Uma grande mulher, uma cidadã consciente, num país com muita gente pequena.
terça-feira, 7 de julho de 2015
O "agrimensor"
"O esmagador e falso estado
de direito que se construiu no
nosso país é como o castelo
de Kafka.
Cortou, encareceu, vedou o acesso material a serviços essenciais. Depois, reclamou que pagássemos. Agora, sem meios, controlado e vedado o acesso aos nossos direitos, disponíveis para nos sacrificarmos em mil pagamentos, porque as penhoras são implacáveis, nem sequer nos deixam pagar. Adiam-se as notificações, os avisos vêm fora de prazo, burocratizamse. Crescem os juros, somamse as coimas, o monstro engorda. Um dia, como “K”, cansados e exaustos, deixaremos que nos levem tudo. O “castelo” assim o quer!"
António Tavares, vereador PS, na sua habitual crónica das terças-feiras no jornal AS BEIRAS, a tratar da vida...
Cortou, encareceu, vedou o acesso material a serviços essenciais. Depois, reclamou que pagássemos. Agora, sem meios, controlado e vedado o acesso aos nossos direitos, disponíveis para nos sacrificarmos em mil pagamentos, porque as penhoras são implacáveis, nem sequer nos deixam pagar. Adiam-se as notificações, os avisos vêm fora de prazo, burocratizamse. Crescem os juros, somamse as coimas, o monstro engorda. Um dia, como “K”, cansados e exaustos, deixaremos que nos levem tudo. O “castelo” assim o quer!"
António Tavares, vereador PS, na sua habitual crónica das terças-feiras no jornal AS BEIRAS, a tratar da vida...
A propósito de perdões de dívidas...
Enquanto uns lutam por perdões de dívida, outros conseguem-nos nos tribunais portugueses.
Esta, mais uma vez, foi outra vez a vez de João Rendeiro.
Esta, mais uma vez, foi outra vez a vez de João Rendeiro.
José Manuel Fernandes, o comentador político para quem a honestidade intelectual é uma realidade arqueológica
José Manuel Fernandes a 14/02/2015:
José Manuel Fernandes a 06/07/2015:
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Dívidas...
"Ouvindo e lendo declarações de dirigentes e políticos alemães em reacção à vitória do não na Grécia, apenas me ocorre recordar o seguinte, para ver se não se esquecem nunca: nenhum país, repito, nenhum país, tem dívida maior para com a Europa do que a Alemanha.
Isto é verdadeiro em termos financeiros e de dívida perdoada, mas o pior ainda é o resto."
André Serpa Soares
Isto é verdadeiro em termos financeiros e de dívida perdoada, mas o pior ainda é o resto."
André Serpa Soares
Pode-se passar de margarina para manteiga. Mas, nunca, de manteiga para margarina de novo…
"Não raras vezes, ouço a
crítica, por parte de algumas
pessoas a quem
normalmente se concede o epíteto de forças vivas do concelho,
de que a oposição na Câmara
deveria ser mais vigorosa e
que não devia facilitar tanto a
vida ao presidente da Câmara.
Normalmente, quando ainda
me resta a esperança de que a
crítica é genuína, pergunto quais
os temas que deveríamos ter
abordado e que deixámos de
fora do debate político. É nesse
momento que percebo, pelas
respostas, que afinal não estou
perante uma critica à oposição,
mas sim perante o desejo de
que esta funcione como “barriga
de aluguer” para acertos de
contas entre os meus interlocutores (e o que eles representam)
e o presidente da Câmara. Para isso não estou, obviamente,
disponível. A oposição deve
ser a voz dos que não têm voz
e deve ajudar a resolver os seus
problemas, deve preocupar-se
em defender os interesses do
concelho e procurar defender
as linhas que apresentou no seu
compromisso eleitoral. Assim,
não deve, nem pode, servir de
caixa de ressonância ao interesse
de outros, a quem a cobardia,
a subserviência,ou a conveniência da circunstância impedem
de falar. Tal como no poder,
também na oposição é sempre
possível fazer mais e melhor
e trabalhar para defender o
interesse colectivo, quer com
a apresentação de propostas,
quer chamando a atenção para
os erros da governação. Quem
estiver atento à comunicação
social, às redes sociais e tiver a
preocupação de saber as coisas
fundamentadamente percebe
bem o papel activo, responsável
e fundamental que a oposição
tem desempenhado. Para moço
de recados, entrando em guerras
que não são minhas e com
as quais a Figueira nada ganha,
não contem comigo."
Em tempo.
Para bom entendedor, a crónica de hoje de Miguel Almeida, líder do Somos Figueira, é o "seu" balanço do "seu" mandato como vereador na oposição. A meu ver, não é apenas "O Recado" para "algumas pessoas a quem normalmente se concede o epíteto de forças vivas do concelho", mas "alguns recados", não só para o exterior, mas, também para dentro do PSD local.
Será que vai haver clarificação nos próximos meses?..
Depois dos anos em que passou pelo poder na Figueira a credibilidade do partido de Miguel Almeida ficou em baixo - e ele sabe, melhor do ninguém, porquê.
Para o PSD recuperar, não basta a continua descredibilização do PS figueirense.
Seria um erro confundir isso como um reforço da credibilidade do PSD na Figueira: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa - são coisas muito diferentes.
Em tempo.
Para bom entendedor, a crónica de hoje de Miguel Almeida, líder do Somos Figueira, é o "seu" balanço do "seu" mandato como vereador na oposição. A meu ver, não é apenas "O Recado" para "algumas pessoas a quem normalmente se concede o epíteto de forças vivas do concelho", mas "alguns recados", não só para o exterior, mas, também para dentro do PSD local.
Será que vai haver clarificação nos próximos meses?..
Depois dos anos em que passou pelo poder na Figueira a credibilidade do partido de Miguel Almeida ficou em baixo - e ele sabe, melhor do ninguém, porquê.
Para o PSD recuperar, não basta a continua descredibilização do PS figueirense.
Seria um erro confundir isso como um reforço da credibilidade do PSD na Figueira: uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa - são coisas muito diferentes.
Gregos dizem "Não" aos credores
Foi comovedora e absolutamente extraordinária a coragem do povo grego face à escandalosa pressão política e económica dos acólitos de Bruxelas.
Com a vitória do Sim, as negociações teriam terminado.
Ficasse ou partisse, Tsipras teria lançado a toalha ao chão.
Com a vitória do Não, as negociações continuam.
Os gregos festejaram a vitória da "dignidade" numa consulta que mostrou que a democracia não pode ser chantageada.
Porém, que não haja ilusões: o caminho continua repleto de
feras, de abutres, de minas e armadilhas e de pragas de toda a espécie. Com a vitória do Sim, as negociações teriam terminado.
Ficasse ou partisse, Tsipras teria lançado a toalha ao chão.
Com a vitória do Não, as negociações continuam.
Os gregos festejaram a vitória da "dignidade" numa consulta que mostrou que a democracia não pode ser chantageada.
Sobretudo, de
gente que não sabe o que é o respeito pela legitimidade do voto de um povo independente
e soberano.
domingo, 5 de julho de 2015
Folhetim de berão: o misterioso mistério inexplicável da ausência de cérebrum figueirense ...
![]() |
| A foto e o texto explicativo ao lado foram, com devida vénia, sacados daqui |
A Figueira está cençaçional de tão horrível que está…
O silêncio à noite uma disgrassa…
As istradas um piririgo…
A priuridade é a continuada e sistemática e metódica saída
de notiçias: chama-se a isso a cultura da çerenidade e da sulidariedade (não há
na istória das ralações púbicas um melhor porta voz que este génio das terças-feiras!)
Deixemo-nos de eqivucus: há quem por aqui acredite que a Goldman
Sachs vai ser accionista da Figuiera Domus e da Figuiera Parque porque são
idoneos...
Em tempo.
A prupósitu do post
acima e antes de algumas reacçõis menos encalmadas - por mail e éçeémeéçe - confesso desde já que
por ser um ignorante da sintaxe e da semântica, nu fundu um cábula ortográficu, ao
tentar aplicar o novo acordu ortugráficu, saiu isto!..
Portantus, o prublema da aplicação do novo acordu ortugráficu não se volta a
colocar aqui .....
Pur aqui continuaremus a respeitar o velho, escrevvendu
preçeito com presseito ou mesmu com preççeitu se pussivel a preceitu, no fundu com preceito...
Estamus em 2015 e ainda não nutei nada que tiveçe melhurado com o novo acordo ortugráficu: pareçeme tudo na mesma mas poçço tar enganadu...Há por aí alguém responsável?..
![]() |
| foto António Agostinho. Mais fotos aqui. |
Pergunto:
Quem é responsável por termos uma das águas mais caras de
Portugal?
Quem é responsável por termos um dos IMIs mais caros de Portugal?
Quem é responsável por termos um dos IMIs mais caros de Portugal?
Quem é responsável pelo mau aspecto, sujidade, desleixo e
abandono, as estradas esburacadas, da situação
miserável da Serra da Boa Viagem, das praias e das lagoas e do esquecimento a
que estão votadas aldeias e lugares mais isolados do nosso concelho?
Quem é responsável pela enorme dívida camarária?
Quem é que, no fundo, assume a responsabilidade e muda isto?
É para isso que servem os líderes, para tomar o comando, nas
situações que fogem ao habitual…
Como habitante, cliente e pagante líquido desta Figueira, fica a reclamação…
Só não sei, é se existe alguém responsável a quem a endereçar?..
Ou vai ou racha: "ou cai o Syriza ou cai a Grécia"*
Que se lixe a Grécia, nós por cá, como sabem, todos bem!..
Para Luís Marques Mendes*, o que está a acontecer na Grécia
"terá mais importância nas legislativas em Portugal do que os programas
eleitorais ou do que as listas de candidatos".
sábado, 4 de julho de 2015
O que se está a passar na Europa
| Paul Krugman |
O artigo de ontem de Paul Krugman, sobre o estado miserável em que a Europa se encontra, deve ser lido e relido e estudado na integra aqui.
Tradução de uns parágrafos, fundamentais para perceber o que se está a passar na Europa e sobre a importância do Referendo de Domingo na Grécia:
"Portugal também implementou obedientemente severa austeridade - E está 6% mais pobre do que era!" (...)
"E é por isso que o que está em jogo no referendo de Domingo é mais importante do que a maior parte dos observadores se apercebem. Um dos grande riscos, caso os gregos votem SIM - ou seja, votem para aceitar as exigências dos credores, e assim repudiarem a posição do Governo, deitando-o provavelmente abaixo - é que tal voto irá dar mais poder e encorajará os arquitetos do falhanço Europeu. Os credores irão demonstrar a sua força, a sua capacidade para humilhar qualquer um que desafie o seu poder. E irão continuar a impor que o desemprego massivo é a única ação responsável a adotar. E se a Grécia votar NÃO? Isso será assustador, território desconhecido. A Grécia provavelmente sairá do EURO, será altamente disruptivo no curto prazo. Mas dará à Grécia uma hipótese real para recuperar. E servirá de choque para as complacentes elites Europeias. Para pôr a questão de uma forma ligeiramente diferente, é razoável termos medo das consequências do voto "NÃO", porque ninguém saberia o que virá a seguir. Mas deverão ainda ficar mais assustados com a vitória do "SIM", porque aí saberíamos o que vem a seguir - mais austeridade, mais desastres e eventualmente uma crise pior do que aquela que vimos até hoje".
Para ler tudo em inglês, clicar aqui.
A tragédia grega - epílogo
"A Grécia é membro da NATO e um forte aliado dos Estados Unidos, que nos últimos dias têm mandado recados à U.E. no sentido de se viabilizarem as pretensões gregas. Não adianta a senhora Lagarde fazer voz grossa, pois quem de facto manda no FMI é o país do dólar e os Estados Unidos não vão permitir que a Grécia deixe de pertencer ao mundo ocidental.
É isso que está em causa.
Claro que nem o contabilista de Boliqueime, nem o safardana do Passos Coelho, alcançam tão longe, mas a culpa é de quem vota em chicos-espertos provincianos em vez de escolher políticos com sentido de estado."
daqui
É isso que está em causa.
Claro que nem o contabilista de Boliqueime, nem o safardana do Passos Coelho, alcançam tão longe, mas a culpa é de quem vota em chicos-espertos provincianos em vez de escolher políticos com sentido de estado."
daqui
Bravo, não! Bravíssimo...
Jorge Bravo é economista. Na sua carteira de clientes, destacam-se os fundos de pensões e dos seguros, que há vários anos vêm defendendo um reforço dos descontos para os sistemas privados e que são parte interessada nas políticas públicas para a Segurança Social.
Jorge Bravo reúne as condições para ser o autor de um programa eleitoral que justifique a ida ao pote na área da Segurança Social. O PSD escolheu-o por isso para colaborar na elaboração do seu programa eleitoral.
Mas como a vida custa a (quase) todos, o Governo pagou a Jorge Bravo para que ele defenda que a Segurança Social é insustentável. Desta vez, saíram dos cofres do Estado 75 mil euros. Mas, já em 2013, Jorge Bravo, quando a direita procurava justificar os cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (e que foram chumbados pelo Tribunal Constitucional), recebeu do Governo 40 mil euros para fabricar um papel a atestar a insustentabilidade da Segurança Social.
Jorge Bravo conseguiu uma proeza de se lhe tirar o chapéu: é pago pelos fundos privados de pensões e dos seguros para defender os seus interesses; é também pago pelo Governo para defender os interesses desses fundos privados e reproduzi-los no programa eleitoral do PSD e do CDS; e, apesar destes antecedentes, anda pelas televisões a defender o desmantelamento da Segurança Social, sendo apresentado como economista independente.
Isto tem nome: é um verdadeiro tratado sobre a promiscuidade.
Jorge Bravo reúne as condições para ser o autor de um programa eleitoral que justifique a ida ao pote na área da Segurança Social. O PSD escolheu-o por isso para colaborar na elaboração do seu programa eleitoral.
Mas como a vida custa a (quase) todos, o Governo pagou a Jorge Bravo para que ele defenda que a Segurança Social é insustentável. Desta vez, saíram dos cofres do Estado 75 mil euros. Mas, já em 2013, Jorge Bravo, quando a direita procurava justificar os cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (e que foram chumbados pelo Tribunal Constitucional), recebeu do Governo 40 mil euros para fabricar um papel a atestar a insustentabilidade da Segurança Social.
Jorge Bravo conseguiu uma proeza de se lhe tirar o chapéu: é pago pelos fundos privados de pensões e dos seguros para defender os seus interesses; é também pago pelo Governo para defender os interesses desses fundos privados e reproduzi-los no programa eleitoral do PSD e do CDS; e, apesar destes antecedentes, anda pelas televisões a defender o desmantelamento da Segurança Social, sendo apresentado como economista independente.
Isto tem nome: é um verdadeiro tratado sobre a promiscuidade.
"Nai" - a esquerda modernaça figueirense e a realidade
Cito o eng. João Vaz, consultor de ambiente e sustentabilidade, na sua habitual crónica dos sábados no jornal AS BEIRAS.
“Existe um paralelo entre os orçamentos fictícios de S. Lopes e D. Silva (PSD) na câmara e o PIB grego até 2010. Ambos tinham por base o recurso ao crédito e uma incapacidade dos credores em “dizer não”, confiantes num “futuro melhor”. Na Figueira, a “festa” terminou em cortes e racionalização de custos, penalizando-nos a todos.
A política em democracia é a arte do compromisso. Não há varinhas mágicas. Talvez pela sua “juventude” e inexperiência governativa, os dirigentes do Syriza, no Governo grego de coligação com a extrema-direita nacionalista do Anel, prometeram o “fim dos cortes”. Contra a vontade das restantes 17 democracias da zona Euro, decidem impor as suas regras orçamentais. Segundo o Syriza, os gregos seriam vítimas de uma mega conspiração internacional. Ou seja, os líderes das democracias (da Itália à Estónia, passando pela Bélgica) são “fantoches manipulados” nas mãos do grande capital, desejosos de “humilhar” o povo grego.
Uma converseta sectária e fantasiosa. Os factos mostram que nunca um país recebeu tanto dinheiro em tão pouco tempo. Na realidade, os gregos falharam na reforma do Estado, e o Syriza cedeu em toda a linha ao corporativismo (médicos, engenheiros, militares) e à oligarquia grega. Amanhã, na Grécia, a nova e a velha Esquerda, aliadas à extrema direita (FN, 5 Estrelas, UKIP), vão defender um “Não” ideológico ao Euro e um sim aos nacionalismos populistas. Se fosse grego, votaria nai (sim).”
Em tempo.
Freitas do Amaral:
- União Europeia tornou-se “uma ditadura sobre democracias”.
“Existe um paralelo entre os orçamentos fictícios de S. Lopes e D. Silva (PSD) na câmara e o PIB grego até 2010. Ambos tinham por base o recurso ao crédito e uma incapacidade dos credores em “dizer não”, confiantes num “futuro melhor”. Na Figueira, a “festa” terminou em cortes e racionalização de custos, penalizando-nos a todos. A política em democracia é a arte do compromisso. Não há varinhas mágicas. Talvez pela sua “juventude” e inexperiência governativa, os dirigentes do Syriza, no Governo grego de coligação com a extrema-direita nacionalista do Anel, prometeram o “fim dos cortes”. Contra a vontade das restantes 17 democracias da zona Euro, decidem impor as suas regras orçamentais. Segundo o Syriza, os gregos seriam vítimas de uma mega conspiração internacional. Ou seja, os líderes das democracias (da Itália à Estónia, passando pela Bélgica) são “fantoches manipulados” nas mãos do grande capital, desejosos de “humilhar” o povo grego.
Uma converseta sectária e fantasiosa. Os factos mostram que nunca um país recebeu tanto dinheiro em tão pouco tempo. Na realidade, os gregos falharam na reforma do Estado, e o Syriza cedeu em toda a linha ao corporativismo (médicos, engenheiros, militares) e à oligarquia grega. Amanhã, na Grécia, a nova e a velha Esquerda, aliadas à extrema direita (FN, 5 Estrelas, UKIP), vão defender um “Não” ideológico ao Euro e um sim aos nacionalismos populistas. Se fosse grego, votaria nai (sim).”
O século XX e o princípio deste século XXI assistiu ao apogeu e declínio da esquerda por
onde navegou (não sei se ainda navega...) o eng. João Vaz.
O PS e os seus irmãos europeus conquistaram o poder e falharam na sua
execução, perdendo aí parte do referencial de humanismo progressista que lhe
estava na base.
Na Figueira, como o passado e a realidade do tempo que passa amplamente demonstra, aconteceu o mesmo.
Com o descrédito do “socialismo
democrático” e da variante “social democrata”, restou ao “homem bom” ser capaz
de se organizar em novas formações políticas em prol da comunidade.
Foi o que aconteceu na Grécia, está a acontecer na Espanha e noutros países e, talvez, venha a acontecer em Portugal.
Todos sabemos que o homem, mesmo esse tal “homem bom”, é individualista, interessado no
melhor para si, e para os seus.
Quanto a mim, foi aí que residiu o falhanço da esquerda: não previu a realidade humana…
Apesar desta realidade, custosa de aceitar para as almas
generosas - talvez a mais bela matriz da esquerda resida precisamente no sentido
humanista de protecção dos fracos e a tolerância à diferença - Portugal e a Figueira precisam da “esquerda”
como nunca.
Contudo, a “esquerda democrática” continua em choque e a ressacar dos erros enormes que
cometeu. Em Portugal, essa esquerda “parlamentarizou-se”, ficou-se pelos debates nas
televisões, adaptou-se ao “sistema” e
desistiu das lutas verdadeiras.
Num País tão socialmente assimétrico, onde o discurso
político dominante – a crónica demagógica e confusa do eng. Vaz é disso uma
prova - se dá ao luxo de afirmar que
“que vivemos acima das nossas possibilidades” (quem? os reformados? os “mal
pagos” do salário mínimo, a multidão de precários, os desempregados?..), a esquerda ocupa-se das lutas possíveis dos sindicatos da função pública e das empresas de transportes.
Sem colocar em causa a justeza dessas lutas, sabemos que não
é aí que reside a verdadeira dor e a
miséria mais gritante em Portugal.
Aliás, um dos aspectos mais visíveis da natureza desta
esquerda vive-se nas lutas sindicais.
Contudo, hoje em dia qual é o valor dos
sindicatos? Para que servem e a quem servem? Que respeito lhes dedica a
sociedade?
A resposta da chamada “esquerda modernaça”, é que não servem
para nada (ignoram o que é, ou deveria ser, a empresa moderna, feita de
compromissos partilhados entre accionistas e empregados) e têm implícita uma
ideia de “Estado” distribuidor de postos de trabalho e regalias “automáticas” à
margem de critérios de avaliação individual, responsabilidade e mérito.
O grande pecadilho da esquerda, em Portugal, foi ter-se tornado conservadora
em muitos dos seus mitos e não ter criado alternativas (credíveis) de
governação.
Perdeu-se o sentido da realidade à esquerda. Consequentemente,
a “injustiça” acentua-se e o domínio capitalista está cada vez mais agressivo.
Portugal, um Portugal que tenha por objectivo o
desenvolvimento humano precisa da esquerda.
Por essa Europa fora estão a definir-se desafios novos,
pensamentos, e acção para uma nova esquerda. Em Portugal – atrasados como
sempre – continuamos alheios a muitas dessas lutas e a confundir
propositadamente a realidade.
Num país com desemprego acima de 17% o que é que a esquerda
tem feito? Quem é a voz dos que não tem voz?
Não chega o aproveitamento eleitoral que já está a ser feito
pela máquina eleitoral do PS… Esse mesmo PS que, em Portugal, como todos os que tenham um mínimo de memória sabem, iniciou o caminho da precariedade e do desemprego no mundo laboral.Freitas do Amaral:
- União Europeia tornou-se “uma ditadura sobre democracias”.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
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