domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Mas que vergonha me dá o meu Governo"

«É isto que queremos da nossa diplomacia? Dar caução às “Nações Unidas de Trump”

"Portugal vai fazer parte "como observador" do Conselho da Paz de Trump? Que vergonha! E vai ao beija-mão de Trump em Washington? Parece que não vai ao primeiro, mas vai aos outros. Será que Portugal vai pagar a senha de entrada que Trump exigiu de 800 milhões de euros? Já nada me admira. 
O nosso “observador" não viu anteontem Trump adormecer, trocar os nomes todos, е fazer vários comentários sobre o aspecto do Presidente do Paraguai, que considerou "bonito"? Depois especificou que não gosta de homens mas de mulheres, para não ser mal interpretado... E foi assim.
Na Europa, os países que ainda tem uma réstia de dignidade como a Espanha, a França e a Suécia, pelo menos, disseram que não, a Hungria disse obviamente que sim, e Itália, Roménia, Bulgária, Grécia, Eslováquia e Chipre aceitaram estar como observadores. Olhem para os países que são membros-fundadores e percebe-se logo de que lado Portugal está: Albânia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Camboja, Egipto, El Salvador, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Vietname...
Ou seja, quem é que Portugal vai "observar" na sala onde vai estar? Milei, de motosserra; Lukashenko, o peão de Putin (Putin foi convidado e está a pensar...); Bukele, o ditador das prisões de El Salvador; M.B.S., o príncipe assassino da Arábia Saudita; o criminoso de guerra Netanyahu e uma plêiade de interessantes e "democráticos" dirigentes ditadores dos ex-países da URSS e os príncipes do Golfo, tudo gente sem sangue nas mãos e paladinos da liberdade. O que os une? Serem amigos de Trump, muitos deles para sobreviverem, e serem de países com uma boa dose, per capita, de corruptos.
O Conselho da Paz constituído por Trump com estes ditadores tem um único motivo: combater as Nações Unidas e favorecer o absurdo e demente narcisismo patológico de Trump, o tal que acabou com a "guerra entre o Azerbaijão e o Camboja", ou similar. Não me dou sequer ao trabalho de verificar a lista de guerras com que ele diz ter acabado, com guerras que já tinham acabado, com guerras que não acabaram e com guerras que nunca existiram.
É isto que queremos da nossa diplomacia? Dar caução às "Nações Unidas de Trump", o homem que disse que, depois de não ter recebido o prémio Nobel da Paz, se "desinteressou" pela paz? O homem que cauciona a ditadura de Putin na sua invasão da Ucrânia, que quer que este país se renda para acrescentar outra "paz" ao seu palmarés? O homem que publica imagens com o mapa da Grande América por trás, com a Gronelândia e o Canadá pintados com as cores da bandeira americana? O homem que está a trair, é a palavra certa, as democracias ocidentais da Europa e os seus interesses de segurança? O homem que começa todas as guerras necessárias para ir buscar petróleo, terras raras, atacar alguns maus para agradar a outros maus da sua corte, em nome de grandes princípios que ele abastarda todos os dias, como defender os cristãos na Nigéria, ou os manifestantes contra a teocracia iraniana, ou colocar Rubio como Presidente de Cuba?
Este homem, perigoso e demente, devia ser posto a milhas por qualquer pessoa normal, quanto mais pela diplomacia de um país democrático europeu. O pretexto de Gaza não colhe de todo: o chefe da "diplomacia portuguesa admite que o organismo é 'perfeitamente enquadrável' desde que se cinja ao conflito israelo-palestiniano"
Tretas! Isto é querer enganar-nos, o Conselho da Paz de Trump vai muito mais longe do que Gaza, onde aliás continuam ataques israelitas, matando palestinianos sem que o dito conselho mexa uma palha, nem se preocupe como o "cessar-fogo". Se há alguma preocupação é pela Riviera de Gaza com o prédio do meio com uma torre Trump, e israelitas (não palestinianos) a comer sorvete pelas ruas. 
Será que Portugal, um país com uma democracia que nasceu de uma revolução libertadora, aceita estar subjugado a Trump "Presidente vitalício"? Aceita. Ninguém elegeu Trump e, até morrer, mesmo depois de ser Presidente, vai mandar no Conselho da Paz? Vai, em teoria.
A Europa que Trump insulta, trata como uma nulidade, resolve dar-lhe razão, sendo mesmo uma nulidade, e Portugal vai pelo mesmo caminho. E se nós pararmos, respirarmos fundo e usarmos a cabeça, pensamos como é que está o mundo que aceita este ditador de maus costumes. Ao menos um país decente resolveu prender um homem indecente, irmão nos costumes de Trump. A este nada acontece até um dia. Nesse dia, ele cai de alto e a vergonha cairá sobre os seus serventuários americanos, europeus e portugueses. 
Se o Governo quer agradar a Trump, pode fazê-lo de muitas maneiras. Por exemplo, cria um Prémio Nobel da Paz das capoeiras, com um galo de Barcelos de ouro, cheio de coraçõezinhos, e vai lá entregá-lo, com pompa e circunstância, ao imperador do mundo, dizendo-lhe que ele é "rei" das capoeiras. Ele ficará excitado como tratamento de "rei" e... agradecerá a Espanha."

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