De forma fria, todos os governos têm apetência para privilegiar os pensionistas como estratégia política. Isso nunca vai mudar. Pelo que será sempre preferível um qualquer complemento extraordinário para tentar minorar o facto de existirem pensões de miséria do que aumentos absurdos de pensões. Os bónus acontecem quando as contas públicas os permitem, os aumentos são para sempre. Mas quando já nem os bónus estão no horizonte, algo terá de estar muito mal...
"Sem poder e sem
querer abrir mão
dos bons resultados
na frente orçamental,
o Governo pode estar
sem qualquer margem
para repetir
o bónus extraordinário
nas pensões".
«É verão, estamos em Agosto, mas este não costuma ser um mês completamente descansado no Ministério das Finanças. Os trabalhos preparatórios do próximo Orçamento do Estado já terão arrancado. Por esta altura, reúnem-se dados macroeconómicos e tendências que tentam antecipar para que lado as coisas estão a ir e saber o que se consegue fazer ainda até ao final do ano.
«É verão, estamos em Agosto, mas este não costuma ser um mês completamente descansado no Ministério das Finanças. Os trabalhos preparatórios do próximo Orçamento do Estado já terão arrancado. Por esta altura, reúnem-se dados macroeconómicos e tendências que tentam antecipar para que lado as coisas estão a ir e saber o que se consegue fazer ainda até ao final do ano.
O aumento extraordinário das
pensões é um desses casos. Ainda
não foi oficialmente afastada essa
possibilidade - ainda ninguém
disse "este ano não será possível" -,
mas os sinais que se acumulam até
agora indicam que este ano não vai
acontecer.
O primeiro sinal é uma questão de
calendário. No ano passado, Luís
Montenegro levou o anúncio para о
debate do estado da nação. Foi a 15
de Julho. As certezas chegaram cedo.
Em 2026, a ideia ainda paira no ar - ao contrário do alívio no IRS, que já foi afastado -, mas faltarão certezas sobre a margem orçamental para um aumento extra nas pensões. Um dos sinais mais reveladores dessa falta de certeza é a ausência de comentário a alguns indicadores mais positivos que têm sido conhecidos.
Em 2026, a ideia ainda paira no ar - ao contrário do alívio no IRS, que já foi afastado -, mas faltarão certezas sobre a margem orçamental para um aumento extra nas pensões. Um dos sinais mais reveladores dessa falta de certeza é a ausência de comentário a alguns indicadores mais positivos que têm sido conhecidos.
Os resultados favoráveis para o
Governo sobre a evolução da
economia e do mercado de trabalho
no segundo trimestre, o primeiro
conhecido na semana passada e o
segundo nesta semana, não foram
capitalizados pelo Governo.
Capitalizar essas boas notícias
poderia contribuir para criar uma
narrativa de que as contas públicas
estão com uma folga. É que mais
crescimento significa mais receitas
fiscais, e mais emprego (e menos
desemprego) significa mais receitas
de contribuições para a Segurança
Social e menos despesa pública.
Sabia-se desde o início do ano que o quadro orçamental de 2026 era mais
exigente. Foi assumido um saldo nulo
pelo Governo, sabendo que se for a
défice terá de ser um défice pequeno
- sob pena de Bruxelas ver
problemas nas contas públicas
nacionais - e a dívida pública terá de
continuar a desenhar uma trajectória
de descida.
Esta semana, os números da dívida
pública revelados pelo Banco de
Portugal apontaram para uma
deterioração. Luís Montenegro
apressou-se a descansar os
portugueses, garantindo que está
tudo bem e que ainda haverá uma
surpresa no final do ano. Sem poder
e sem querer abrir mão dos bons
resultados na frente orçamental, o
Governo pode estar sem qualquer
margem para repetir o bónus
extraordinário nas pensões. Ou, pelo
menos, não ver sinais para o garantir
agora, preferindo esperar por mais
informação.»

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