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terça-feira, 30 de junho de 2026

Museu Mário Silva: Equipamento está a ser construído na Tocha e abre até ao final do ano

Mário Silva era natural de Coimbra, mas fez da Figueira da Foz a sua terra, onde viveu a maior parte da sua vida. 
O espólio de Mário Silva foi para a Tocha, porque a Figueira, "uma cidade pequena" de grandes artistas, não conseguiu manter, honrar e preservar a obra de um dos maiores.
A história está contada e pode ser lida aqui.
Via Diário as Beiras. Para ler melhor clicar na imagem.

domingo, 26 de abril de 2026

Casa do Pintor (Mário Silva)

Via Diário as Beiras: "Na habitação do artista plástico, em Lavos, serão dinamizadas residências artísticas e outras actividades".


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Sobre a recente proposta de revisão das aprendizagens de Português

Nuno Artur SilvaUma opinião e uma ou outra memória dos meus tempos de professor


"Na recente proposta de revisão das aprendizagens essenciais de Português, a intenção de incluir Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde de Mário de Carvalho na lista de livros sugeridos para leitura no 12.0 ano é uma excelente notícia.  Mário de Carvalho é um dos grandes escritores portugueses contemporâneos e não tem ainda o reconhecimento que merece (nenhum grande escritor o tem). Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde é capaz de ser o seu melhor livro (quando se tem vários livros muito bons,o que é um livro melhor que outro?). 

Outra excelente notícia é que os alunos do 12.º ano podem continuar a escolher também os livros de José Saramago Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis, provavelmente os melhores romances do extraordinário José Saramago (outra vez: o que é um romance melhor que outro, quando se tem vários excepcionais?). 

Excelente cânone o que inclui estes três romances e excelente o programa que os propõe como leitura para alunos do 12.º ano. José Saramago e Mário de Carvalho são contemporâneos, ambos escritores e ambos comunistas. Ou, mais exactamente, ambos foram militantes do Partido Comunista Português. Este facto tem tudo a ver e não tem nada a ver com a sua obra literária. 

É um orgulho para Portugal ter o seu nome acrescentado por eles e uma sorte nossa pisar o chão da Língua que eles engrandeceram com os livros que escreveram."

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

"Isto é gozar com quem trabalha", mas somos o país que andamos a construir desde 1975...

"Foram recebido separados, mas à saída dos encontros com o Presidente da República, os líderes das centrais sindicais convergiram tanto na recusa do anteprojeto de revisão da legislação laboral, como ao admitirem todas as formas de luta, incluindo um greve geral. Neste momento, a posição que a UGT tem é a de rejeição deste anteprojeto", afirmou o secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), Mário Mourão, após a audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa.

Para Mário Mourão o anteprojeto do Governo "não é uma reforma, mas uma rutura". E, se o Governo "continuar intransigente", não exclui uma greve geral. "Estamos perante um pacote laboral que é um verdadeiro retrocesso no mundo do trabalho", afirmou, ainda antes dele, o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP), Tiago Oliveira, o primeiro a ser recebido por Marcelo Rebelo de Sousa na tarde desta segunda-feira.

Questionado sobre se a CGTP admite juntar-se à União Geral de Trabalhadores (UGT) para se oporem à reforma laboral, tal como defendido pelos ex-líderes da CGTP e da UGT Carvalho da Silva e Torres Couto, o secretário-geral da CGTP refere que para já a "unidade" se faz "nos locais de trabalho" e apela a que os trabalhadores participem na manifestação convocada para 20 de setembro por esta central sindical."

Via Expresso

Nota de rodapé.

"Pergunte-se a um sindicalista mesmo sindicalista se encontra na legislação laboral proposta pelo Governo uma medida, uma só, com a qual concorde. Pergunte-se a um patrão do tipo Saraiva se encontra uma, uma só, com a qual discorde. Não encontram. Desta vez, as posições extremaram-se como não há memória. Aquilo é tão mau, tão mau, tão mau que até os camaradas da UGT dão sinais de que vão fazer o inimaginável, comportar-se como sindicalistas e representar trabalhadores. Não sei se vão. Seria a primeira vez. A pressa demonstrada e a pressão colocada pelo Governo também sugerem que sim. A Ministra diz que não são obrigados a esperar por um sim obtido na concertação social, que também podem obtê-lo no Parlamento com os votos da coligação PSD/Chega. O PSD volta a assumir que “sim é sim”, que Governa em maioria absoluta sem ter maioria absoluta. E rega a fogueira da conflitualidade com gasolina.

O Governo quer desafiar o país do Trabalho. Pergunte-se a cada português se está disposto a fazer greve, por quantos dias, a ocupar a escadaria do Parlamento, a ir para a rua exigir que matem o monstro. Desta vez, não há margem para hesitações. Tudo, rigorosamente tudo o que é proposto é demasiado mau, uma viagem ao inferno sem caminho de regresso. Se o monstro triunfar, nunca mais ninguém irá para a rua como até aqui. Todos continuarão a poder contar com 52 Domingos por ano para exercerem o seu direito à greve. Nós somos o país que fizermos."

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Luís Montenegro "virou à direita" (“cheganizou-se”)...

"A liberdade é sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." (GEORGE ORWELl.)
"Sinto que a estupidez subiu ao poder". (ZEFERINO COELHO) 
O que esperam para acordar?
Acordem! 
A ameaça continua a ser os que dominam o sistema há imensos séculos. 
A ameaça são os mesmos. Os do sistema que desde a primeira hora quer exterminar os direitos conquistados com a Liberdade de Abril. 
"Acordai acordai homens que dormis a embalar a dor dos silêncios vis". (JOSÉ GOMES FERREIRA)

Onde ficou a promessa do "não é não" de Luís Montenegro!
A viragem à direita do PSD é reconhecida por muitos. Até por Miguel Morgado, professor auxiliar do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, que foi assessor político do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que admite que o PSD "está a ir atrás do Chega".  
Numa perspectiva histórica, António Barreto considera que "o PSD é o partido mais incerto da vida política portuguesa, é o que tem menos ideologia e mais base social".  E precisa que "a parte programática é pouco firme, mas tem um raro apoio na comunidade, na pequena indústria, no pequeno comércio, nos funcionários públicos, nos pensionistas, nos trabalhadores das autarquias", em suma, "tem uma base social de interesses locais". Segundo este sociólogo, "desde o final dos governos de Aníbal Cavaco Silva que o PSD está à procura" de um projecto para o país. Antes há "o período glorioso com Sá Carneiro, mas não deu para ver, ele fez prova de vontade de luta, mas não fez nada, não teve tempo". Já "Cavaco Silva foi predestinado da sorte, fez o que queria, liberalização, privatização". Teve "o dinheiro europeu a ajudar e Mário Soares contribuiu muito, no primeiro mandato como Presidente".

O objetivo do actual líder do PSD, partido de centro-direita, fundador do regime democrático em Portugal, é manter o PSD como partido dominante da direita. Daí o primeiro-ministro marcar a governação com medidas que esvaziem o discurso populista radical de Ventura. 
O partido de André Ventura tem sido o parceiro parlamentar que tem apoiado várias medidas legislativas do Governo ou se tem disponíbilizado para o fazer. Desde medidas sobre imigração, como as mudanças na Lei dos Estrangeiros e na Lei da Nacionalidade, às alterações à disciplina de Cidadania, passando pela proposta de reforma da legislação laboral, no sentido da sua flexibilização. E, ainda, em medidas como a baixa de impostos para trabalhadores e empresas e a aprovação de um suplemento extraordinário de pensões. O sociólogo António Barreto afirma, em declarações ao PÚBLICO, que "todos os partidos vão mudando" e o que se passa é que, com Luís Montenegro, "o PSD está à procura de si mesmo"
Será que, depois de Momtenegro, o PSD ainda vai conseguir reencontrar a sua matriz natural?

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Estátuas de Mário Silva e a "A preguiça" vandalizadas


Sem estabelecer uma ligação entre os dois casos, a escultura “A preguiça” foi vandalizada poucos dias depois de o busto do pintor Mário Silva, instalado na praça da Praia do Cabedelo, também ter sido alvo de actos de vandalismo. A face foi pintada com várias cores e o tronco vestido com uma camisola. Na escultura “A preguiça”, além de ter sido partida a perna direita, foi colocada uma “meia” no pé da perna danifi cada.
Será que estamos numa sociedade sem valores ou referênciais, onde não existe tempo, inteligência e disponibilidade para contextualizar rigorosamente nada?
Será que estamos a caminhar para o vácuo completo e egoísta?...

domingo, 23 de março de 2025

PS já tem todos os candidatos à presidência das 17 Câmaras do distrito de Coimbra

A Comissão Política Federativa de Coimbra do PS aprovou, este sábado, os candidatos à presidência das 17 Câmaras do distrito nas próximas eleições autárquicas.
A apresentação pública dos candidatos decorrerá no sábado, dia 29 de Março, às 17h00, no Pavilhão de Portugal em Coimbra, com a presença do Secretário-Geral do PS, Pedro Nuno Santos.
A saber:
Arganil – Rui Silva
Cantanhede – Sérgio Negrão
Coimbra – Ana Abrunhosa
Condeixa-a-Nova – António Figueiredo
Figueira da Foz – Vítor Rodrigues
Góis – Jaime Garcia
Lousã – António Marçal
Mira – Francisco Reigota
Miranda do Corvo – José Mário Gama
Montemor-o-Velho – José Veríssimo
Oliveira do Hospital – José Francisco Rolo (recandidatura)
Pampilhosa da Serra – Ricardo Serra
Penacova – João Azadinho
Penela – Eduardo Santos (recandidatura)
Soure – João Gouveia
Tábua – Ricardo Cruz (recandidatura)
Vila Nova de Poiares – João Féteira

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

A obra do pintor Mário Silva vai ter o espaço que merece na Tocha

Segundo o jornal Diário as Beiras, em junho de 2020 «a Câmara de Cantanhede já tinha feito o projeto para a futura Casa-Museu Mário Silva, no antigo posto da GNR da Tocha. 

Para quem já não se recorda,lembremos o que aconteceu.
O espaço será preenchido com obras que estão à guarda da Junta da Tocha desde a tempestade “Leslie”, em outubro de 2018. 
“Tiveram a amabilidade de acolher as obras que estavam debaixo do palco do CAE, sem as melhores condições. Entretanto, propuseram a ideia da casamuseu e eu aceitei. Na altura, falei com os autarcas de Coimbra e da Figueira da Foz, mas não deram uma resposta [conclusiva]”, contou o filho e homónimo do pintor ao DIÁRIO AS BEIRAS. 
Em Junho de 2020, na reunião de Câmara da Figueira da Foz, o vereador Miguel Babo alertou para a o projeto da Tocha, defendendo que o espólio de Mário Silva devia ficar na cidade. O presidente da autarquia, desde abril de 2019, Carlos Monteiro, admitindo que desconhecia o assunto, sugeriu que parte da obra do artista plástico fosse exposta no Museu Etnográfico de Lavos, freguesia onde o pintor residia. 
“O espaço é pequeno, mal vai dar para acolher a etnografia de Lavos, quanto mais uma exposição permanente de um pintor consagrado como era o meu pai”, reagiu Mário Silva, filho. “A obra devia ser exposta num espaço condigno da Figueira da Foz ou de Coimbra”, defendeu.»
Na edição de hoje, 10 de outubro de 2024, o Diário as Beiras informa que o Museu dedicado ao pintor Mário Silva em Cantanhede vai estar pronto daqui a um ano.

terça-feira, 14 de maio de 2024

Espólio de Mário Silva foi para a Tocha: a Figueira, "uma cidade pequena" de grandes artistas, não conseguiu manter, honrar e preservar a obra de um dos maiores

Em Junho de 2020, «a Câmara de Cantanhede já tinha o projeto para a futura Casa-Museu Mário Silva, no antigo posto da GNR da Tocha. O artista plástico, um dos mais relevantes portugueses do século XX, nasceu em Coimbra e residiu na Figueira da Foz grande parte da sua vida, até morrer, em setembro de 2016. O espaço será preenchido com obras que estão à guarda da Junta da Tocha desde a tempestade “Leslie”, em outubro de 2018. “Tiveram a amabilidade de acolher as obras que estavam debaixo do palco do CAE, sem as melhores condições. Entretanto, propuseram a ideia da casa museu e eu aceitei. Na altura, falei com os autarcas de Coimbra e da Figueira da Foz, mas não deram uma resposta [conclusiva]”, contou o filho e homónimo do pintor ao DIÁRIO AS BEIRAS.» 

Numa reunião de Câmara da Figueira da Foz, realizada em Junho de 2020, o vereador Miguel Babo alertou para o projeto da Tocha, defendendo que o espólio de Mário Silva devia ficar na nossa cidade. O presidente da autarquia, desde abril de 2019, Carlos Monteiro, admitindo que desconhecia o assunto, sugeriu que parte da obra do artista plástico fosse exposta no Museu Etnográfico de Lavos, freguesia onde o pintor residia. “O espaço é pequeno, mal vai dar para acolher a etnografia de Lavos, quanto mais uma exposição permanente de um pintor consagrado como era o meu pai”, reagiu Mário Silva, filho. “A obra devia ser exposta num espaço condigno da Figueira da Foz ou de Coimbra”, defendeu.»

O Diário as Beiras, na sua edição de ontem, traz a notícia.
«A Câmara Municipal de Cantanhede acaba de lançar a concurso a empreitada de execução do Museu Mário Silva, na Tocha, equipamento cultural que terá a sua atividade centrada na exibição da obra do prestigiado artista plástico e na dinamização de atividades em torno do seu legado artístico e cultural.»
Há décadas, que a Figueira é uma cidade sem sorte com os políticos que escolhe.
Em 2014, era vereador da cultura na autarquia figueirense António Tavares aconteceu um caso semelhante.
Depois de ter estado, desde janeiro de 1987, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, o espólio do dr. Joaquim Namorado (cerca de 600 livros, entre obras de Joaquim Namorado e primeiras edições) rumou, em finais do mês de outubro de 2014, a um local onde foi  tratado com a dignidade que merece: o Museu do Neo Realismo, em Vila Franca de Xira.

terça-feira, 2 de abril de 2024

Investimento realiza-se até 2030, no âmbito de uma candidatura da CIM-RC

"O Município da Figueira da Foz vai realizar investimentos de 19 milhões de euros, até 2030, na área dos resíduos, numa média anual de 2,8 milhões de euros. O investimento será feito ao abrigo de uma candidatura da Comunidade Intermunicipal Região de Coimbra (CIM-RC). 
Com aquele investimento, até 2030, o município poupará 11 milhões de euros, por via da redução da recolha e do tratamento de resíduos sólidos urbanos indiferenciados, serviço assegurado pela Ersuc, adiantou, ao DIÁRIO ASBEIRAS, o vereador do Ambiente, Ricardo Silva. 
“A Figueira da Foz quer voltar a estar na vanguarda da reciclagem e em todas as medidas que visam reduzir a produção de resíduos e aumentar a reciclagem no concelho”, afiançou o autarca. Ricardo Silva acrescentou que os investimentos e as medidas, em curso ou programadas, “fazem parte da estratégia do município para a área dos resíduos”
Entretanto, até 2030, será aplicado um sistema de cobrança da taxa que fará corresponder o valor pago com a quantidade de resíduos sólidos urbanos produzida. Os investimentos são transversais a várias áreas de ação, como aquisição de viaturas, mudança da estratégia da recolha de resíduos sólidos urbanos, distribuição de compostores e outras soluções que concorrem para a redução dos resíduos, diferenciados e indiferenciados. Nos últimos meses, o Município da Figueira da Foz entregou, gratuitamente, mais de 300 compostores, no âmbito de uma campanha que tem por finalidade sensibilizar os figueirenses para a compostagem de biorresíduos. Os compostores foram entregues nas freguesias e nas escolas Pintor Mário Augusto, Pedrosa Veríssimo, na Cristina Torres, João de Barros, Joaquim de Carvalho e Infante D. Pedro. A campanha ainda não terminou. 
Papeleiras inteligentes e contentores castanhos 
O Município da Figueira da Foz prevê começar a instalar papeleiras inteligentes - compactam os resíduos introduzidos no recipiente - durante esta semana, em vários locais da cidade. Por outro lado, serão instalados contentores castanhos para a deposição de resíduos orgânicos. Estes depósitos serão testados em diversas localidades do concelho, tanto na zona urbana como na zona rural. 
As medidas para reduzir os resíduos e, por arrasto, os custos associados à recolha e ao tratamento, como já foi referido, tem várias frentes de ação. Entre as quais um sistema de reciclagem de vidro para restaurantes, para aplicar até junho. 
Este sistema será instalado ao abrigo do Canal Horeca, que promove a separação de embalagens não reutilizáveis de estabelecimentos de hotelaria, restauração e similares."

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

A propósito da homenagem a Mário Soares: para que serve uma vida?

A carreira política de Soares é única e incomparável: encabeçou a candidatura a 11 actos eleitorais, dos quais venceu seis (constituintes de 1975, legislativas de 1976 e 1983, presidenciais de 1986 e 1991 e europeias de 1999) e perdeu cinco (legislativas de 1969, 1979, 1980 e 1985 e presidenciais de 2006). 
Mário Soares teve um percurso político que foi, digamos assim, pragmático: "foi comunista antes de ser anticomunista, foi contra a NATO antes de subscrever a Carta do Atlântico, foi defensor da nacionalização de sectores económicos estratégicos antes de condenar a sua execução, foi aliado da administração norte-americana antes de se tornar adversário de Washington, foi contra governos de iniciativa presidencial antes de advogar um executivo de salvação nacional promovido por Belém, foi contra a dissolução do parlamento e a convocação de eleições legislativas antes de rejeitar a procura no hemiciclo de uma solução governativa e, pelo contrário, dissolver a Assembleia da República e convocar eleições, foi o introdutor em Portugal de dois pacotes de austeridade antes de tomar posição contra um terceiro, foi pró-ocidental antes de desfilar ao lado de companhias altermundialistas, foi o homem público reformado que prometeu não regressar à política activa meses antes de se apresentar como candidato presidencial".

Sabendo-se, como se sabe, o lugar que Mário Soares ocupa na História de Portugal, uma homenagem promovida por iniciativa de um Presidente de Câmara da Figueira da Foz, merece especial atenção de quem vive e sente a Figueira.
Temos um ano pela frente.
Santana Lopes tem muito a ver com Mário Soares.
Vejo em ambos algo em comum: a capacidade de chegar aos eleitores, mais pela sua maneira de ser do que pela ideologia. E, ao mesmo tempo, pelo menos em determinado períodos - nomeadamente, eleições - serem capazes de mostrarem uma moderação e um equilíbrio que sensibeliza os votantes quando têm de escolher.
Mário Soares no País. Santana Lopes, sobretudo na Figueira.

A definição de Liberdade, enquanto grau de independência legítimo que um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo e como ideal, bem como a condição de não submissão a qualquer força constrangedora, física ou moral, remete-nos para a obra de Agostinho da Silva, que nos fala da missão de Portugal: "libertar-se e libertar o mundo, cumprindo-se, assim, na sua identidade universal e fraterna."
Todavia, Liberdade é, igualmente, a possibilidade que um indivíduo tem de se exprimir de acordo com a sua vontade, a sua consciência e a sua natureza.
Daí que Agostinho da Silva "apele ao não conformismo e ao pensamento próprio e proponha uma reflexão aprofundada sobre a importância da liberdade". Isto é: "fazer coincidir o pensar com o ser."
Agostinho da Silva ensinou (a quem quis aprender) "que a utopia não é o impossível, mas somente aquilo que ainda ninguém conseguiu fazer."
Num mundo sufocado pelos actuais modelos económicos, políticos e sociais, baseados no lucro e na concorrência selvagem, quer sejam vividos em democracias ou autocracias, para alguns existe a consciência da limitação de liberdade.
Numa sociedade em que se vive oprimido por diversos constrangimentos e os direitos de cada de cada um de nós são reprimidos, Agostinho da Silva sublinhava: «não basta para ser livre, que se tenha liberdade política. A liberdade política é perfeitamente ilusória enquanto se não tem liberdade económica».
Agostinho da Silva foi um homem muito à frente do seu e não era ingénuo. Sabia dos riscos que se corriam, já que ao mesmo tempo que se cria tecnologia, se pode fazer com ela coisas terríveis para a humanidade. 
Nunca  deixou de reforçar a ideia: «o caminho é o de pegar na máquina e pô-la ao serviço, não de uma nova escravidão, mas dos homens. Meter homens a servir as máquinas e com essas máquinas e com esses homens servir outros homens e outras máquinas, mas para efectivamente nos dar a tal liberdade de ser poeta à solta».

Mário Soares foi um “cidadão do mundo, e no mundo era conhecido como um líder marcante, democrata e socialista”
Por conseguinte, foi um cidadão poderoso. E o que fez com o Poder?
Continuando a citar Agostinho da Silva.
«Vamos ver como é isso da entrada de Portugal na CEE. Se é um bebé que se vai acolher nas mãos de uma ama ou se é, pelo contrário, alguém, a Península, que vai dizer à Europa como é que ela se tem de humanizar».
A União Europeia foi pelo caminho do federalismo criado apenas numa base utilitarista e economicista. Daí a fragilidade da sua construção, o presente difícil e o futuro desconhecido.
Vivemos num mundo obcecado com a produtividade, a eficiência e os lucros. Perdeu-se em humanização e em  liberdade cultural de cada um de nós.

Nos últimos anos de vida, dizem que "Mário Soares radicalizou à esquerda".
O PS, em 25 de Abril de 1974, "intitulava-se um partido à esquerda".
Todavia, nunca houve politicamente uma “maioria de esquerda”, apesar de ela existir aritmeticamente, nem houve qualquer tipo de entendimento à esquerda minimamente durável. Houve sim uma coligação com o CDS, o único que não votou favoravelmente a Constituição.  
Porquê? Porque o PS de Mário Soares tinha uma estratégia muito clara da qual não nunca se afastou um milímetro: institucionalizar em Portugal uma democracia representativa, se possível de base exclusivamente parlamentar, sem qualquer tipo de cedências a qualquer outra forma de poder que não a resultante do voto popular.
«Mário Soares seguiu à risca esta estratégia, fazendo as alianças de ocasião que lhe pareceram as necessárias para a consolidar e recusando, sem problemas de consciências ou hesitações, qualquer tipo de entendimento à esquerda.
Mário Soares acreditava na solidariedade dos partidos socialistas e social-democratas europeus, acreditava no “socialismo em liberdade” e acreditava acima de tudo na Europa como palco ideal de concretização das suas ideias políticas. E continuou a acreditar, nos anos imediatamente subsequentes à Queda do Muro e à desagregação da URSS, que estavam, finalmente, reunidas as condições ideais para pôr em prática aquele ambicioso projecto político.»
Aliás, "é bom que se recorde que não foi sob o comando executivo de Soares à frente do PS que a organização económica consagrada na Constituição Portuguesa foi revista e completamente descaracterizada, mesmo tendo em conta a Lei n.º 77/77. Soares patrocinou e promoveu, juntamente com o PSD, a revisão de 1982, que no essencial consagrou aquilo que fora a sua estratégia politica depois do 25 de Abril. Mas foi com a revisão de 1989, promovida pelo cavaquismo com o apoio do PS de Constâncio que se abriu à porta às privatizações e tudo o mais que elas trouxeram. Cumprida a tarefa, Constâncio demitiu-se de secretário-geral do PS por divergências insanáveis com a família Soares, na altura centradas em João Soares."

“Portugal teve a sorte de, a seguir ao 25 de Abril de 1974, ter um homem com a visão política e o conhecimento do mundo de Mário Soares”.
Mas, para o Povo português em geral, em 2023, para que serviu isso?
Somos livres? Vivemos com confiança no futuro? Somos felizes?
Para o bem e para o mal, a carreira política de Mário Soares foi única e incomparável. A tal ponto que, como ele próprio confessou, deu para perder muitas outras coisas.
“Lembro-me que, uma vez, ainda vivia na casa da Rua Gomes Freire, teria, talvez, seis anos, fiquei estranhamente seduzido pelas pernas de uma garota de doze ou treze, filha da nossa mulher-a-dias. Comecei subitamente a acariciar-lhe as pernas e levei logo uma bofetada. Foi, que me recorde, a primeira manifestação de um interesse que, mais tarde, se manifestaria com força. Sempre fui particularmente  sensível aos encantos femininos: as pernas, os cabelos, a voz, os olhos. Às vezes, quando estava já metido na política, num elétrico ou num cinema, via uma mulher que me agradava e perguntava a mim próprio: que ando eu a fazer nesta vida, a tentar salvar o mundo, desperdiçando oportunidades tão mais interessantes? (…)”
Imagem via Diário as Beiras. Para ler melhor, clicar na imagem.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Mário Soares foi um político humano: não teve sempre razão e enganou-se muitas vezes

Hoje, pelas 18h00, no Centro de Artes e Espectáculos, vai decorrer a apresentação pública do programa comemorativo do centenário do nascimento de Mário Soares.
Na oportunidade, decorrerá também a inauguração da exposição de fotografia de Alfredo Cunha «Mário Soares- 100 anos 100 Fotografias- Democracia».
Mário Soares foi uma grande vedeta política. No País e na Figueira.
Encheu a Fonte Luminosa em Lisboa. Mas, mais difícil ainda, também encheu a Fonte Luminosa na Figueira.
Mário Soares, consta,  continua a ser  uma referência. Foi  o homem a quem Portugal deve não ter sido arrastado para o bloco comunista em 1975, tendo como expoente mais visível a manifestação da Fonte Luminosa, em Lisboa, no chamado Verão Quente.
Na altura, Portugal dirimiu. Portugal sentiu. Portugal decidiu.
Entretanto, Portugal deprimiu. Portugal ressacou. Resultado: Portugal recuou.

"O tempo de Mário Soares", um texto Eduardo Lourenço, publicado em 18 de Janeiro de 2006, no Jornal Público, lido nos dias de hoje, "é os olhos da história".
Foi publicado no tempo do fim de mandato do Presidente Jorge Sampaio e da realização das sétimas eleições presidenciais portuguesas, após o 25 de Abril de 1974, que tiveram lugar a 22 de Janeiro de 2006.
Como sabemos os resultados foram estes: Cavaco Silva, com 2.758.737 votos, ganhou com uma percentagem de 50,64%.  Manuel Alegre, com 1.127.472 votos e uma percentagem de 20.70%, ficou em segundo lugar. Mário Soares, com 781.513 votos e uma percentagem de 14.35%, ficou em terceiro lugar. De registar ainda os 467.360 votos e a percentagem de 8,28% alcançada por  Jerónimo de Sousa nesse acto eleitoral. 
Continuemos em 2006. Vamos ao texto de Eduardo Lourenço.
«A campanha eleitoral não tem sido exactamente aquele torneio político exemplar que alguns idealistas impenitentes sonharam. Faltou-lhe paixão e sobraram escusadas flechas em forma de boomerang. [...] Trazer para esta sociedade, mais do que nunca sociedade de espectáculo, o eco da antiga paixão portuguesa, quer a recalcada do antigo regime, quer a exaltada e exaltante das duas décadas após Abril, era uma aposta arriscada, para muitos perdida e, em todo o caso, objectivamente quixotesca. Filho desses dois tempos, de que foi actor político precoce e, depois, personagem histórico, Mário Soares ousou trazer de novo para uma arena pública, já longe desses tempos turbulentos, essa antiga paixão política, sem querer saber se estaria ou não fora de estação. Passada a surpresa, esta audácia quase juvenil do antigo Presidente da República foi recebida com cepticismo por muitos, com sarcasmo por outros e, sobretudo, como uma ocasião inesperada para ajustar contas antigas e menos antigas com o homem que, melhor do que ninguém, de entre os activos, se identificou e é identificado com a Revolução de Abril e, em particular, com o tipo de democracia que ela instaurou em Portugal. [...] O mundo é que não é exactamente o mesmo mundo onde essa aventura pessoal e transpessoal foi possível. E esse mundo tinha de mudar, não o homem Mário Soares, mas a imagem dele no espelho alheio. O mesmo homem que, em tempos, passou entre nós como “o amigo americano” quando isso significava que o destino da nossa frágil democracia implicava alinhamento com a primeira das democracias ocidentais, aparece, hoje, aos olhos dos que têm interesse em cultivar essa vinha, como “antiamericano”, o que é, naturalmente, ainda mais simplista do que a antiga etiqueta. A única verdade desta valsa ideológico-mediática é clara: o antigo mundo que foi, durante décadas, o do horizonte da luta política de Mário Soares, funciona em termos de repoussoir — e Mário Soares, mais fiel aos seus ideais de sempre do que se diz, aparece, em fim de percurso, mais à “esquerda” do que nunca o foi. [...] Este tempo de Mário Soares não é apenas o tempo de Mário Soares. É o de várias gerações que, como ele, num mundo então histórica, ideológica e culturalmente dividido entre “direita” e “esquerda”, não apenas no Ocidente mas à escala planetária, escolheu um campo, numa época em que não escolher era ficar fora, não apenas do combate político, mas do combate da vida. É inócuo e só na aparência, prova de imaginária lucidez, pensar que esse comportamento releva de uma versão simplista e maniqueísta do mundo. Essa era a textura do mundo e da história que nos coube viver e só quem pretende viver fora deles se imagina sobrevoá-los como os anjos. É uma bela aposta a de Mário Soares, perdida ou ganha. Com a sua carga romanesca e a sua trama paradoxal. Mário Soares não é — nem a título histórico, nem ideológico — toda a esquerda portuguesa, mas nunca foi mais representativo dela, da sua utopia e das suas inevitáveis miragens, do que hoje, quando, aos oitenta anos, se apresenta como alguém, dentro dessa escolha, susceptível de incarnar ainda, melhor do que ninguém, essa velha aposta que entre nós nasceu com Antero e teve em António Sérgio, entre outros, as suas referências culturais, infelizmente mais vividas com sugestões poéticas do que propriamente políticas. Dizem-me que os dados há muito estão lançados e mesmo que os jogos estão feitos. Não o duvido. [...] Os seus adversários neste combate inglório e soberbo foram sempre outros. Não só os que se lembram do seu militantismo juvenil, como os que não esquecem a sua conversão definitiva ao socialismo democrático, mas, sobretudo, os que nunca lhe perdoaram o ter lutado pela democracia em Portugal, antes e depois de Abril. É isso que a verdadeira direita não esquece. É muito mais gente do que se supõe. É a mesma que põe na sua conta, como uma mancha indelével, a absurda culpa de ter “perdido” uma África que ninguém “perdeu” senão ela. [...] A esquerda não o traiu, nem ele se traiu nela. O drama é que essa esquerda de que pela última vez se faz paladino é, ao mesmo tempo, uma realidade — embora ideologicamente recente — e uma quimera. O problema da esquerda nunca foi a direita [...] mas a esquerda mesmo como pura transparência da história. A esquerda, sendo em intenção mais virtuosa, não é menos opaca, no seu angelismo imaginário, que a mais obtusa direita. Sobretudo quando não se dá conta disso. Em alegoria caseira, estas nossas eleições tão consensualmente democráticas, ilustraram com suavidade à portuguesa esta fatalidade. O combate no interior da nossa suicidária esquerda foi, à sua maneira incruenta, uma espécie de Alfarrobeira política. Talvez algum cronista, no futuro se inspire nela para nosso ensino inútil. Ou um poeta. Mas não terá Mário Soares.»

Voltando a 2023. Basta ver televisão para perceber que a matriz da democracia, que é a liberdade, é algo sistematicamente "esquecido": no panorama da comunicação social portuguesa e no comentário político não há pluralismo.
Esta constatação simples, facilmente visível por qualquer um de nós, se estiver minimamente atento ao que o rodeia, é um exemplo de como corre perigo a liberdade e a democracia.
Para quem goste ou não do político, foi isto que Mário Soares deixou como legado: a capacidade de saber quando a liberdade corre perigo. Ninguém como ele identificou os responsáveis, denunciando-os na praça pública, alguns até do seu partido. Enquanto a vida lhe deu forças, nunca pactuou com os inimigos da liberdade. 
A democracia portuguesa vive tempos difíceis. Daí, em 2023, a importância de recordar Mário Soares e, sobretudo "a herança que deixou"
Esta "nova" (velha) direita portuguesa, que se auto-considera intelectual e liberal, pratica um  liberalismo, que continua a "não enjeitar a teta do orçamento".
Sempre foi assim: quer antes quer depois do 25 de Abril .
Desta nova direita, composta maioritariamente por políticos nascidos depois do 25 de Abril de 1974, esperava-se mais: que tivesse novas ideias e dispensasse o obscurantismo como arma política. 
Mas, citando Vasco Pulido Valente: "a referência ideológica da direita portuguesa continua a ser Salazar, o que lhe confere um inequívoco certificado de origem."
Nas elites desta "nova" (velha) direita, quase 50 anos depois da censura ter terminado numa manhã de Abril, o obscurantismo continua a fazer o seu caminho. 
Para esta "nova" (velha) direita, "Mário Soares nunca será um homem de coragem e muito menos um grande político."
Para eles o que o moveu "foi a vaidade e a soberba."
Estamos num País livre, onde se pode dizer tudo e mais alguma coisa. Basta passar os olhos pelas redes sociais.
Mas que moral tem esta rapaziada? Sabem o que foi a luta pela Liberdade e pela dignidade que levou muitos a ter passar pela prisão política?
Esta "nova" (velha) direita é perigosa.
Podia não ter respeito por Mário Soares. Mas, há mínimos que os manipuladores da história deveriam respeitar: nomeadamente a verdade histórica.
Tentar utilizar a ignorância arrogante como uma mais-valia eleitoral é insurportável.

Mário Soares não é um político da minha especial simpatia.
Porém, foi um político humano: não teve sempre razão e enganou-se muitas vezes.
Espero que as comemorações que hoje se iniciam na Figueira contribuam para clarificar isso.
Para quem está atento e vive em 2023 num País chamado Portugal, isso é importante: "quem o diz é a História"

Nota de rodapé.
Nos bastidores da política figueirense, elementos ligados ao PS/Figueira, acusam-me de várais coisas. Entre elas, de não gostar do PS. 
E, se calhar, têm razão. 
Previno, desde já, que a explicação é longa. 
Quem tiver curiosidade, continue. Basta clicar aqui.
Para mim será um gosto visitarem esta reflexão que publiquei em 13 de Junho do corrente ano.

domingo, 26 de novembro de 2023

Mário Neto ausentou-se há 6 anos

Amanhã, passam 6 anos sobre a morte de um dos figueirenses mais cultos, inteligentes, interessantes e discretos que conheci: 
Mário António Figueiredo Neto.
Porventura, o seu nome hoje pouco ou nada dirá nesta "Figueira - montra de vaidades" em que vivemos.

Há cinquenta anos, um jovem que pretendesse cultivar-se e não tivesse a possibilidade de tirar uma licenciatura, só tinha uma hipótese: procurar juntar-se aos melhores e  mais cultos da sua cidade.
Foi o que fiz. E foi isso que mudou a minha vida.
Na Figueira da Foz, no dia 10 de Novembro de 1977, viu a luz do dia o primeiro número de um novo projecto jornalístico que, então, gerou enorme expectativa e que ainda hoje é recordado por muita gente do concelho e não só.
Foi o Barca Nova, onde me iniciei nas lides jornalísticas.

Mas, não é de mim que quero falar. 
Entre os seus fundadores e colaboradores estavam nomes de referência da jovem Democracia saída do 25 de Abril de 1974.
Já faleceram alguns. Começou com Ruy Alves. Mas, entretanto a lista foi aumentando: Jorge Rigueira, Gilberto Vasco, Cerqueira da Rocha, Leitão Fernandes, Luís Falcão, Orlando Carvalho, José Penicheiro, Adelino Tavares da Silva, Carlos Alberto Amorim, Waldemar Ramalho, Luís de Melo Biscaia, Vasco Gonçalves, Joaquim Namorado, José Martins e Armando Correia.
No dia 27 de Novembro de 2017 foi mais um: o Mário Neto, de seu nome completo, Mário António Figueiredo Neto.

Conheci o Engenheiro Mário Neto antes do Barca Nova
Foi meu professor na Bernardino Machado, quando andei a estudar à noite. 
Grande Homem, grande professor, estudioso, discreto e culto. 
Foi também professor universitário.  
Depois, fomos companheiros de redacção no Barca Nova
Foi um militante antifascista, antes do 25 de Abril de 1974. Devido a isso foi preso político. 
Nos últimos anos da sua vida, encontrava-o no café onde continuava a passar as tardes como sempre o conheci: a estudar e a recolher dados, sempre acompanhado de livros e jornais. 
Era um fanático das estatísticas e do estudo sério e aprofundado de todas as questões. Aprendi muito com ele no final da década de 70 e princípio da década de 80 do século passado. 
Foi deputado na Assembleia Municipal da Figueira da Foz. 

Mário Neto era dos que acreditava que para defender e lutar pelos nossos interesses, não é necessário sobrepô-los aos legítimos interesses dos outros. 
Nem consentir que os interesses dos outros se sobreponham aos nossos legítimos interesses.
Aprendi com ele, que para defender os interesses locais era preciso sensibilizar a opinião pública para os principais problemas existentes. 
Para isso, é preciso informar. Fazer-se eco das opiniões, porventura, divergentes, que a propósito desses problemas ocorram.
Foi por isso,  que em Novembro de 1977 surgiu o Barca Nova: para contribuir para que a análise dos problemas acontecesse. Para tentar ajudar a distinguir o essencial do acessório, o importante do sensacional. 
Informar e, ao mesmo tempo, tentar formar. Saber ouvir, mas também saber falar.

Com a perda de Mário Neto a Figueira ficou mais pobre: não a parte visível, mas a invisível - a essencial. 
A melhor maneira que encontrei para continuar a honrar a memória de Homens que contribuiram para formar o Homem que sou hoje, foi criar um espaço onde a Figueira possa ter a possibilidade de distinguir o essencial do acessório e o importante do sensacional. 

Obrigado Mário Neto. Obrigado José Martins. Obrigado Joaquim Namorado. Obrigado Leitão Fernandes.
Como diria outro velho e sábio colaborador do Barca Nova, também já desaparecido,  Guije Baltar, "pudesse eu viver uma eternidade e nem assim se apagaria da minha memória a melhor gente que passou pela minha vida: a equipa Barca Nova".
Passe a imodéstia,  vou citar-me a mim mesmo (um texto publicado na edição de 12 de fevereiro de 1982, do jornal Barca Nova, página 4): lá aprendi, "que os democratas têm coisas mais profundas e importantes a uni-los do que a dividi-los. No essencial, têm aquilo que é fundamental a irmaná-los: a defesa da democracia."

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

No PS, os esquerdistas acabam sempre no centro

Via Jornal Público

«Cara leitora, caro leitor:

Não me entusiasma minimamente esta discussão sobre o "centrismo" que anima por estes dias o PS. É o problema de já não ter 40 anos: já vi quase todos os protagonistas em todo o lado.

Quando eu era miúda, Jorge Sampaio era da esquerda do partido contra António Guterres, um espécime mais à direita. Embora, anos antes, os dois representassem – com Vítor Constâncio – uma ala mais à esquerda do que Mário Soares. Tanto foi assim que Luísa Melo, então mulher de António Guterres, apoiou a candidatura presidencial de Salgado Zenha contra Mário Soares, na época da ala direita. Guterres tinha que apoiar Soares por razões políticas, mas era, tal como a mulher, um fidelíssimo de Zenha.

Quando Mário Soares abandonou o partido havia um candidato da ala direita – Jaime Gama – que perdeu para os dois primeiros da "ala esquerda": Vítor Constâncio e Jorge Sampaio.

Quando foi o confronto Sampaio-Guterres, já Guterres era da ala direita, tendo ir buscar ao velho gamismo Armando Vara. Na sua equipa, tinha dois jovens considerados prodígios, António José Seguro e José Sócrates.

Na campanha de Jorge Sampaio ficou um seu delfim, o jovem António Costa – que tinha feito o estágio de advocacia no escritório que Sampaio partilhava com o seu tio. Havia mais "esquerdistas" com Sampaio: Alberto Martins, João Cravinho, Vera Jardim e Ferro Rodrigues.

Costa foi depois ministro de Guterres e, após o PS ganhar as eleições, acabou, nas reuniões do Conselho de Ministros, a fazer uma dupla de ministros azougados com o ainda jovem Sócrates, que vinha da ala direita. Os dois irritavam-se muito, contava-se na época, com a dificuldade de Guterres em decidir.

Quando Guterres se demite é preciso arranjar um candidato muito depressa. A coisa foi decidida em "petit comité". Era para ser o centrista Jaime Gama, a avançar, mas depois recua, e acaba a candidatar-se o esquerdista Ferro Rodrigues, que junta na sua direcção a esquerdista Ana Gomes, o esquerdista Paulo Pedroso, o jovem esquerdista (hoje eventualmente centrista) Pedro Adão e Silva.

Ferro Rodrigues viria a ser em 2015 o primeiro símbolo da geringonça – a maioria de esquerda do Parlamento elegeu-o seu presidente. Sem tomar posição nesta disputa interna, Ferro hoje está cheio de dúvidas sobre a solução da geringonça. "Quando hoje se põe dentro do PS como bandeira o ressuscitar dessa experiência, é conveniente que quem a queira ressuscitar faça um balanço da parte positiva e da parte negativa", disse esta semana ao Observador.

Voltando ao passado: quando Sócrates decide avançar em 2005, Costa apoia-o. É célebre o encontro em que Costa combinou com Sócrates que a sua geração não haveria de repetir a guerra fratricida entre Sampaio e Guterres em 1992. Manuel Alegre avançou contra Sócrates, representando a ala esquerda – um dos apoiantes de Alegre chamava-se Augusto Santos Silva, hoje um "centrista" que apoia José Luís Carneiro.

Quando o reinado de Sócrates chega ao fim, confrontam-se Francisco Assis e António José Seguro. Assis era um centrista que foi apoiado por quase todos os notáveis que tinham estado com Sócrates, incluindo o outrora esquerdista António Costa.

António José Seguro, que era da ala direita no tempo Guterres/Sampaio, passaria em 2011 para a ala esquerda contra o centrista Assis. Seguro tinha o apoio das federações exaustas com o socratismo e do dirigente federativo Pedro Nuno Santos (na época não tão notável assim), do notável esquerdista de sempre Alberto Martins e de um dirigente, então presidente da Câmara de Baião, chamado José Luís Carneiro. Em 2011, Pedro Nuno e Carneiro estavam os dois juntos na ala segurista.

Só que então aparece um esquerdista, António Costa, que já o tinha sido (com Sampaio), deixado de ser (apoiando Sócrates e Assis) e voltado a assumir o "esquerdismo" quando decidiu candidatar-se contra António José Seguro, transformado subitamente no "direitista" do PS – por ter aprovado o Tratado Orçamental, por exemplo.

Na entrevista que deu ao PÚBLICO, José Luís Carneiro diz que "a marca" de Pedro Nuno Santos "é o enclausuramento à esquerda". Enquanto isto, Pedro Nuno Santos – o negociador da geringonça – anda a esforçar por ser o mais branco possível sobre as suas relações com os partidos à esquerda. E se, enquanto comentador, defendia que o excedente orçamental servisse para pagar a médicos e professores, mal apresentou a candidatura deixou de explorar o assunto.

Pedro Nuno entrou no Largo do Rato para anunciar a candidatura de mão dada com Francisco Assis – que esteve contra a geringonça – e fez ontem um "número de campanha" a almoçar no Hospital de Santa Maria, alegadamente para debater propostas para a saúde com o presidente da SEDES, Álvaro Beleza, que esteve na direcção de António José Seguro. A SEDES é um think tank que defende propostas essencialmente de direita.

O problema é que tudo isto é fado. E o fado chama-se pertença à União Europeia, onde, como dizia há pouco tempo a constitucionalista Teresa Violante ao PÚBLICO, o eleitorado está condenado a escolher entre "um programa coca-cola e um programa pepsi-cola".

Alguém está a ver o PS, seja dirigido por Pedro Nuno Santos ou por José Luís Carneiro, a não cumprir qualquer compromisso europeu? A Europa só aceita políticas centristas (viu-se com o Syriza no poder na Grécia). Achar que vem aí a revolução com Pedro Nuno Santos é um argumento para "épater les bourgeois". Simplesmente, a revolução é impossível e o "esquerdista" acabará centrista como todos os membros da ala esquerda que o precederam.»

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Um militar na Presidência?

Gouveia e Melo em primeiro na sondagem SIC/Expresso

«Nomes fora do pódio

Catarina Martins, Mário Centeno, Ana Gomes, Pedro Passos Coelho e Durão Barroso fecham a lista dos eventuais candidatos com mais de 3 pontos. Para encontrarmos o Presidente da Assembleia da República temos que descer à 11ª posição: Augusto Santos Silva tem 2.8 pontos, o que o coloca uma décima abaixo de Rui Rio. Francisco Louçã, André Ventura, Santana Lopes, Paulo Portas, João Cotrim de Figueiredo e João Ferreira são os que parecem ter menos hipóteses de ganhar as eleições presidenciais, que devem ser marcadas para o início de 2026.»

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Foi encontrado “um acordo justo”.

Em Setembro de 2019, os presidentes das câmara da Figueira da Foz e Soure decidiram recorrer ao tribunal para resolver a dívida de 260 mil euros reclamada pelos figueirenses, relativa à construção da ponte sobre o Rio Pranto, que liga os dois concelhos através da Borda do Campo e Vinha da Rainha. 
Recorde-se: a decisão de recorrer à justiça foi tomada de comum acordo. Na altura, os presidentes da Figueira da Foz, Carlos Monteiro, e Soure, Mário Jorge Nunes, justificaram-se como o facto da autarquia sourense não ter documentos que sustentem o pagamento do montante reclamado. 
A ponte tinha sido inaugurada, em 2003, pelos antecessores Duarte Silva (a empreitada fora lançada por Pedro Santana Lopes) e João Gouveia. 
Carlos Monteiro e Mário Jorge Nunes necessitaram, portanto, da ajuda arbitrária judicial para resolverem o assunto. Soure nunca se recusou a pagar, mas não podia fazê-lo enquanto não tiver suporte legal, uma vez que a Figueira da Foz não lhe enviou a documentação que possa justificar o pagamento. 
Segundo a edição de hoje do Diário as Beiras, "os municípios da Figueira da Foz e de Soure chegaram a acordo extrajudicial sobre o pagamento da ponte sobre o Rio Pranto que liga os dois concelhos través das freguesias do Paião (na antiga freguesia de Borda do Campo, Figueira da Foz) e Vinha da Rainha (Soure)."
Mário Jorge Nunes, disse ao Diário as Beiras: “É do senso comum que vale mais um mau acordo do que uma boa demanda. Esta é uma sabedoria popular que se aplica aqui. Um acordo é sempre bom”.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Ao contrário de Cavaco, "muitas vezes me engano e cada vez tenho mais dúvidas"...

Nunca tive qualquer espécie de simpatia pelo político Cavaco SilvaPor muitas razões, em geral. E, também, por muitas razões, em particular, que só a mim me dizem respeito.
Cavaco em 1987. Foto sacada daqui

Em 15 de Fevereiro do corrente ano de 2023,  o “mito Cavaco” esteve na nossa cidade  a convite da Misericórdia - Obra da Figueira. Na ocasião, «o ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva questionou o gasto de “milhares de milhões” de euros em Portugal em projetos de rentabilidade social “muito discutível”, quando são necessários noutros domínios “para minorar o sofrimento” da população mais carenciada. Questionado, na altura, pela agência Lusa sobre os projetos referidos, Cavaco Silva escusou-se a enumerá-los e prestar mais declarações, justificando a sua posição com a “muito perigosa” situação política do país.
“Eu tenho sido muito solicitado para falar sobre a situação política do nosso país. Mas considero que, da minha parte, não é tempo de falar, porque considero que a nossa situação política é, neste momento, muito perigosa e eu não quero atirar achas para a fogueira”, frisou Cavaco Silva.
“Por isso, peço-lhe desculpa em não acrescentar mais nada do que aquilo que há pouco disse naquele microfone”, sublinhou na altura.»

Este, é o Cavaco Silva de sempre. Recuando no tempo, verificamos que "muitas das ideias feitas em torno de Cavaco Silva são falsas e o seu prestígio frequentemente fundado na falta de memória."
Refresquemos um pouco a memória.
"Aníbal Cavaco Silva conquistou duas maiorias absolutas consecutivas em eleições legislativas e exerceu funções como Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995." Antes,  "exerceu funções como ministro das Finanças e do Plano (1980–1981) do VI Governo Constitucional, chefiado por Francisco Sá Carneiro. Entre 2006 e 2016 foi Presidente da República.
Em 1983, PS e PSD coligaram-se para levar a cabo políticas necessárias para cumprir os requisitos para a adesão à então CEE e, ao mesmo tempo, sanear as contas públicas. A coligação improvável serviu para tornar possível medidas de austeridade, garantindo, simultaneamente, que a sua impopularidade não encontraria eco na disputa político-partidária. E o que fez então Cavaco Silva?"
Em 1985, veio fazer a rodagem do seu carro à Figueira da Foz, tendo sido eleito líder do PSD, baseado numa plataforma que fazia do combate demagógico ao Bloco Central a principal bandeira. 
Sublinhe-se: "o Cavaco Silva que sempre se  apresentou  como o maior defensor do rigor e da austeridade, ascendeu ao poder surfando a onda da impopularidade do Bloco Central.
O Governo tomava medidas difíceis, mas que hoje ninguém hesita em classificar de absolutamente necessárias. Cavaco Silva aproveitou a impopularidade do Governo para trepar os primeiros degraus do poder."

Ganhas as eleições de 1985, ficaram patentes algumas das características que já eram visíveis, para os mais atentos, na sua acção política. 
Em primeiro lugar, "a ideia de que não era um político e que se encontrava fora do sistema. Algo de espantoso para alguém que ao longo da sua vida o que fez foi essencialmente política."
A saber: quando Pinto Balsemão era primeiro-ministro, foi um dos principais instigadores da oposição interna no PSD; antes já tinha sido Ministro das Finanças e viria a ser Primeiro-Ministro por uma década e candidato derrotado à Presidência da República. Depois foi Presidente da República durante 10 anos.
Contudo, continua a querer passar  ser essencialmente um Professor, alguém que está acima da disputa partidária. "Insiste em ser o político anti-classe política."
Lembram-se do célebre  artigo sobre a boa e a má moeda, publicado nas vésperas da queda do Governo Santana Lopes?
Na altura, "toda a gente se apressou a dar cobertura à tese da suposta degradação da classe política, por contraponto a um momento anterior (terá sido o dos memoráveis elencos governativos de Cavaco Silva?)."
Porventura, porém, "o aspecto mais característico da sua acção como primeiro-ministro foi a aplicação, em Portugal, do que é chamado de “efeito Bismarck”. O princípio é simples. Otto von Bismarck, enquanto primeiro-ministro da Prússia, na segunda metade do século XIX, tinha dois grandes objectivos: o primeiro era a unificação de uma nação, no caso a Alemanha, e o segundo era contrariar o poder crescente do movimento social-democrata. O que o chanceler Bismarck fez para responder a este duplo problema foi aplicar o que se tornaria uma solução politicamente popular entre os líderes de perfil autocrático.
O “efeito Bismarck” consiste, no essencial, na conjugação de dois tipos de medidas políticas. Um primeiro que visa a fidelização dos agentes da administração pública ao poder político e que assenta na criação de situações de privilégio relativo dos funcionários públicos em termos de vínculo laboral e de protecção na reforma; e um segundo que passa por generalizar a protecção social, com um perfil conservador e fora de uma lógica emancipatória, como forma de esvaziar, ainda que com propósitos diferentes, o caderno reivindicativo do movimento social-democrata. O resultado destas medidas é historicamente a criação de um modelo de Estado Providência de perfil corporativo e conservador.
O que Cavaco Silva fez enquanto primeiro-ministro foi precisamente isto. Vivia-se um contexto de algum desafogo financeiro, o país beneficiava da alavanca de desenvolvimento do primeiro Pacote Delors e o Governo optou por apostar no desenvolvimento do “monstro voraz”. Fê-lo através da criação de um conjunto de regalias para a administração pública que, a prazo, se têm tornado financeiramente insustentáveis e socialmente iníquas (à cabeça a promoção automática das carreiras, que por si só representa uma parcela muito importante do aumento da despesa com remunerações). Ao mesmo tempo que se aumentou a dimensão social do Estado, sem cuidar da sua modernização – por exemplo, aumentaram-se as pensões sem que houvesse uma preocupação de aumentar a justiça interna ao sistema de pensões."
Afinal quem é o "Pai" do "Monstro"?
Com a recuperação subliminar da ideia autoritária de que não era um político, herdando algum desafogo financeiro consequência das medidas difíceis tomadas durante o Bloco Central e dos fundos comunitários, Cavaco Silva, para ganhar eleições, limitou-se a aplicar uma fórmula conhecida: aumentou, de modo perverso, as regalias dos funcionários públicos e a dimensão social do Estado. No fundo, utilizou a táctica já experimentada cem anos antes por Bismarck, na Alemanha. O resultado só poderia ser a criação de um Estado que é um “monstro”, não tanto pelo que gasta, mas pelos obstáculos corporativos que cria e que dificultam a sua reforma e adequação a novos contextos. Que, mesmo assim, Cavaco Silva tenha construído a imagem de alguém que tomou medidas difíceis não deixa de ser espantoso. Afinal, o que fez foi governar do modo mais fácil, mas que é também aquele que deixa herança mais pesada no médio-prazo."
Foto: Nuno Fiox

Passaram 7 meses sobre a mais recente viagem da Cavaco à Figueira.
Um dia destes lançou um livro. Mais um. 
Como a vida é feita de opções e o tempo e o dinheiro, para mim, são bens escassos, qualquer livro de Cavaco entra no rol dos que nunca lerei.
Por isso, comento apenas uma afirmação que terá proferido na apresentação do livro: Cavaco terá dito que uma remodelação do governo é a «tarefa mais difícil» de um primeiro-ministro.
Confesso, mais uma vez, a minha ignorância e a minha incapacidade política.
Talvez por continuar a ser ingénuo, penso que ser primeiro-ministro é uma tarefa complicada, difícil, desgastante, aborrecida e trabalhosa, por requerer várias capacidades e atributos: planeamento, negociação, bom senso, gestão financeira, capacidade oratória, entre muitas tarefas e competências. A acrescer as dificuldades, ser primeir-ministro exige disponiblidade pessoal e familiar, portanto, pensava eu, só ao alcance de seres politicamente superiores como Mário Soares, Cavaco Silva, Durão Barroso, Guterres, Sócrates, Passos Coelho, António Costa, entre outros.
Tendo em conta o que Cavaco terá dito - que uma remodelação do governo é a «tarefa mais difícil» de um primeiro-ministro - e tendo em conta que o Professor tem muito mais autoridade do que eu para opinar sobre o assunto, começo a acreditar que ser primeiro-ministro, em Portugal, está ao alcance de qualquer um de nós.
Sei lá eu. Por ventura, até ao alcance de Montenegro...