via Diário as Beiras
terça-feira, 7 de abril de 2026
Segundo a Junta de Freguesia de São Julião, a iniciativa “Jardim da Páscoa” levou milhares de pessoas ao longo dos quatro dias ao Jardim Municipal
A Junta de Freguesia de São Julião, em nota de imprensa, fez balanço positivo da primeira edição do Jardim da Páscoa, que se realizou no Jardim Municipal da Figueira da Foz, reunindo, ao longo de quatro dias, vários milhares de pessoas.
“O Jardim da Páscoa apresentou uma instalação temática cuidadosamente preparada, com diversos elementos alusivos à quadra, proporcionando um ambiente acolhedor e apelativo para famílias, visitantes e toda a comunidade”, informa a nota de imprensa. E a seguir sublinha: "ao longo dos quatro dias, os mais pequenos puderam desfrutar de um conjunto diversificado de atividades”. Por outro lado, "as noites foram animadas por bandas e djs figueirenses".
A iniciativa “destacou-se pela forte adesão do público, afirmando-se como um verdadeiro ponto de encontro intergeracional e um momento de partilha e celebração na freguesia”, pode ler-se ainda na nota de imprensa emitida pela Junta de Freguesia de S. Julião.
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Saramago, a revisão curricular ou a diluição do Nobel da Literatura
"De boas intenções está o inferno cheio", diz o povo. E diz bem.
| António Carlos Cortez |
E porquê? Justamente porque José Saramago – tal como Vergílio Ferreira, cujo romance Aparição desapareceu dos programas e era, sem dúvida, das mais belas experiências estéticas que um adolescente podia ter! – é daqueles autores que pede que, antes de um leitor entrar no seu universo romanesco tenha atrás de si um cabedal de leituras (de ensaio, de romances, de textos de História e de História das Ideias) que – todos sabemos disso – nenhum aluno tem ao chegar ao 12.º ano. Nenhum aluno e, a bem da verdade, poucos professores.
Resultado: esta revisão curricular, que coloca Cesário Verde no 12.º ano, mas faz desaparecer Herberto Helder, é apenas uma declaração de boas intenções para que, em maior ou menor grau, tudo fique na mesma. Com uma agravante: sem a prosa de Saramago como conteúdo "obrigatório", é óbvio que muitas escolas não irão optar pelo Nobel da Literatura. E eis-nos num outro lado do problema: a formação de professores e a subsequente qualidade das aulas.
Por que razão não é Saramago um autor a ler, como se deve exigir que o seja? Porque, na verdade, na formação de professores de Português o que se faz é pensar a avaliação, em vez de se pensar em como leccionar, como analisar, como escrever e como ensinar a escrever e a pensar sobre textos complexos.
Como é que eu posso ajudar a ler, a fruir a leitura de um romance como Memorial do Convento; com que ensaios poderei auxiliar os alunos a compreenderem obra tão magistralmente bela? E o mesmo que digo sobre os romances de Saramago, digo-o para autores que esta revisão sugere que sejam lidos: Jorge de Sena, Carlos de Oliveira, António Ramos Rosa, Fiama, Luís Filipe Castro Mendes... Com muitos professores a entrarem na profissão sem uma formação científica sólida, é claro que Saramago (como Gil Vicente e Camões, como os trovadores ou como… Pascoaes, ou Cesário), sempre constituiria um obstáculo difícil de transpor. Mas é essa a missão da escola – e já agora da formação de professores! Isto é: pensar o que é difícil e avaliar na medida exacta em que estamos a formar gerações que queremos que tenham "pensamento crítico".
Mas se tudo na escola e na formação de professores é uma mistificação (haverá excepções, bem sei, cada vez mais excepcionais, decerto) o ponto é só um: fará sentido que um romance (seja ele o Memorial do Convento, seja ele O Ano da Morte de Ricardo Reis) do nosso único Nobel da Literatura passe a ser opcional no último ano do Secundário? Não, não faz. E não faz porque para se ler Saramago, como para ler qualquer escritor maior da nossa cultura, o estudante português teria de ter aprendido a pensar a obra de arte literária e, subsequentemente, a escrever bem sobre o texto literário e, por inerência, a escrever bem porque, de forma natural, teria apreendidas as estruturas sintáctica e semântica, morfo-sintáctica e morfo-semântica da língua portuguesa.
Sucede, todavia, que hoje, à saída do 12.º ano, a maioria dos estudantes nada teve de ler para chegar ao 12.º ano. Comentar um poema, um trecho de um romance, uma peça de teatro, seja de que autor for, isso é exercício raríssimo de se praticar nas aulas de 2026. Pejadas de jogos didácticos e de infantilidades avaliativas, verdadeiros espaços onde grassa a indisciplina e a ditadura digital, Saramago passa a ser opcional porque, em bom rigor, a Cultura na escola é opcional também. E o mesmo se diga na formação de professores, viveiro de tanto absurdo."
«... é impossível olhar para a Terra, e depois para o resto do jornal, e não dizer "Que mal que se portam os micróbios!".»
"Como olheiro veterano do nosso planeta, tenho de confessar que a Terra já não é o que era em 1968, quando foi fotografada a 21 de Dezembro pelo astronauta William Anders."
"O André Ventura usou todas as formas de mentira"
O comentador da CNN Portugal diz que André Ventura utilizou "todas as formas de mentira" durante o seu discurso no Parlamento a propósito dos 50 anos da Constituição e quer a realização de um debate sobre os temas abordados com o presidente do Chega.
Para ouvir clicar aqui.
André Ventura: tens coragem para aceitar o desafio de José Pacheco Pereira?
Quinto Molhe: depois de décadas um inverno tranquilo
Neste blogue, já em 2006, andávamos a fazer alertas para o estado em que se encontrava a duna logo a seguir ao chamado “Quinto Molhe”, a sul da Praia da Cova.
Escrevemos, então que, "por vezes, ao centrar-se a atenção sobre o acessório, perdia-se a oportunidade de resolver o essencial..."
"Qualquer imbecil começa uma guerra, cem homens sábios não chegam para acabá-la" *
Recorde-se que no passado dia 21 de março o presidente dos EUA ameaçou arrasar as infraestruturas energéticas iranianas se Teerão não aceitasse um acordo no prazo de 48 horas. Esse prazo foi depois prolongado por cinco dias, até 28 de março, após, segundo Trump, os dois países terem mantido “negociações construtivas”. Um dia antes desse prazo expirar, a 27, o presidente dos EUA anunciou que seria prolongado por mais 10 dias, até às 20h00 de segunda-feira, dia 6 (01h da madrugada de terça-feira em Lisboa).
A “descida à Terra” de Francisco Rodrigues dos Santos
É um lugar-comum, mas eles existem por isso mesmo. Naquele 18 de Dezembro de 2022, partilhou a notícia publicamente. "Ser pai é descobrir que ainda é possível mudar o mundo," escreveu, num post no Instagram. Passado o cliché de "amor irredutível e inalienável", Francisco realça que, ao descobrir a "empatia incondicional" que surge com os estados de alma, pensamentos e vontades de um filho, também chegou a outro lugar: o questionamento.
"Vivemos num tempo muito maniqueísta, altamente dogmático, de certezas absolutas, e o filho ensina-nos a colocarmo-nos em causa e a aprendermos a cultivar a dúvida", explica.
- Hoje não tens certezas absolutas?
- A ciência avança quando procuramos o cisne negro. Há um consenso, quase canónico, de que todos os cisnes são brancos, mas só evoluímos quando o pomos em causa. Tenho convicções que norteiam a minha vida. Se estou disponível para as questionar? Todos os dias. Mas não sou relativista...
- Mas não estavas disponível?
- Estava menos do que estou hojе.
domingo, 5 de abril de 2026
Montenegro disse que estamos melhor. O que é que vocês pensam? Não dei por nada. Será que ando muito distraído?
Montenegro, há três dias, informou-me que "o país está melhor e os portugueses também estão melhor, após dois anos de governo AD, o País está melhor".
Provavelmente, só ele e os seus aficcionados é que deram por isso.
Por mim falo, quando vou ao supermercado, quando encho o depósito, segundo sei por quem tenta arranjar uma casa, ou quando tento arranjar resposta no SNS, penso exatamente o contrário: o País está pior.
"Os portugueses quiseram a mudança, acreditaram que era possível fazer mais e deixar de adiar o futuro. Hoje, o país está melhor e os portugueses também estão melhor", disse.
O chefe do Governo indicou ainda que houve uma aposta "num Estado mais ágil, mais leve, focado em servir melhor os cidadãos e as empresas, que combate a burocracia por dentro e elimina os bloqueios e a desconfiança".
Vocês deram por alguma coisa?
Afinal, as leis contra os ciganos começaram em 1509, com D. Manuel I
Via Público
"Descoberta, diz historiador Francisco Mangas, é mais um estímulo para estudar presença cigana em Portugal.
Os investigadores lembram que D. Manuel I ordenou a expulsão dos judeus no dia 5 de Dezembro de 1496. Essa foi uma exigência dos reis católicos de Espanha para que o monarca pudesse casar-se com infanta D. Isabel.
Fernando de Aragão e Isabel de Castela assinaram a primeira grande lei de expulsão dos ciganos no dia 4 de Março de 1499. Não há notícia de que tenham forçado D. Manuel I a fazer o mesmo, mas a sua prática pode ter influenciado. "É no mesmo contexto, no mesmo quadro mental", remata Francisco Mangas.
Os ciganos, como os judeus e os cristãos-novos, eram uma minoria a erradicar quando se estava a formar a ideia de Estado-nação."
NOVA FÁBRICA DE COMBUSTÍVEL "VERDE" PARA AVIAÇÃO NA MARINHA DAS ONDAS
Comunicado dos vereadores do PS na Câmara Municipal
«Na reunião de Câmara do passado dia 2 de abril, foi apresentada pelo executivo camarário uma proposta de alteração do Plano Diretor Municipal (PDM), na freguesia da Marinha das Ondas, para alteração de uma parcela de cerca de 28ha de solo rústico para urbano, para instalação de uma fábrica de combustível “verde” para aviação.
Os 50 anos da Constituição: “NÃO É A CONSTITUIÇÃO QUE IMPEDE A RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS, É O SEU INCUMPRIMENTO”, disse o PR
"A Constituição é vista hoje ou como imutável, ou como velha e desajustada. Mas não é uma coisa nem outra. Passaram-se quinta-feira 50 anos sobre a aprovação da Constituição, o texto fundamental da nossa democracia. Na verdade, ela já não é o que foi, após sete revisões, das quais as de 1982 e 1989 foram as mais importantes. Mas está enraizada no nosso sistema político e quem pretende revê-la tem de ser muito explícito a dizer ao que vem."
sábado, 4 de abril de 2026
As estratégias em curso para destruir a democracia por dentro
«O que se passou esta semana no Parlamento, feito onde foi e perante quem foi, é um insulto e uma intimação para um confronto.
Transformar a Assembleia da República num local de provocações que obrigam a respostas é uma estratégia que ataca um dos fundamentos da democracia, o papel do Parlamento como pilar de um dos poderes legítimos do sistema democrático, tal como ele se encontra definido na Constituição. O Parlamento sempre foi um dos alvos preferenciais dos extremos políticos, quer à direita, quer à esquerda, com argumentos muitas vezes semelhantes, centrados em regalias reais ou imaginárias dos deputados, no seu número, na qualidade do seu trabalho, e nos casos de abusos de influência e corrupção que um corpo tão largo de “políticos” inevitavelmente suscita.
Embora falemos aqui de uma estratégia, ou seja, de um plano mais ou menos deliberado, “sentimental” e racional, com consciência ou sem ela, isso não significa que ele não esteja hoje muito facilitado pela própria degradação da instituição parlamentar. Mais do que qualquer outro corpo em democracia, o Parlamento tem sido vítima do fechamento dos partidos à sociedade, com escolhas cujo único critério é o poder interno, sem prestígio social, nem profissional, nem político, ou seja, gente muito pouco preparada para exercer um poder num local com a visibilidade de um Parlamento. Essa degradação facilita e muito o ataque ao Parlamento, aumentando as características de proximidade negativa que os deputados têm com o homem “comum”. Essa proximidade sempre tornou, em todo o mundo, os parlamentos mais susceptíveis à crítica, enquanto senados e governos parecem mais distantes.
Acresce que os parlamentos não são lugares olímpicos, são lugares onde a luta política, a dureza do confronto entre pessoas e grupos, se aproximam muitas vezes de excessos – têm vida a mais e ainda bem. Se forem lugares de salamaleques, estão mais mortos do que vivos, e reflectem – e, insisto, bem – aquilo que as democracias têm e que as ditaduras eliminam, a vida democrática onde o “consenso” é uma excepção. É por isso que estão lá maiorias e minorias, reflectindo as “partes” da sociedade, interesses, ideias, mundovisões, que são escolhas que se fazem em eleições. Uma das heranças malditas de 48 anos de censura foi a demonização da política e da ideologia, que em democracia são naturais porque os governos não são nem de “salvação nacional” nem tecnocracias. A democracia é feita de ruído e não de silêncio, mas os procedimentos democráticos tornam esse ruído num sentido comum, superando o caos, mas não o eliminam.
Outro factor que caracteriza a vida parlamentar em democracia é que eles são lugares onde a liberdade de expressão vai mais longe, e é especialmente protegida pela imunidade parlamentar. É por isso que a mesa da Assembleia tem nestes dias uma especial e, às vezes, difícil responsabilidade, que é distinguir entre o que é a liberdade de expressão na sua mais ampla dimensão, do que é provocação, insulto, pura má educação, violência verbal e, acima de tudo, perturbação do processo parlamentar. Ou, pior ainda, do que é ataque ao Parlamento feito dentro dele.
Estamos longe dos tempos em que a mesa da Assembleia admoestou um deputado, que se dirigiu ao primeiro-ministro de então, dizendo “o senhor está grávido do interesse nacional”. Agora, perante a turbulência deliberada, tudo é mais complicado, mas a mesa da Assembleia, com raras excepções, está longe de ajudar a uma condução dos trabalhos minimamente aceitável. Ao permitir o que não devia permitir, quer no plenário, quer fora dele, torna-se cúmplice do ataque ao Parlamento como instituição.
O que se passa hoje no plenário e nos corredores é de outra natureza. E nada tem a ver com liberdade de expressão, tem a ver com violência em múltiplas formas. Insultar as deputadas, que são, como mulheres, um dos alvos do machismo do homem branco e da multidão de forcados em potência que lá está, com mugidos de vaca e beijos obscenos, no passado teria uma resposta dada por um gesto amplo da mão e um encontro imediato do terceiro grau com uma face, gesto cujo nome me abstenho de dar.
O que se passou esta semana na comemoração do aniversário da Constituição da democracia tem um significado político que ultrapassa a dimensão parlamentar. Não me refiro às mentiras, omissões da verdade e sugestões de falsidade, a panóplia total das formas de mentir, proferidas no púlpito. Aí, ainda estamos no domínio da liberdade de expressão, mas essa liberdade tem consequências quando faz parte de uma espécie de guerra civil contra o 25 de Abril e a democracia. Feita onde foi e perante quem foi, é um insulto e uma intimação para um confronto. Nessa liberdade diz-se alguma coisa que está para além do Parlamento: o que se diz é que a luta dos portugueses já não só pela liberdade conquistada em 25 de Abril, mas na construção posterior da democracia, foi uma “traição” aos portugueses de lei que gostavam de Salazar, das prisões políticas e da guerra colonial, cujo número de mortos nunca se refere como se não tivesse nada a ver connosco.
O Chega e o toureiro de novilhos do CDS comportaram-se como se fossem uma delegação de santos que descessem do paraíso “patriótico” aos infernos “democráticos” para aumentar ainda mais as penas dos malditos. Estes não gostaram e fizeram o mínimo, viraram-lhes as costas.
Que sorte que eles têm em estarmos em 2026, em terem à sua frente gente com princípios e educação, gente que já demonstrou a sua coragem, e que lhes deu uma lição, mesmo assim muito “limpa” face à sujidade que lhes atiraram.»
Ensinar a reparar, a quem já se sabe ver
"José Saramago pode deixar de ser um escritor de leitura obrigatória para os alunos do ensino secundário em Portugal. Esta é uma das propostas de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, em consulta pública pelo Ministério da Educação até ao dia 28 de abril. Se a proposta for aprovada, a partir do ano letivo 2027/28, as escolas deixam de ser obrigadas a escolher entre o “Memorial do Convento” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, como leitura obrigatória do 12.º ano, passando a poder optar por outras obras, de outros escritores.












