segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Da série, tem juízo pá: quanto mais se publica, melhores são os resultados do PS e do PSD... (II)
Hospital Garcia de Orta, um retrato da maioria PS-PSD-CDS
"São muitos anos de esvaziamento de serviços públicos, entre falta de planeamento e submissão à troika, favores a amigos privados e ataques ao Estado por parte de quem tem governado, críticas à gestão pública e ofertas de dinheiro a bancos privados, sempre com os mesmos a pagar.
A situação no Hospital Garcia de Orta não é única, é só mais um retrato de um Portugal engravatado, muito contentinho com a situação de bom aluno de Bruxelas mas que, em chegando a casa, se dedica à violência doméstica. Relembre-se que o problema do referido hospital se refere à urgência pediátrica e está a dois passos de Lisboa. Imagine-se o resto do país, ou seja, a paisagem."
domingo, 13 de outubro de 2019
Vamos ter chuva...
Tempo para hoje na Figueira da Foz.
Durante a manhã: céu muito nublado, com chuva moderada. Temperaturas ao redor de 18°C.De tarde teremos céu muito nublado com aguaceiros e trovoadas e com temperaturas em torno dos 16°C.
Durante a noite haverá céu muito nublado, com aguaceiros e trovoadas com temperaturas próximas aos 15°C.
Ventos do Sul ao longo do dia, com uma velocidade média de 26 km/h.
Forma e conteúdo
«O programa continuará a sobrepor as "contas certas" ao aumento de investimento em sectores fundamentais, à recuperação do SNS e à melhoria das pensões? Vai estabilizar a injusta distribuição da riqueza consolidando a pobreza? Em nome da estabilidade prosseguirá estratégias laborais e salariais que condenam os jovens e os mais qualificados a emigrarem, e alimentam uma economia de baixo perfil? Isso seria trair a herança da "geringonça"».
Para ler a crónica de Carvalho da Silva na totalidade clicar aqui.
Para ler a crónica de Carvalho da Silva na totalidade clicar aqui.
O PS E AS “COLIGAÇÕES NEGATIVAS”
O QUE É POSSÍVEL ANTEVER
"Volta a ouvir-se com alguma insistência na comunicação social e nas redes sociais a «conversa fiada» das coligações negativas, espantalho que o PS agita sempre que está em dificuldades, como é o caso.A famosa «coligação negativa» não passa de uma invenção do PS para justificar a sua incapacidade de, com as suas próprias forças, pôr em prática uma política de esquerda, por moderada que seja.
Obviamente, a esquerda terá de votar contra todas as medidas de direita que o PS pretenda pôr em prática. Assim será no futuro, como sempre foi no passado.
Se a direita, por oportunismo político, se junta à esquerda nesta rejeição, o PS só terá de se queixar de si próprio. De nem sequer ter conseguido manter a «aliança», tácita ou não, que vinha mantendo com a direita, como aconteceu, por exemplo, no segundo governo Sócrates.
Apesar de o PS ser o que é, e raramente, pelas suas próprias forças, o que diz ser, a verdade é que o PCP nunca apresentou uma moção de censura a um governo PS, por mais que o tenha combatido no Parlamento e na rua.
Portanto, o grande responsável pelas ditas «coligações negativas» é o PS e não quem desde sempre demarca o terreno sem margem para dúvidas.
Se o PS não quer «coligações negativas» que faça uma política de esquerda ou demonstre capacidade para manter a direita aliada à sua governação.
Todos os governos minoritários do PS que não concluíram a legislatura (e somente dois a concluíram) foram, formalmente, derrubados pela direita. Mas nem assim o PS aprende…
Se Rio não ficar, o PS não vai ter vida fácil. E para se manter no poder vai ter de negociar com a esquerda, ou com parte dela, muito mais do que gostaria e do que estaria à espera."
sábado, 12 de outubro de 2019
A outra face do futebol português...
Este, é o outro lado do futebol português, como os figueirenses bem sabem...
Pára tudo: a Figueira poderá candidatar-se aos “Jogos Olímpicos” mediterrânicos" de 2024!..
Via Diário as Beiras
"A autarquia está a estudar a possibilidade de poder vir a candidatar a cidade aos Jogos do Mediterrâneo de 2024, na edição bienal das modalidades de água (rio e mar) e praia, que alternam, de dois em dois anos, com provas desportivas realizadas em terra e em pavilhões. Quem avançou a notícia foi a vereadora do Desporto, Mafalda Azenha, no programa de entrevistas Dez&10.
«Estamos a trabalhar no sentido de verificar se e quando podemos candidatar-nos aos Jogos do Mediterrâneo».
Entretanto, segundo o jornal os contactos com diversos organismos estão em curso. A autarca, nos próximos dias, deverá conversar com o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, sobre uma eventual candidatura da Câmara da Figueira da Foz.
A primeira edição dos “Jogos Olímpicos” mediterrânicos realizou-se, em 1951, no Egipto. A próxima, em 2021, terá a Argélia como país anfitrião."
"A autarquia está a estudar a possibilidade de poder vir a candidatar a cidade aos Jogos do Mediterrâneo de 2024, na edição bienal das modalidades de água (rio e mar) e praia, que alternam, de dois em dois anos, com provas desportivas realizadas em terra e em pavilhões. Quem avançou a notícia foi a vereadora do Desporto, Mafalda Azenha, no programa de entrevistas Dez&10.
«Estamos a trabalhar no sentido de verificar se e quando podemos candidatar-nos aos Jogos do Mediterrâneo».
Entretanto, segundo o jornal os contactos com diversos organismos estão em curso. A autarca, nos próximos dias, deverá conversar com o presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, sobre uma eventual candidatura da Câmara da Figueira da Foz.
A primeira edição dos “Jogos Olímpicos” mediterrânicos realizou-se, em 1951, no Egipto. A próxima, em 2021, terá a Argélia como país anfitrião."
Um ano depois a Figueira ainda tem o problema do comandante dos BMFF por resolver
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| IMAGEM VIA DIÁRIO AS BEIRAS DE 9 DE JANEIRO DE 2019 |
A câmara deveria ter preenchido a vaga de comandante dos Bombeiros Municipais da Figueira da Foz (BMFF) até ao fim do mês de janeiro do corrente ano, segundo o anterior presidente da autarquia, João Ataíde.
Foi o que disse, na reunião de câmara, realizada na segunda-feira, dia 7 de janeiro de 2019, o presidente Ataíde, quando foi abordado sobre o assunto pelo vereador do PSD Ricardo Silva.
Ao que o DIÁRIO AS BEIRAS apurou, em 9 de janeiro p.p., "o próximo comandante poderá ser oriundo da Função Pública, requisitado da GNR ou aceder ao cargo através de concurso. Em qualquer um dos casos, será um profissional com formação superior na área da Protecção Civil."
Entretanto, já passaram mais de nove meses e o que era para ser para "breve" está por resolver.
Em tempo.
"Apoios do Governo estão por pagar um ano depois do furacão Leslie".
"Na Figueira da Foz, o concelho mais afectado pela passagem da tempestade, com 38 milhões de euros de danos reportados (mais de um terço do prejuízo total de 100 milhões, aferido em meia centena de municípios de quatro distritos), a maioria em empresas privadas, a Câmara Municipal contabilizou cerca de 1,9 milhões de euros em prejuízos no espaço público e quase 850 mil em associações e coletividades.
«Há uma questão orçamental que temos tido alguma dificuldade em superar, porque na realidade o esforço financeiro foi muito grande. Fundamentalmente, porque quisemos apoiar as colectividades, resolver o assunto das escolas com grande urgência e recuperar os espaços públicos o mais depressa possível», disse à Lusa o presidente da autarquia, Carlos Monteiro. O autarca disse acreditar que o apoio financeiro do Fundo de Emergência Municipal «está bem encaminhado», mas enfatizou que a situação «criou um défice no orçamento [autárquico] de 2019». Outro problema «que neste momento ainda se sente mais e as pessoas têm alguma dificuldade em compreender, foi a devastação do espaço verde», como o do Jardim Municipal ou o parque florestal da Serra da Boa Viagem, entre outros, com milhares de árvores destruídas, assinalou Carlos Monteiro.«Hoje ainda estamos com o parque arbóreo muito devastado, quer na zona urbana, quer na Serra e é esse o grande esforço que estamos a fazer»."
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Ílhavo: à descoberta do museu que guarda um mar de narrativas épicas
Via Ana Clara
"A vocação principal do Museu Marítimo de Ílhavo, sob alçada do município local, é preservar memórias de vidas dedicadas ao mar."O silêncio ou a normalização não são opções
Via António Fernando Nabais
"Na Assembleia da República, já existiam partidos que, de modo mal disfarçado, trabalhavam para a extinção progressiva de um Estado Social e solidário, governando de modo a que as instituições públicas falhassem, beneficiando amigos privados.
Com a entrada do Chega e da Iniciativa Liberal no Parlamento, essa vergonha terminou: para ambos os partidos, é necessário acelerar a destruição da esfera estatal e transformar a sociedade numa selva em que só pode sobreviver o mais forte ou o mais rico. Hoje, Bárbara Reis explica, de modo simples, que André Ventura é de extrema-direita, mesmo que tente disfarçar.
Como é evidente, estes partidos têm o mesmo direito que os outros, legitimados pelo voto. É igualmente evidente que não faz sentido fingir que não existem, não se pode ignorá-los, porque não é isso que os combate.
A solução não está no silêncio. O facto de terem sido eleitos não pode livrar ninguém de ser criticado. Acrescente-se que a existência destes radicais anti-Estado não desculpa o que PS, PSD e CDS têm estado a fazer, especialmente nos últimos quinze anos. No fundo, a diferença está no ritmo."
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Reuniões de Câmara mudam de horário
Realiza-se na próxima segunda-feira, 14 de outubro, no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho, a primeira Reunião de Câmara do mês de outubro.
Os trabalhos iniciam-se às 09h15.
A agenda relativa aos pontos a serem discutidos e votados em reunião, pode ser consultada na página do município.
Para assistir à reunião online:
https://www.veedeeo.me/veedeeoBroadcast?vn=722846
https://www.veedeeo.me/veedeeoBroadcast?vn=722846
Vereadora Mafalda Azenha no Dez & 10...
Equipamentos desportivos. Prioridades. Ver vídeo a partir do minuto 33: estádio municipal, pista de tartan, piscina e pavilhão municipal...
Sobre o sintético para substituir o "peladão" do Cabedelo, em cerca de uma hora de amena conversa, nem uma palavra!..
Sobre o sintético para substituir o "peladão" do Cabedelo, em cerca de uma hora de amena conversa, nem uma palavra!..
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
E que grande exemplo disso que é a Figueira...
Morais Sarmento:
"Às vezes o PSD parece a gaiola das malucas"...
Saudades do comboio
Video filmado, editado e realizado por António Agostinho
Na década de 80 do século passado, durante anos viajei de comboio, entre Figueira da Foz e Coimbra, por razões profissionais...
"História - Portugal-Europa - de 1945 a 2019", um livro de Miguel Mattos Chaves
Esta obra de Miguel Mattos Chaves, será apresentada na Sociedade de Geografia de Lisboa no próximo dia 30 de Outubro pelas 17h30m.
A segunda cerimónia de apresentação pública terá lugar na Cidade da Figueira da Foz.
Este livro, segundo o autor, "é uma contribuição, para se conhecerem melhor alguns aspectos da História, Política e Estratégia da União Europeia e de Portugal, no período de 1945 a 2019.
É, também, uma contribuição para se perceber um pouco da História de como Portugal, enquanto Centro de Decisão, respondeu aos desafios europeus e mundiais, desde a 2ª Guerra Mundial.
Tem ainda como objectivo fazer, sobretudo às novas gerações, a História de como tem evoluído o Continente Europeu, desde a 2ª Guerra Mundial até aos nossos dias."
A segunda cerimónia de apresentação pública terá lugar na Cidade da Figueira da Foz.
Este livro, segundo o autor, "é uma contribuição, para se conhecerem melhor alguns aspectos da História, Política e Estratégia da União Europeia e de Portugal, no período de 1945 a 2019.
É, também, uma contribuição para se perceber um pouco da História de como Portugal, enquanto Centro de Decisão, respondeu aos desafios europeus e mundiais, desde a 2ª Guerra Mundial.
Tem ainda como objectivo fazer, sobretudo às novas gerações, a História de como tem evoluído o Continente Europeu, desde a 2ª Guerra Mundial até aos nossos dias."
FINDAGRIM, UM PROBLEMA PARA AS CONTAS DA JUNTA DE FREGUESIA DE MAIORCA
Na Figueira é assim: vamos indo de "êxito" em "êxito" até à derrota final...
Segundo se pode ler na edição de hoje do Diário as Beiras, a Junta de Maiorca sugere que a câmara passe a organizar a FINDAGRIM.
O relatório da edição deste ano da Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Maiorca, elaborado pela autarquia que tem organizado o certame, confirma o que já se sabia: a FINDAGRIM, edição de 2019, registou um saldo negativo de 37,9 mil euros.
A edição de 2018 da feira registou o maior saldo negativo de sempre, ao somar um prejuízo de cerca de 43,8 mil euros.
Este ano, como aconteceu em 2018, os prejuízos serão reduzidos em 10 mil euros, via bolso do contribuinte, através do reforço do apoio financeiro da Câmara da Figueira.
A Junta de Maiorca terá de cobrir o prejuízo restante.
Mas, afinal o que é a FINDAGRIM?
Cito Fernando Campos: "a pretexto de ser uma feira de actividades económicas da freguesia, não passa, na verdade, de um festival anual de música pimba que faz de Maiorca, uma vez por ano e por meia dúzia de dias, uma meca para todos os labregos da região e seus contornos. Um mau negócio que além de despesa e muito trabalho não-remunerado de fregueses tão voluntariosos como ingénuos, não traz nenhuma vantagem à junta, nem proveito ao comércio local, nem prestígio a Maiorca"...
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| Via Diário as Beiras. Para ler melhor, clicar na imagem |
Segundo se pode ler na edição de hoje do Diário as Beiras, a Junta de Maiorca sugere que a câmara passe a organizar a FINDAGRIM.
O relatório da edição deste ano da Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Maiorca, elaborado pela autarquia que tem organizado o certame, confirma o que já se sabia: a FINDAGRIM, edição de 2019, registou um saldo negativo de 37,9 mil euros.
A edição de 2018 da feira registou o maior saldo negativo de sempre, ao somar um prejuízo de cerca de 43,8 mil euros.
Este ano, como aconteceu em 2018, os prejuízos serão reduzidos em 10 mil euros, via bolso do contribuinte, através do reforço do apoio financeiro da Câmara da Figueira.
A Junta de Maiorca terá de cobrir o prejuízo restante.
Mas, afinal o que é a FINDAGRIM?
Cito Fernando Campos: "a pretexto de ser uma feira de actividades económicas da freguesia, não passa, na verdade, de um festival anual de música pimba que faz de Maiorca, uma vez por ano e por meia dúzia de dias, uma meca para todos os labregos da região e seus contornos. Um mau negócio que além de despesa e muito trabalho não-remunerado de fregueses tão voluntariosos como ingénuos, não traz nenhuma vantagem à junta, nem proveito ao comércio local, nem prestígio a Maiorca"...
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Rogério Rodrigues
Morreu o último jornalista
"Talvez nunca tenham ouvido falar do Rogério, mas com isso não se sintam culpados com tal ignorância, ele fez tudo para nunca se falado, para nunca ser elogiado, para passar sempre ao largo dos holofotes, dos aplausos, das condecorações, dos puxa-saco.O Rogério foi o melhor, o mais extraordinário jornalista que conheci. A pessoa com quem mais aprendi, a pessoa com quem bebi o primeiro whisky, a pessoa a quem confessei não ser capaz, a pessoa a quem pedi refúgio nos meus divórcios, nas minhas falhas, pecados, tragédias.
Atropelo-me, falo do que não interessa. Desculpe-me. Comecei a lê-lo no Público, no início do Público. Eu adolescente, ávido de conhecimento e sempre de jornal na mão, e ele um grande repórter, porventura o único jornalista capaz de contar uma história de crime com o génio de um Truman Capote. Li o seu livro sobre o assassino Faustino Cavaco antes de o conhecer. Li e disse aos meus amigos: vocês já leram Rogério Rodrigues, já leram a sua prosa?
E ninguém escrevia sobre política como o Rogério. Nem sobre o Partido Comunista. Ou Álvaro Cunhal – no dia em que o conheci, na redacção do semanário O Jornal, acabara de publicar um perfil sobre o histórico líder comunista, levei o jornal para casa e adormeci a sonhar com o dia em que escreveria como ele.
A sua cultura era lendária. Sabia tudo. Conhecia todos. Viajava pela língua como poucos, manobrava-a como ninguém. Até o José Cardoso Pires, com quem bebia copos nas pausas das notícias ou da escrita, gostava de dizer que ele é que era. Eu ficava em silêncio a ouvi-los, tinha 19 anos e era um miúdo cheio de complexos, borrado de medo de estar ali com aqueles gigantes que fumavam como Bogart e bebiam com estilo, lentamente, deixando que as palavras se espalhassem à sua volta como o fumo dos cigarros. Havia também o Fernando Assis Pacheco, claro. O Afonso Praça, transmontano como ele. O Vítor Bandarra, que só conheci uns anos mais tarde, não naqueles primeiros anos, o puto como era chamado pelos velhos mestres.
Embarcou comigo na aventura de A Capital. Fiz-lhe o convite com alguma vergonha: queres ser director adjunto, meu director adjunto? Não pediu para pensar, vamos Luís. E foi. durante um ano e meio virámos do avesso o que podia ser virado do avesso. Naquele ano e meio afundei-me em trabalho e ele esteve sempre na primeira linha. A trabalhar mais de 12 horas por dia. A “sacar” notícias como só ele sacava. Estranha coincidência: foi ele quem, no princípio de novembro de 2004, deu a notícia em quem ninguém acreditou, o operário Jerónimo de Sousa seria o novo secretário geral do PCP. Nos dias em que se especula acerca da saída de Jerónimo volto à notícia em que ninguém acreditou, a sua notícia. O PCP era ainda mais inexpugnável do que hoje, muito mais. Mas o Rogério conseguia tudo. E não queria nada para ele, deixava-me brilhar – vai tu, Luís, vai às televisões e defende a nossa manchete.
“Vai tu, Luís. Eu fico, estou bem, não preciso de nada, o que importa é a notícia”.
Depois estivemos em programas de televisão. E ajudou-me a lançar o Rádio Clube onde passámos dificuldades. A meio do processo, quando o projecto tinha apenas um ano e meio ou dois anos, a administração pressionou muito, o Grupo Prisa estava em grandes dificuldades e eu tinha de prescindir dos colaboradores, os que estavam a recibos verdes. Seriam os primeiros a ir e era inegociável. O Rogério, que era o meu consultor, adiantou-se: Luís, eu vou. Não é preciso falarmos mais nisso, sei o que está a acontecer e amigo não empata amigo. E foi.
E eu fiquei. Estúpido de merda fiquei. E deixei-o ir. Sem replica. Sem dizer à administração que o Rogério era a minha linha vermelha, inegociável para mim. Quando saiu daquela porta, quando deixei que saísse, o jornalismo morreu para mim. O jornalismo por quem me apaixonara em jovem. E nunca mais deixei de pensar que na vida há valores muito mais importantes do que a sobrevivência. Serviu-me para a vida.
Transmontano de Moncorvo, o Rogério. Com ele comi lampreia pela primeira vez. Com ele conheci poetas, escritores, livros, polícias e ladrões, sítios de informadores e o parlamento. Nunca elogiava da maneira como se elogia. Nunca abraçava da maneira como se abraça. Nunca festejava da forma como se festeja. Ou chorava da maneira como se chora, nunca o vi chorar.
Amava profundamente a mulher da sua vida. Contou-me num dia especial: a Arlete é a pessoa da minha vida, não saberei viver sem ela, mas não lhe quero dar esse peso, o peso dessa dependência, é apenas um problema meu.
E amava profundamente os seus dois filhos. Quando o Tiago começou a ter sucesso, falava do mais novo. Queria equilibrar as coisas. Mas quando o mais velho foi convidado para o lugar mais importante do teatro português perguntei-lhe: estás feliz, Rogério? Fumou um cigarro sem dizer uma única palavra. E no final tinha as lágrimas presas nos olhos. O Tiago era a sua prenda para o mundo. Sua e da Arlete.
Estou ainda no escritório. Precisei de ficar mais um pouco. Os meus filhos mais novos estão a dormir em casa. Os mais velhos ainda não sabem que morreu o Rogério, o último jornalista. O último jornalista que conheci entre todos os que viviam em função de uma ideia que foi morrendo no tempo.
Fui ao supermercado em frente comprar uma garrafa de Famous Grouse. Bebo à sua memória, à sua vida. E quis o destino que amanhã, sexta, sábado e domingo, esteja a moderar quatro debates sobre “Fake News”, no teatro Nacional Dona Maria II, dirigido pelo seu filho, Tiago Rodrigues.
E na quinta-feira, apresento um livro de entrevistas em que a última é com o seu filho, a pessoa que considero há muito como o mais talentoso entre todos os criadores portugueses.
Não há palavras, Rogério. Tinhas mesmo de abalar hoje? Bebes um copo comigo? Vem, estou aqui. A garrafa dá para os dois."
Luís Osório
"Helena Teodósio demitiu-se da Distrital de Coimbra do PSD"
Via Campeão das Províncias
"A presidente da Câmara de Cantanhede demitiu-se do cargo de vice-presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra do PSD.A decisão, segundo a própria, “está tomada desde o encerramento do processo de constituição da lista candidata às eleições legislativas do passado dia 06 de Outubro e que só não foi entretanto tornada pública para não prejudicar a campanha e o resultado eleitoral do partido”.
A até agora número dois do órgão presidido por Paulo Leitão refere que não avançou antes com a demissão porque não quis “causar o mínimo sobressalto ao trabalho de mobilização que era necessário fazer para que o PSD-Coimbra viesse a alcançar uma expressão eleitoral condizente com a história da sua forte implantação a nível distrital”. E sublinha: “fiz questão de cumprir escrupulosamente o meu compromisso de lealdade para com a Comissão Política Distrital”, sendo “precisamente esse compromisso de lealdade que me leva a formalizar agora a demissão, invocando para o efeito as razões inerentes às críticas que formulei, em sede própria, ao modo como estava a ser constituída a lista de candidatos”.
Na carta enviada ao presidente da Mesa da Assembleia Distrital, a presidente da Câmara de Cantanhede admite que tenha havido “circunstâncias conjunturais que concorreram para que resultado eleitoral do PSD no distrito de Coimbra tivesse sido bastante mais penalizador do que o registado a nível nacional”, mas considera que o processo de constituição da lista “não pode deixar de ser incluída no inventário dos factores que conduziram ao desfecho que se conhece”.
Helena Teodósio afirma-se “de consciência absolutamente tranquila, não só porque fiz o que estava ao meu alcance para que tivesse sido estabelecida uma estratégia conducente a uma votação expressiva, mas também porque me empenhei, conjuntamente com a Comissão Política Concelhia, em fazer passar a mensagem do PSD no contacto directo com as pessoas, o que, creio, muito contribuiu para a vitória em Cantanhede, um dos dois únicos concelhos do distrito em que isso aconteceu”.
Por essa razão, diz que defendeu no âmbito da Distrital, “que uma estratégia ganhadora teria de passar por escolhas mobilizadoras para voltar a ganhar a confiança dos eleitores e não por uma lógica de preenchimento de lugares em função de certo tipo de influências, quando não mesmo de imposições”. No seu entender “antes de se decidirem os nomes, deveria ter sido definido um perfil ideal dos candidatos a submeter a sufrágio, no pressuposto de que com esta nova abordagem, seria possível corresponder melhor às expectativas dos eleitores”.
Segundo Helena Teodósio, o processo acabou por ser “muito condicionado pela falta de critérios que permitissem ultrapassar as «dinâmicas de capelinha» que têm marcado a constituição das listas concorrentes às eleições legislativas, dinâmicas essas que de resto ajudam a explicar o declínio da implantação do PSD no distrito de Coimbra, conforme se tem visto nos últimos actos eleitorais”.
A terminar, a autarca de Cantanhede refere que esteve “sempre muito consciente das dificuldades em inverter essa tendência”, mas que foi para isso mesmo que aceitou ser vice-presidente da Comissão Política Distrital, “confiando que estava a participar no início de um novo ciclo que haveria de levar o PSD à expressão eleitoral que já teve no distrito”. Manifestando-se desiludida, diz que vai continuar a sua intervenção política a nível partidário, “de acordo com os valores do PSD em que se revê e que sempre defendeu”.
A demissão de Helena Teodósio da vice-presidência da Distrital do PSD mereceu já o apoio incondicional da Concelhia de Cantanhede, que alega para o efeito a sua total concordância com os argumentos aduzidos, em sintonia com as posições tomadas conjuntamente sobre o processo de constituição da lista candidata às eleições legislativas pelo distrito de Coimbra."
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