Ernest Hemingway: «Um homem pode ser destruído mas não vencido.»

domingo, 27 de janeiro de 2013

Chover no molhado


Isto não é ficção.
Por exemplo, aconteceu em 2004.
“Na Figueira da Foz, a chuva condicionou o desfile do Carnaval de Buarcos que acabou por se realizar com entrada livre, resultando numa perda de receitas. A organização do evento chegou a equacionar o cancelamento do desfile cerca das 13h00, mas, com a paragem da chuva minutos depois, decidiu-se pela sua realização, embora sem cobrar o bilhete (3,5 euros) de acesso ao recinto.”

A água molha.
foto sacada daqui
Por isso, quem anda à chuva molha-se.
Naturalmente.
Numa altura em que na Figueira  o assunto do momento é  o carnaval,  o mínimo que se devia exigir era que a natureza aquosa da água fosse uma unanimidade.
No entanto, sempre que São Pedro decide ligar a torneira celestial, a reacção que se observa nas pessoas  é a de uma surpresa desconcertante!
Os seres humanos, como os animais terrestres que são, consideram que o contacto involuntário com a água é desagradável. 
Logo é natural que fiquem surpresos.
O que estranho,  é que aqueles que se encontram dentro de edifícios, debaixo da protecção concreta de tectos e paredes, apresentem surpresa e incredulidade pelo facto de, no meio do segundo mês mais chuvoso do ano,  chover.

O frio esfria.
O facto de temperaturas baixas incomodarem os seres humanos, nesta altura do ano,  também faz todo o sentido.
Como a nossa temperatura corporal é cerca de 37 graus, sentimo-nos mais confortáveis em temperaturas amenas.
No entanto, sempre que os termómetros registam temperaturas ligeiramente abaixo dos 10 graus, o espanto e o choque surgem como se tivéssemos sido transportados, numa questão de segundos, do calor do deserto do Saara para o frio das tundras da Sibéria.

Estamos em plena época da demoníaca trindade de chuva, vento e frio.
Os portugueses transformam-se em criaturas ainda mais soturnas e traumatizadas.
Sempre que podem, aproximam-se das  lareiras e aquecedores com a paranóia de gazelas perseguidas. Cobrem-se de mantas e cobertores.
Ficam carentes, irritadiços, frágeis e sonolentos.
                                                                                   
Podemos discordar sobre quase tudo.
Mas, por estes lados, está mais do que na altura de chegar a um consenso sobre os fenómenos meteorológicos.
Todos sabemos o essencial sobre a matéria.
No Verão está calor e não chove; na Primavera está ameno e, às vezes, chove; no Outono está ameno e, frequentemente, chove; e no Inverno está frio e chove – muitas e muitas vezes.
Eu sei que existe muita incerteza na previsão do estado do tempo.
A meteorologia é uma ciência traiçoeira.
Ela partilha isso com os piratas, os políticos e as ciências económicas.
Mas,  no Inverno, o natural  é estar  frio e chover – muitas e muitas vezes…
Será que também vai ser necessária  a força da "troika" para percebermos isso de uma vez por todas?..

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