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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

sábado, 24 de março de 2012

A polícia só atrapalha?..

O fotojornalista José Goulão da LUSA  ferido pelas bastonadas do piegas Passos Coelho.
FOTO DE ISABEL SANTIAGO HENRIQUES/LIGHTSHOT.
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Num país em que 80 por cento dos votantes apoiam os partidos da troika (dizem as sondagens) a escandalosa actuação da polícia ontem numa manifestação no centro de Lisboa deitou por terra horas de trabalho e sono de Vítor Gaspar e Passos Coelho. As imagens difundidas pelo mundo inteiro da ignominiosa actuação da polícia contra cidadãos – por acaso, jornalistas que se encontravam em trabalho no local – deitou por terra qualquer noção relativamente à suposta tranquilidade nacional face às medidas de austeridade. Sim, reconheça-se que os cidadãos não reagem violentamente à pressão a que estão sujeitos na sequência das medidas do governo. 

Fazem greves, protestam pacificamente, manifestam-se. A carga policial de ontem demonstrou uma só violência: a de uma polícia excitada com a possibilidade de confrontos à grega, uma polícia que usa a violência desproporcional ao risco, um braço do Estado ao ataque físico aos cidadãos. 

Estas imagens correram o mundo inteiro e para o telespectador comum, em Berlim ou em Paris, Portugal passou a ser a Grécia, que tem a saída do euro como destino. Além de ter agredido fisicamente cidadãos pacíficos, a polícia agrediu politicamente o governo legítimo do país, transformando Lisboa em palco de confrontos populares. Os tumultos que Passos Coelho tanto temia chegaram: por obra e graça da polícia, também prejudicada, de resto, pelo memorando da troika.


Ana Sá Lopes

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