"Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha." - Confúcio

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Cabedelo piroso e soturno: "que fizemos para merecer isto?".

Imagem via Diário as Beiras

Muitas vezes ouvimos desabafar: "que fiz eu para merecer isto?"
Mais do que uma queixa, um lamento, uma surpresa, é um protesto.
Quando algo desagradável nos toca a nós, todos achamos que não merecemos. 
Estamos formatados e vivemos para as coisas boas - numa palavra para a felicidade. 
Achamos que Deus  nos deve uma vida feliz, onde só têm de acontecer coisas positivas. Contudo, algum de nós se lhe tocasse o euromilhões (é para isso que jogamos...) se questionaria de onde tinha vindo tanta sorte?
Na prática, uma queixa, um lamento serve para nos consolarmos e para salvar, no meio da desgraça, a nossa imagem. 
O corpo já teve melhores dias, rebentou um cano em casa, avariou o motor do portão electrico da garagem, a arca frigorífica deu o berro, tivemos furos seguidos na bicicleta, demos um toque na parede ao estacionar o carro, apanhámos uma diarreia (não a mental, que essa é crónica...), temos um novo Cabedelo piroso e soturno: "que fizemos para merecer isto?".
Logo nós, que não merecíamos. Logo nós, sempre tão bons rapazes e raparigas...

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