domingo, 16 de outubro de 2016

Alguns constrangimentos da democracia portuguesa...

Em 2010, no dia 10 de fevereiro, publiquei uma postagem citando Agostinho da Silva.
Uma tarde destas, com o mar em fundo, mantive uma interessante conversa, talvez de horas, com um Amigo, ainda jovem, culto e interessado pela política, sobre Liberdade.

Discutimos abertamente, mas não chegámos totalmente a acordo sobre o que é a Liberdade.
A discordância, no essencial, a meu ver, passou pelo seguinte:  que Liberdade? 

Em Portugal, em teoria, temos a liberdade de opinião... 
(Que não está totalmente garantida, pois as pessoas têm medo de se manifestar publicamente, pelas mais variadas razões, nomeadamente pelos constrangimentos pessoais e profissionais de que podem vir a ser vítimas.)
Em teoria, temos a liberdade política...
(Com imperfeições está mais ou menos acessível a todos, embora saibamos dos constrangimentos que existem para quem se candidata ou é apoiante de determinados partidos...)
Temos a liberdade de circulação...
E a liberdade económica?..
Essa, a meu ver, cada vez está com mais constrangimentos. 
Essa, quanto a mim, é a grande lacuna da democracia portuguesa.

A diferença de opinião entre pessoas nunca deveria ser motivo de crispação. 
A diversidade, a meu ver, é que é fecunda. 
Preocupante, é o que se verifica na Aldeia e na Figueira, que é, simplesmente, o menor respeito pela opinião discordante.
Vivemos novo tempo. Até na Aldeia e na Figueira, estamos no tempo da globalização do pensamento, o que, salvo melhor opinião, é negativo, já que ao conduzir ao pensamento único, estreita, diminui e empobrece as soluções possíveis para os problemas agudos que vivemos...
Diga-se, porém, de passagem: o que não deixa de interessar a alguns...
Preocupa-me a falta de opinião informada... 
Mas, também, me preocupa o facto de as pessoas desconhecerem e, mais que isso, não quererem saber de factos fundamentais para a sua vida. 

Este alheamento, penso eu, é preocupante...

sábado, 15 de outubro de 2016

A entrevista do Dr. Jorge Mendes...

A entrevista, que aconselho a ver e a ouvir na íntegra, está aqui.
Quem não tiver interesse ou paciência para visionar tudo, cito o que pode ser visto por volta do minuto 29.
A pergunta, digamos assim, manhosa:
- "em 2009, esta terra foi elevada a vila de S. Pedro. Não há nada a fazer..."
A resposta clara do Dr. Jorge Mendes:  
"a minha resposta está no livro. O livro é A Cova Gala como notável exemplo de Solidariedade. Não é a vila de S. Pedro, não é S. Pedro, é a Cova Gala. A Cova Gala é que tem história. Não é preciso mudar os nomes que estão certos. A Cova nós sabemos, o que é.... A Gala, nós sabemos o que é... Não há qualquer justificação para que isso tivesse sido alterado. A política tem destas coisas. Se eu fosse decisor nessa altura, seria vila ou freguesia da Cova Gala."

Nota de rodapé.
Recordo o que foi escrito aqui, aqui, aqui, aqui... 
Sobre este tema, muito mais poderia ser citado...
Porém...
Resumindo: a incultura, sempre que potenciada pela arrogância, leva a resultados desastrosos. Os danos já estão à vista.
A história mostra que políticos sem ideias constituem um verdadeiro perigo...

Quem não gostaria de ser ávore?..

A árvore acumula
Tempo
Mas sem nostalgia

Forte de Santa Catarina vai estar aberto aos fins-de-semana

O Forte de Santa Catarina vai passar a abrir portas para visitas, aos fins-de-semana e feriados, das 14H00 às 17H30, a partir de 15 de outubro, com entrada gratuita.
Hoje, pelas 15H15, será representada a “Comédia da Marmita”, pelo Grupo Fatias de Cá.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Morreu o Homem que, talvez sem o saber, me mostrou a importância de sorrir, sorrir muito!..

foto sacada ao facebook do Pedro Rodrigues
Todos temos um prazo de validade! 
Normalmente é um conceito que, porém, só pensamos que possa ser pensado para as coisas e para os outros! 
Nunca a nós. A morte só acontece com os outros. Raramente a imaginamos como possível em nós. Mas não nos devemos preocupar, pois isso, é um sinal de vitalidade.
Este pensamento, assaltou-me hoje de manhã, logo que tive conhecimento que morreu o meu "primaço"
Desde miúdo que me cumprimentava  da mesma maneira – “então primaço Tó…”  
E, ultimamente, até julho do ano passado, logo a seguir, vinha a pergunta: “como vai a tua Mãe?..”

O "Querido avô" do Pedro Rodrigues era uma figura:  “alto; cabelo branco, literalmente, como a neve; forte como um touro - um homem do mar à moda antiga. Daqueles que já não se fazem”!.. 
Aquilo que podia ser dito, escreveu-o melhor do que ninguém, o neto, o meu Amigo Pedro Rodrigues
É um momento de morte, mas como tudo o que é escrito pelo Pedro, é belo, embora a  perda de um "amor maior", nada tenha de belo!

"Tinhas oitenta e seis anos. A tua cabeça já não encontrava datas – talvez porque os dias já fossem todos iguais. As tuas pernas cediam aos caprichos da gravidade, embora tu nos tentasses enganar com ginásticas inventadas. Os teus cabelos eram brancos, embora tu me contasses que quando eras novo o teu cabelo era escuro como a noite – e eu acreditava. Esquecias-te das luzes acesas, da água a correr depois de fazeres a barba, das situações mais corriqueiras, aqui da terra, mas não te esquecias das histórias de outros tempos. Passavas horas a repetir-me que eras o mais trabalhador de todos. Que as tuas mãos e os teus braços tinham tanta força que conseguiam dobrar aço, talvez mover montanhas. Nos navios todos os capitães te gabavam “não há nenhum marinheiro como o Pimentel”, pau para toda a obra. Foste pai, avô e bisavô...

Hoje, antes de descer para o meu quarto, passei pelo teu. Estava vazio. As lágrimas teimaram em cair porque me apercebi que daqui para a frente assim será. Ficam as fotografias. As paredes frias que ainda escondem os restos condensados da tua respiração, do teu último suspiro. Penso ter apertado pela última vez as tuas mãos calejadas; ter beijado, pela última vez, a pele fina da tua testa. Partirás enorme, como sempre foste. E assim o serás, para todo o sempre. Gostava de continuar a escrever, mas as palavras começam a confundir-se com as lágrimas e tudo se torna turvo e difícil. Fico-me por aqui, e pela imagem da fotografia que dorme ao meu lado, na mesa de cabeceira, em que estou eu, tu e a mãe, muito felizes, de sorrisos rasgados nos rostos. É assim que te recordo: a sorrir, por eu ter chegado.

Adeus, meu amor maior." 

Sentidas condolências à família.

Organizar o Governo do Mundo…


"Eles prenderam no manicómio um homem que queria organizar o governo do mundo... Os loucos…! Prenderam o homem errado..." 

LEONARD COHEN, Canções de Amor e Ódio, 1971

Não é fácil ser feliz num país que "asfixia as pessoas" para "poupar oxigénio"...

imagem sacada ao Diário de Coimbra de 13.10.2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O superior talento de Garrett McNamara...

Em 2011, McNamara surfou Nazaré,  a onda que é considera a maior alcançada pela prancha de surf. O dia de tal feito foi 1 de novembro e o local não foi escolhido por acaso. Ele já estudava há alguns anos o famoso “Canhão de Nazaré”, efeito formador da imensa onda. Garret conseguiu a incrível façanha de encarar um monstro com quase 90 pés, ou seja, 30 metros! 
Como não podia deixar de  ser, o recorde foi pro Guinness Book.
Para não ficarem com dúvida vejam o vídeo abaixo.


Acabei de ver no facebook, via Luís Ribeiro, que "Garrett McNamara confirma a onda do Cabo Mondego como a maior que já viu!"
Será que o maior talento de Garrett McNamara é o exímio uso da palavra?
Fica por quantificar é quanto é que este talento especial de saber, como poucos, utilizar a palavra, vai custar ao contribuinte figueirense?..
O importante, porém, é que Garrett McNamara gosta muito do Cabedelo, especialmente se por lá estiver o presidente Ataíde...

Tudo muda...

GPS precisa-se... (objectivo: para ver se os políticos conseguem traçar um destino à Figueira...)


Com a devida vénia ao Fernando Campos

Para mais tarde recordar...

#RepealThe19th.
Não é ser saudosista... 
É, apenas, para ter a memória futura suficiente para não esquecer...
Divirtam-se!

Deambular pela beira mar...

foto C.S.
Gosto da beira mar, sobretudo fora da chamada “época alta”.
Para quem não “vive” o mar, as imagens parecem sempre iguais.
Mas, eu, garanto que não!
Para quem o conhece bem, o mar é sempre diferente...
E, também, sempre imprevisível!

Gosta-se dele... Pronto.
Esta é a explicação, e a razão, porque a gente do mar raramente consegue viver longe da sua vista!
Neste deambular, preguiçoso, podemos nem sempre encontrar coisas novas.
Contudo, mesmo que o reencontro seja com o inúmeras vezes já visto, não deixa de ser um prazer revisitado, mas diferente.
Olhar e deambular por esta beira mar é sempre um outro e novo olhar.

Deambular por esta beira mar, como aconteceu ontem de manhã, foi passear pelo gosto do passeio e pelo prazer da companhia!
Ver as mesmas coisas através de ângulos diferentes, continua a ser um programa aliciante, a que me proponho sempre que a ocasião surgir...
E vai surgir... Apenas pelo gosto de deambular por ali, por aquela beira mar, sem destino, apreciando as belezas do local – que, ontem de manhã, eram muitas...

Este é o tempo de aproveitar a bonomia de um tempo, já outonal, a despedir-se dos tons lindos do verão (verão faz lembra profusão de cores...) que, entretanto, feneceu...
A linha do horizonte faz lembrar um abraço entre o céu e o mar – uma reunião irrepetível de todos os dias naquele local.
Deixo-vos com uma pincelada fotográfica do prazer, suave e demorado, que vivi na caminhada desta manhã até ao farol do molhe sul.  

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Já alguém pensou na travessia do Mondego em bicicleta?..

Duas rodas, uma crónica de DanielSantos, publicada hoje no jornal AS BEIRAS.

“O Plano Estratégico da Figueira da Foz inclui a promoção da utilização da bicicleta, designadamente a eléctrica, enquanto modo de transporte suave e sustentável no concelho, visando conciliar a resolução dos problemas de mobilidade com a redução da emissão de gases com efeito de estufa.
Nada que escape às intervenções previstas nas três áreas abrangidas pelas áreas de reconversão urbanística (ARU’s) nos centros históricos da Figueira e de Buarcos e na zona do Cabedelo.
Independentemente da utilização de modos de deslocação não poluentes, é hoje visível por todo o concelho a utilização de veículos de duas rodas (bicicletas, aceleras, motos). A sua difusão dever-se-á certamente a razões de natureza económica, mas também à maior mobilidade e à facilidade de estacionamento.
O utilizador depara-se porém com dois obstáculos: um é o que decorre da irregularidade dos pavimentos, nuns casos por falta de manutenção, noutros pela proliferação da reposição de pavimento sobre os ramais de ligações às redes públicas de infraestruturas; o outro tem a ver com a proliferação de veículos poluentes por falta ou por deficiente inspecção, obrigando a respirar a fumarada que produzem os que se lhes apresentam à sua frente.
Se a primeira situação é claramente da responsabilidade da autarquia, a segunda, não o sendo directamente, não pode escapar à sua atenção, devendo tomar iniciativas em ordem à preservação de boas condições ambientais.”

Em tempo.
A travessia de bicicleta, pela ponte Edgar Cardoso, para quem mora na margem esquerda do Mondego, constitui um obstáculo de monta (e não é pela subida, é pelo perigo que o trânsito representa...).
Neste momento, a única maneira que vejo de se poder ultrapassar este problema, seria a travessia de barco que contemplasse a possibilidade do utente desse transporte, que o desejasse, poder levar a sua bicicleta no barco para efectuar as suas voltas na cidade...
É que tenho conhecimento que, recentemente, houve um investidor que andou a tentar implementar esse serviço e não conseguiu, tanta foi a burocracia e os obstáculos.

Para admiração dos ímpios, em maio Fátima continua a fazer milagres!..

"Em Maio de 2017, a Figueira da Foz deverá registar uma taxa de ocupação hoteleira próxima dos 100 por cento..."
Se fosse hoteleiro na Figueira, ia já comprar uma velinha e pô-la a Nossa Senhora de Fátima.
Podia ser, também, por minha intercessão...

OUTRA MARGEM

Foto António Agostinho
O Mondego tem duas margens. 
Direita e esquerda.
Esta, a que se vê ao fundo, é OUTRA MARGEM

Será que os citadinos sabem o que existe nesta OUTRA MARGEM
Eis o mistério, envolvente e desconhecido, de não se saber o que existe para lá da ponte, nesta OUTRA MARGEM  do rio e da vida.

Para que serve esta OUTRA MARGEM?
Se olharmos para a foto começa por colocar desafios. 
Questiona...

Quando conseguirem perceber a independência desta OUTRA MARGEM, perceberão todo o resto. 
Enquanto morar nesta OUTRA MARGEM a esperança de que há uma possibilidade de ser possível viver numa Aldeia, num Concelho e num País melhor do que isto que temos, vai continuar por aqui.
Quando perder totalmente essa esperança, OUTRA MARGEM mete o teclado no saco... 

O pensador é mais do que aquele que pensa: é aquele que assume o que pensa, que expõe o que pensa, que trabalha o que pensa e que consegue viver com o que pensa.
Se assim o entenderem, pensem!..

Andam a contar-nos histórias da carochinha e nós a deixarmo-nos embalar...

Os alemães são muito trabalhadores, muito rigorosos, muito honestos, mas no fundo, é isto: "DEUTSCHE BANK FOI FAVORECIDO PELO BCE NOS TESTES DE STRESS".
O banco alemão Deutsche Bank foi favorecido pelo Banco Central Europeu (BCE) nas provas de resistência realizadas este verão à banca europeia, revela esta segunda-feira o jornal britânico Financial Times (FT).
O jornal destaca que o Deutsche Bank recebeu um tratamento especial do BCE, uma vez que conseguiu incluir nos seus resultados uma operação que não estava fechada no final do ano passado.
Em causa está a inclusão das mais valias resultantes da venda da participação que o Deutsche Bank detém na entidade chinesa Hua Xia nos resultados dos testes de ‘stress’ do Deutsche Bank, ainda que o negócio não estivesse concluído no final de 2015 – a data limite para incluir estas transacções nas provas de resistência.
O Deutsche Bank terá beneficiado 4 mil milhões de dólares com a venda, mas como a operação não foi fechada – algo que o Deutsche Bank acredita que vai acontecer este ano – não deveria ter sido incluída nos resultados dos testes de stress.
Abreviando:  "Banco ou Governo, nesta União são todos iguais. O Deutsche Bank é o mais igual de todos."

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Mostrar sensibilidade pela Igualdade, é uma obrigação. Ser solidário deveria ser um dever para os políticos. Infelizmente na Figueira, parece que a Igualdade vive para o faz de conta...

Quando, há cerca de dois anos e meio, me endereçou o convite e posterior nomeação (aprovada por unanimidade) para Conselheiro Local para a Igualdade (CLI) senti um orgulho enorme e um dever de responsabilidade para com todo o município. Senti que o trabalho iria ser longo e moroso, mas que os resultados iriam começar a aparecer. E começaram, um dos exemplos é a comemoração do Dia Municipal para a Igualdade (24 de Outubro) ter sido aprovado em reunião de Câmara, por nossa iniciativa.
No entanto a continuada falta de comunicação entre o município e os CLI's leva-me a escrever-lhe estas linhas: o município marca reuniões para a criação do Plano Municipal para a Igualdade sem nos consultar (sabendo que desempenhamos um cargo não remunerado e, necessariamente tem de ser articulado com as nossas profissões), decide festejar o Dia Municipal para a Igualdade sem nos consultar, nem perguntar se temos algum tipo de iniciativa. Pior, candidata-se a um prémio (Viver em Igualdade) promovido pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) sem sequer nos dar conta do mesmo, nem nos perguntar quais as iniciativas que fomos desenvolvendo, para tentar ganhar o mesmo.
Sinto, muito sinceramente, que foram ultrapassados todos os limites do que deve ser considerada a boa vivência institucional e assim, não me resta outra solução senão apresentar, por este meio, a minha demissão do cargo supra citado.
Espero, que esta tomada de posição da minha parte sirva de alerta e, futuramente, não se repitam os erros de acima citei e que a Igualdade deixe de ser uma utopia badalada para debitar frases feitas, mas passe a ser uma realidade que sirva de estandarte a este concelho.
Os meus mais sinceros cumprimentos

Diogo Serôdio

Recordar faz parte da viagem...

"Só estranho que uma maioria relativa tenha fechado a porta agora que é maioria absoluta, ou melhor, até entendo, mas as razões são as piores… ou até absurdas como na última sessão camarária à porta fechada."

Joaquim Gil, em vida, foi advogado em Coimbra e o último director do semanário «O Figueirense».

Nasceu a 10 de Outubro de 1813...

...portanto, nesse ano, neste dia, Giuseppe Verdi, compositor italiano, tinha um dia.

Ouviram este video?.. 
Ouviram simplesmente?
Ouçam, agora, o silêncio. 
A ausência de som. 
Ouçam o silêncio. 
Apreciem. 
É um bem escasso a que temos que dar valor! 
Ouçam apenas!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A morte de uma pessoa já teria sido uma tragédia. A de cinco não pode ser uma estatística...

Esta notícia foi sacada da edição de sábado passado do jornal AS BEIRAS.
Recorda que passou um ano.
Mais anos vão passar, mas  esta tragédia vai resistir à passagem do tempo na memória dos figueirenses...

Um texto que talvez seja oportuno ler hoje...

Resistir à uberização do mundo...
"A empresa Uber, ao transformar particulares que possuem um veículo em motoristas ocasionais sem estatuto, não se limitou a suscitar a reacção dos táxis profissionais: o seu nome simboliza agora a ligação entre novas tecnologias e precarização. O êxito dos gigantes de Silicon Valley faz-se acompanhar por uma vaga de desregulamentações. E se os dirigentes políticos recuperassem o controlo?"

Miguel Figueira na RTP

É uma entrevista de Maria João Seixas a Miguel Figueira. 
Nesta conversa, em tom informal, o entrevistado fala do seu percurso pessoal e profissional. 
Dos prémios, da obra em Montemor-o-Velho... Da escada rolante até ao Castelo, para facilitar a locomoção da população envelhecida, e do centro de alto rendimento. 
Da sua casa...
E, também, do Cabedelo e da sua onda
Para ver, clicar aqui.

Se é assim...

... se o cliente tem sempre razão, fique o senhor ministro a saber que faço parte daqueles milhões de clientes que só desejam pagar a electricidade, a água e gás que realmente consomem, e não a  enormidade violenta de taxas e taxinhas que aparecem nas facturas...

A moda...

A moda, para quem eventualmente não saiba, é o exemplo do passageiro, do efémero. 
No fundo, é sujeitar ao uso do gosto do momento, a forma de viver e de estar.
Usa-se, deixa-se de usar. Eventualmente, uns anos mais tarde, poderá voltar a usar-se. 
Há modas imbecis e idiotas, outras com bom gosto, aliás como tudo na vida. 
Sobre moda, apenas tenho a dizer que lhe resisto com uma certa facilidade. 
Uso o que gosto, independentemente da corrente do momento.
A moda, no fundo, não passa de uma epidemia provocada. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Este meu mar, em outubro...

Foto António Agostinho
Estamos a 9 de outubro. Mas, apesar do dia ter amanhecido cinzento, acredito que neste domingo o sol ainda vai aparecer com um sorriso lindo, a lembrar que o  "verão" está a querer prolongar-se pelo outono dentro. 
De dia, ainda tem sido possível andar em t shirt...
Porém, ao passear pela praia e ao olhar o mar, vejo que já é outono.
A ondulação está diferente e o areal tem outra cor.
O sol já não sobe tão alto... 
Está como eu: mais preguiçoso, acorda mais tarde e também se despede de nós, em cada dia que vai passando, mais cedo...
Certamente já repararam que os dias têm 2 horas a menos de sol... Esta diminuição tem sido lenta, mas inexorável. 
Depois de setembro, que foi o mês de transição, em outubro afloraram em todo o seu esplendor as cores do outono, e os entardeceres precoces.
Contudo, em 2016, em outubro ainda se têm sentido os calores de Verão... Aproveitemo-los enquanto podemos...
Dia a dia, todos os dias que pudermos... 
Cada dia das nossas vidas é decisivo. 
Um dia, é tudo o que temos hoje, domingo, para viver... E nunca sabemos quando é o único por viver. 

Um doido que não oferece perigo

«(...) como se tratam as pessoas que se conhecem há muito: como um doido que não oferece perigo» (Agustina Bessa-Luís, A Ronda da Noite, pág. 246).

É isto:

"Se não estamos a ficar mais estúpidos, estamos mais estupidificados... Sim, porque quem come e cala é, neste momento, a esmagadora maioria da chamada opinião pública. Que tem opinião sobre tudo, mas não sabe de nada. Que compra religiosamente o Correio da Manhã e vê o «Secret Story»."

sábado, 8 de outubro de 2016

Mais uma, para fazer rir o António Tavares...

António Tavares, faz parte daqueles políticos, para quem a política é a  arte da dissimulação e do parecer ser, no seu melhor. 
A impassibilidade, serenamente estúpida de um povo que habita num concelho amorfo, deu-lhe muito jeito...
Vive da política, como profissão, quem trata de fazer dela uma fonte de receita. 
Vive para a política, quem não precisa da política para fazer dela uma fonte de receita. 
Para que alguém pudesse viver para a política,  tinha de ser economicamente independente das receitas que a política lhe pudesse proporcionar. 
Quem vive para a política tem de ser economicamente "livre"

Considero a política uma ocupação decente e nobre. 
Gosto de pensar no ideal de alguém se dedicar a pensar na melhor forma de resolver problemas que nos afectam a todos. 
Como tal, olho para  os políticos com critério de exigência, como pessoas diferentes do resto dos cidadãos... 

Por isso, não consigo esquecer que o político quase nunca opta por uma carreira política baseada na promoção do bem comum. 
Aquilo que, a meu ver,  é verdadeiramente importante, não é a forma como se chegou lá, mas o que fez com o poder quando lá chegou...

A vida difícil das pessoas com deficiência

Até à passada sexta-feira, o púlpito do plenário da Assembleia da República nunca tinha sido usado por um deficiente motor. 
Jorge Falcato, o deputado eleito pelo BE, experimentava pela primeira vez as plataformas criadas para permitir o acesso a deputados com deficiência motora
Este deputado, voltou a trazer ao debate parlamentar a questão do apoio às pessoas com deficiência. Falcato bate-se pelo apoio directo à pessoa deficiente, dando-lhe a possibilidade de ter um vida independente, de poder escolher quem a pode ajudar e em que condições. Quer isto dizer, que o actual paradigma de institucionalizar a pessoa, seria substituído com base na implementação desse conceito.
Falcato, neste período em que se discute o Orçamento, aproveitou para questionar o Governo sobre o que vai acontecer, nesta matéria, em 2017. 
Esta sua intervenção, assinalou a primeira vez que um deputado com mobilidade reduzida, que se desloca em cadeira de rodas, subiu ao púlpito para discursar. 
Talvez para ficar o testemunho de como é muito mais difícil a vida destas pessoas, o momento ficou marcado por um acidente, sublinhe-se, provocado pelo facto de a cadeira de rodas do deputado não estar travada e não por ter havido um erro na construção da plataforma elevatória. 
Sexta-feira passada, foi um dia marcante para os cidadãos com deficiência e para os que defendem uma sociedade mais inclusiva e mais justa. 
Esperemos que o Orçamento para o próximo ano contemple as expectativas que estão criadas.

Joaquim de Sousa, um ex-edil figueirense ao raio x

Para ler melhor, clicar na imagem
Há 35 anos, estávamos em 1981. Na Figueira, na altura uma cidade em transformação, Joaquim de Sousa era o presidente da Câmara.
Recorde-se. 
Estava em curso o processo de instalação de uma nova fábrica de celulose: a Soporcel. Na margem sul, as obras do porto, na zona do Cochim, avançavam em bom ritmo. A marginal ribeirinha, com terrenos que tinham sido ganhos ao rio, estava a ser transfigurada. 
Nas zonas rurais ainda havia muitas carências. Apesar da electricidade já chegar praticamente a todo o concelho, existiam problemas de potência e iluminação pública. Na rede de abastecimento de água havia muitas obras em andamento, nomeadamente, em Quiaios, Lares, Vais, Marinha das Ondas, Carvalhal e Alhadas. Por essa altura, há apenas 35 anos, sublinhe-se, o sul do Paião ainda não era abastecido por água canalizada.
Mas havia mais coisas em andamento no concelho. Por exemplo, estava em curso o processo de pôr o Paço de Tavarede sob domínio do Património Municipal para ser recuperado e utilizado para fins sociais e culturais.
O Ciclo Preparatório e Escola Secundária do Paião estava prestes a ser uma realidade. Ainda não existia aberta ao público a Ponte Edgar Cardoso, mas já faltava pouco. Viria a ser inaugurada, pouco tempo depois, a 12 de Março de 1982.

Em pinceladas rápidas era assim a Figueira e o concelho há 35 anos. Joaquim de Sousa, então um político profissional, passados 6 anos depois do 25 de Abril de 1974, depois de 5 anos como deputado e membro do governo, sentia "uma profunda desilusão e um desencanto enorme". Segundo o que ele, na altura, confidenciou numa entrevista que deu, em Maio de 1981, ao Director do Barca Nova, o falecido jornalista José Martins, "conhecer o poder por dentro não é agradável". "Sabes?", desabafou a determinado ponto da conversa com o Zé Martins, "não tenho feitio para prostituta, nem mesmo por obrigação. O poder não é tão poder como as pessoas pensam".
O que Joaquim de Sousa, naquela altura, estava a gostar era de ser presidente de câmara: "agora sim, apesar das muitas vicissitudes por aqui e por além, sinto que o cargo que ocupo na Câmara me está a proporcionar dos momentos mais felizes da minha vida".

Durou foi pouco como presidente de câmara: fez apenas um mandato, que decorreu de 1979 a 1982...
O que valeu ao doutor Joaquim de Sousa, é que gostava de ser professor, que era a sua profissão...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Não há como regressar ao passado...



Luís Marques Mendes leva-nos numa viagem pelas (suas) incoerências em torno do sigilo bancário.

Fez ontem um ano...

Cito o fotojornalista Pedro Agostinho Cruz.
"Naufrágio Olívia Ribau: fez ontem um ano que cinco pescadores morreram à entrada da barra da Figueira da Foz. Fez ontem um ano que a cidade, infelizmente, assistiu a um dos acontecimentos mais negros da sua história. Hoje, partilho este trabalho. Um resumo dos dias mais duros e horríveis que já vivi atrás de uma máquina fotográfica."
Passou um ano...
Um ano depois, pelo menos (com a devida excepção, publicada ontem no jornal AS BEIRAS, que fica devidamente registada na imagem do lado direito) a acreditar pelo que não li nos jornais, já desapareceu das preocupações da opinião pública e publicada...
Ficou o drama para as famílias afectadas. Mas, continua actual...
Só tenho uma dúvida: a sua actualidade deve-se à dimensão da tragédia ou  ao secular atraso deste país? 
A meu ver à combinação das duas hipóteses...

... mais um hipócrita

Mais um, a quem  hipocrisia está nos genes.
Manobrou nos bastidores, com o alto patrocínio da chanceler Merkel, para evitar a eleição de António Guterres...
Agora, poderia, ao menos, ter sido mais discreto e súbtil a saudar a escolha do novo secretário-geral...
Mas, também, quem nunca tropeçou e depois começou a correr para disfarçar, não sabe o que é passar por uma vergonha!
Poderia é ter sido um pouco mais discreto...

Somos complicados mas giros... A rebelião inconsciente e anárquica que transportamos dentro de nós, agrada-me. Mas, quando é que começamos a dirigir o espírito contestatário, adequadamente e no momento próprio, contra o Poder?

Conheço quem gostaria de ter vivido noutra época e noutra latitude. 
Não sou desses. Desde logo, porque  valorizo acima de quase tudo o prazer de ser livre.
Daí, hoje, sentir-me feliz por em 25 de Abril de 1974, ter vinte anos, idade que já me permitiu ver a libertação do meu país.
Deste modo, os meus 62 anos de idade são uma riqueza pessoal e o tesouro mais valioso do meu sentir o que é ser português e figueirense: ter vivido 42 deles em Liberdade. 

Antes de Abril de 1974, isto era um filme a preto e branco.
Depois, vivi a Festa. As pessoas manifestavam-se, falavam, participavam e riam. As ruas encheram-se de gente,  gente que arrastava mais mais gente cheia de esperança na Democracia.
Havia alegria no ar. Música que cantava a recém-nascida liberdade deste meu país e desta minha cidade. O sussurro deu lugar ao grito. Pelo ar ecoavam gritos de Liberdade de palavras agitadas e imensas bandeiras coloridas. 
E vieram à luz do dia mais palavras, palavras não novas, mas existentes até então escondidas no segredo da clandestinidade e que se passaram a pronunciar alto. 
Palavras simples, lindas e belas como Liberdade e Igualdade. Palavras horríveis e feias como fascismo e repressão. 
Todas elas, finalmente,  permitidas de gritar à luz do sol. 
No meu país e na minha cidade já não havia palavras proibidas.

Quarenta e dois anos depois do 25 de Abril, alguns ainda vivemos Liberdade. Outros, apenas, em liberdade. Mas, todos com medo.
O tempo que vivemos, de austeridade imposta, é a própria antecâmara do medo. Medo de não ter trabalho. Medo de falar e perder o lugar do sustento (há mais quinhentos na fila, dispostos a trabalharem cada vez por menor salário). Medo de não ter acesso à saúde e à farmácia. Medo de se ter que trabalhar (os que puderem) até morrer. Medo da usurpação das reformas. Medo da ausência de esperança para os nossos. Medo da opinião opressiva e única. Medo da ausência de alternativa política. Medo de uma Europa que deixou de privilegiar o social e de ser integradora. Medo de um futuro similar a um passado que se pensou ter ficado definitivamente para trás. Medo de uma liberdade que é cada vez mais formal. Medo desta liberdade do medinho e do respeitinho, que não é a Liberdade.
Em outubro de 2016, também na Figueira, Abril murchou. Até já temos reuniões de câmara realizadas à porta fechada!
Mas, se este é um já um Abril distante, no tempo, daquele Abril de 74, Abril, aquele Abril de 1974, continua sempre perto do meu sentir e do meu viver.

Uma pequena nota: sem aquele de Abril de 1974,  por exemplo, seria impensável ler no jornal que "ao que se sabe, a Figueira possui uma alta taxa de desemprego, sobretudo quando comparada com os outros concelhos do distrito", ou ter acesso à praga de um blogue como este!..
É um pequeno detalhe para sublinhar que, de tudo aquilo que aquele Abril de 1974 nos trouxe, o mais importante foi a Liberdade.
Ter a noção disto, é importante para se compreender muita coisa que se passa, no tempo que passa, na Figueira da Foz.
Que falta que faz Eça, que criticou, há mais de cem anos, a sociedade elitista, hipócrita, injusta e medíocre em que viveu...