segunda-feira, 3 de junho de 2013

As próximas autárquicas na Figueira: já deu para perceber que será mais do mesmo…

Até pelas redes sociais se notam as movimentações dos  candidatos à  Câmara da Figueira e  às juntas de freguesia…
O que não admira, pois temos eleições autárquicas no próximo outono. Dentro de três meses e picos, portanto.
Como manda a tradição, uns meses  antes começaram as lutas  dentro dos partidos para encabeçar as listas e ocupar os lugares cimeiros.
Pelo andar da carruagem,  já deu para perceber  que o  fundamental continua a ser ganhar as eleições!
Conquistar o poder. Custe o que custar...
Uma dúzia, duas ou, no máximo,  três,  de dirigentes e militantes dos  partidos do chamado arco do poder,  todos “muito bem na vida”, com muitos anos de experiência “politica-estomacal” (essa é que é essa, como diria o  Eça), devem-se ter reunido, já há meses,  para decidir  os sujeitos  a encabeçar as ditas listas concelhias e o mais necessário para ganhar as eleições - que é o que verdadeiramente lhes interessa…
Não estive em nenhuma dessas reuniões, como é mais que óbvio, mas não é difícil advinhar o que lá deve ter acontecido: discutiu-se como “ganhar a Câmara  e as juntas  para o partido”.
No fundo: que métodos e meios  usar para ganhar, pois só isso interessa.
Que procissões incorporar e festas populares não deixar  perder,  que actividades e visitas efectuar  na hora das missas, que feiras não deixar escapar, em que iniciativas de massas participar, sem esquecer, apesar da crise, de  prometer, em devido tempo,  algumas obras na área do desporto, melhorias nas escolas e promessas avulsas afins…
Enfim, continuamos no mesmo do costume, quando o essencial deveria ser  querer  ganhar eleições para mudar,  para melhor, a vida dos que vivem na nossa freguesia e no nosso concelho.
Mas, não vai acontecer nada disso. Vamos ter mais do mesmo.
Eu sei que não  percebo nada disto e que a política não é coisa para gente fraca.
Mas também sei,  que tentar mudar alguma coisa,  nunca vai ser a partir do topo, terá que ser a partir da base.
“Nos momentos de crises só a imaginação é mais importante que o conhecimento” -  Albert Einstein.

Nota explicativa: no post acima só estão as fotos de João Ataíde, candidato do PS e Miguel Almeida, candidato do PSD, porque são os únicos que assumiram as candidaturas até ao momento. 

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"Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020": contributo do CEMAR

No último dia do prazo, o que aconteceu a 31.05.2013, foi enviado por Alfredo Pinheiro Marques um contributo do CEMAR para a Consulta Pública sobre a "Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020", que esteve em curso, promovida pela Direcção-Geral de Política do Mar (DGPM) do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (MAMAOT) do Governo da República Portuguesa.
O texto em que o director do Centro de Estudos do Mar - CEMAR (Figueira da Foz - Praia de Mira), retomando e desenvolvendo alguns outros seus textos anteriores, apresenta as sugestões e propostas concretas que, neste momento, tanto pela sua parte como pela parte do CEMAR, considera serem as mais urgentes e úteis para poderem e deverem ser apresentadas.
Deixando de lado outros aspectos,  que também são muitos importantes (como os da Economia do Mar e dos Portos, ou os das Pescas Industriais, etc.),  mas que por outros autores e outras entidades poderão e deverão ser melhor tratados, com contributos mais abalizados e especializados, os dois sentidos principais para os quais, agora, o fundador e director do CEMAR julgou dever chamar a atenção dos decisores governamentais, e cuja importância, nesta hora, quis enfatizar perante o Estado português, são muito concretos e muito específicos.

PRIMEIRO: Apoiar e salvaguardar a Marinha de Guerra portuguesa (no meio do descalabro, da desolação e da catástrofe que se aproximam para as instituições e para a sociedade portuguesa), para que essa Marinha possa salvar o verdadeiro "Mar Português" (o nosso, que aqui está, e sempre aqui esteve, ao pé de nós, no Atlântico Norte, onde nós estamos);

SEGUNDO: Apoiar e salvar "Os Mais Pobres dos Pobres", os Pescadores Portugueses da pequena pesca de "cerco e alar para terra" dita "Arte-Xávega", que estão a desaparecer "como neve diante do sol". Em toda a documentação até agora produzida no âmbito desta "Estratégia" não existia nem sequer uma única menção a este tipo de pesca, e às suas comunidades de homens e mulheres, e ao seu valor identitário, cultural, social, económico, turístico, etc. 

Não acordes, não!..

domingo, 2 de junho de 2013

Piada política da semana na Figueira

 Sacada daqui

"Há dois tipos de pessoas no mundo, os que querem saber e os que querem acreditar"

Friedrich Nietzsche, filósofo, poeta, compositor e filólogo alemão - 1844/1900

Para quê preocuparmo-nos com o futuro, quando tudo está tão bem no momento presente…

Via Expresso:
"Taxa de desemprego atingiu novo pico em abril"

Em tempo. 
Há, apenas, um pequeno pormenor: o desemprego jovem a 42,5%, muito mais do dobro da taxa de média de desemprego, evidencia claramente que há uma geração que apesar de ter qualificações muito superiores às das que lhe antecederam está a ter muito menos oportunidades…

A receber pensão vitalícia desde os 39 anos!.. Onde estão os descontos correspondentes?..

foto sacada daqui

Em tempo.
Neste caso  onde é que estão os descontos correspondentes?...
Não terá sido por causa deste e de outras  centenas de  proxenetas  políticos que conhecemos de ginjeira  que a Segurança Social ficou exaurida?..

Sempre actual. Perfil do idiota…

«O idiota é geralmente competente, moralmente irrepreensível e socialmente necessário. Faz o que tem a fazer sem dúvidas ou hesitações, respeita as hierarquias, toma sempre o partido do bem e acredita religiosamente nas grandes ficções sociais.
O idiota é todo liberdades.
A idiotia também faz bem às artes, principalmente às audiovisuais. A concentração do idiota numa ideia fixa, torna-o especialmente receptivo às músicas de ritmo simples e batida forte, o que facilita extraordinariamente o comércio discográfico, com todas as vantagens que daí advêm para producers e performers, enfim, para o tecido social. No que diz respeito às artes plásticas, tudo é mais fecundo se não houver interferências entre os olhos e as mãos. As ideias perturbam, turvam o olhar, atrapalham o gesto e, nos casos de ideologite aguda, daltonizam as cores. Sem imagens, uma cabeça vazia endoidece.
O idiota puro é o idiota jovem. Com o tempo, torna-se cínico, adquire hábitos esquisitos, sempre à procura do que lhe serve ou lhe rende, em busca de técnicas para obter sucesso e se sentir bem, sereno, de boa saúde e belo aspecto: cristianismo, ioga, dieta macrobiótica, drogas, parapsicologia, psicanálise, etc.
Entre os idiotas, também começa a manifestar-se, se bem que de modo caricatural, algo que recorda o hedonismo e o utilitarismo da aristocracia de outrora: o gosto de ser servido, de se distinguir do "vulgar". Como única crítica a filmes, espectáculos, livros, etc., é frequente ouvi-los dizer: "Mas que mau gosto!"
Os idiotas andam sempre juntos: consomem os mesmos produtos, frequentam os mesmos locais, lêem os mesmos livros e jornais, e têm uma habilidade notável para descobrir e evitar quem não é idiota. Graças a Deus! 
A política, porém, unifica o conjunto da sociedade sob o signo da idiotia: pessoas estimáveis, notáveis até nos diversos domínios do saber e da cultura, quando chegam à política tornam-se idiotas. Triunfam, quer-se dizer. Tornaram-se, enfim, públicas.»


 (Publicado no Diário de Lisboa, de 12/6/87.)

À atenção de Ruy de Carvalho e outros "enganados" que, agora, andam por aí...

"Quase dois anos depois das eleições, o Governo de coligação PSD/CDS já nomeou 4463 pessoas: 1027 para os gabinetes ministeriais, 1617 para cargos dirigentes da administração pública e 1819 para grupos de trabalho e outras nomeações. Em média, ministros e secretários de Estado nomearam já mais pessoas por gabinete do que Sócrates nos seus dois primeiros anos de mandato." 

 Via Diário de Notícias

Em tempo.
Sabem porque chegámos aqui?
Eu recordo.
2.159.742 portugueses, com o seu voto, deram o aval para que este senhor destruísse o País, com este e outros monumentos ao populismo... 
«Temos de ter um Governo que se possa sentar-se à volta de uma mesa e que, com o primeiro-ministro, possa responder pelas decisões que são tomadas. E isto pode-se fazer com um Governo muito mais pequeno e com um número de ministros não superior a dez», disse ele com ar pausado...
E 2.159.742, acreditaram e deram-lhe o benefício da dúvida...

Escolha de vida

Antes ter amargos de boca do que ficar com boca de lacaio.

Bom domingo

sábado, 1 de junho de 2013

Humor negro: "Concelhia do PSD de Lisboa com malas à porta, por não ter dinheiro para a renda"!..

Daqui

Que aliviado que eu estou...

"Passos não culpa ninguém se quiserem escolher outros para governar"...

Cada um sabe a delícia de ser o que é…

fotos sacadas daqui
Às vezes deveríamos ser de ferro, para dias menos felizes...
Outras vezes,  ser de ferro negaria a beleza da nossa fragilidade.
Há momentos que não têm explicação.
Há atitudes que nos calam ...
Fiquemos, pois, pelo silêncio, que é a voz que me sossega os momentos em turbilhão ...
Como este…

António Aleixo

"Esta mascarada enorme
Com que o mundo nos aldraba
Dura enquanto o povo dorme
Quando ele acordar, acaba"

Em legítima defesa

Todos, a meu ver, cada um à sua maneira, pese embora o que nos divide e o que nos move, gostamos da Figueira.
Portanto,  todos nós, SOMOS FIGUEIRA. 
A Figueira é  importante  para todos nós…
Como disse um dia um político do país, mas  também  da nossa cidade,  “gostem ou não, vou continuar a andar por aqui.”
Vivo num país onde um governo - este governo PSD/CDS -, contribuiu para acabar com o meu posto de trabalho, minguar-me o subsídio de desemprego, pode vir a negar-me a futura  pensão de reforma, ou pode mesmo vir a roubar-me o pouco que tenho no banco para uma eventualidade...
Tudo isso pode acontecer-me. A mim, ou a si, caro leitor.
Mas, vivo na cidade que gosto, onde ninguém vai conseguir  tirar-me a voz ou a alegria de estar vivo.
Porque eu não quero! Porque eu não deixo!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

E as mães, os pais e os filhos dos outros que se lixem?..

O deputado do PSD José Manuel Canavarro pediu a palavra para «defender a honra da mãe», considerando ser «inadmissível» que a tenham insultado. «As nossas mães não são para aqui chamadas», exclamou.

Via TVI

Dia da Criança


Baralhou e tornou a tirar...


Os subsídios de desemprego e de doença superiores a 419 euros por mês vão ser sujeitos ao pagamento de taxas de 6% e 5%, respetivamente. Com a criação de uma salvaguarda de isenção para as prestações inferiores àquele montante, correspondente ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o Governo contornou a recente inconstitucionalidade declarada pelo Tribunal Constitucional. A medida está inscrita no Orçamento Retificativo, ontem aprovado em Conselho de Ministros, onde estão incluídos cortes na despesa pública equivalentes ao chumbo de 1,3 mil milhões de euros declarado pelo Tribunal Constitucional. E terá um efeito financeiro evidente no subsídio de desemprego de valor mais elevado (ver infografia). A aplicação de uma taxa de contribuição de 6% sobre o subsídio de desemprego irá abranger um universo de quase 400 mil desempregados.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Mais uma Colectividade do nosso concelho a viver momentos difíceis...

Se não acontecer um milagre,o Grupo Desportivo Cova-Gala, um clube que formou alguns craques, mas muitos Homens e uma  agremiação desportiva com história, no nosso concelho e no distrito de Coimbra, fecha as portas em Junho...

Alguém leva a sério que o ministro das Finanças consiga torcer pelo benfica?..

E se deixassem  de gozar com os "palhaços"?..

Curiosidades marginais (III): Porto Comercial e Zona Industrial e os erros estratégicos de localização

O assoreamento do Rio Mondego é um problema antigo e complicado. Mas, para a Figueira, nem tudo sempre foram desvantagens.
Antes do século XI, o Mondego navegável era a estrada natural para o comércio existente nos princípios da nacionalidade. Coimbra, Soure, Verride, Montemor-O-Velho eram então importantes praças comerciais e influentes portos fluviais no centro do país. Por sua vez, a Figueira limitava-se a ser um pequeno ponto localizado na foz do Mondego.
A partir do século XII, porém, o assoreamento do Mondego, com a natural perda da navegabilidade que daí resultou, fez com que um pequeno povoado pertencente ao concelho de Tavarede viesse a ganhar actividade e importância e se desenvolvesse até à cidade na moda, cosmopolita, mas ainda provinciana, dos dias de hoje.
E tudo começou, em boa parte, por há cerca de oitocentos anos o rio ter começado a ficar impraticável para a navegação. Como em tantos outros casos, o mal de uns foi a sorte de outros.
O rio e o porto estão associados ao crescimento da Figueira e são factores de desenvolvimento concelhio, pelo que deveria ter havido (e continuar a haver) o máximo de cuidado e planeamento na execução e expansão das obras portuárias.
As razões são óbvias: basta verificar qual será a função principal do porto comercial.
Fácil de responder: proporcionar o escoamento a mercadorias da zona centro do país, em especial das empresas sediadas na zona industrial da Figueira da Foz e das celuloses.
Sendo a Figueira, como sabemos, um porto problemático a vários níveis, nomeadamente por sofrer a influência das marés, enferma de um erro estratégico de fundo: a localização. A teimosia, ou a falta de visão, em manter o porto comercial na margem norte é um factor condicionante para as condições de funcionalidade da estrutura portuária.

Duas razões simples:
1º. Se estivesse na margem sul estaria mais perto das fábricas, o que pouparia as vias de comunicação que dão acesso ao porto comercial e evitaria a sobrecarga no tabuleiro da ponte da Figueira.
2º.  Principalmente no inverno, os navios acostados no cais comercial têm frequentes problemas de segurança, ao ponto de, por vezes, ser necessária a sua deslocação para a zona abrigada do porto de pesca com as demoras e despesas daí resultantes, o que torna mais onerosa e menos operacional a vinda dos navios à barra da Figueira.

Tempo é dinheiro no competitivo mercado dos transportes marítimos. O mal, contudo, está feito, mas não pode ser escamoteado. Até porque a vinda para a margem sul do porto de pesca não foi inocente. Era poluente ...
Também podemos aprender com os erros. E erro estratégico foi, igualmente, a implantação da zona industrial logo a seguir à zona habitacional da Gala, quando teria sido perfeitamente possível e fácil a sua deslocação mais para sul, possibilitando assim a criação de uma zona tampão entre as fábricas e as residências.
É uma questão pertinente, apesar do optimismo que aí vai com a notícia da implantação de uma fábrica que, segundo a responsável pela gestão do Parque Industrial, “é o maior projecto”, desde que a câmara tomou posse dos terrenos da zona industrial.
Com erros, ou sem erros, porto comercial e zona industrial são estruturas complementares no progresso e desenvolvimento do nosso concelho. Contudo, convém que o planeamento seja devidamente sustentado, pois erros já foram cometidos bastantes. Apesar dos alertas feitos em devido tempo.
Historicamente é conhecido que a ocupação espanhola dos Filipes foi penosa para Portugal. Na Figueira, conforme pode ler-se no Manifesto do Reino de Portugal, “nos séculos XV e XVI até as pescarias não eram seguras, porque nos nossos portos tomavam mouros e turcos as mal defendidas barcas de pesca; cativavam e faziam mercadoria humana dos miseráveis pescadores; e ainda se atreviam licenciosa e insolentemente ao mesmo nos lugares marítimos, como senão tiveram rei que os pudesse defender; e proibida a pescaria faltava ao reino uma considerável parte do seu sustento”.
Isto aconteceu na dinastia dos ocupantes Filipes. Nesse tempo, mouros, turcos e habitantes do norte da europa, todos piratas, saquearam e flagelaram Buarcos e a Figueira. Essa realidade só veio a mudar com a independência, a partir de 1640.
Todavia, só em meados do século XVIII o porto da Figueira conheceu o esplendor, beneficiando, é certo, de um factor exógeno: a quase inutilização da barra de Aveiro. Mais uma vez, o mal de uns foi a sorte de outros.
A região interior centro passou a processar o movimento de importação e exportação das mercadorias pelo porto da Figueira, a tal ponto que embora com demoras, dificuldades e riscos, a nossa cidade “ foi considerada a terceira praça comercial e marítima do país do século XIX”.
De então para cá aconteceram períodos mortos, avanços, recuos, estudo e mais estudos técnicos, ilusões, desencantos, mentiras, mas, nas últimas dezenas de anos, apesar de tudo, avançou-se desde o cais de madeira obsoleto e podre, apenas equipado com uma grua a vapor, tempos esses aliás ainda presentes na nossa memória.
Pena foi o cais comercial ter morto e enterrado as memoráveis regatas de outros tempos. Também por isso, porque é que não o implantaram na margem sul?

Em tempo.
Crónica Marginal de  António Agostinho, 18 de Junho de 2001, publicada no jornal Linha do Oeste     

terça-feira, 28 de maio de 2013

Costa de Lavos, 1958

foto de Gérard Castello-Lopes

28 de maio

Foi num 28 de Maio, mais concretamente em 1936, no 10º aniversário da «Revolução Nacional», que Salazar proferiu um discurso que ficou tristemente célebre pela frase que se ouve no vídeo:
«Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.»

Mas ninguém refere o resto do discurso que foi longo e que termina deste modo lapidar: «Nada valem filosofias e filósofos ou sonhos de sonhadores contra estas realidades.»
Não estamos em ditadura, mas sim numa democracia, embora débil, e ouvimos todos os dias frases equivalentes a esta. Mas os «sonhadores» um dia vencerão – contra estas e contra muitas outras tristes realidades. 

Mia Couto ganha Prémio Camões

Um prémio  merecido  que segundo o Juri foi entregue tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Curiosidades marginais (II): Semear para se ver?

Existe “desunião” na Figueira?
É possível que sim.
A comunidade citadina “preocupa-se mais com questões pessoais, de maledicência, de desejar o mal aos outros, do que com o que é importante”?
É possível que sim.
Existem figueirenses que, quando alguém aponta para a lua, olham para o dedo de quem aponta, esquecendo o resto?
É possível que sim.
Haverá figueirenses a torcer para que o “oásis do Santana” vá por água abaixo?
É possível que sim.
Mas - é bom não esquecer, - também existem os outros: os que estão unidos pela Figueira; os que não querem saber das tricas pessoais; os que se preocupam com as verdadeiras necessidades do seu concelho (freguesias rurais incluídas) e as medidas estruturais necessárias à sua resolução. Existem, ainda, os que para quem o “oásis do Santana” é irrelevante (já agora, aproveito para esclarecer o porquê: normalmente semeia-se para se colher. O oásis, faz parte de um conjunto de outros (alguns pseudo) mega-projectos onde se semeia para se ver. Dá para entender?)
Embora não se deva duvidar que se “continue a trabalhar com todas as forças”, pelos projectos do concelho, até porque não se pode ser “presidente de Câmara a brincar”, percebe-se porque é que se perdeu a capacidade de sonhar: em política, tal como na vida real, tem de se semear para colher. E, mesmo assim, por vezes, há problemas com as colheitas....
Quem semeia para se ver, acaba por sofrer as consequências dos chamados “acidentes de percurso”. Daí, ao esfumar de um sonho, é um passo.

Em tempo.

Crónica Marginal de  António Agostinho, 10 de Setembro de 1999, publicada no jornal Linha do Oeste.   

domingo, 26 de maio de 2013

Quem avisa amigo é...

Tinha avisado para entrarem em "alerta vermelho", pois o Benfica estava a correr sérios riscos de contrair o "The Peseiro Syndrome"...
E não é que assim aconteceu!..

Uma curiosidade dos dias que passam na nossa cidade é a necessidade de alguns figueirenses terem legendas…


A carta de Ruy de Carvalho

Esta foto é de 3 de Junho de 2011.
Mostra o actor Ruy de Carvalho, um Social Democrata, «porque acredita nesse tipo de formatação política»,  a cumprimentar  efusivamente o presidente do PSD, Passos Coelho, durante uma acção de campanha do partido, em Lisboa.
Agora, escreveu-lhe uma carta que merece ser lida na íntegra.
Não carece de explicação… Quem necessitar de uma, não iria percebê-la.
Apenas, tal como Ruy de Carvalho, embora eu não tenha tido culpa, pois não votei no senhor Passos Coelho, tenho pena que tenhamos tido tão pouca sorte nas escolhas que fez o Povo Português.


"Senhores Ministros:
Tenho 86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos novos talentos -, e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 36/40 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor…e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas destes país - colegas que muito prezo e gostava de poder defender.

Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante.
Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero... a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade, para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos e aumentar deveres.
É lamentável que o senhor Ministro das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com diretos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de Exel ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que mais me agride, nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes, sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial, que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito... porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
 RUY DE CARVALHO"

Bom domingo

sábado, 25 de maio de 2013

O esplendor da direita…


Em tempo.
Nos tempos que correm em Portugal, as castas iluminadas  – de que fazem parte os banqueiros, gestores e economistas de topo, membros de conselhos de administração, governantes,  e afins -, que, todos juntos,  não devem ser mais que um por cento da população, ganharam o  hábito de chamar privilegiados à maior parte dos restantes 99 por cento.
Daqui, estranhamente, está a dar-se  uma inversão do sentido de privilegiado.
Hoje, chama-se privilegiado a alguém que tenha perdido o  emprego,  e esteja a receber subsídio.
Este mero facto é a ilustração grotesca de quão baixo e mesquinho descemos em Portugal…
A continuar assim, a breve trecho, serão "privilegiados" todos aqueles que não estiverem a morrer de fome…
Curiosamente, porém, nunca são estes que trazem o tema do privilégio para a praça pública. Os desempregados não atacam o privilégio de se ter um emprego; querem apenas conquistá-lo.
Mas um banqueiro como este Salgado, que tem poucas oportunidades de ficar desempregado, defensor da  liberalização dos despedimento em Portugal - a benefício, supostamente, dos desempregados – ainda tem o desplante de dizer o que diz…
Aliás, é vulgar nos jornais, facilmente encontramos senhores que podem determinar o valor das suas pensões ou aumentar-se legalmente a si mesmos, que acusam o cidadão comum de, com os seus “privilégios”, estar a colocar em risco a sobrevivência de Portugal.
A esses senhoritos aproveito para lembrar o que dizia o padre António Vieira: “se é preciso muito peixe miúdo para alimentar um peixe grande, somente um peixe grande bastaria para alimentar muitos pequenos.”
Chegados aqui em que é que ficamos?
Ficamos a pensar, o  que já não é pouco, - não sendo embora um “privilégio” - nos cerca de 500 000 desempregados que não têm direito a subsídio... 

Uma palavra para o Miguel

Na Figueira, a vida democrática tem existido com alternância de poder, e é por isso que  andas  por  cá a mostrar a mensagem que queres passar.
"O  Miguel  está aqui, anda a  ver tudo. E vai  tomar conta de tudo.
Comigo, o futuro da Figueira brilhará…
E  brilhará de todas as maneiras possíveis, até ao infinito."
Felicidades  Miguel.
A Figueira merece-te.
E tu mereces a Figueira.
Vai ser  difícil?
Vai…  Mas se calhar, mais uma vez,  estarei  errado...