Liderança é o que não falta...
João Ferreira testou esta terça-feira positivo à covid-19. A partir de agora, as acções de campanha da CDU são asseguradas por João Oliveira. A agenda não tem alterações.
«Há razões para a desesperança. Claro que há. Porém, o caminho é coletivo, sempre o foi – o poder é sempre a emanação da sociedade, na generalidade uma não é diferente da outra. A revolução que precisamos é a de mentalidades, é a da sociedade civil, é a de organizações que possam assumir o papel de vanguarda social, política, económica. Um desafio para homens e mulheres livres. Dentro dos partidos e fora dos partidos. Livres de ortodoxias ou de heterodoxias porque conscientes dos paradoxos.
A crónica de António Agostinho publicada na Revista Óbvia em Dezembro de 2021
Sou filho, neto e bisneto de pescadores da "faina maior", a pesca do bacalhau.
A pesca do bacalhau, à linha, com dóris de um só homem, uma heróica e sofrida singularidade portuguesa, foi uma autêntica escravatura. "Maus tratos, má comida, má dormida... Trabalhavam vinte horas, com quatro horas de descanso e isto, durante seis meses. A fragilidade das embarcações ameaçava a vida dos tripulantes".
A pesca do bacalhau, nas primeiras décadas do século XX, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da Figueira da Foz. Nas campanhas de 1913/14, foi o nosso porto que mais navios enviou à Terra Nova: 15 , ou seja, quase metade de toda a frota nacional.
No final do século passado, o poder político pensou colocar um monumento no molhe norte, para homenagear aqueles que, durante décadas, fizeram da pesca do bacalhau um marco na história marítima da Figueira da Foz.
Essa ideia dos políticos, não deixou de constituir outra singularidade, mas esta figueirense.
Cito Manuel Luís Pata: "o lugar escolhido não era uma homenagem, mas sim falta de bom senso. O acrescento ao molhe norte foi uma obra sem qualquer estudo racional. Considero que o aumento de 400 metros foi uma obra criminosa, porém, como apregoam que vivemos em democracia, sinto-me com o direito de proibir que o meu nome e dos meus familiares falecidos sejam colocados em tal local! O lugar certo seria no "José Cação", o último bacalhoeiro da Figueira da Foz."
Recorde-se: em 1998, houve uma tentativa de transformar este navio em museu. Santana Lopes tinha tomado posse de presidente da Câmara Municipal há poucos meses. O Dr. António Cação chegou a oferecê-lo à Câmara Municipal. Porém, a oferta não foi aceite. Sem o apoio da Câmara, acabou por ser demolido em 2002-2003. Hoje, poderíamos ter o navio "José Cação" transformado em Museu, instalado numa abertura feita na Morraceira, junto à Ponte dos Arcos.
Recordo as palavras do vereador Miguel Almeida: “esta proposta (a oferta do navio que o dr. António Cação fez em devido tempo à Câmara Municipal da Figueira da Foz, presidida na altura por Santana Lopes) foi o pior que nos podia ter acontecido”.
Como disse na altura Manuel Luís Pata, “nem toda a gente entende que na construção do futuro é necessário guardar a memória”.
Ílhavo tem um belo museu, o navio Santo André, e tem o casco do Santa Maria Manuela. E o que tem a Figueira que honre os seus filhos que andaram na "faina maior"?
Quem quiser saber a importância que a "faina maior" teve na Figueira da Foz, até à década de 80 do século passado, tem de recorrer aos livros que Manuel Luís Pata publicou em 1997, 2001 e 2003. Lá estão coligidas notícias, referências escritas e testemunhos orais, textos, comentários e recordações pessoais, sobre a Figueira da Foz e a relevância da Pesca do Bacalhau no desenvolvimento do nosso concelho.
Como escreveu Pinheiro Marques: "se a Figueira da Foz tem reunidos os elementos para a sua História Marítima nos séculos XIX-XX, deve-o à Cova-Gala (São Pedro): deve-o ao Capitão João Pereira Mano e ao Senhor Manuel Luís Pata."
E, já agora, por ser justo, ao Dr. Pinheiro Marques e ao "Centro de Estudos do Mar (CEMAR) que esteve na publicação dos seus livros, desde 1997."
A Figueira tem uma história rica e importante no panorama marítimo português. Porém, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Ílhavo, pouco existe como testemunho da forte ligação dos figueirenses ao mar e ao rio.
Na Figueira, é esta a situação no final de 2021, ano em que o Dr. Pedro Santana Lopes foi de novo eleito presidente. No acto de posse disse: “as pessoas têm de saber que quando quiserem estudar, investigar e tratar de assuntos do mar o melhor sítio em Portugal é a Figueira da Foz”.
Presumo que o Dr. Pedro Santana Lopes não desconheça que o Governo vai investir 87 milhões de euros na economia do mar e à Figueira não vai tocar nada. No passado dia 16 do passado mês de Novembro, Ricardo Serrão Santos, Ministro do Mar, na abertura do Expo Fish Portugal, em Peniche, "afirmou que o Governo vai investir 87 milhões de euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em centros de investigação e de desenvolvimento de produtos para a economia do mar no Algarve, Lisboa, Oeiras, Peniche, Aveiro e Porto. Nos Açores haverá um hub similar financiado por outro projeto da componente Mar no PRR".
Os figueirenses sabem que, desta vez, o Dr. Santana Lopes prometeu cumprir três mandatos, o máximo permitido por lei. Porém, para quem quer uma Figueira “na frente, liderante”, o tempo começou a contar. Para “a Figueira vir ser a capital do mar, liderar na investigação e na ciência, e, para isso, fazer nascer um centro de investigação em ciências do mar”, dada a fortíssima concorrência (por exemplo de Aveiro), vai ser necessário muito trabalho.
A Figueira é uma terra de mar e rio. Tem cabimento, pois, a ideia de tornar a Figueira "no melhor sítio para estudar, investigar e tratar de assuntos do mar em Portugal.” Contudo, sem esquecer o que ainda não foi feito: prestar tributo à memória.
"Ventura, tu não sabes quem eu sou mas como tens falado tanto de mim e de tantos outros sem sequer nos conheceres, tomei a iniciativa de te escrever esta carta. Por mim e por todos os que por certo se vão rever nela. Tu és o interlocutor em nome dos demais demagogos, mas esta diatribe serve para todos os teus semelhantes, mais ou menos violentos, mais ou menos saudosistas, mais ou menos enganados.
Antes de tudo gostava de te explicar que desconheces o que supostamente dizes combater quando falas de pessoas que vivem de subsídios, sejam elas pensionistas, desempregadas, refugiadas ou sobreviventes, pouco te importa porque o teu lucro reside também nessa estúpida generalização. Repara, deves começar por saber que a generalidade dos subsidiários são subsidiários porque são contribuintes, alguns deles de verbas significativas que foram deduzidas dos salários, além dos impostos ao consumo. Já sei que queres cobrar o mesmo de imposto sobre o rendimento a quem recebe o salário mínimo e ao Rendeiro, ao Sócrates, ao Espírito Santo e a ti próprio, pois claro, que isto quando toca ao nosso interesse somos todos o quarto pastorinho de Fátima. Mas convenhamos, devias procurar saber, até porque já fizeste disso biscate, que os contribuintes, seja quando pagam, seja quando recebem parte do que pagaram, não são subsidiários por geração espontânea, são subsidiários porque foram contribuintes. Tu que foste do sistema toda a vida, sempre mais beneficiário do que contribuinte, és o exponente do que críticas, sem te dares conta do jogo de espelhos. Se não for demais para o quadrado que carregas sobre os ombros, espaço onde nem um esfarrapado democrata-cristão a cavalo foi capaz de encontrar uma ideia, trava lá esse ódio, não vá o ódio que tanto divulgas acabar a conspirar com violência contra ti próprio. Atenta também outros detalhes, não tão importantes mas também relevantes: sabes quantos pensionistas, desempregados, refugiados e sobreviventes fizeram a diferença? Sabes quantos contribuíram para vários anos de subsídios dedicados ao teu salário? Sabes quantos foram agraciados? Sabes quantos salvaram vidas? Sabes quantos fizeram história? Não sabes, que tu és esperto como os ratos mas, felizmente, pouco estudioso e tão frágil da masculinidade como da inteligência.
Explicações à parte, tenhamos claro o ponto de partida desta carta, aberta pois claro, porque para fechado e bafiento já basta o hálito que nos perdigotas insistentemente. Não se suporta. Verdadeiramente, quando a tua voz e imagem passa pela televisão ou pela rádio qualquer democrata tem refluxos gástricos, dor de cabeça, náuseas. Achamos que és a figura mais abjeta que a política portuguesa pariu desde o 25 de Abril. É um título teu, tão difícil como merecido, ainda que não veja razões para que te gabes dele sem pingo de vergonha. Compreende-se porém que, de tanto vociferar pela falta de vergonha alheia, acabaste tu próprio sem a tua. Acontece amiúde aos hipócritas e aos demagogos, estarás por certo habituado à inconveniência.
Tu és, apesar de patético, perigoso. És um novo fascista e se dependesse de ti serias pior do que os velhos. Pela cobardia que se sente à distância, pelas propostas descabidas já com dois séculos de atraso e pela fossa séptica que abriste aos milicianos que contas para teres poleiro, salário público e Mercedes à porta. És, portanto, um perigoso por adjudicação, e deves por isso ser combatido de todas as maneiras, por todas as sucursais da resistência. Podes achar, com alguma razão, que tens o teu exército de seguidores, uns enganados, outros ignorantes, outros com ainda mais odiosos que tu, mas de tanto viveres do negócio da diabolização do outro, é muito provável que vivas perto de quem combates e que de nada te valerão os camisas negras da tua verborreia quando cada uma das máscaras te forem caindo ao chão. Serás, tal como na questão do subsídio, vítima de ti próprio e dos monstros que deixaste sair do armário da extrema-direita.
Nós, as tuas vítimas, somos os filhos e os netos da revolução. Tu és o enteado. O Judas. O bastardão eternamente rejeitado. Tu és a razão pela qual precisamos de outro Abril. Podemos não ter sabido prolongar a democracia proletária à moda dos dias fecundos do Verão quente, mas amamos os nossos semelhantes na necessária proporção do teu ódio, e cá estaremos para nos defender e para defender todos aqueles que decides atacar com o teu gosto pelo frio do Inverno. Tu és quase um canídeo mas sem os atributos dos cães, que têm alguns apreciáveis. Tu és praticamente um parasita que vive dos corpos alheios e que poucas vezes na vida se viu a trabalhar. A diferença é que, ao contrário dos parasitas, tu não devoras para sobreviver, devoras pelo gosto de matar. Tu és o mal que Almada ostracizava, o Dâmaso de quem o Eça se ria, o escárnio de poetas como Ary ou de trovadores como Viegas. És ainda aquele contra quem o Zeca cantava e o Zé Mário cerrava os dentes e fazia pontaria e és também aquela figura soturna, encarquilhada e cinzenta que o Manta pintava. És, em suma, a metáfora perfeita da parte do país que deixou Camões morrer à fome. Um patriota de pátrias alheias. Um soldado fiel dos patrões e do capital financeiro. O lacaio dos favores dos fortes. Se fosses vivo no tempo dos Filipes ou serias espanhol ou um monarca em fuga com o rabo entre as pernas. Um Portugal com horizonte é um Portugal sem Venturas ou onde os Venturas como tu não sejam mais que uma reticência, apesar de tudo breve, da nossa história. Mais dia menos dia todos os subsídio-dependentes deixarão de ser subsidiários e voltarão ao trabalho, mas tu continuarás, mesmo que já sem corte, agarrado às tetas do Estado, qual Santa Providência daqueles cujo sentido único é viver do alheio. Dizes que falas com Deus, pois muito bem, conserva o contacto para os dias difíceis que te esperam algures entre o Inferno dos nossos dias e o teu Purgatório.
Dizem por aí que podes vir a ter perto de meio milhão de votos e um grupo parlamentar significativo que permitirá a todos perceber quem escolheste para ter ao teu lado. Vamos ver o programa do medieval Arroja em marcha e o nazi do Machado em festa, vamos ouvir bem alto cada um dos dislates dos teus séquitos. Vais levar a votos os castigos físicos mas só se os pedófilos não forem da tua cor ou teus amigos, tal e qual como nos habituaste nos casos de corrupção. Vais acicatar o rancor contra todas as minorias, mas a maioria, apesar de tudo, lá estará para travar cada um dos teus desejos mais pérfidos. Acabarás, com alguma sorte mas sem espaço no poleiro do pote, a aprovar governos do resto da direita sem que te ofereçam uma parte do bolo e serás apenas lembrado como a caricatura dos teus piores pesadelos. E nós cá estaremos, como sempre estivemos, para trabalhar, para rir e para a luta, prontos para o dia inicial inteiro e limpo de onde emergimos da noite para voltar a dançar sobre o cadáver político das tuas ideias.
Hoje és tu que nos tentas humilhar, que voas sobre o astro mudo, mas nós voltaremos a ser a madrugada que vai voltar a enterrar no caixote de lixo da história a tua sede pelo sangue fresco. Atenção à manada, pois claro. Tu só estás pronto para o agora-imediato, mas nós estamos sempre prontos, em qualquer tempo, para todos os combates."
Via Diário as Beiras
Nota de rodapé.
Já para nem falar do conteúdo: as privatizações, as decisões calamitosas de integração económica e monetária com cujas consequências contamos até hoje, um posicionamento sobre o aborto que custou mais dez anos de calvário para as mulheres portuguesas.
Haja desfaçatez. Mas, avaliando a situação, deve ser para um expediente semelhante para que António Costa se prepara. Só isso explica a soberba de agitar um Orçamento de Estado que acabou de ser chumbado e dizer que é o mesmo que voltará a apresentar depois das eleições, apesar de nenhuma sondagem lhe dar maioria absoluta.
Talvez pense que alguns dos novos parceiros potenciais se irão vender mais barato do que uma bola de queijo Limiano. Para nossa infelicidade, talvez não esteja enganado.»
O momento do debate, foi quando Costa disse (já tinha ouvido - e não há muito...):
«... não houve nos últimos 20 anos um crescimento económico nacional tão expressivo como o registado entre os anos de 2015 e 2019, mas que essa conjuntura não foi bastante para o PSD votar a favor de propostas como o aumento do salário mínimo, a redução do passe dos transportes, a gratuitidade dos manuais escolares, a redução do IVA da electricidade (apesar do anúncio do PSD de que iria votar a favor) ou até a redução do IRC para as pequenas e médias empresas – medida que, curiosamente, o PSD resolveu incluir no seu programa eleitoral.»