Os defensores da austeridade sabem pôr-se ao fresco. No tempo da troika, Hélder Rosalino tratou da razia de salários e tentou o maior corte de sempre das pensões. Ficou no Banco de Portugal, a receber 16 mil para a aquecer um lugar que não teria de ser ocupado se saísse. Para ser secretário-geral do governo, mudou-se a lei à medida. O escrutínio impediu-o, mas quando disserem a funcionários públicos e pensionistas que o orçamento não aguenta as suas reivindicações, só têm de recordar Rosalino: “ai aguenta, aguenta!”
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
Rosalino, querias ir ao baile?.. Aguenta...
Os defensores da austeridade sabem pôr-se ao fresco. No tempo da troika, Hélder Rosalino tratou da razia de salários e tentou o maior corte de sempre das pensões. Ficou no Banco de Portugal, a receber 16 mil para a aquecer um lugar que não teria de ser ocupado se saísse. Para ser secretário-geral do governo, mudou-se a lei à medida. O escrutínio impediu-o, mas quando disserem a funcionários públicos e pensionistas que o orçamento não aguenta as suas reivindicações, só têm de recordar Rosalino: “ai aguenta, aguenta!”
A urgência das exonerações revela um PSD “cheio de vontade de ir ao pote”. Mas o caso do salário de Hélder Rosalino ia para lá do descaramento. Mínimos de escrutínio obrigaram a recuar. Quando a comunicação social faz o seu trabalho o abuso é travado. Como é sabido, os salários dos bancos centrais estão alinhados com os europeus, criando ilhas de privilégio para os que dão lições de modéstia nas finanças públicas. Hélder Rosalino ganhava 15 mil euros. Para lhe continuar a pagar este salário como seu secretário-geral, o governo mudou a lei, na véspera da nomeação. Disse que até ia poupar, porque ele receberia o mesmo que no BdP e não se gastariam seis mil com outro secretário-geral. Começamos a perceber os recorrentes erros nas contas do governo. Primeiro, o BdP tem orçamento próprio. Por isso, o Estado iria gastar mais nove mil do que se contratasse outra pessoa. Depois, mesmo que as contas fossem as mesmas, Rosalino teria de ser substituído no BdP. Aparentemente não, o que nos leva a outra questão, mais relevante para Centeno do que para Montenegro: há, no banco central, quem receba 15 mil euros para aquecer o lugar. É esta instituição que nos quer dar lições de contenção orçamental? Quanto a Rosalino, tratou, no tempo da troika, da razia nos salários dos trabalhadores do Estado. E foi ele que tentou o maior corte de sempre nas pensões. É a principal lição desta nomeação abortada: os defensores da austeridade sabem pôr-se ao fresco. Quando disserem aos funcionários públicos e aos pensionistas que o orçamento não aguenta as suas reivindicações, só têm de recordar este episódio: “Ai aguenta, aguenta!”
2025, ano de eleições autárquicas...
No dealbar de um novo ano, talvez não fosse má ideia olhar para a Figueira, para as próximas eleições autárquicas, aquelas que elegem orgãos mais próximos dos eleitores e que vão decorrer dentro de menos de 9 meses - em Setembro do corrente ano.
Então reparem.
Via Diário as Beiras
quarta-feira, 1 de janeiro de 2025
Eis 2025. O que nos reserva?
"Bons dias em Janeiro, enganam o homem em Fevereiro."
"Em Fevereiro chuva, em Agosto uva."
"Em Março, cada dia chove um pedaço"
"É o próprio do mês de Abril, as águas serem mil".
"As favas, Maio as dá e Maio as leva."
"Junho: ande o verão por onde andar, pelo S. João cá vem parar."
"Quando Julho está a começar, as cegonhas começam a voar".
"Não há casamento em Agosto, que não tenha desgosto".
"Para vindimar deixa Setembro acabar".
"Em Outubro sê prudente: guarda o pão, guarda a semente".
"Novembro: pelo São Martinho bebe o bom vinho e deixa a água para o moinho".
"Dezembro: na mesa de Natal o pão é essencial".
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
José Pires de Azevedo passou a integrar a toponímia da cidade
Via Diário as Beiras
Para que a memória não seja curta, recordo uma "outra homenagem" que está por cumprir desde 1983.
O figueirense José Pires de Azevedo passou a integrar a toponímia da cidade, na rotunda da Ponte do Galante. Ficou cumprida uma promessa feita em 23 de Setembro de 2023. Fez-se justiça. O que se aplaude.
Para que a memória não seja curta, recordo uma "outra homenagem" que está por cumprir desde 1983.
Em 1983 Joaquim Namorado foi homenageado na Figueira, por iniciativa do jornal Barca Nova. Entre as diversas iniciativas, recordo duas promovidas pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, aprovadas por unanimidade: a criação do Prémio Literário Joaquim Namorado (liquidado por Santana Lopes, na sua passagem pela presidência da nossa câmara) e a integração na toponímia figueirense do nome do Poeta (chegou a ser aprovada a atribuição do seu nome a uma praceta, mas hoje o nome que lá está é outro - o de Madalena Perdigão).
Muitos anos depois, no dia 30 de junho de 2014, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, na inauguração de uma mostra bibliográfica comemorativa do centenário de nascimento de poeta, escritor e professor Joaquim Namorado, o vereador da Cultura, dr. António Tavares, verificando a injustiça (mais uma...) que estava a ser cometida, prometeu vir a dar finalmente o nome de Joaquim Namorado à toponímia figueirense - o que até hoje não se concretizou.
A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, acabou por perder o espólio de Joaquim Namorado - os familiares do poeta fartaram-se de ver o nome e o legado deste continuamente enxovalhados pela câmara municipal de uma cidade que ele escolheu para viver e morrer e a quem deu tudo.
A cultura na Figueira merecia mais; muito mais.
Perdeu-se essa oportunidade em junho de 2014.
Fica o registo e os votos de que Joaquim Namorado, em breve, venha a ter os seu nome na toponímia figueirense.
Discretamente, tenho tentado que sucessivos executivos figueirenses ponham fim fim a esta injusta história da integração do nome de Joaquim Namorado na toponímia figueirense, que não é tão antiga como a Sé de Braga, mas que já vem do tempo em que as coisas em Portugal ainda custavam em escudos!..
Muitos anos depois, no dia 30 de junho de 2014, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, na inauguração de uma mostra bibliográfica comemorativa do centenário de nascimento de poeta, escritor e professor Joaquim Namorado, o vereador da Cultura, dr. António Tavares, verificando a injustiça (mais uma...) que estava a ser cometida, prometeu vir a dar finalmente o nome de Joaquim Namorado à toponímia figueirense - o que até hoje não se concretizou.
A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, acabou por perder o espólio de Joaquim Namorado - os familiares do poeta fartaram-se de ver o nome e o legado deste continuamente enxovalhados pela câmara municipal de uma cidade que ele escolheu para viver e morrer e a quem deu tudo.
A cultura na Figueira merecia mais; muito mais.
Perdeu-se essa oportunidade em junho de 2014.
Fica o registo e os votos de que Joaquim Namorado, em breve, venha a ter os seu nome na toponímia figueirense.
Discretamente, tenho tentado que sucessivos executivos figueirenses ponham fim fim a esta injusta história da integração do nome de Joaquim Namorado na toponímia figueirense, que não é tão antiga como a Sé de Braga, mas que já vem do tempo em que as coisas em Portugal ainda custavam em escudos!..
UM RAPAZ DE VISEU, EM LOS ANGELES (E NO SEU PRÓPRIO PAÍS...)
«O mensageiro que em 490 a.C. veio trazer a notícia da batalha de Maratona a Atenas morreu depois de correr esses 42 quilómetros (e era, apesar de tudo, uma boa notícia). Mas o nosso Carlos Lopes, de Vildemoinhos, Viseu — que em 1984 levou Portugal ao mundo inteiro, a sério, ganhando uma maratona olímpica, a sério, e desde então nos diz que devíamos desenvolver o desporto, a sério, no nosso próprio país, a sério —, está vivo, e fala por si próprio, a sério.
Deveria ser ouvido (quando nos dá a má notícia do estado do desporto, a sério, neste país...). E deveria ser homenageado, a sério, como merece, na dimensão que merece. O que, de facto, até hoje ainda não aconteceu. É possível alguma coisa a sério, neste país...? Mas também... no desporto olímpico, em termos mundiais... vimos agora que nestes Jogos Olímpicos de Paris, em curso neste ano de 2024, as conferências de imprensa do Comité Olímpico são feitas com garrafas de Coca-Cola na mesa, junto aos microfones, em frente as câmaras...
O desporto português continua a ser confrangedor. Portugal é o país que, desde 2004, se cobriu a si próprio de ridículo e de vergonha — um ridículo e uma vergonha que vão ficar para sempre, na sua História... — quando, nesse ano de 2004 (gastando nisso rios de dinheiros dos impostos dos seus próprios cidadãos e rios de dinheiros que a Europa lhe dava para sair do seu subdesenvolvimento...?), construiu de raiz dez (10) estádios de futebol (!)... para albergar um campeonato de futebol... e chamou a isso "um desígnio nacional" [sic] (!)...
E fez isso no ano a seguir ao ano de 2003... em que o país havia ardido mais do que nunca (!), nos seus habituais incêndios florestais anuais...! Até a NASA, a partir do espaço (lá de Pasadena, em Los Angeles, ou de outro centro do mundo) fotografou especialmente essa desgraça.
Portugal, em 2004 — trinta anos depois de 1974 (o ano emblemático do seu futuro), e vinte anos depois de 1984 (o ano emblemático do futuro do mundo)... —, na sua política, na sua sociedade, no seu desporto, na sua educação, foi uma anedota e uma tragédia...
No que diz respeito ao autor destas linhas, desde esse ano de 2004 deixou de poder sentir qualquer responsabilidade ou obrigação acerca do futuro (o que, até então, sentia que tinha).
Portugal, em 2004 — vinte anos depois de 1984 — foi a vergonha total.
E o que é, hoje em dia... em 2024, quarenta anos depois...? E o que pode ser, no futuro?
Em 1984 um rapaz de Viseu havia estado no centro do mundo, do futuro.»
Deveria ser ouvido (quando nos dá a má notícia do estado do desporto, a sério, neste país...). E deveria ser homenageado, a sério, como merece, na dimensão que merece. O que, de facto, até hoje ainda não aconteceu. É possível alguma coisa a sério, neste país...? Mas também... no desporto olímpico, em termos mundiais... vimos agora que nestes Jogos Olímpicos de Paris, em curso neste ano de 2024, as conferências de imprensa do Comité Olímpico são feitas com garrafas de Coca-Cola na mesa, junto aos microfones, em frente as câmaras...
O desporto português continua a ser confrangedor. Portugal é o país que, desde 2004, se cobriu a si próprio de ridículo e de vergonha — um ridículo e uma vergonha que vão ficar para sempre, na sua História... — quando, nesse ano de 2004 (gastando nisso rios de dinheiros dos impostos dos seus próprios cidadãos e rios de dinheiros que a Europa lhe dava para sair do seu subdesenvolvimento...?), construiu de raiz dez (10) estádios de futebol (!)... para albergar um campeonato de futebol... e chamou a isso "um desígnio nacional" [sic] (!)...
E fez isso no ano a seguir ao ano de 2003... em que o país havia ardido mais do que nunca (!), nos seus habituais incêndios florestais anuais...! Até a NASA, a partir do espaço (lá de Pasadena, em Los Angeles, ou de outro centro do mundo) fotografou especialmente essa desgraça.
Portugal, em 2004 — trinta anos depois de 1974 (o ano emblemático do seu futuro), e vinte anos depois de 1984 (o ano emblemático do futuro do mundo)... —, na sua política, na sua sociedade, no seu desporto, na sua educação, foi uma anedota e uma tragédia...
No que diz respeito ao autor destas linhas, desde esse ano de 2004 deixou de poder sentir qualquer responsabilidade ou obrigação acerca do futuro (o que, até então, sentia que tinha).
Portugal, em 2004 — vinte anos depois de 1984 — foi a vergonha total.
E o que é, hoje em dia... em 2024, quarenta anos depois...? E o que pode ser, no futuro?
Em 1984 um rapaz de Viseu havia estado no centro do mundo, do futuro.»
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
A reforma é um luxo
O aumento da idade para a reforma, que passou para os 66 anos e nove meses, foi determinado, hoje, por portaria.
Em período das Festas, sem apelo nem agravo e sem qualquer sinal de contestação.
Recorde-se: em França, o aumento de 62 para 64 anos deu origem a uma crise política que se arrasta desde 15 de Abril de 2023. A média na União Europeia, em 2023, era de 64,3 para os homens e 63,5 para as mulheres.
Em período das Festas, sem apelo nem agravo e sem qualquer sinal de contestação.
Recorde-se: em França, o aumento de 62 para 64 anos deu origem a uma crise política que se arrasta desde 15 de Abril de 2023. A média na União Europeia, em 2023, era de 64,3 para os homens e 63,5 para as mulheres.
sábado, 28 de dezembro de 2024
Onde é que já lá vão os três meses prometidos em campanha eleitoral para resolver os problemas da saúde!..
Doentes urgentes esperam 12 horas no Amadora-Sintra e dez no Beatriz Ângelo. Noutra notícia, dão conta que no Garcia de Orta ultrapassaram as 14 horas.
IP retira 66 milhões de euros à Linha do Oeste e autarcas ameaçam com justiça
Via Público
CIM Leiria diz que esta decisão é “incompreensível, inaceitável e ilegal” e atrasa em mais
de dez anos o “acesso à mobilidade ferroviária nos territórios servidos pela Linha do Oeste”.Os autarcas dos dez concelhos que
compõem a Comunidade Intermunicipal de Leiria admitem apresentar
junto da Comissão Europeia e do Tribunal Europeia de Justiça “uma participação relativa ao incumprimento
[por parte da Infra-Estruturas de Portugal] dos pressupostos de coesão,
transparência, eficácia e eficiência
consagrados na regulamentação
europeia, designadamente os previstos no Regime Geral de Aplicação dos
Fundos Europeus do Portugal 2030”,
de acordo com uma deliberação
daquela entidade, aprovada por unanimidade, no passado dia 18 de
Dezembro.
Em causa estão os 66 milhões de
euros que estavam alocados no Programa Regional do Centro para a
modernização do troço Caldas-Louriçal (Linha do Oeste) e que a IP retirou para financiar o troço, ainda em
obras, entre Torres Vedras e Caldas
da Rainha.
Na deliberação, os autarcas manifestam “o mais veemente protesto
pela intenção da IP em adiar, por grave incompetência de gestão, uma vez
mais, o projecto de modernização e
electriÆcação do troço Caldas da Rainha-Louriçal”, o qual a CIM da Região
de Leiria considera “fundamental
para a mobilidade de pessoas e mercadorias entre Lisboa, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Pombal
e Figueira da Foz”.
Há textos mais difíceis de escrever do que outros...
"...considero que a redação do Expresso cometeu um erro. Não por ter eleito Ruben Amorim, mas por não ter eleito Luís Montenegro."
«Há um ano
poucos acreditavam na sua capacidade
para ganhar as legislativas. E ainda menos acreditavam que conseguisse governar com aparente estabilidade. Passou
um ano e esses receios foram afastados.
O Governo está longe de ser perfeito
(que Governo alguma vez o foi?), mas
sob a liderança de Montenegro travou a
contestação dos polícias, médicos e professores, decidiu o aeroporto, aprovou
o Orçamento e garantiu estabilidade
para mais algum tempo. No plano político não só acantonou o Chega como
travou a sua capacidade de contestação. E, simultaneamente, lançou sobre
o Partido Socialista a sombra de uma
possível crise de liderança. Razões mais
do que suficientes para ser considerado a figura nacio nal do ano. E nem se
trata neste caso de recusar o nome de
Montenegro, já que podiam ter escolhido
António Costa, uma escolha no mínimo
acertada. Contudo, ser contratado para
liderar uma equipa inglesa de futebol
acabou por ser mais importante do que,
por exemplo, ser eleito para liderar o
Conselho Europeu.
Fica aqui a correção possível ao que
considero um lamentável lapso.
Por isso e de forma a reduzir os riscos de
tal voltar a acontecer, lançámos já internamente um processo de discussão para
alteração das regras de eleição das figuras
e acontecimentos do ano. Não porque
Montenegro ou Costa não ganharam,
mas porque num processo semelhante e
também incompreensível, Donald Trump
não foi escolhido como figura internacional do ano. Sabemos que a democracia
direta por vezes não elege os que merecem ganhar. E se não devemos alterar o
resultado, podemos melhorar o processo
para diminuir as hipóteses que o efémero
ganhe ao estrutural.»
Morreu Raul Almeida, presidente do Turismo Centro de Portugal, aos 53 anos
Raul Almeida, passou o Natal em Mira e deslocou-se para uma clínica em Espanha, onde já tinha sido submetido a tratamento este mês e onde tinha esta sexta-feira outro tratamento agendado.
O presidente do Turismo Centro de Portugal tinha 53 anos.
Em declarações à agência Lusa, Artur Fresco, o seu sucessor na Câmara de Mira, afirmou que a morte de
Raul Almeida “foi súbita
e inesperada”, apesar da
doença de que padecia,
razão pela qual se tinha
deslocado a Espanha para
prosseguir um tratamento, agendado para ontem
e que já não foi realizado.
Nascido em Moçambique, em março de 1971,
e residente na freguesia
da Praia de Mira, Raul
Almeida foi eleito presidente da Câmara de
Mira, pelo PSD, em 2013
e reeleito em 2017 e
2021, exercendo funções
até tomar posse como
presidente da Turismo
Centro de Portugal em
2023.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
A vingança justa
Miguel Esteves Cardoso«É
uma espécie de anedota. Os
portugueses descobriram o
mundo, mas levaram muito
tempo, porque os transportes,
não obstante a relativa rapidez
das caravelas, eram muito lentos.
Mal se inventaram os aviões, esses povos
outrora descobertos quiseram vir descobrir o
povo que os descobriu. E eis as nossas ruas
cheias de turistas e imigrantes, vindos das
Áfricas, Américas, Índias e Chinas, mais ou
menos pelos mesmos caminhos que
descobrimos, só que agora por via aérea, sem
perigo e — uma grande vantagem — sem
vontade de nos colonizar, a não ser pelo
turismo.
Acho um piadão ouvir portugueses a
queixarem-se de o cabo da Roca estar cheio
de chineses ou de Cascais estar cheio de
brasileiros, ou de Lisboa estar cheio de
indianos.
Há tantas respostas para isso que um livro não bastaria, mas o título do livro de Ian Sanjay Patel, cujo subtítulo é A imigração e o fim do império, apanha a frase que mais merece ser desdobrada: “We’re here because you were there”, ou “Nós estamos em vossa casa porque vocês estiveram na nossa”. Os caminhos que os portugueses e outros descobriram funcionam para os dois lados. E não só: ir pela primeira vez é que é difícil. Voltar pela primeira vez ainda é difícil, mas é um bocadinho mais fácil. A partir daí, o nosso voltar vai-se tornando cada vez mais fácil, até voltarmos das nossas colónias e esse voltar se tornar no ir de quem colonizámos. Os turistas brasileiros não têm só direito de vir ver como é que gastámos o ouro que lhes roubámos. Nós é que temos de os receber bem, agradecendo o facto de nos terem perdoado. Ninguém gosta de ouvir isto. Ninguém gosta de dívidas. Ninguém gosta que chegue a hora de pagar. Há mais uma coisa em que temos de honrar a memória dos nossos navegantes: na coragem de não sabermos o que nos espera. Pode ser maravilhoso. Pode ser maravilhoso mais uma vez. Pode ser outro descobrimento. Pode ser outra reunião. Mas, desta vez, uma reunião de livre vontade, um descobrimento de amizade.»
Há tantas respostas para isso que um livro não bastaria, mas o título do livro de Ian Sanjay Patel, cujo subtítulo é A imigração e o fim do império, apanha a frase que mais merece ser desdobrada: “We’re here because you were there”, ou “Nós estamos em vossa casa porque vocês estiveram na nossa”. Os caminhos que os portugueses e outros descobriram funcionam para os dois lados. E não só: ir pela primeira vez é que é difícil. Voltar pela primeira vez ainda é difícil, mas é um bocadinho mais fácil. A partir daí, o nosso voltar vai-se tornando cada vez mais fácil, até voltarmos das nossas colónias e esse voltar se tornar no ir de quem colonizámos. Os turistas brasileiros não têm só direito de vir ver como é que gastámos o ouro que lhes roubámos. Nós é que temos de os receber bem, agradecendo o facto de nos terem perdoado. Ninguém gosta de ouvir isto. Ninguém gosta de dívidas. Ninguém gosta que chegue a hora de pagar. Há mais uma coisa em que temos de honrar a memória dos nossos navegantes: na coragem de não sabermos o que nos espera. Pode ser maravilhoso. Pode ser maravilhoso mais uma vez. Pode ser outro descobrimento. Pode ser outra reunião. Mas, desta vez, uma reunião de livre vontade, um descobrimento de amizade.»
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