económico - poderá sintetizar-se em três tópicos: défice da balança de pagamentos, inflação, isto é aumento do custo de vida e do desemprego"(Comunicação ao País em 07/06/1977).
1977, tempo de dificuldades que, felizmente, agora foi ultrapassado.
E, "felizmente", foi ultrapassado através de uma reforma profunda das mentalidades, uma das principais causas para o nosso atraso e para a falta de produtividade...em 1977... 
Os alicerces fundamentais do Portugal moderno foram, erguidos nesse tempo por Mário Soares.
Hoje, como todos sabemos, respira-se um ar saudável.
Um quarto da riqueza de Portugal está nas mãos de 1% da população”!..
Conclusão e moral desta «estória»: afinal, o peso da fortuna dos mais ricos ainda é maior do que se julgava, conclui um estudo publicado esta semana no site do Banco Central Europeu.

Na Aldeia...

Aqui, pela Aldeia, vamos ter um verão quente. 
Estamos num óptimo momento para o exercício da democracia e num lugar adequado para exercitar o direito ao esclarecimento, à opinião e ao voto.
Uma Aldeia saudável necessita de projectos alternativos. 
Porque a política da Aldeia costuma ser condicionada  «pelo homem e a as suas circunstâncias», interessa, pois, olhar para as soluções reais e não para D. Sebastiões que podem voltar do nevoeiro.
A questão da Identidade Cultural das terras e dos povos, foi - e continua a ser... - um dos temas centrais destes primeiros 14 anos do século XXI.
Todos os povos conheceram uma fase de expansão cultural, de difusão dos seus modos de vida e valores, e todos os povos devem pretender, em todo o momento, manter as suas particularidades, as suas formas, o seu conteúdo vital e cultural como garantia de sobrevivência na História.
A identidade é, por definição, a qualidade do idêntico, mas num mundo em constante evolução, onde a realidade tende para uma constante diversificação, o “idêntico” pode resultar num conceito equívoco e ter-se-ia que falar de afinidades e não de igualdades.

S. Pedro é uma mera entidade administrativa. Não tem alma.
Cova e Gala é a nossa Identidade, a nossa História, a nossa Alma.

Desde já, parabéns à prima (e ao resto da família...)

"BES. Dinheiro da venda dos activos penhorado a favor dos clientes"

Sobre o BPN, penso que nenhum de nós já tem ilusões... 
Mas, será que o  caso BES  vai ficar resolvido antes do Sporting conseguir ser campeão de futebol?..

Joaquim Namorado, O herói no "Neo-realismo mágico"

"Maria José Montperrin, já depois de Abril, veio a sua casa entrevistá-lo para o "Expresso", jornal famoso da nossa democracia da era atómica. 
Quando entrou na sala e foi mandada  sentar, mostrou estranheza pelo contraste entre os quadros, gravuras, pratos pintados e várias cerâmicas (Júlio Pomar, Resende, Mário Dionísio, Querubim Lapa, Cipriano Dourado, Rogério Ribeiro, Lima de Freitas, Vespeira...) e os sofás em napa, mas logo recebeu a explicação: 
- "Cá em é assim, provas de afectos de muitos e bons amigos, mas coiros só de visita".

Do livro de Jaime Alberto do Couto Ferreira, publicado no centenário de Joaquim Namorado, O herói no "Neo-realismo mágico".

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Critérios

A escolha de notícias, o critério de fazer as primeiras páginas e o modo como se discutem na redacção, as imagens que se colocam, os temas que se abordam e os convidados para emitir opinião,  tudo isso é matéria reservada a quem pontifica e manda nos jornais.  
Como leitor, não devo ter direito a explicações. Todavia, gostaria de saber mais. Sem qualquer processo intencional, só para saber. 
No passado fim de semana, na Figueira, aconteceram várias iniciativas que trouxeram até à urbe largos milhares de visitantes. Um exemplo: “O maior sunset de sempre” fez jus ao nome do evento da rádio RFM, levando à praia do Relógio mais de 60 mil pessoas, nos dois dias, segundo a organização avançou no Facebook
Só um ingénuo é que acredita que os jornais regionais e particularmente as suas redacções, obedecem a critérios jornalísticos bacteriologicamente puros e sem interferências do mundo exterior, subtis ou à martelada.  
Que falta faz à nossa cidade e aos nosso concelho um jornal diário feito na figueira - e por figueirenses...

Nota: para ver melhor as imagens é só clicar em cima.

Mas, porque é que eu não acredito em milagres?..

O Governo retirou 161 868 portugueses às estatísticas do desemprego através destes planos de fomento do trabalho comparticipado. 
A taxa de desemprego está oficialmente contabilizada em 15,1% da população activa. Se lhe adicionarmos os valores deste "emprego artificial", trepa imediatamente para 18,2%, valor que peca por defeito por excluir os 61.700 portugueses com menos de 34 anos que emigraram só nos primeiros três meses deste ano e as centenas de milhar de desencorajados que as estatísticas contabilizam como população inactiva
A taxa de desemprego tem vindo a diminuir, pois tem. E somos todos nós, contribuintes e desempregados, que estamos a pagar o milagre...
Ou pensavam que existem milagres grátis

“Ò Tó, sabes porque é que a Voz da Figueira traz tantas fotografias do Ataíde?..”

Esta manhã, ao dar a habitual volta na minha velha pasteleira pela Aldeia, tive uma agradável surpresa: reencontrei o meu velho Amigo Manuel Luís Pata.
Ao passar por mim, no seu automóvel – gostei de o tornar a ver a conduzir, depois dos problemas de saúde que o apoquentaram recentemente... - parou para me cumprimentar e estivémos largos minutos a colocar a conversa em dia...
Manuel Luís Pata, apesar dos seus praticamente 90 anos, não é um Homem confuso – continua lúcido e de uma simplicidade desarmante, como sempre.
Claro que está velho. E, como velho, deve soletrar, lá para dentro: "...já nada é como era..”
Contudo, é sempre interessante e gratificante reencontrá-lo.
Falámos do habitual: do porto da Figueira, da estupidez dos 400 metros que acrescentaram ao molhe norte, do livro que tem pronto para publicar sobre a construção naval figueirense (e que continua sem apoios para que venha a ver a luz do dia...), da actual situação política na freguesia de S. Pedro...
De repente, Manuel Luís Pata quedou-se e coloca-me uma pergunta que me deixou verdadeiramente atrapalhado: ò Tó – é assim, que os que me conhecem desde miúdo me tratam... – diz-me porque é que a Voz da Figueira traz tantas fotografias do Ataíde?....
Fiquei sem saber o que dizer...
“Sei lá Senhor Manel. Então não acha que é normal e justo?..”
Fiquei a pensar no assunto.
Depois, só depois, já em casa, percebi a que se referia...

Em tempo.
Voz da Figueira é um jornal interessante.
Contudo, é um órgão de informação - e não é o único jornal português... - da corrente do unanimisno de bloco central,  embora já lá tenha lido crónicas de opinião contra o situacionismo vigente...
Este jornalismo apresenta, como a versão autêntica e verdadeira, os factos como os entendem. 
É este o jornalismo que temos, que vemos, escutamos e lemos, hoje, nas rádios, televisões e jornais figueirenses e portugueses.
Alguém se lembra, por exemplo, do jornalismo de "O Jornal" de Joaquim Letria e de José Carlos de Vasconcelos?.. 
O modelo de jornalismo e jornalistas de há trinta anos, para não ir mais longe, acabou aparentemente, com os seus cultores e os seus símbolos. 
Os jornalistas desse tempo – e havia bons e maus... - quando erravam, não estavam errados nos métodos. 
Erravam porque é humano errar. 
Actualmente, os jornalistas de tipo corrente (como dantes dizia todos os dias quando trabalhei numa empresa de seca e comercialização de bacalhau...), erram porque os métodos comportam fatalmente esse risco iminente e aceitam-no como modo de vida profissional. 
Quanto a mim, reside nisso, um bom quinhão da razão essencial para a queda da venda de jornais. 
Na Figueira e no País...
Os leitores têm poder de análise e observação...

Um “olhar” breve para o PSD-Figueira

Uma foto esclarecedora de finais de maio passado, sacada daqui
Tentar, no tempo que passa, "olhar" para o PSD figueirense é um desafio complexo.
Depois do desvario atingido no fim do ciclo Lídio/Almeida, estou em crer que, desse partido a nível local, resta, para já, um amontoado de escombros. 
A circunstância de a liderança, a seguir, ter sido ter sido disputada por Teo Cavaco e por Manuel Domingues, com a vitória esmagadora do segundo, nas circunstâncias em que aconteceu, foi suficientemente esclarecedora.
O anúncio da candidatura de Domingues foi feito poucos dias antes das eleições, realizadas em maio. “A coisa não estava bem e decidi avançar, após ouvir vários militantes, que quase me obrigaram a avançar”, disse Manuel Domingues, no programa “Câmara oculta”, da Foz do Mondego Rádio.
Aliás, no mesmo programa, Manuel Domingues traçou como prioridade do PSD local o regresso às bases, para reconquistar os militantes que se afastaram do PSD, pois reconhece que “o partido estava numa situação difícil. (…) Há necessidade de revitalizar o partido”, como pode ler-se hoje no jornal AS BEIRAS, em nota onde dá conta de alguns pontos desta entrevista do presidente da concelhia do PSD à rádio figueirense.
Miguel Almeida já percebeu o tremendo equívoco e enorme confusão que deve grassar lá pelo seu partido a nível local. 
Espero, sinceramente, para bem do concelho, que continue por estes lados a tentar "ensinar" e a fazer aquilo que ele sabe fazer melhor que ninguém na Figueira: oposição
Como facilmente dá conta quem estiver minimamente atento ao que se passa na Figueira, o "tempo" da política de hoje é condescendente para com os seus piores servidores. 
De besta a bestial e de bestial a besta, pode ser apenas a distância de um editorial hebdomadário, como aliás reconhece o próprio Miguel Almeida, na sua habitual crónica das segundas-feiras no jornal AS BEIRAS.
Em Portugal é muito fácil alguém passar de bestial a besta, e vice-versa.
Na política, então, ninguém pode assumir que tem estatuto vitalício de “besta” ou de “bestial”. Basta, em determinado momento, a “clientela” não ser servida, para que se deixe de ser “bestial”.
Mas, ainda assim, vale a pena convocar todos para uma reflexão sobre o papel de cada um na vida em sociedade e para a forma como todos nos devemos relacionar com os actores políticos. Sou dos que acredita que a razão e a verdade vencem sempre, ainda que seja necessário lutar contra tantos. Bem sei que sou um optimista, serei por isso uma “besta”?

Costa de Lavos está de parabéns

A "nova" Casa dos Pescadores, inaugurada no sábado passado, com fundos comunitários, é um orgulho para todos...
Segundo a Foz do Mondego Rádio, "muitas dezenas de pessoas partilharam o momento da bênção e corte da fita da "nova" Casa dos Pescadores, um projecto financiado a 100%, no âmbito do Eixo 4 (Desenvolvimento Sustentável das Zonas de Pesca) do PROMAR (Programa Operacional das Pescas integrado no Fundo Europeu das Pescas para o período de 2007-201, aprovado em Dezembro de 2007, pela Comissão Europeia que fixou um montante total de apoios públicos ao sector de 325 milhões de euros).
Na Figueira da Foz, os projectos aprovados foram a Construção de casa Típica de Pescadores (inaugurada o ano passado) e a construção de Espaço Cultural para os Pescadores de S. Pedro que, presume-se, será inaugurado em breve.

domingo, 13 de julho de 2014

Mundial 2014: Alemanha ganha à Argentina na final


A decisão parecia que ia para os penaltis, mas aos 7 minutos do segundo tempo, Götze aproveitou um cruzamento de Schurrle, "matou" no peito e rematou cruzado para o fundo das redes. 
Estava feito o resultado e encontrado o vencedor. 
Ganharam os boches da Merkel. 

Antes que seja tarde (II)

Daqui a dois meses, se tudo correr com normalidade, teremos eleições na Aldeia, para escolher quem nos governará... 
Eu, por ter falta de jeito para a política (e o que é ter jeito? É ser como Soares? Como Sócrates? Como Santana? Como Durão? Como Cavaco? Como Portas? Como Coelho? Como Seguro? Como Costa?), porque andam por aí umas ideias, declaro-me, mais uma vez, uma carta fora do baralho...
Por muitas razões. Não percebo nada desta política. Depois, não pertenço a nenhuma seita, confraria, clube de serviços, academia do bacalhau ou grupo da sueca...
Pertencer a uma organização destas é essencial para um presidente de junta que pretenda lidar com empresários...
O comum dos empresários, mais do que ter lucro, quer um presidente que conheça o presidente que pode dar benesses. 
Tivesse eu uma sólida e conceituada carreira almoçarista - digamos assim... - e outro galo cantaria.
Não estou para ter de aturar, um dia destes, referirem ad nauseam “a minha escassez de contactos ao mais alto nível concelhio e o meu profundo desconhecimento dos meandros do poder concelhio..."
Na Aldeia, muito mudou nos últimos 20 anos: há 29 anos, o habitual era quando havia um problema complicado, dormir sobre o assunto e tratá-lo no local certo; agora, almoça-se sobre o assunto.
Eis o que faz toda uma diferença!

O bom é inimigo do óptimo...

“Protecção Civil apelou ontem aos condutores para evitarem entrar na Figueira da Foz”...

Tá partido...

... O Bloco!
As pessoas de esquerda, já não vão em cantigas, querem resultados e  evolução - não apenas adaptação às circunstâncias...

Demagogia, dita à maneira...

imagem sacada daqui
"Passos avisa que contribuintes não podem pagar pelos erros dos bancos." 

Em tempo.
Isto, foi dito pelo presidente de um partido onde um deputado é deputado porque o pai foi deputado e o avô já era deputado, ainda no tempo em que não havia deputados... 
Isto, foi dito pelo presidente de um partido onde o "pioneiro" jota vai trabalhar para a empresa, para o banco [e não é atrás do balcão a receber depósitos e pagar cheques], ou estagiar para o escritório de advogados por causa do mérito e das competências adquiridas pela militância na jota...
Isto, foi dito por  Passos Coelho, um especialista em abertura de portas, mas do estado.
Lembram-se da Tecnoforma?

Bom domingo

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Vendaval a soprar do norte..

O vento do norte, 
esse vento tão forte
e tão frio 
vai hoje por aqui animar tanta solidão... 
Na Gala vai ser ser tal a animação, 
que nem o rio 
vai conseguir atenuar o xinfrim...zão...
Oxalá que a imensa praia

e a bravura do oceano 
consigam que não dê raia...
Oxalá que por aqui... consiga aguentar o ouvido humano!


Em tempo.
(Por motivos óbvios, este blogue encontra-se em greve de protesto e de zelo até segunda-feira... 
Quem foi a alminha que mandou calar este barulho à meia-noite?..
Assim, não há há condições...
No fim, como é que vai ficar aquilo que  conta - a economia... )

"BES de barro"...


A história do maior conflito na cúpula do capitalismo português do pós-25 de Abril

...  mais um banco que está prestes a ir pelo cano do acumulado de delitos dos seus administradores e ver como há tanta gente enredada na sua teia a tentar convencer-nos que não está a acontecer nada, desde Passos Coelho a Maria Luís Albuquerque, passando por Carlos CostaAntónio José Seguro e até pelo criadito Carlos Silva, o sindicalista bonzinho que se prestou ao papelaço de dizer que a família Espírito Santo, em especial o pater Ricardo, é tudo gente muito respeitável com um enorme prestígio internacional que está a ser vítima da comunicação social. As cotações das acções do grupo BES não estão em queda livre continuam a ser negociadas em bolsa sem qualquer sobressalto, os juros da dívida portuguesa aceleraram as quedas em resultado dos sacrifícios que (quase) todos fizemos, não se fala em falência da sucursal do Luxemburgo, os clientes da gestora de fortunas da Suíça não estão prestes a apresentar queixa por falta de reembolso na data contratada, o BES não tem nada a temer com os mal-entendidos do grupo, a regulação funciona mesmo e não é um mito criado para nos ter à mercê  da delinquência banqueira, o comunicado do FMI não fala em mais do que um banco a exigir "medidas correctivas".
Nisto, tropeço neste artigo mordaz de José Miguel Tavares, que completa todo este mundo do faz de conta. 
Via O País do Burro

Antes que seja tarde...

Daqui a dois meses, temos eleições na Aldeia, para escolher quem nos nos governará... 
A escolha, far-se-á entre listas de nomes que serão apontados pelos directórios dos partidos.  
Neste momento, discute-se cá pela Aldeia a qualidade dos nossos políticos e das políticas... 
Neste momento, é  um lugar comum, dizer que na Aldeia os políticos são maus - como se a excelência, na Aldeia e no País, fosse regra... 
Sejamos claros: uma reforma política profunda poderia dar uma certa saúde à democracia na Aldeia. Todavia, isso, nenhum partido quer porque trucidaria valores próprios dos partidos. 
Como certamente terão ocasião de observar, as forças políticas só se preocupam com o bem do partido, ou seja, no seu bem próprio:  como ganhar as eleições, como explorar as fraquezas alheias, etc. 
Esse, tem sido o meu problema desde 1989. A meu ver,  os partidos deviam pensar o que é que convém ao interesse da Aldeia e o que é que podemos fazer mais para corrigir o que antecessores fizeram! 
Todavia, não é isso que, realmente, pretendem na prática... 
O seu objectivo é ocupar os lugares deixados vagos e continuarem na mesma política rasteira... 
Em conversas de café tenho tentado explicar que não basta fazer parte da "elite intelectual" da Aldeia para ter um papel de mudança mais activo... 
É que o problema não é de pessoas, mas das instituições políticas – leia-se partidos - que promovem a escolha da mediocridade. 
Estas instituições políticas ao  não promoverem o mérito não conseguem atrair ninguém de qualidade. 
Isto não é novo: já o Eça contava que em algumas casas da burguesia os políticos não eram recebidos porque as senhoras tinham nojo...  
Na Aldeia, os líderes  têm  sido eleitos por pequenas maiorias, que não representam ninguém e não têm qualquer responsabilidade perante o eleitorado: estiveram lá para decidir que empreiteiro constrói a rotunda... 
As pessoas foram eleitas por serem as melhores segundo os interesses das máquina partidárias... 
Não são os melhores que são escolhidos para defender os interesses da Aldeia e esta situação repele as outras pessoas a entrarem na política.  
Não estou, sinceramente,  a ver como é que o PS e o PSD, num futuro próximo, vão mudar o ambiente político da Aldeia, expurgando-o dos espectros que empestaram o ar da Aldeia nos últimos 20 anos... 
E, para fim de conversa, por agora: como ainda não será tempo de fazer entrar ar puro, não contem comigo...

Sclorari...

2004 ........................................................................2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Já não era sem tempo...

BIBLIOTECA DE PRAIA

Na Praia da Torre do Relógio, em frente à Piscina de Mar, nos meses de julho e agosto, de segunda a sábado das 10h00 às 16h00 e com entrada livre, a Biblioteca municipal disponibiliza a leitores de todas as idades um espaço para as suas leituras e momentos de lazer. Livros e jornais à disposição para todos e, especialmente, para os mais pequenos, ateliers para aprender e brincar.

Via Foz do Mondego Rádio

A vida, esse calvário manhoso, pessoal e intransmissível...

Ao longo da vida todos fazemos merda de vez em quando.
A grande diferença, é que alguns auto analisam-se a tempo, reconhecem o seu erro, e conseguem sair sem se sujar muito.
Outros, esperneiam tanto que acabam enterrados até ao pescoço.

Falta um dia...

Quem mora na Figueira sabe que a única maneira de evitar o vento é ficar trancado em casa.
Excepto, se soprar do sul...
O vento pode arrastar cadeiras, virar o guarda-sol, levantar saias, colocar areia no olho e dar cabo do cabelo. 
E, à noite , se soprar do sul, pode até colocar em causa o descanso...
Na Figueira, a direcção dos ventos influencia directamente o comportamento das águas, das marés, das ondas,das correntes e do humor dos habitantes da cidade...
Portanto, para sossego da maioria,  em especial da dona vereadora, esperemos que os ventos, sexta sábado e domingo, soprem do norte...
Com os do costume, como é habitual, não haverá problema de maior.
Espera-se...