quarta-feira, 2 de outubro de 2013

E a duvida, neste momento, na Figueira é:

foto sacada daqui
que vai fazer o PSD figueirense e Miguel Almeida com tão desoladora votação?

Em termos eleitorais, o PSD figueirense recuou até ao antes de Santana Lopes.
Resta saber se a actual  agonia do PSD/Figueira,  é apenas um facto conjuntural, ou uma tendência irreversível.
Na parte final da campanha o cansaço e a rotina eram evidentes na sua página na internet...
Para desgraça do Miguel,  conjugaram-se erros seus e  também má fortuna...
Clarificando: esteve no local errado, no momento errado. Sobretudo, tal como previ em devido tempo, não conseguiu sobreviver ao "entalanço".
Em 1997, tendo como Santana Lopes candidato na Figueira, o PSD fez  uma campanha populista, demagógica e politicamente inconsistente, como o futuro veio a demonstrar e provar, nomeadamente pela pesada herança financeira que nos deixou para resolver.
Santana foi a votos e “roubou” a presidência ao PS,  que estava a gerir a autarquia figueirense  após Abril de 1974.
Depois,  veio o eng. Duarte Silva que ganhou naturalmente, recolhendo os louros da informação e propaganda feita à passagem de Santana pela Figueira.
A seguir, passada a “febre”, ainda com Duarte Silva, mas já no segundo mandato, começou a dar-se a necessidade da inflexão na gestão da autarquia…
João Ataíde apareceu em cena e  aproveitou as dificuldades para ganhar, concorrendo numa lista do PS.
Com ele, também porque não poderia ser de outra forma, a gestão inflectiu ainda mais - até aos 180 graus.
Houve necessidade de se começar  a falar verdade, a relevar o valor da coerência política e programática – numa palavra, a gerir com realismo para alcançar a credibilização.
E é aqui que residiu, a meu ver,  o principal desafio de Miguel Almeida - e que ele, como se sabe agora, não conseguiu ultrapassar.
Faltou-lhe a capacidade de fazer a síntese entre o populismo demagógico  do PSD de Santana e o actual  PSD de Passos Coelho...
Esse “entalanço”  “obrigou” Miguel Almeida  a não se apresentar como o candidato  natural do PSD  na Figueira da Foz...

Épico… Ti Samuel… da Praia de Mira…

O Ti Samuel... de uma das mais antigas famílias da Praia de Mira (e, depois, da Praia da Vieira... e do Tejo, na Ria de Lisboa, etc, etc.):

Em qualquer fenda, num tronco, sob uma folha um insecto encontra seguro tecto onde se possa abrigar...
Até nas plagas ignotas do oceano infinito entre as rochas se abriga o peixe do mar...
Um réptil, uma fera, qualquer animal mesquinho que a natureza contém...
Todos têm o seu asilo, num canto qualquer guarida, que a esperança não perdida...
Apanhei tantos naufrágios nesse mar… Sei lá… E agora sou excluído da pensão de reforma como pescador...
Será que terei de morrer à fome em terra…? Quando afinal de contas ia tantas vezes a morrer no mar...
Não tenha eu contribuído para a pátria como todos os outros…?
E agora…? A vida continua. Oxalá que a vida venha longa...
Toda a vida trabalhei no mar. Apanhei tantos naufrágios...
Agora sou excluído da reforma de pescador...
Não morri no mar porque não calhou… Não sei... já nem me lembro… Matosinhos e tudo…! Naufrágios… Levei tantos... E eu não morri lá...
Nas Companhas: Costa de Lavos e tudo... E na Enseada de Buarcos… Vagueira… sei lá…! Remava em todos os lugares… Revezeiro na proa…
Quando acabava a temporada, a campanha… Ia para o Alentejo, cavar terras para arroz… Cortei mato nas lezírias, e sei lá... Vila Franca de Xira, Ribatejo, sei lá...
Para não morrer à fome, tinha que trabalhar, e sustentar mais ou menos os meus irmão, que não tinham Pai… e agora, estou aqui a arriar...
Não tenho coragem para pedir... Não posso... e há senhores que estão para aí… andaram-nos a gastar o fisco deles por o Brasil e essa coisa toda… E têm reformas, têm tudo... Sei lá porquê...  Será batota…?  Não morri no mar porque não calhou… E agora em terra...

Para ouvir clicar aqui
Via Cemar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dois dias depois, a mensagem de Miguel Almeida

Caras e Caros Figueirenses;

Chegámos ao fim desta longa caminhada com a sensação de dever cumprido, apesar dos resultados eleitorais. Estivemos próximos das pessoas, dos projetos, das empresas, instituições de ação social, coletividades, forças de segurança e dos eventos do nosso concelho. Foi extremamente gratificante perceber o potencial imenso que as nossas gentes e instituições têm e a disponibilidade de centenas de pessoas que empregam o seu tempo e as suas capacidades em prol de projetos cheios de valor. Demos o máximo para divulgar o que se faz no nosso concelho e tentámos sempre estar do lado da solução, da esperança e do sonho em dias melhores.

Quero agradecer sinceramente a todos os que fizeram parte desta candidatura. À Dra. Virgínia Pinto, mandatária exemplar e inspiradora; ao Sr. Vítor Pais, candidato à Assembleia Municipal, que saúdo muito especialmente, após oito anos à frente da Assembleia; aos partidos da coligação, ao Conselho Consultivo, a toda a estrutura da direção de campanha; aos Mandatários da Juventude; a todos os voluntários que concederam o seu tempo a este projeto.

Agradeço muito sentidamente a todos os que aceitaram integrar as listas candidatas da nossa coligação, que acreditaram neste projeto e que saíram da sua zona de conforto.

Deixo uma palavra de agradecimento e reconhecimento a todos os que cessam agora funções e que deram o melhor de si enquanto eleitos.

Quero também agradecer muito especialmente às centenas de pessoas que nos receberam nas mais de 300 visitas e reuniões pela sua simpatia, disponibilidade e cooperação.

Saúdo todos os eleitos pelas nossas listas, mas também nas dos outros partidos e desejo particularmente que TODOS ajudem o concelho a melhorar a qualidade de vida dos Figueirenses. Uma palavra de felicitações para o Presidente da Câmara que vê renovada a confiança dos Figueirenses e fica a garantia que exerceremos uma oposição construtiva, mas firme na defesa dos interesses dos Figueirenses.


daqui

O rescaldo das eleições autárquicas em S. Pedro em 2013

Quem tinha  como desiderato principal afastar Simão e a sua lista do poder, goste muito, pouco,  ou nada do PS, ache o António Samuel  pouco simpático ou destituído de "carisma", votou  no PS.
Ponto final.
Quem tinha  como objectivo essencial  apoiar Simão e a sua lista, votou António Lebre.
Ponto final.
Quem tinha como objectivo votar ideologicamente à esquerda, votou em Lurdes Fonseca.
Ponto final.
Esta, foi a filosofia do voto útil que funcionou nestas eleições para escolher o  presidente da junta de freguesia de S. Pedro para os próximos 4 anos.
Por isso mesmo se verificaram estes resultados...

Na Figueira da Foz, a chuva já se faz sentir...

foto Pedro Agostinho Cruz

Este país não pode dar certo. Aqui puta goza, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita *

Rescaldo eleitoral


* Tim Maiamúsico e cantor popular brasileiro, infelizmente falecido e quase desconhecido em Portugal.

Continua a chover copiosamente...

... estou a ver que, assim, não sai a procissão do senhor dos passos!..
E estou também a ver que depois de lixadas as eleiçõesainda falta lixar isto tudo!..

No país do Cavaco

Cavaco é um tecnocrata que, em tempos, chegou a  Ministro das Finanças, foi um mau Primeiro-Ministro, mas não dá mesmo para Presidente da República de Portugal, simplesmente porque não conhece o país real em que vive.

Dois dias depois das autárquicas, coisas que verdadeiramente me incomodam...

Aviso, desde já, que se clicar aqui e ler o trabalho de reportagem do jornal Público, que aborda algo da realidade que se está a viver em Portugal, pode vir a sentir-se incomodado.
Foi o que me aconteceu.
Estão em causa pessoas.
Olhar para elas como menos do que isso não as torna indignas: indigno é quem assim as vê,  mas ajuda a perpetuar a sua miséria.
“Com as novas regras do RSI e da habitação social, os pobres estão ainda mais pobres. Nalgumas zonas, como certos bairros da freguesia de Campanhã, no Porto, a miséria é atroz. Os direitos humanos essenciais são violados, os apoios do Estado são uma fraude, a reinserção social uma ficção. Ser pobre é viver num mundo à parte, de onde nunca se consegue sair.”

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Algo de positivo...

Parabéns Rui Costa.
Parabéns João Costa.

Eleições autárquicas na Figueira em 2013 e 2009



                 Resultados em 2013 para a Câmara
Votantes
47,71%
9 Mandato(s) atribuído(s)
Mandatos atribuídos: 9
0 Mandato(s) por atribuir
Mandatos não atribuídos: 0
Votantes: 28.074
Inscritos: 58.844
PS

46,35%
13.011 votos

Mandatos
5
PPD/PSD.CDS-PP.PPM.MPT

31,77%
8.918 votos

Mandatos
4
PCP - PEV

7,80%
2.189 votos
B.E.

3,15%
885 votos
PCTP/MRPP

1,10%
310 votos
EM BRANCO

6,48%
1.820 votos
NULOS

3,35%
941 votos


Resultados em 2009 para a  Câmara
Votantes
57,22%
Votantes: 33.538
Inscritos: 58.614

Em tempo.
Assim se viu, cá pela Figueira, em 2013, a força do CDS + PP + PPM + MPT + a ajuda pontual de Santana Lopes.
PS

37,78%
12.671 votos
Mandatos
4
PPD/PSD

29,42%
9.867 votos
Mandatos
3
GRUPO CIDADÃOS

18,39%
6.168 votos
Mandatos
2
PCP-PEV

5,09%
1.707 votos
B.E.

2,68%
900 votos
CDS-PP

1,83%
614 votos
MMS

0,61%
203 votos
EM BRANCO

2,78%
932 votos
NULOS

1,42%
476 votos

E esta chuva que não se vai embora...

... estou a ver que, assim, não sai a procissão do senhor dos passos!..

Sans rancune!

Modéstia à parte,  Miguel, sou figueirense e sinto-me orgulhoso por ter contribuído para a derrota do PSD/CDS no concelho.
É tão bom termos a sensação do dever cumprido.

A verdade histórica

A Vila de São Pedro, criada em 5 de Junho de 2009, é a “a povoação de São Pedro (uma coisa que não existe!..), no concelho da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, elevada à categoria de Vila”.
Se duvidam disto, leiam o Diário da República nº. 150, 1ª. Série, Lei nº. 58/2009.
Um Povo que não preserve o seu passado e as suas raízes não tem futuro. E a Cova e a Gala têm um passado de que todos nos devemos orgulhar.
E, temos de saber preservar, com rigor e com verdade, e não ao sabor conjuntural dos interesses politiqueiros, seja de quem for.

Cova-Gala, (SEMPRE) a raiz!

Ao trabalho camaradas, ao trabalho...

Ao trabalho Miguel, ao trabalho...

Figueira, conheço-te tão bem…
Sabia que para um candidato do PSD a Presidente da Câmara da Figueira da Foz, em 2013, a vida não estaria fácil.
Além desse, houve muitos outros factores a contribuir para o falhanço do Miguel, mas essa tarefa, a seu tempo, compete a ele próprio analisar, depois de digerida esta pesada derrota.
Quanto a mim,  como escrevi  3 dias antes das eleições, a coligação “Somos Figueira” foi um erro... A equipa que conseguiu apresentar para a vereação foi também um factor importantíssimo, pela negativa.

Ontem, pode ter sido um dia com grande significado para o resto da vida do Miguel...
Foram muitas as ilações que, se quiser, pode recolher com esta derrota...
Olhando para a foto publicada pela Figueira na Hora, creio que, em primeiro lugar, tem que saber reagir ao desaire político de ontem sem medo dos prejuízos. Muitas vezes, eles são a forma mais rápida de chegar aos lucros.
Quem não sabe perder, nunca  vai saber ganhar.
Outra ilação, muito importante, é admitir os erros próprios.
Nesta política portuguesa (da qual eu continuo a nada perceber...), tal como nos mercados (coisa de que também não percebo nada...), quanto mais cedo se admitir e compreender aquilo em que temos errado, mais rápida será a possibilidade de recuperação.
A  teimosia – nesta política, tal como nos mercados -  paga-se imediatamente na conta!

Levantam-se os braços. Dão-se uns pulos. Recebem-se uns abraços. Tiram-se umas fotografias. Fazem-se umas declarações. Dão-se uns beijos às senhoras e uns abraços aos cavalheiros. Suportam-se os oportunistas, que sempre aparecem nestas ocasiões. Sorri-se e agradecessem as felicitações e as palmas dos contentinhos de oportunidade e de ocasião.
Saber perder, porém,  é algo que está ao alcance de poucos.
Saber perder,  não é o mesmo que gostar de perder. São coisas diferentes.
Saber perder, é ter capacidade para perceber que, neste momento, outro mereceu mais a vitória que nós - que apesar de termos dado o melhor, houve alguém que conseguiu superar-nos por ter sido melhor.
Foi o que aconteceu.
Figueira, conheço-te tão bem...

domingo, 29 de setembro de 2013

João Ataíde foi reeleito presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz

foto Pedro Agostinho Cruz
Números finais...
Câmara Municipal
PS: 5 eleitos
"Somos Figueira": 4 eleitos

Juntas de Freguesia:
PS - Alqueidão, Buarcos, Tavarede, Ferreira-a-Nova, Quiaios, Marinha das Ondas, Alhadas, São Pedro, Vila Verde, Paião
"Somos  Figueira" - Maiorca e Moinhos da Gândara 
"Ou Vai Ou Racha" - Lavos
Movimento Independente - Bom Sucesso

Autárquicas 2013 na Figueira

Esta foto de Pedro Agostinho Cruz, foi para mim a melhor foto desta campanha na Figueira. 


"A coligação “Somos Figueira” foi um erro e, concomitantemente, mais um contributo importante para a presumível derrota do PSD de Miguel Almeida nestas autárquicas."
Escrevi isto neste blogue em 26 de setembro p.p.
Neste momento, estou em crer, que os números com que, a seu tempo, conto actualizar este post vão confirmar a minha previsão.
(Actualização via Figueira na Hora)
- Quando falta apenas apurar uma mesa na "nova" freguesia de Buarcos, os números apontam para a vitória do PS para a Junta de freguesia.
PS vence em Quiaios, Marinha das Ondas, Alhadas, S. Pedro, Paião e Vila Verde. o independente Mário Acurcio vence no Bom Sucesso.
Atendendo ao número de vitórias do PS no concelho da Figueira da Foz, João Portugal, líder da Concelhia socialista, avança ao Figueira na Hora que na vereação serão eleitos 6 para o PS e 3 para o PSD.
João Ataíde já comemora a vitória do PS.
Miguel Almeida assume "pessoalmente" a derrota, lamentando que as pessoas tenham aproveitado as autárquicas para castigar o governo e agradecendo "a todos os que estiveram nesta caminhada e a todos os que votaram" na coligação "Somos Figueira ".

Autárquicas 2013 em S. Pedro (XII)

António Samuel é o novo presidente da junta de freguesia de S. Pedro com 897 votos.

Números finais na freguesia de S. Pedro
Assembleia Municipal
-  69 brancos/nulos 25/PS 804/BE 71/"Somos  Figueira" 379/CDU 122
Câmara Municipal
- brancos 63/nulos 22/PS 823/BE 54/"Somos Figueira" 396/MRPP 20/CDU 92
Assembleia de Freguesia
- brancos 42/nulos 26/CDU 87/LISP 419/PS 897

Autárquicas 2013 no país..

Projecções às 20 horas (RTP1)...
Lisboa 
Ganha António Costa/PS
Porto
Ganha Rui Moreira/Independente
Gaia
Ganha Eduardo Vítor  Rodrigues/PS
Sintra
Empate técnico entre Marco Almeida/Independente e Basílio Horta/PS

Pelo andar da carruagem, dá para perceber que não há necessidade...

... portanto, atrevo-me a solicitar ao Pinto da Costa, "para não bater mais no ceguinho", até porque, ontem, mais uma vez...
Enfim...
Vejam com os vossos próprios olhos.

Vá votar

Está recenseado, quer votar e perdeu o cartão de eleitor?
Fique a saber que este não é necessário para poder  votar, basta o bilhete de identidade ou a carta de condução e saber o número de eleitor. 

Não sabe o número de eleitor ou onde votar?
site do MAI diz-lhe o seu número de eleitor e onde votar, com o número do bilhete de identidade ou o nome completo e a data de nascimento -  é aqui, não deixe de ir votar.

Nas últimas eleições presidenciais este site dava a informação do local onde se iria para votar, informação essa que, pelos vistos, entretanto se perdeu -  agora só dá o número de eleitor e a freguesia.

Para saber o local exacto onde votar, depois de ter o número de eleitor pode ir ao Site do CNE, onde, sabendo o Concelho e a Freguesia, pode consultar a mesa de voto.

Bom domingo

sábado, 28 de setembro de 2013

Dia de reflexão (IV)

A quietude do  silêncio, parece uma rede de malha larga, armadilhada de lugares vazios...
Está assim o dia de hoje.
Talvez, o espaço do silêncio seja isso mesmo...

Dia de reflexão (III)

Já não tinha um dia assim, calmo e reflexivo, há muito tempo...
Está a dar, até, para constatar que o fim da crise deve estar próximo. 
Já esteve previsto para 2012...
Mas, se não for em 2013 de 2014 não passará...

Dia de reflexão (II)

É pá, deixem-me reflectir em paz!..
Pode ser...

Dia de reflexão

Sorrateiramente, devagar,  muito devagar mesmo, hoje voltou-me a vontade de ler  poesia.
Estou a pensar num livro que requeira tempo,  um  autor e textos que me apeteçam ler, como costumava fazer há anos atrás, retornar a um dos que mais gostei, dos que passaram pela minha vida.
Hoje, para além de ser sábado, é um dia diferente. Talvez por isso,  apetece-me voltar ao primeiro contacto que tive com a poesia de O'Neill.
O’Neill tinha um ar natural e irreverente.
É um poeta e foi um homem que negou sempre o “modo funcionário de viver”.
Foi um homem e é um poeta transbordante de sonhos e sedento de realidades submersas.
Talvez por isso, foi em vida - e continua - incompreendido e  votado ao esquecimento.
Foi esse o preço que pagou por se ter recusado diluir numa qualquer poesia do populismo fácil.
Ele passou ao lado desse tipo de poesia pobre, decadente e estéril. Rejeitou a fórmula cor-de-rosa de ver a realidade: o lado obscuro do real existe, mas não é poeticamente estético descrevê-lo.
Quem ousa levantar a poeira, paga  um preço alto -  e ele fazia-o.
Fica um poema, para mim de um poeta fora do comum, de que gosto especialmente: Alexandre O'Neill.
Bom sábado e bom dia de reflexão.

Entre a
cortina e a vidraça

Vem o tempo de varejeira
entre a cortina e a vidraça.
O tempo assim à minha beira!
Que é que se passa?

E eu,que estava tão enredado
nos baraços do eternamente,
nos lacetes do já passado,
sou esfregado contra o presente.

A varejeira é nacional.
Terei, assim, de preferi-la?
Ora! É a mosca-jornal
- e já agora vou ouvi-la...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

X&Q1183


Resposta à carta que o Miguel me enviou, na minha qualidade de “caro habitante de São Pedro”

Meu caro Miguel (permite que te trate assim, pois foi assim que me trataste, na carta que me enviaste como habitante de São Pedro.)

Sei que para um candidato do PSD a Presidente da Câmara da Figueira da Foz, em 2013, a vida não está fácil.
Também para mim, com esta política levada a cabo pelo PSD + CDS, nos últimos dois anos, a vida  não está fácil.
Com uma agravante para mim: não percebo nada desta  política.
E tu, Miguel, percebes e tens sido um colaborador activo e actuante e recolhido os merecidos e naturais benefícios pessoais.

A arte desta  política, para os meus inexistentes conhecimentos sobre a matéria, é extraordinariamente complexa.
Já o sabia (até já o escrevi algumas vezes neste blogue), mas reforcei  esta minha constatação,  depois de ler atentamente a carta que o Miguel Almeida me enviou como “caro habitante de S. Pedro”, e que recebi ontem na minha caixa de correio.
Diz o caro Miguel que “o actual Presidente da Câmara não cumpriu 92 das 121 promessas que fez aos Figueirenses, sendo  que, a esmagadora maioria não custava dinheiro”.
Ainda que mal pergunte: é verdade, que nas nossas vidas nem tudo depende do dinheiro, mas então porque é que em 12 anos de executivos PSD a Figueira chegou à conhecida situação financeira – o famoso  buraco de  94 milhões de euros?..
Deixemo-nos de demagogias e sejamos claros e sinceros: o Miguel sabe que isto é verdade. Por diversas razões de ordem política, que nada têm a ver com o ser humano  que é o Miguel, há muito que tinha decidido que não votaria em “Somos Figueira”.
Esta tua carta, porém,  surpreendeu-me pela negativa.
Fiquei a saber que as melhores cartas do Miguel são aquelas que não escreveu.

No teu lugar, tendo como todos sabemos que tens, a legitima ambição de vir a ocupar  o gabinete presidencial do município figueirense,  eu teria tido mais cuidado na carta que me enviaste  na minha qualidade de “caro habitante de S. Pedro”.
A meu ver, foste imprudente. A carta está repleta de demagogia politiqueira, tipo “sempre fui contra a intenção do Governo de eliminar freguesias...” e “São Pedro só continua como freguesia porque tivemos a coragem de fazer uma proposta”.
Miguel:  eu não me esqueço, a maior parte dos  figueirenses não vão esquecer, que “a Figueira anoiteceu no passado dia 12 de outubro de 21012, com um enjoativo cheiro a naftalina”...
Foi nesse dia que a Assembleia Municipal  figueirense votou  o  mapa das freguesias que vai vigorar a partir do próximo domingo.
Nesse dia, foi aprovada a proposta conjunta apresentada pelo PSD, Figueira 100%,  Presidente da junta de freguesia de S. Pedro e Presidente da junta de Lavos.
A  extinção das Freguesias de S. Julião, Brenha, Borda do Campo e Santana foi aprovada com os votos contra do PS,  da CDU e da presidente da junta de freguesia de Santana (PSD).
O presidente da junta de freguesia de Tavarede (PS) absteve-se.
Ficou assim a votação: 22 votos a favor; 19 contra; e 1 abstenção.
Resultado:
BUARCOS  AGREGOU S. JULIÃO;
ALHADAS AGREGOU BRENHA;
PAIÃO AGREGOU BORDA DO CAMPO;
FERREIRA A NOVA AGREGOU SANTANA.

Miguel, todos sabemos que o PSD foi, é e vai continuar a ser o teu partido de sempre. Todos sabemos que Santana Lopes, apesar de ter ameaçado muitas vezes, nunca vai sair do PSD e, muito menos, fundar outro partido. 
Para quê, então, dar a entender que não concordas com a política deste PSD?
Se eu embarcasse na demagogia fácil, diria que o Miguel, um jogador político de bastidores por excelência, com o “golpe de rins” que realizou em outubro de 2012,  pretendeu driblar a populaça figueirense e, ao mesmo tempo, demonstrar aos políticos lá por Lisboa que, mesmo em minoria política, era o Miguel o candidato a presidente de câmara natural em 2013, pelo PSD - pois era quem mandava nos figueirinhas...
Porque não quero entrar neste jogo baixo e demagógico, tenho muita dificuldade em perceber a carta que, como caro habitante de São Pedro, ontem recebi.  
Não havia necessidade...

Na Figueira, em 2013, como o já o foi em 2009, continua  o momento de preparar o futuro, de continuar por um novo trilho.
Como diria Sá Carneiro “a política sem alma é uma chatice, sem ética é uma vergonha”... 
Não sou hipócrita: sabes que não irei votar no “Somos Figueira”, mas sabes também que isso não contém nada de pessoal.
Felicidades pessoais.
Um abraço 
António Agostinho - Freguesia de São Pedro, Figueira da Foz

Algo de novo na politica figueirense (XI)

daqui