Simples, humana e carregada de reflexão. Talvez também um último lembrete sobre aquilo que realmente importa na vida: a capacidade de olhar para os outros — e para nós próprios — com verdade, humanidade e presença.
"Poucos estiveram presentes na despedida de alguém que, em vida, foi amigo de muitos. Há despedidas que deixam silêncio. Depois, existem despedidas que deixam perguntas difíceis de ignorar.
Desta forma, a morte de Cândido Mota trouxe exatamente isso. Não apenas a dor da perda, mas também uma reflexão profunda sobre aquilo em que a sociedade se está a transformar. Estive presente na igreja e, mais tarde, no cemitério. Vi o último adeus. Ou melhor, vi a ausência dele.Por isso, para alguém que, em vida, foi reconhecido por tantos, elogiado por muitos e considerado amigo de incontáveis pessoas, a despedida acabou marcada por uma presença reduzida. Poucos estiveram lá. Poucos fizeram questão de acompanhar aquele que, durante anos, marcou a vida de tanta gente com a sua personalidade, presença e humanidade.
Uma sociedade cada vez mais distante da presença humana
Porém, perante este cenário, torna-se impossível não questionar: para onde caminha a sociedade?
Entretanto, as homenagens multiplicam-se rapidamente nas redes sociais. Os elogios surgem com facilidade. As palavras “amigo”, “irmão” ou “família” aparecem constantemente nas publicações e comentários. No entanto, no momento em que realmente importa, muitos desaparecem. O silêncio substitui a presença. A distância vence a gratidão.
Contudo, Cândido Mota merecia mais. Merecia uma igreja cheia. Merecia mais abraços, mais rostos conhecidos e mais pessoas no seu último percurso. Porque uma pessoa não deve ser lembrada apenas nas palavras ditas em vida. Deve também ser honrada na despedida.
No fim, ficam os que realmente estiveram presentes
Ficam os que realmente estiveram presentes. Os poucos que não precisaram de discursos para demonstrar respeito e todos aqueles que compreenderam que despedir-se de alguém continua a ser um dos maiores atos de humanidade.
Talvez seja precisamente aí que esteja a resposta mais dura de todas: a sociedade fala cada vez mais sobre amizade, mas pratica cada vez menos a presença."
Foi essa a sensação que tinha tido uns dias antes na na morte de Carlos Paiva: no facebook centenas de pessoas manifestaram o seu pesar pela partida de Carlos Paiva. A Câmara Municipal da Figueira da Foz publicou na sua página na internet uma nota,"a manifestar profundo pesar pelo falecimento de Carlos Paiva, jornalista com um longo e marcante percurso ligado à Figueira da Foz" e por ser uma "figura muito estimada do jornalismo local e regional", sublinhando que "Carlos Paiva se destacou pelo seu profissionalismo, dedicação à informação e forte ligação à comunidade figueirense."
Carlos Paiva, citando Custódio Cruz que o conheceu muito bem, foi "uma referencia de Enorme Humanismo, e Paixão pela Comunicação Social, um Figueirense fiel à Bandeira da Figueira, e criador de meios que até à "Boleia" dos Amigos o fazia deslocar para expressar de forma brilhante aquilo que verdadeiramente sentia.
Sim, apontava com o dedo, porque a convicção pela VERDADE não o traía , e por essa honestidade, criou um trajeto que o fez Notabilizar enquanto Profissional e Figura personalizada na VIDA".
Sim, apontava com o dedo, porque a convicção pela VERDADE não o traía , e por essa honestidade, criou um trajeto que o fez Notabilizar enquanto Profissional e Figura personalizada na VIDA".
Carlos Paiva foi a enterrar no cemitério de Tavarede, com pouco mais de meia dúzia de pessoas presentes.
E com ele foi um pouco da Figueira que conhecemos e que não volta mais.

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