quinta-feira, 7 de março de 2013

Ainda as “Conversas na Bijou”…



Uma frase do Dr. Jorge Tocha Coelho na tertúlia realizada ontem à noite: “a Figueira cometeu suicídio cultural ao acabar com o Festival Internacional de Cinema.”

Calma aí, oh vizinho...


Vasco Lourenço diz que se houvesse condições já estaria a preparar outra Revolução...

Passos Coelho disse que medida mais "sensata" contra desemprego seria baixar salário mínimo…


As pessoas  viveriam  de quê?..

Em tempo.
“Há uns anos, já demasiados, quando o salário mínimo subiu pela última vez, depois de me bombardear com uma série de “não pode ser” e “onde é que este país vai parar”, um pequeno empresário perguntou-me qual era a minha opinião ao respeito. Pensei: se te respondo com é bom ou com é mau e se te explicar por quê, passado cinco minutos hás-de esquecer-te de tudo o que te disser e será uma perda de tempo.
Optei, portanto, por começar por perguntar-lhe quantos empregados tinha. Respondeu-me três ou quatro, já não recordo, mas também não faz grande diferença para esta narrativa, como se verá já a seguir.
Disse-lhe então que seria ele mesmo a responder à sua própria pergunta e perguntei-lhe o que é que seria melhor para o seu negócio, se ter mais 40 ou 50 euros na folha de salários de todos os meses e ficar à espera do aumento na facturação provocado pelo acréscimo de rendimento dos seus muito mais que 3 ou 4 clientes, se manter inalterada a folha de salários e ficar à espera da diminuição da facturação resultante dos efeitos da inflação sobre o rendimento desses mesmos prezados clientes.
Bem me lixou. Respondeu-me que a segunda, porque os 40 ou 50 euros a menos na folha de salário estariam garantidos à partida caso o salário mínimo não fosse actualizado e nada lhe garantia que os seus clientes comprariam menos, até porque a sua distinta clientela não era desses que recebem o salário mínimo.
Bem se lixou. Há um par de meses, passei à porta do seu estabelecimento. Estava fechado. Parece que os empregadores dos seus clientes, os fornecedores desses empregadores e os fornecedores desses fornecedores tiveram todos a mesma ideia. É realmente uma pouca-vergonha que os Sócrates, os Passos Coelhos e respectivos Teixeiras dos Santos e Gaspares não se tenham empenhado na invenção de um consumo que se faça sem salários, próprio para empreendedores alérgicos ao risco. Resumindo: “o que eles querem é tacho”, como dizia o meu empresário montado em toda a sua razão.”

Pedro Saboga… (II)

foto sacada daqui
Não é um problema da Figueira, é um problema dum  país que faz parte do clube das chamadas “modernas democracias ocidentais”.
A opinião publicada está formatada. 
No país, isso gira em torno do prof. Marcelo, do Marques Mendes, do António Costa, do  Jaime Nogueira Pinto, do Nuno Rogeiro, do Luís Delgado, do Santana Lopes e outros que tais. Isto, há anos e anos…
Na Figueira, um meio mais pequeno  o tédio ainda é maior: seja nos jornais, na rádio, ou na Tv local, a coisa, em termos de opinião publicada, gira em torno de meia dúzia de figuras que dizem sempre o mesmo todas as semanas.
Resumindo: no país ou na minha cidade, para emitir e firmar a mesma opinião,  não basta um comentador, nem dois, a dizer o mesmo. Exige-se que sejam vários, muitos, a dizer o mesmo, de preferência em locais diferentes, ficando assim garantida a pluralidade de vozes e a unicidade da mensagem…
Mas, mesmo na Figueira, de vez em quando, surgem iniciativas “marginais” às doutas,   abrangentes, democráticas e pluralistas análises que os habituais painéis esmiúçam  todas as semanas  nos locais do costume, a que convém  estar atento.
Foi o caso de ontem  nas  «Conversas da Bijou». Pedro Saboga, que tem obra feita em prol da Cultura na Figueira - OTubo d’Ensaio,  um laboratório de experimentação artística e um centro de trabalho multifacetado, um espaço de criação e partilha, potencializando a criação e o desenvolvimento de novos projectos culturais, de forma independente e ao serviço da comunidade,  aí está, desde 2006, para o provar – durante cerca de 3 horas falou da Figueira, falou da Cultura, falou da vida, mas, a meu ver, demonstrou  que, mesmo "em contraciclo"é possível  realizar sonhos que à partida parecem utópicos, mesmo numa cidade como a Figueira, como se as dificuldades, próprias e colocadas pelos outros, fossem o combustível necessário para se chegar ao máximo que sabemos e  podemos.
Como vemos, mesmo na Figueira, há mais vida para além da publicada nos jornais, na rádio e na televisão pelos habituais “paineleiros” de serviço…

terça-feira, 5 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)

Percentagem de população vivendo abaixo do limiar de pobreza
Gosto pouco de militares, e menos ainda de militares na política. Não aprecio revoluções que vivem de um homem. Mas não posso de admirar este retrato de Hugo Chávez, obtido através de eleições democraticamente ganhas.
Este retrato tem vivos que não foram mortos antes de tempo, gente, homens, mulheres e crianças. Este retrato é o quadro que muitos ricos nunca terão em casa. Este é o retrato que ficará para a História de Hugo Rafael Chávez Frías, um homem que lutou para acabar com os pobres, combatendo todas as calúnias, campanhas, golpismos, daqueles que precisam da existência de muitos pobres para serem muito ricos.
Hasta siempre, compañero.
Daqui  gráfico via Ladrões de Bicicletas

"Vocês adulteravam os balanços no banco. Vocês criaram ‘offshores’. Vocês não prestam, julgam-se uns deuses na terra"...

"Vocês não conhecem a vida real"...

Em tempo.
Para ver vídeo, clicar aqui.

Livra: mal por mal, antes cavalo...

IKEA garante que tarte possivelmente contaminada com matéria fecal não esteve à venda em Portugal...
Em tempo.
Já agora uma ideia: E que tal os "Portugueses convidarem a  Troika para ir lanchar uma tarte de amêndoa ao IKEA"...

Filhos da ou de...

O corte de seis por cento sobre o subsídio de desemprego e de cinco por cento nas baixas por doença, que o Executivo inscreveu no Orçamento do Estado para 2013, poderá estender-se no tempo e, no primeiro caso, vir a tornar-se permanente, noticia esta terça-feira o Diário Económico.
Segundo o jornal, esta é uma medida em cima da mesa para integrar a reforma do Estado.

Autárquicas 2013 na Figueira... (da série, o que já lá vai e o que ainda aí vem…)

Câmara Oculta

Ponto positivo:
1.Conversar sobre política não é tão bom, nem tão sexy, como fazê-la. Mas, é melhor que nada, numa cidade provinciana como a nossa.

Pontos negativos:
1.O programa é, ao que suponho, sobre a actualidade política… Contudo, abordam-se outros 200 e tal   temas… Resumindo: fica tudo pela rama e não há a profundidade necessária - o que é sempre mau quando se trata de sexo, ou de política…
2 . O apresentador fala muito, o que acaba por se tornar um pouco cansativo, para quem está do outro lado.
3.O programa pretende ser atrevido, desinibido, moderno, ligeiro e atractivo, tendo por objectivo, presumo eu, interessar pela vida (leia-se a política...) os desiludidos e acabrunhados figueirenses.
4. Porém, o que passa para o nosso lado, realmente útil, fica muito aquém da minha expectativa e, presumo, do objectivo dos intervenientes. Mas, admito, poder ser eu a estar errado...
5. Salvo melhor e mais abalizada opinião, duvido que alguém consiga ainda ficar interessado em ouvir falar de política local depois da  cassete (que é sempre a mesma...):  a pujança das inciativas do PPD/PSD, de Miguel Almeida e seus apaniguados, as diatribes do PS, de João Portugal e seus muchachos, ou a  falta de testosterona dos 100%, do eng. Daniel Santos.
6. Falando por mim, a última coisa que me apetece, depois de ouvir João Carronda, António Jorge Pedrosa (que conheço razoavelmente bem e por quem tenho estima e consideração pessoal) e Teo Cavaco (que não conheço, mas, parafraseando o próprio, me parece “intelectualmente honesto”), moderados pelo j´Alves, é continuar a ligar a essa tal politiquice figueirense que se move em torno da Fonte Luminosa …
7. Eu sei que todos vocês têm competência para tal: seria pedir muito falarem da realidade?..

Em tempo.
A continuarem assim, vão perder um ouvinte...

Relvas...


Relvas, embora continue a ir ao gabinete,  deixou de ser ministro há praticamente um ano…
Mesmo os seus pares procuram,  como podem,   ignorar a sua existência.
Mas as rádios, as televisões e os jornais, continuam a dar-lhe espaço e o homem pensa que ainda é o ministro que tem a tutela do sector da comunicação social…
Um dia destes houve notícias de incidentes nos estádios de futebol.
Para Relvas, porém,  «havia segurança no Desporto».
Alguém do governo, lá teve que vir corrigir…
Muitas vezes,  nem o próprio governo  presta atenção ao que Relvas  diz…

Vejam já isso melhor, 4 000 quilómetros é muito quilómetro...

"As pessoas que fizeram isso não fizeram o seu trabalho de casa. Eu nunca vivi em Toronto, Toronto é a quatro mil quilómetros de onde vivi. Acho que se enganaram no sítio", disse Álvaro Santos Pereira aos jornalistas... 

Presidente da República: comunicação oficial após as manifestações de 2 de Março

segunda-feira, 4 de março de 2013

Coitada da Lili… São uns bárbaros estes Hunos, é o que é!..

A socialite Lili Caneças, de 68 anos, mostra que nunca é tarde para mudar de vida. Apesar da sua idade avançada, está de malas aviadas para rumar a Los Angeles...
«Estou um bocadinho farta desta pobreza, desta desgraça, de tanta miséria. Vou durante um tempo, sempre gostei muito de Los Angeles, o clima, o ambiente é maravilhoso, tem um vida saudável».

Foz do Mondego, 99.1 FM


Embora com algum atraso fica  o registo - a Rádio Foz do Mondego está de volta.
Em novas instalações  (Rua Detrás  da Alfandega ) e com nova grelha de programas, desde 2 de Janeiro,  na sua habitual sintonia de 99.1, as ondas hertzianas levam o nome da Figueira da Foz mais longe...
De resto, convém não esquecer como nasceu esta  emissora de rádio que, então, se desejava eminentemente local…
E convém não esquecer, também,  de dar os  parabéns ao ilustre patriarca figueirense Fernando  Cardoso...

POEMA

É lixado ser primeiro-ministro, 
neste país à beira-mar estragado. 
A incompetência é um quisto, 
que vai ser extirpado.

Posto isto, meu caro “amigo”,
já sabes como vai ser…
O povo não está contigo,
em 2015 (ou antes) vais ver…

E Cavaco?..


Num dia são condolências, noutro dia são felicitações. 

Movimento dos Reformados Indignados – APRE?.. Não... ÇHIÇA!..


“Os reformados já tinham uma organização, APRE! (Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados), e amanhã será fundada outra, o MRI. Eu teria preferido CHIÇA!, uma interjeição ainda mais dura, embora admita que fosse difícil encontrar uma palavra com a letra inicial Ç. Mas o momento é de abandonar as interjeições e ir pela explicação por extenso do estado de alma dos associados: MRI quer dizer Movimento dos Reformados Indignados. Ora este MRI - não é de mais repeti-lo: Movimento dos Reformados Indignados - vai ser presidido por Filipe Pinhal, ex-presidente de banco (BCP) e atual beneficiário de uma reforma de 70 mil euros mensais. É um pouco como se a Diana Chaves se tornasse tesoureira da Associação das Feias de Portugal. Ao "ai aguenta, aguenta!" de um banqueiro, ontem, responde, amanhã, um ex-banqueiro que não aguenta. Pôr um ex-presidente de banco que ainda há meses foi condenado a pagar multas de 800 mil euros por deslizes financeiros a liderar pensionistas que tiveram cortes nas reformas de 1350 euros é contradição das boas, capaz de gerar unidade nacional. Estamos todos no mesmo barco da indignação: do banqueiro ao cabouqueiro. Que este, por razões egoístas e prosaicas - ganha pouco - se indigne, não merece duas linhas de crónica. Admirável é o outro, que apesar de ter um milhão por ano de reforma ainda se indigna. O único contra que vejo é irrelevante: faz-me desconfiar de tanta unanimidade.”

A mensagem do prof. Marcelo, depois do 2 de Março…


Resumindo…

"Não se preocupem. Continuem  a acreditar no PSD, no CDS, ou no PS,  ou  no SLB,  ou no FCP, continuem  a olhar para a TV e a escutar o que ele diz, que isto passa…"

O que mudou em 2 de março...

domingo, 3 de março de 2013

Por causa das tosses…


Não vou entrar na guerra dos números, mas aos engraçadinhos bem pagos  para tentar  salvar  a face  deste  governo, sempre dispostos a justificar toda a austeridade e toda a regressão política e social que nos estão a ser impostas, por serem genuinamente interesseiros,  retrógrados, reaccionários, ou saudosos do fascismo, faço uma proposta concrecta…
Convoquem uma manifestação de apoio ao governo e às suas políticas para o próximo Sábado, em Lisboa, exactamente com o mesmo percurso. 
Em tempo.
E que façam o mesmo nas outras 39 cidades.
Aceitam o desafio?..

Sara Moreira recebeu medalha de ouro...

Entretanto, «1548, 1549, 1550, 1551, 1552, 1553» - continua a contagem do número de manifestantes de ontem…


A manifestação que se lixe a Troika terminou já há muitas horas,  mas o ministro das Finanças continua no gabinete a contar os portugueses. 
O Imprensa Falsa sabe que Vítor Gaspar até já ia com a contagem muito adiantada, mas Carlos Moedas interrompeu-o para perguntar se podia ir à casa de banho e o ministro das Finanças baralhou-se…
«1548, 1549, 1550, 1551, 1552, 1553», contava Gaspar. «Senhor ministro, senhor ministro, posso ir fazer xixi?», interrompeu Moedas. «1554, mil quinhentos e, sim, pode ir, naturalmente, fazer um xixi, e cinquenta e dois... não o 52 já tinha dito. Gaita. 1556? Não. Mil quinhentos e... bom, terei de recomeçar a contagem. Não lhe devia ter tirado as fraldas. Bom, vamos lá outra vez, 1 português, 2, 3, 4, 5, 6...», continuou Gaspar.
«Senhor ministro, senhor ministro, voltei...», avisou Moedas, interrompendo novamente o ministro: «16, está bem, 18... não! Gaita ia no 17... ou no 16? Ó dr. Moedas, não se importa de ir jogar à bola para a garagem?»

Ontem, um Povo saiu à rua, um pouco por todo o País, cantou, chorou, emocionou-se, colocou em silêncio o poder e mostrou o que sente


Bom domingo

sábado, 2 de março de 2013

Coimbra, hoje à tarde...

Mais fotos,  aqui.

Hoje é um bom dia para ir a Coimbra (mais uma vez...)

para ver melhor clicar na imagem
Porque Passos Coelho + a troika já me lixaram, que se lixe o Passos Coelho + a troika.

"Desilusão e revolta" saem hoje à rua


É hoje. 
É o dia de colocar cá fora a Grândola que há em nós. 
É o dia de continuar a acreditar que, apesar de sermos um Povo anestesiado, um dia pode ser. 
E é por isso que, hoje, saio à rua. 
Porque, apesar das desilusões, quero continuar a acreditar que o meu País pode acordar do sono mais profundo e deixar de encolher os ombros em resignação. 
Outra vez. 
Porque quero continuar a acreditar e, pelo menos hoje, esquecer o desencanto. 
É por isso que, hoje, lá estarei. 
Para continuar a acreditar que um dia pode ser.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Esta vida de marinheiro tá a dar cabo de mim...

Gaspar"Portugal é um povo de marinheiros capaz de superar as piores tormentas"...

Apesar da crise, da falta de dinheiro e etc. e tal, cá pela parvónia “continua a parolice de levar embaixadas a ... Lisboa”!..

Não há BTL parade sem um correspondente desfile das figuras de topo...
Ah, e sem a habitual multidão de basbaques.
Sim, porque presumo que uma espampanante festarola auto-promocional como esta terá sempre, como eles dizem, um “público alvo”.
Fotos daqui

Bom aluno


«Uma das exigências feita amiúde no contexto da crise do euro é a de uma maior solidariedade orçamental dos países europeus mais ricos para com os países mais pobres. Curioso observar como o que está a acontecer é exactamente o contrário.

O BCE anunciou na semana passada os seus lucros com a dívida pública dos países periféricos comprada no mercado secundário – no caso português o seu valor é de quase 23 mil milhões de euros. Em 2012, o Banco Central lucrou mil milhões de euros com os juros dos títulos gregos, portugueses, italianos, irlandeses e espanhóis. Não é muito. No entanto, segundo o Financial Times, se se tiver em conta o lucro não só do BCE, mas de todo o Eurosistema - que, no caso, diz sobretudo respeito aos bancos centrais dos países mais ricos -, o seu montante sobe para 14 mil milhões. Os juros pagos pelos países periféricos permitem lucros aos bancos centrais nacionais dos países mais ricos que, por sua vez, os transferirão para os seus orçamentos nacionais. Conclusão, através do negócio da dívida pública os estados periféricos subsidiam os estados do centro. Faz sentido.

Há uma excepção neste esquema, a Grécia. Neste caso, os lucros provenientes da dívida grega serão, em princípio, devolvidos a este país. “Bom aluno”, certo?»

– Nuno Teles, no Ladrões de Bicicletas.

Portugal, um país algures entre o circo e a creche...

foto de Rudolfo Rebelo
sacada daqui