terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
MANUEL LUÍS PATA
Manuel Luís Pata, em Fevereiro de 2013, no ABCD - Arquivo Biblioteca e Centro de Documentação do CEMAR na Figueira da Foz (Buarcos), junto da sua célebre fotografia, aos dezanove anos de idade, acompanhado de João Pereira Mano (então com vinte e nove anos de idade, e imediato do navio), ambos posando para a posteridade, junto de alguns bacalhaus de grandes dimensões, a bordo do navio "Ana I", nos mares da Terra Nova (Foto de Luís Monteiro / Jornal Aurinegra, 2013).
SOS CABEDELO: um comentário…
![]() |
| imagem daqui |
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Assim, é com enorme satisfação que apresentamos ao mundo, ao país e à cidade, às freguesias e às aldeias o candidato PPD/PSD à Câmara Municipal da Figueira da Foz…
SEM COMENTÁRIOS (II)
A Associação de Bodyboard da Foz do Mondego, o Clube de Surf e Salvamento da Figueira da Foz e o Figueira Kayak Clube “não são partes integrantes do movimento SOS Cabedelo”, esclarecem, através de comunicado. E acrescentam que não têm ligações institucionais com o movimento nem reconhecem nos seus representantes poderes de representação dos clubes e associações de desportos de ondas.
O movimento, recorde-se, surgiu para defender a onda do Cabedelo, posta em risco pelo prolongamento do molhe Norte da Figueira da Foz. Dos pressupostos iniciais, realça o comunicado, “nem o nome se mantém, tendo os seus líderes, de forma consciente e progressiva, vindo a utilizar a projeção mediática para se promoverem, pessoal e politicamente, criando conceitos e marcas com fins puramente comerciais”.
Via AS BEIRAS
E agora admiram-se!..
Marcelo Rebelo de Sousa disse, ontem, no seu comentário semanal na TVI, que a
revisão em baixa das previsões económicas do Governo foi uma "bomba"
e que cabe a Passos Coelho reconhecer a falha e explicar que há uma razão para
mudar o rumo da estratégia.
"Olhando para os números de 2012 estava na cara. É uma bomba que se
deve a isto: o Governo foi optimista nas previsões e agora? O Governo tem dois
caminhos, que é disfarçar e reconhecer ao de leve, que é a tentação de Gaspar e
Passos, ou admitir o erro", afirmou Marcelo.
"Mas a solução imposta pela honestidade intelectual é só uma. Devem
assumir o erro e mudar de discurso, explicando que precisamos de mais um ano
para o défice"...
Os portugueses, sobretudo a maioria – a que votou PSD e CDS –,
parece que anda cabisbaixa, triste e
desiludida com o falhanço das previsões
económicas do governo, com especial destaque para as do Ministro Vítor Gaspar, o tal que explica devagar...
Estavam à espera de quê?..
Sobretudo e incompreensivelmente vocês, que ao votarem PSD e CDS, deveriam
saber (e se votam sem saber o que estão a
fazer, são irresponsáveis, estúpidos e burros, o que não vos iliba da
responsabilidade…) o que é uma economia de mercado – como todos sabemos, uma economia cujo crescimento deveria depender, em teoria, das empresas e dos indivíduos, e não dos
planos e da intervenção do governo.
Fiquem com esta garantia.
Minha – que vale o que vale...
Enquanto permanecer o saque fiscal, as empresas continuarão
a falir, o desemprego e a despesa do estado a aumentar, e os índices económicos
a definhar.
Em tempo.
Em tempo.
"Se nós temos um
Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela
foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de
ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções"…
Autárquicas 2013 na Figueira... (da série, o que já lá vai e o que ainda aí vem…)
A pesca da lampreia, sável e savelha no Mondego
"Tentámos, infelizmente sem sucesso. "
"Tentámos, infelizmente sem sucesso. "
Miguel Almeida no facebook
Brilhante dedução...
“Não me venham dizer que Miguel Relvas não sabe o que é uma
universidade? Não sabe... E não sabe o que é o ISCTE? Não sabe...”
domingo, 24 de fevereiro de 2013
“O MAR TAMBÉM SE LÊ”…
Terça-feira próxima, dia 26, o covagalense Pedro Agostinho Cruz, jornalista, vai estar na Escola E.B.
de Gala para mostrar uma narrativa fotográfica e falar um pouco do seu
trabalho.
Esquecimento imperdoável!
As facturas acumulavam-se em nome do sr. Pedro Coelho. 32
cervejas, 47 cafés, 5 bitoques, meia duzia de rissóis de pescada, dois bifes à
casa, 2 idas a casa de banho municipais – uma em Coimbra, outra em Barcelos –
um bacalhau com todos, um serviço completo de manicura, três depilações à
brasileira, três doses de pastéis de bacalhau com arroz de espigos, uma dose
dupla de tripas à moda do Porto, 14 garrafas de tinto de marcas sortidas, uma
dose de pézinhos de porco de coentrada, uma tachada de cadelinhas com papas de
xerém, até uma gralhada de lapas da Madeira.
E com tudo isto, ninguém, mas mesmo ninguém, se lembrou de
facturar um Kompensan ou mesmo uma humilde Água das Pedras para esmoer.
Isto não se faz!
Pesca no rio Mondego de lampreia, de sável e de savelha
| foto antónio agostinho |
- Para a pesca de lampreia, de 24 de fevereiro a 5 de março e de 16 de abril a 20 de dezembro;
Para a pesca do sável e savelha, de 1 de janeiro a 10 de março, de 22 de abril a 1 de maio e de 1 de junho a 31 de dezembro.
- O período de defeso da lampreia estabelecido no Despacho
n.º 31596/2008, de 26 de novembro de 2008, termina, em 2012, a 20 de dezembro, iniciando-se a safra a partir do dia seguinte.
- Entre 24 de fevereiro e 5 de março e entre 22 de abril e 1 de maio, para além da interdição da captura, manutenção a bordo, descarga e primeira venda de exemplares das espécies em defeso capturadas em águas interiores não
marítimas no Rio Mondego, é interdito calar redes de tresmalho de deriva e de fundo e as asas das estacadas dirigidas à pesca de lampreia e devem ser retiradas ou unidas e a rede levantada por forma a impedir a captura de peixes.
Para a pesca do sável e savelha, de 1 de janeiro a 10 de março, de 22 de abril a 1 de maio e de 1 de junho a 31 de dezembro.
- O período de defeso da lampreia estabelecido no Despacho
n.º 31596/2008, de 26 de novembro de 2008, termina, em 2012, a 20 de dezembro, iniciando-se a safra a partir do dia seguinte.
- Entre 24 de fevereiro e 5 de março e entre 22 de abril e 1 de maio, para além da interdição da captura, manutenção a bordo, descarga e primeira venda de exemplares das espécies em defeso capturadas em águas interiores não
marítimas no Rio Mondego, é interdito calar redes de tresmalho de deriva e de fundo e as asas das estacadas dirigidas à pesca de lampreia e devem ser retiradas ou unidas e a rede levantada por forma a impedir a captura de peixes.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Deve ser maravilhoso debater com o Miguel Almeida...
![]() |
| Beiras 23.02.2013 (para ler melhor clicar na imagem) |
A proposta foi apresentada pelo vereador PSD Miguel Almeida na última reunião, realizada esta semana, e foi aprovada com 5 votos a favor e 4 abstenções. Embora a aprovação tenha sido por voto secreto, sabe-se que os votos a favor foram do PSD e dos 100% e as abstenções do PS.
Em tempo.
Peço às altas competências
Perdão, porque mal sei ler,
Para aquelas deficiências
Que o meu blogue possa ter.*
* Com as devidas desculpas ao grande António Aleixo, pela adaptação...
E assim se consegue atingir o limite máximo de dedução à colecta de IRS relativo a 5% do IVA suportado e efectivamente pago…
Somos portugueses…
Somos “piegas”, “malandros”, “desorganizados”, “bananas”?...
Há quem diga que sim…
Mas, em criatividade e “malandrice” ninguém nos bate…
Ah… E somos “ratos” e temos cá um sentido de humor - mesmo nas épocas mais difíceis.
Somos portugueses!
Ponto final.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
A lei do álcool explicada a atrasados mentais?..
"Seria um excesso da parte do Estado proibir um jovem de 17 anos de beber uma imperial".
Este foi um dos argumentos do secretário de Estado do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, para justificar a diferenciação entre vinho, cerveja e bebidas espirituosas prevista na lei do álcool.
Via Expresso
Este foi um dos argumentos do secretário de Estado do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, para justificar a diferenciação entre vinho, cerveja e bebidas espirituosas prevista na lei do álcool.
Via Expresso
Ainda há “boas notícias”…
Governo baixa taxa de
desemprego, e, ao mesmo tempo,ainda contribui
para elevar a média dos salários dos trabalhadores
portugueses…
Aprendam com quem
sabe: basta ser empreendedor e tem-se emprego garantido e bem pago.
Continua o festival de Gaspar de previsões ao lado…
Embora, em estilo de “comediante”, Vítor Gaspar acha um
"estímulo" ser comparado a meteorologista...
Isso é preocupante, pois pura e simplesmente, não consegue acertar uma.
Até “os laranjinhas” já estão a notar…
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
ESTADO DA NAÇÃO
Por razões pessoais, sou um consultor assíduo do site do Instituto de Emprego e Formação Profissional.
Algumas das ofertas de emprego são de bradar aos céus, mas dizem muito do desconchavo que por aí vai nas cabecinhas dos empreendedores portugueses neste tempo de vacas magras...
Acedam à Oferta Nº: 587970507, leiam com atenção, mas, por favor, não riam que o caso é mesmo sério...
“FUNÇÕES DE INTÉRPRETE EM NEGÓCIOS COM OUTROS PAÍSES (NOMEADAMENTE O IRÃO) E RELAÇÕES PUBLICAS. DISPONIBILIDADE PARA LONGAS VIAGENS INTERNACIONAIS (PERIÓDICAS) EM REPRESENTAÇÃO DA EMPRESA. TRABALHO DE SECRETARIADO (GESTÃO DE ENCOMENDAS). TRABALHO DE DESALFANDEGAMENTO DE BENS IMPORTADOS. TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS PARA OUTRAS LÍNGUAS.ATUALIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO DIRETAMENTE EM BASE DE DADOS E PAGINAS WEB. TAREFAS CONTABILÍSTICAS. FACILIDADE DE TRABALHO EM AMBIENTES LINUX, REDES DE COMUNICAÇÃO, BASE DE DADOS E WEB.OUTRAS FUNÇÕES E TAREFAS:- NATIVO PERSA / FARSI. FLUENTE EM INGLÊS, PORTUGUÊS. CONHECIMENTOS AVANÇADOS DE ALEMÃO,ESPANHOL, ITALIANO E MANDARIM;- FÁCIL ACESSO AO IRÃO. COM HABITAÇÃO EM TEERÃO;- DISPONIBILIDADE PARA VIAJAR INTERNACIONALMENTE PERIODICAMENTE;- CONTATOS COMPROVADOS COM EMPRESAS DE PELES, ESPECIARIAS, MATERIAL ELECTRÓNICO E INFORMÁTICO;- CONHECIMENTOS DE PROGRAMAÇÃO DE APLICAÇÕES (JAVA, C, C#, VB), CONHECIMENTOS DE BASE DE DADOS (ORACLE, MYSQL, H2, MONETDB, MONGO), CONHECIMENTOS DE DESIGN WEB (HTML, CSS3, AJAX, JQUERY, PHP, PHOTOSHOP, AI, FW),CONHECIMENTOS DE REDES DE COMUNICAÇÃO (TCP/IP, UDP, VOIP, IPV4, IPV6);- CONHECIMENTOS DE NORMAS ISO9000, ISO9001 E SUA IMPLEMENTAÇÃO DENTRO DA ORGANIZAÇÃO;- CONHECIMENTOS DE LINUX (BASH);- CONHECIMENTOS AVANÇADOS DE CONTABILIDADE A NÍVEL INTERNACIONAL.”
E tudo isto por 485 Euros!
Acedam à Oferta Nº: 587970507, leiam com atenção, mas, por favor, não riam que o caso é mesmo sério...
“FUNÇÕES DE INTÉRPRETE EM NEGÓCIOS COM OUTROS PAÍSES (NOMEADAMENTE O IRÃO) E RELAÇÕES PUBLICAS. DISPONIBILIDADE PARA LONGAS VIAGENS INTERNACIONAIS (PERIÓDICAS) EM REPRESENTAÇÃO DA EMPRESA. TRABALHO DE SECRETARIADO (GESTÃO DE ENCOMENDAS). TRABALHO DE DESALFANDEGAMENTO DE BENS IMPORTADOS. TRADUÇÃO DE DOCUMENTOS PARA OUTRAS LÍNGUAS.ATUALIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO DIRETAMENTE EM BASE DE DADOS E PAGINAS WEB. TAREFAS CONTABILÍSTICAS. FACILIDADE DE TRABALHO EM AMBIENTES LINUX, REDES DE COMUNICAÇÃO, BASE DE DADOS E WEB.OUTRAS FUNÇÕES E TAREFAS:- NATIVO PERSA / FARSI. FLUENTE EM INGLÊS, PORTUGUÊS. CONHECIMENTOS AVANÇADOS DE ALEMÃO,ESPANHOL, ITALIANO E MANDARIM;- FÁCIL ACESSO AO IRÃO. COM HABITAÇÃO EM TEERÃO;- DISPONIBILIDADE PARA VIAJAR INTERNACIONALMENTE PERIODICAMENTE;- CONTATOS COMPROVADOS COM EMPRESAS DE PELES, ESPECIARIAS, MATERIAL ELECTRÓNICO E INFORMÁTICO;- CONHECIMENTOS DE PROGRAMAÇÃO DE APLICAÇÕES (JAVA, C, C#, VB), CONHECIMENTOS DE BASE DE DADOS (ORACLE, MYSQL, H2, MONETDB, MONGO), CONHECIMENTOS DE DESIGN WEB (HTML, CSS3, AJAX, JQUERY, PHP, PHOTOSHOP, AI, FW),CONHECIMENTOS DE REDES DE COMUNICAÇÃO (TCP/IP, UDP, VOIP, IPV4, IPV6);- CONHECIMENTOS DE NORMAS ISO9000, ISO9001 E SUA IMPLEMENTAÇÃO DENTRO DA ORGANIZAÇÃO;- CONHECIMENTOS DE LINUX (BASH);- CONHECIMENTOS AVANÇADOS DE CONTABILIDADE A NÍVEL INTERNACIONAL.”
E tudo isto por 485 Euros!
Toinos
![]() |
| foto sacada daqui |
A verdade é que não vamos perder a oportunidade de ouvir
Relvas todos os dias até que nos livremos deste governo. Quem não ouvimos há muito tempo é a Maria José Oliveira? Não sabem quem é a Maria José Oliveira? É
a jornalista que Miguel Relvas perseguiu e acabou por se demitir do jornal
Público. Será que António Barreto sabe o que é feito da jornalista? Ter-lhe-á
dado emprego na sua fundação ou prefere os livrinhos escritos pelo José Manuel
Fernandes?
Num país onde os jornalistas são perseguidos, onde os
portugueses perdem os mais elementares direitos e são tratados como uns
criminosos que ousaram pensar ter direitos, os nossos Toinos estão preocupados
com a liberdade de expressão do falso doutor Relvas!
Então agora uma canção tem equivalência a um abalroamento?...
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Grândola Vila Morena ... o porquê a canção de Abril
Conto esta história na primeira pessoa, porque é a narrativa
de uma experiência de vida difícil de esquecer…
Há quem pense que foi a letra que fez do “Grândola” a canção
escolhida para “senha de avanço” na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, que
foi o poema ou a figura de José Afonso, per se… mas não… se tudo isso pesou, e
pesou decerto, a composição do Zeca tornou-se o símbolo da revolução dos cravos
por um significado maior, que adquiriu menos de um mês antes. Foi num
acontecimento em que participaram muitos portugueses, de forma espontânea, mas
que passou relativamente despercebido na comunicação social de então, nesses
tempos em que a Imprensa, para falar de certas coisas, tinha que fazê-lo “nas
entrelinhas”…
Estava-se em Março de 1974.
A Casa da Imprensa organiza, no Coliseu dos Recreios, o
“Primeiro Encontro da Canção Portuguesa”.
Quase não aconteceu, porque a necessária autorização nunca
chegou. Segundo declarações de José Jorge Letria à Visão, trinta anos depois,
“O regime já estava nitidamente em fase de implosão. Quiseram derrotar-nos não
com uma proibição do Festival, mas com uma não-resposta. Até ao dia do
espectáculo ainda não sabíamos se tínhamos, ou não, autorização. Por volta das
17 e 30 do dia 29, quando cheguei ao Coliseu, já havia muita gente à volta, e
ao fundo da Avenida da Liberdade lá estava a polícia de choque… estava a
desenhar-se ali um confronto!”
O ambiente no país era tenso: menos de duas semanas antes
tinha ocorrido o golpe frustrado de 16 de Março, a censura dominava.
Eu trabalhava então como repórter free-lancer para o
programa “Limite” da Rádio Renascença (o tal que tocou o “Grândola Vila
Morena”) e fazia em média seis reportagens de exteriores por semana, com não
mais que uma a passar as malhas da censura.
Nessa noite, fui ao Coliseu, armado de gravador e uma grande
vontade de ouvir as vozes que os censores da rádio baniam.
O ambiente era quente, a despeito de uma primavera ainda
fria… os bilhetes tido sido todos vendidos e houve quem ficasse à porta. O
Governo fez deslocar para o Coliseu muitos agentes da ex-PIDE, que então se
chamava DGS, misturados com os espectadores.
A primeira coisa que vi quando cheguei foram dois
cavalheiros da censura a verificar as letras do que ia ser cantado – o visado
era Adriano Correia de Oliveira, depois seguiram-se todos, sem excepção – o
Zeca lá conseguiu ordem para cantar o Milho Verde e uma música alentejana que
não pareceu perigosa aos senhores do lápis vermelho, o “Grândola”…
Do palco, a música abraçou um Coliseu com cerca de sete mil
pessoas.
Ali estiveram Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Pedro
Almeida, Fausto, Barata Moura, Vitorino, Adriano Correia de Oliveira, Zeca
Afonso, Carlos Paredes, José Jorge Letria e Manuel Freire.
Tudo foi normal até à chegada ao palco do “cantor
andarilho”. Zeca cantou o Milho Verde e a plateia pediu as canções que mais
gostava… “Os Vampiros”, foi um grito que ouvi várias vezes.
Nessa altura, decidi sair dos bastidores e fui para a
plateia, gravar tudo mais de perto.
José Afonso ia dizendo que não podia cantar o que o público
queria… “Não pode ser, percebam… vamos cantar outra coisa”…
Foi então que se começou a fazer História.
Zeca cantou o Grândola. A meio, a plateia juntou-se-lhe,
depois o resto do Coliseu, e também os artistas que tinham estado em palco –
voltaram, deram-se braços, cantaram juntos, numa fila que enchia a boca de
cena.
A canção estava no fim, por essa altura… e foi natural que
nem chegasse a terminar, recomeçando agora a sete mil vozes!
Eu corria de pessoas em pessoa, recolhendo testemunhos que
não conseguia ouvir, microfone encostado às bocas…
O som era avassalador, uma música simples, uma letra que
todos sabiam, sete mil peitos em riste… até àquilo que foi a mais
impressionante manifestação espontânea que assisti em toda a minha vida!
Já o Grândola ia em fins de segunda volta, aconteceu o
inesperado…
… a certa altura, em vez de a música continuar alentejana, o
próximo verso foi o primeiro do Hino Nacional – assim, sem pausa, sem
transição, sem que ninguém tivesse dito nada… parece que foi um sentimento
colectivo que sete mil pessoas tiveram!
Grândola Vila Morena transformou-se em Heróis do Mar e foi
cantado da primeira à última estrofe, sete mil portugueses de pé a fazer vibrar
a sala com o hino da pátria amordaçada, numa repentina liberdade assumida ali e
então.
Nada poderia ter sido mais claro, nenhum grito faria mais
sentido.
Foi um momento que ficou escrito em letras de memória para
quem lá esteve, um momento inolvidável, uma pedra de História.
Tinha nascido a razão maior por que “Grândola Vila Morena”,
menos de um mês depois, se tornaria a escolha natural para uma senha que iria
abrir as portas a um pais novo!»
Pedro Laranjeira
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















