terça-feira, 26 de maio de 2020

Para quem gosta de compreender a classe política que sobrou da Revolução de Abril de 1974

“Quando Portugal Ardeu” é uma dolorosa e inovadora descida ao inferno profundo dos bastidores da rede bombista de extrema-direita nos idos de 1975/76. Foi uma realidade  que muita gente desconhece. Centenas de atentados e acções violentas levados a cabo pela rede bombista de extrema-direita deixaram Portugal a ferro e fogo no pós-25 de Abril. O Verão Quente de 1975 fez subir a temperatura política, mas os atentados mais violentos aconteceram já em 1976, depois da alegada "pacificação" permitida pelo 25 de Novembro.
Depois, seguiu-se a construção da sociedade onde desembocámos. Ficámos entregues a maus alunos, com cursos incompletos ou mal acabados, que fizeram a vida na sombra de padrinhos, que os levaram pela mão das secções partidárias aos gabinetes. Tal como hoje ainda acontece, até no poder local. Basta olhar para a Figueira. Sublinhe-se, porém, que os jovens tinham de militar nas juventudes de PS, PSD e CDS. Os jovens nos partidos mais à esquerda foram os chamados "idealistas". A construção do "Portugal europeu" passou por esta gente. Vamos então a um pequeno conto de Cristina Torrão, que dá perceber muita coisa.

«Estava-se no verão de 1976. Mário Soares acabara de tomar posse como Primeiro-Ministro, depois de ganhar as primeiras eleições legislativas. Um conhecido de Leonel tornara-se Secretário de Estado do governo minoritário do PS e, sabendo que ele acabara de se formar, ofereceu-lhe um lugar de assessor.

Leonel não pensara em seguir a carreira política. Se o fizesse, aliás, via-se mais nas fileiras de um partido como a UDP, já que o partido que se formara a partir das Brigadas Revolucionárias se tinha ficado por uma votação irrisória. Seria preciso unir a esquerda que rejeitava o imperialismo soviético, de forma a torná-la uma alternativa credível. Mas Leonel não estava com vontade de se envolver em projetos desses, planeava apenas construir a sua carreira de advogado.

Na verdade, também a integração do amigo no governo PS o surpreendia, um amigo que igualmente andara metido em organizações marxistas-leninistas. O Secretário de Estado cozido de fresco lembrou-lhe, porém, que os tempos revolucionários já tinham passado à História. O futuro estava com Mário Soares e os Socialistas, seria essa a esquerda portuguesa! O PCP jamais alcançaria votação suficiente para ser alternativa de governo, para já não falar da UDP e quejandos.

- Leonelzinho, isto, daqui prá frente, vai ser assim: ou o PS, ou a direita!

Com a ideia de amealhar algum dinheiro, acabou por aceitar o cargo. O governo minoritário, contudo, não se aguentou e, com a dinâmica impressionante adquirida pela AD, Leonel, já se movimentando com à vontade nos meandros da política, acabou por se filiar no PS, a fim de fazer oposição. As eleições que deram a vitória retumbante a Sá Carneiro fizeram-no deputado e ele não mais deixou a Assembleia da República até às europeias de 1989, as primeiras em Portugal, que o catapultaram para Estrasburgo, ganhando mais dinheiro e viajando mais do que algum dia teria imaginado. Tornara-se um burguês!»

Mira já tem vigilância na praia

Revista SÓCIA: ponto de reflexão e homenagem

A Associação das Colectividades do Concelho da Figueira da Foz (ACCFF), no âmbito das comemorações do Dia Nacional das Colectividades, vai lançar a 31 de maio a Revista SÓCIA.

Esta publicação, em formato digital, pretende ser um ponto de encontro do movimento associativo concelhio, concentrando informação, opinião convergente e divergente, entrevistas, histórias das instituições e das pessoas que lhe dão corpo e alma e um dossier central de relevante interesse para as colectividades.

Imagem: a partir de uma notícia publicada pelo jornal Diário as Beiras.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

"Que solução propõe para o Paço de Maiorca?.."

Imagem sacada daqui
E que tal, como aconteceu com o Edifício o Trabalho, colocá-lo à venda no OLX!..

Paço de Maiorca: um «charmoso» «crime financeiro» e «negócio ruinoso»...

"Considero ser fundamental que a Câmara venda e arrende património que não consegue gerir. Em relação ao Paço de Maiorca a sua valorização passa por ser utilizado, como hotel ou espaço cultural, vivo, mas conservando sempre o seu carácter genuíno. Importante também é restabelecer uma ligação entre o Paço e a população de Maiorca para que esta possa ter novamente orgulho no seu património e consiga usufruir daquilo que naturalmente lhe pertence.
Assumir esta identidade é difícil e leva anos, sendo necessário uma estratégia a médio e longo prazo. Outro desafio é impedir a excessiva “musealização”, sendo necessário uma intervenção que torna o espaço atrativo tanto para os habitantes locais como para os visitantes.
Como afirmam os especialistas “o património cultural como algo que vem do passado, experimenta-se no presente e transmite-se às gerações do futuro, conjuga sentimentos de pertença dos indivíduos, sentimento esse que acaba por assegurar uma identidade cultural” Esse desafio só pode ser ganho com o envolvimento local, criando uma comissão de acompanhamento, incluindo pessoas de Maiorca e especialistas nacionais e estrangeiros. É preciso criatividade e modernidade, rompendo com o habitual recurso a “micro-museus” incapazes de atrair as pessoas.
Note-se que o Paço de Maiorca faz parte de um rol de maus contratos que a Câmara Municipal da Figueira da Foz fez durante o tempo de Duarte Silva e Santana Lopes, e a aquisição desenfreada de “ruínas”, “palácios” e “quintas”. Muitos destes imóveis continuam “parados” caminhando para a ruína imobiliária. Relembro que o Paço de Maiorca foi apresentado como “contrato-programa”, em abril de 2008, sendo apelidado ”versão litoral da Quinta das Lágrimas” aprovado com os votos da então maioria do PSD, sendo provavelmente a pior Parceria Público Privada (PPP) alguma vez realizada no concelho."

A realidade da nova normalidade...

Segundo o jornal Público, num domingo de sol, mais de 180 mil pessoas foram às praias da Caparica... 
“No ano passado, por esta altura, as praias não estavam assim.” 
É esta a nova normalidade? 
Não. A nova normalidade, é um país com mais gente ainda mais desprotegida e a passar por ainda  mais dificuldades. 
E esta é a realidade da nova normalidade. Que não pode ser escondida...

Ainda bem que temos uma autarquia "na vanguarda nacional nos apoios às filarmónicas"...

Na edição de hoje do Diário as Beiras, o presidente da Associação de Colectividades do Concelho da Figueira da Foz, António Rafael, afirma que “a situação financeira para algumas está muito grave”. Sobretudo, acrescentou, “para quem tem filarmónicas (nove), que ficaram sem espectáculos e sem fontes de receitas e têm de pagar aos maestros (e professores de música)”
Não é o caso da Sociedade Boa União Alhadense (SBUA), presidida por Fernando Gonçalves. Este dirigente associativo, em declarações igualmente publicadas hoje no Diário as Beiras, garante que a filarmónica da colectividade que lidera não está em ruptura financeira. “Não seremos das piores, porque não fomos apanhados desprevenidos, a câmara apoiou substancialmente as colectividades e as filarmónicas e os sócios estão a pagar as quotas”
Este dirigente associativo, considerou o apoio antecipado da autarquia às colectividades (adiantamento de 70 por cento dos apoios correntes) “um balão de oxigénio”
A terminar o depoimento dado ao jornal, sublinhou: “a Câmara da Figueira da Foz está na vanguarda nacional nos apoios às filarmónicas e às coletividades (no contexto da resposta à crise pandémica)”.
Fica o registo da opinião de Fernando Gonçalves, presidene da Sociedade Boa União Alhadense. Na Figueira, quem se sente em minoria, tem tendência a manter-se em silêncio, deixando o espaço público entregue à opinião maioritária. Ainda bem que existem opiniões a quebrar a espiral de silêncio que costuma envolver a opinião minoritária no nosso concelho. Ainda bem que existem colectividades a conseguir escapar à ruptura finaceira.
Siga o importante:

É possível ir à praia de forma organizada? É...

Temperaturas a rondar os 30 graus convidaram muita gente a voltar aos areais no passado fim de semana. Quem é que não gosta de ir ver o mar e apanhar algum sol em dias assim? No Cabedelo, pelo que tive oportunidade de ver em fotos publicadas no facebook, o distanciamento esteve longe de ser cumprido.
Prevendo a enchente, resolvi confinar-me em casa sábado e domingo. Em boa hora o fiz. Ontem, pelo que vi nas telvisões, as praias estavam  abarrotar. Em certos locais, "foi o caos"Vamos ver até onde isto dura...
Portugal regista 1.316 mortes relacionadas com a Covid-19, mais 14 do que no dia anterior, e 30.623 infectados.
As coisas podiam ser diferentes, como a foto de uma praia em França, mostra? Podiam... Mas, não era a mesma coisa.

domingo, 24 de maio de 2020

Bandeira Azul na Costa de Lavos em 2020?..

Morreu a escritora Maria Velho da Costa

O poder da ficção, ao serviço do poder exercido como encenação...

Esta avenida, ontem, esteve fechada ao trânsito automóvel. 
"Os automóveis contagiam? Se fecham a estrada é porque não me querem lá. Logo, vou para outro lado. Adeus, Figueira".
Mário Martins, cidadão de Coimbra.

Nunca soubemos tanto e com tanto detalhe - nomeadamente, quem são os protagonistas e a  substância -, de uma aldeia, de uma vila, de uma cidade, de um concelho, de um país e do mundo, como agora. Mas, a realidade é que não obstante o nível de exposição, a que também o poder local na Figueira está sujeito (até há transmissões directas das sessões camarárias), o acesso a esta e a outras informações não derrotam a capacidade de encenação de quem está no poder.
Temos de tudo, desde as estratégias mais toscas às mais elaboradas. O que está sempre em causa é a imposição da vontade da maioria, como projecto político hegemónico, mesmo que isso seja implementado contrariando o desenvolvimento do concelho. 

O objectivo final é sempre o mesmo: atingir quem ousar dar livremente a sua opinião. Mas este não é um problema de 2020, nem desta gestão socialista. Na Figueira, entre 1997 e 2009, com o PSD no poder foi a mesma coisa. 
Sempre vi o poder local na Figueira da mesma maneira: arrrogante, hegemónico (com tiques a roçar o ditatorial) e a tentar humilhar quem lhe faz frente.
O PS como o maior partido do poder local, tem  uma boa camada de militantes e políticos. Como é óbvio, numa floresta tão densa existem algumas árvores infectadas que comprometem a qualidade da saúde do conjunto, permitindo que à  sombra do partido e do seu papel na sociedade figueirense, venham à tona alguns que pensam que não vai haver prestação de contas. O que não é positivo nem saudável para a democracia, nem para Figueira.

Todos os partidos no poder - seja local ou governamental - acabam por criar uma base clientelar. Como poderia ser combatido isso? Com políticas partidárias internas de transparência e de combate a situações de eternização de benesses partidárias. Só que isso acabaria por arredar o partido do poder do poder...
A alternância democrática, se funcionasse,  afastaria dos Paços do Município figueirense gente que teria de trabalhar a sério para pagar as suas contas. Mas, o que temos tido são períodos prolongados de poder. Primeiro o PS, depois o PSD e, agora, de novo o PS.

Para mudar já a Figueira exige-se um escrutínio  mais atento. Mas como fazê-lo?  A Figueira é uma cidade e uma sociedade pouco exigente no que à qualidade da democracia diz respeito, pelo que a maioria dos políticos (alguns até da oposição...)  considera natural o que se está a passar - que é algo que já ultrapassou o limiar do bom senso democrático.
Na Figueira, a realidade ultrapassou a ficção. Resta o resto. 
Querem saber o que é o resto? O resto é teatro. 
E o teatro é aquilo que deve ser: a sabotagem de todas as tentativas de chegarmos à realidade.

Ciclovia do Mondego : segundo o PSD Figueira, a obra já derrapou "mais de 50% do custo inicial e ainda não está pronta! (mais de 365 mil euros ao contrato inicial)."

Via nota de imprensa, o PSD/Figueira da Foz acusa o PS e o seu executivo de "torrar dinheiro por incompetência". Sublinha ainda que "o PS e seu Executivo a pensar no Populismo Eleitoral, em 2017 lançaram a concurso a obra da Ciclovia do Mondego, sem que houvesse uma verificação e discussão do projecto!" e que "em Janeiro de 2018 adjudicaram a obra da “Ciclovia do Mondego” por 600 mil euros! Com o prazo de execução 300 dias!! ( Com conclusão em janeiro de 2019).
No mesmo documento pode ler-se ainda, que "no decorrer da obra, tem havido sucessivas paragens por erros e omissões do projecto!! Já aumentou mais de 50% do custo inicial e ainda não está pronta! (mais de 365 mil euros ao contrato inicial)."

Marginal de Buarcos esteve fechada ontem à tarde!..

Crise COVID-19 no concelho (6)

"Enquanto escrevo estas linhas, a contagem oficial de casos confirmados de Covid-19 na Terra é de cerca de 5 milhões e uma taxa de mortalidade de 6,6%. Em Portugal, o número de novos casos tem diminuído de semana para semana, tendo hoje 30 mil infetados, estando o país na 26.ª posição mundial, com uma taxa de mortalidade de 4,2%. São estes os números com que os responsáveis políticos de todos os países se digladiam diariamente para encontrar as melhores soluções para o desconfinamento e para o relançamento da economia.
Contudo, este relançamento da economia não depende só da bondade das medidas já tomadas no concelho ou no país, mas também e, principalmente, do estado da economia dos países com quem nos relacionamos ao nível das trocas comerciais e, obviamente, das grandes potências mundiais. Pois, como todos muito bem sabemos, para o bem e para o mal, vivemos numa economia globalizada. E, infelizmente, existem muitos países onde a evolução da doença não tem ainda sinais de estar a melhorar e que, ao contrário de nós, ainda têm fortes medidas de isolamento.
Por outro lado, não sabendo como vai evoluir a situação nos próximos meses e até nos próximos anos, se ou quando vai existir vacina ou tratamento eficaz, desconhecemos, na realidade, que estratégia irá ser eficaz. Isto implica que os decisores tenham de ter a humildade para constantemente ir adaptando as suas opções à medida que a experiência adquirida e o conhecimento científico acerca deste novo vírus evolui.
Considero que o lay-off, os apoios financeiros às empresas, as moratórias, os apoios para assistência à família, os apoios “Figueira Vale Mais”, a distribuição de EPI, as isenções de taxas, o alargamento de esplanadas, os apoios às IPSS, a distribuição de computadores, internet e refeições nas escolas, os apoios alimentares e aos idosos e isolados, os transportes escolares e de doentes, entre muitas outras medidas, têm contribuído para reduzir o impacto imediato da pandemia na sociedade figueirense, tendo o município já despendido, só em 2 meses, cerca de 1 milhão de euros. Todavia, para se definirem medidas económicas mais estruturais teremos de perceber o sentido da evolução da nossa aldeia global."
Via Diário as Beiras

sábado, 23 de maio de 2020

Campismo com máscara...

A partir de segunda-feira vai ser assim no Cabedelo...

E Cantanhede aqui tão perto...

"Como testes prometidos nunca mais chegavam, Misericórdia decidiu por «motu próprio»"...

Imagem via Diário de Coimbra
Recorde-se: 
- o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Monteiro, deu nota na reunião realizada a 20 de abril passado, da participação da Figueira da Foz no programa piloto de testes de rastreio à Covid-19, que será aplicado em lares e estruturas similares do concelho, no âmbito de iniciativa da Comunidade Intermunicipal da Região Centro.

- Até agora, o que se conhece é que os testes nas IPSS figueirenses se vão realizar em "breve"?
Falta saber, quando, como e quem os vai realizar?

José Gomes Pereira, antigo médico do Sporting e director de Medicina Desportiva do Comité Olímpico de Portugal desde 2017

"Não se podia treinar há 15 dias? O que mudou na condição pandémica?"

“Relativamente ao treino, tenho fortes dúvidas e cada vez menos vontade de falar destes assuntos. Porque desde março que as análises se vão repetindo e não surge nada de novo. Se se pode treinar agora, não se podia há 15 dias? Se na aviação não se podia lotar os aviões, dentro de uns dias já pode? O que é que se alterou em termos da condição pandémica?”
Segundo Gomes Pereira, as "questões económicas" estarão por trás de "muitas decisões" que estão a ser tomadas e, apesar de não se mostrar contrário ao descofinamento, lembrou que essa decisão "tem riscos" e que a utilização de equipamentos de proteção individual no treino físico não pode ser comparada às "atividades diárias comuns".