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domingo, 6 de junho de 2021

A política de ordenamento da orla costeira: da Fonte da Telha ao Cabedelo

"Ambientalistas contra asfalto em estrada de duna primária na Fonte da Telha.
A associação ambientalista Zero está contra a asfaltagem de uma estrada em duna primária na Fonte da Telha, em Almada, obra que o Governo, através da Agência Portuguesa do Ambiente, aprovou e que terá feito avançar na semana passada. O projeto, que visa tornar mais fácil o acesso à praia, inclui o alcatroamento de um acesso em terra batida, localizado em duna primária, na envolvente da Área de Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica."

“Atropelo do ordenamento do território”
Recorde-se: «o geógrafo e especialista em ordenamento do território Sérgio Barroso foi o coordenador da elaboração do Plano de Ordenamento Costeiro Alcobaça - Cabo Espichel, onde se insere a Fonte da Telha, e decidiu enviar, em meados de Junhor de 2020, um parecer à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e uma carta ao ministro do Ambiente, perante “tamanha aberração e atropelo do ordenamento do território”. Segundo o Expresso, o perito considera a obra da Câmara de Almada um “crime ambiental”, alerta que o executivo municipal, presidido por Inês Medeiros, pretende prosseguir o asfaltamento na estrada de acesso às praias da Caparica e salienta o risco de se “acelerar a erosão costeira e a vulnerabilidade às alterações climáticas”
A Câmara de Almada pavimentou os acessos, criou rotundas na Fonte da Telha e quer fazer o mesmo no conjunto de praias da Caparica, entre a Praia do Rei e a da Bela Vista. “A intervenção realizada na Fonte da Telha constitui um retrocesso inequívoco face à política de ordenamento da orla costeira seguida em Portugal nos últimos 30 anos”, afirma Sérgio Barroso. O geógrafo denuncia que a obra não teve parecer da APA, nem da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT), lembra que a área é contígua à Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica e está classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN), pelo que o asfaltamento com material betuminoso viola o POC e o Plano Diretor Municipal (PDM). Inês de Medeiros diz que “não há violação da lei, nem do PDM” e defende o asfaltamento para “ordenar os acessos e o estacionamento na praia da Fonte da Telha e acabar com o estacionamento desordenado em cima das dunas”

"Ambiente chumba obra de pavimentação com betume da estrada na duna da Fonte da Telha".

Betonar a praia
No passado dia 1 de Junho de 2021, a propósito do que se está a passar a sul do Mondego o SOS Cabedelo postou o seguinte:
"Oportunamente denunciámos a legalização, por via da alteração ao Plano de Praia do Cabedelo, de mais edificação na frente sobre o mar. Pareceu-nos na altura, e continua a parecer agora, que não faz sentido a substituição de edificações existentes localizadas em espaço urbano, por novas em espaço natural, onde a capacidade resiliente deveria ser salvaguardada.
Na "Praça do Cabedelo" o que está em causa não é se o lugar deve ou não ser requalificado, mas como deve ser requalificado - designadamente com que materiais. Neste lugar, junto ao mar, o betão que estão a usar no piso da praça e o betuminoso no estacionamento contíguo, não são compatíveis com a natureza do lugar. A impermeabilização que está a ser feita atenta de forma grave, contra os mais básicos princípios de intervenção naquela zona terrestre de proteção costeira. Quando o mar voltar a galgar o molhe, de pouco servirão os milhares de euros gastos nas caleiras que não o vão conseguir escoar. Quando a força das águas atravessar a praça levando tudo à sua frente, não culpem o mar."
 Foto António Agostinho. Simplesmente aberrante: na chamada "Praça do Cabedelo", as pessoas levam com o reflexo do solo impermeabilizado directamente nos olhos...

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