sábado, 27 de março de 2021
Citação
"Quem acha que tem muito poder, muito dinheiro, e não tem empatia com o próximo, um dia escorrega no chão da vida e percebe que não era nada."
Tony
Ramos, Actor, Lux, 24/3
"Enforca Cães" e Zona Industrial vão entrar em obras...
"A câmara municipal está prestes a lançar
concursos públicos para
a ampliação da Zona Industrial e a requalificação da estrada panorâmica do Cabo Mondego
(“Enforca Cães”).
O procedimento para a via de
comunicação será executado na próxima semana.
O das obras
no parque empresarial
terá de ser submetido a
votos na reunião de câmara e na Assembleia
Municipal.
A requalificação da estrada, que liga a Murtinheira a Buarcos, custa
680 mil euros e tem um
prazo de execução de
nove meses.
A ampliação
da Zoa Industrial, por seu
lado, será feita ao abrigo
de duas candidaturas,
uma, de cinco milhões
de euros (com comparticipação de fundos europeus de 85 por cento), ao
Portugal 2020, e outra,
de três milhões, ao Plano
de Recuperação e Resiliência (com financiamento de fundos europeus de
100 por cento)."
Via Diário as Beiras
Para que na Figueira os blogues passem a declamar poesia...
Embora com atraso de alguns, poucos, dias - porque é a 21 de março que se comemora a poesia - fica um poema de Lawrence Ferlinghetti, que celebra o gosto perigoso em viver.
Trata-se de um poema sobre ocupantes, amantes e demais revolucionários.
Trata-se de um poema sobre ocupantes, amantes e demais revolucionários.
Este poema também pode ser uma celebração das maravilhosas praias portuguesas. Lawrence Ferlinghetti, mestre da poesia do quotidiano, social e de uma simplicidade desarmante.
A ler, muito actual.
Ocupamos a praia do amor
entre bandolins de Picasso repletos de areia
e patas de esfinge semi-enterradas
e papéis de piquenique
patas de caranguejos mortos
e marcas de estrelas do mar
Ocupamos a praia do amor
entre sereias encalhadas
com seus bebés berrando e maridos calvos
e bichinhos de madeira feitos em casa
com colheres de gelados a fazer de pés
que não podem amar ou andar
excepto para comer
Ocupamos a orla do amor
seguros como só os ocupantes sabem ser
entre poças remanescentes
de maré salgada de sexo
e os suaves regatos de sémen
e balões flácidos enterrados
na carne macia da areia
E ainda rimos
e ainda corremos
e ainda nos deitamos
nos botões do amor
mas é mais profundo
e mais tarde
que pensamos
e tudo se gasta
e todas as nossas boias d’amor falham
E bebemos e afogamo-nos
sexta-feira, 26 de março de 2021
Lido por aí...
«Aprende-se tarde de mais que até as vidas mais dilatadas e úteis não chegam para mais nada senão para aprender a viver.»
Gabriel García Márquez, O Outono do Patriarca (1975), p. 219
Ed. Público, 2002. Tradução de José Teixeira de Aguilar. Colecção Mil Folhas, n.º 4
Santana: Menino Guerreiro...
Aqui havia uma fotografia sacada daqui.
Para quem ainda não sabe, OUTRA MARGEM está em condições de confirmar que Santana Lopes esteve ontem na Figueira da Foz.
Chegou cerca das 21 horas e trinta minutos. Havia quem estivesse à espera dele desde as 11 horas da manhã! Teve pouco mais de meia dúzia de pessoas a aguardá-lo!
Não me perguntem o que veio ele cá fazer, pois isso não sei: quiçá, transmitir a mensagem de que vai ser candidato à Figueira da Foz e de que vai dar uma abada, pois vai vencer por maioria absoluta!...
Agora a sério: 24 anos passaram a voar. Tudo o que se acreditava ser infinitamente interminável acaba um dia.
Acaba mesmo.
Os dogmas e crenças do passado, ficaram lá. No passado. Que pode ser o luar da maior areal urbano da Europa. Onde a lua por se sentir traída o amaldiçoou.
Santana, não é mais guardador dos sonhos da maioria dos figueirenses. É apenas uma lição de vida. Os corações já não batem desordenadamente quando ouvem o seu nome.
Está tudo velho. Até as santanetes.
A sua voz já não encanta. Pior que tudo isto, porém, é o vazio, de uma desilusão fantasiosa. Um dia, já lá vão 24 anos, fez parte de um conto de fadas figueirinhas.
Mas, passaram 24 anos. Isso é passado. Agora, é mais um ser errante que passou na vida dos figueirinas.
Espero que tenham aprendido a lição. Creio - e espero não estar enganado - que hoje não passa de uma página de um livro arrumado na prateleira da vida figueirinhas.
Todavia, aceito que ainda haja uns poucos com saudades do menino guerreiro...
O enredo da narrativa da candidatura de Santana à Figueira está a mudar. Porém, é possível caminhar pelo ínvio?..
Se bem percebi, o enredo inicial da narrativa passava por atemorizar Pedro Machado, para ele desistir e ficar o Santana como candidato do PSD...
Agora, que passou a ser visível para os apoiantes santanistas que, isso é, como sempre foi pelo que veio a público, uma impossibilidade, o enredo da narrativa passou a ser o Santana chegar-se ao Chega/ou vice-versa?
Neste novo enredo da narrativa, modéstia à parte, só grandes malabaristas políticos podem lobrigar motivos para pensar numa nova narrativa com enredo a partir deste segundo pressuposto.
É possível circular pelo ínvio?
Agora, que passou a ser visível para os apoiantes santanistas que, isso é, como sempre foi pelo que veio a público, uma impossibilidade, o enredo da narrativa passou a ser o Santana chegar-se ao Chega/ou vice-versa?
Neste novo enredo da narrativa, modéstia à parte, só grandes malabaristas políticos podem lobrigar motivos para pensar numa nova narrativa com enredo a partir deste segundo pressuposto.
É possível circular pelo ínvio?
Afinal, quem são os apoiantes de Santana na Figueira?
São os mesmos que, até há pouco, juravam a pés juntos que o Santana era candidato do PSD, pois o Pedro Machado não iria aguentar a pressão e desistia?
Ou os que o queriam como candidato do PSD, são os mesmos que agora o querem chegar ao Chega?Imagem via Diário as Beiras
Novidades na Aldeia: António Salgueiro não será candidato em S. Pedro
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| Imagem: daqui |
O presidente da Junta de São Pedro, António Salgueiro, desistiu da candidatura ao terceiro e último mandato por motivos de saúde. Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, o autarca, cujo nome havia sido aprovado no passado sábado pela Concelhia do PS, afirmou que decidiu desistir “por indicação do médico”.
Contudo, cumprirá o actual mandato. Segundo o DIÁRIO AS BEIRAS, integrará a lista concorrente à Assembleia
de Freguesia, que terá como cabeça de
lista Jorge Aniceto (actual tesoureiro do executivo
da Junta de São Pedro).
quinta-feira, 25 de março de 2021
Não consigo esquecer esta minha costela que me obriga a olhar par os fracos e desprotegidos...
Desde a escola primária, que não consigo, por mais que tente, deixar de tomar o partido dos mais fraquinhos e daqueles que nos pátios das escolas sempre levaram no focinho dos poderosos...
Imagem via Campeão das Provínciais:
De tão voluntarioso que sou, até posso colaborar na escolha do mandatário. Fica a sugestão...
Afinal, tá tudo a correr bem...
... esquecendo, é claro, os anitos de atraso...
26 de Maio de 2018: «Na opinião do o PSD da Figueira da Foz, esta obra é exemplificativa da forma como é dirigido o concelho: "sem estratégia, sem auscultação das populações, sem a preocupação de melhorar o nível de vida das populações, sem criar atrativos para os empresários instalados ou que se queiram instalar com vista à criação de emprego, o qual tanta falta faz aos nossos jovens, não promovendo também a consequente fixação de mais população no nosso concelho."
Imagem via Diário as Beiras
Uma sessão de câmara, é uma sesssão de câmara....
Recorde-se, que no passado dia 18 do corrente, através de comunicado, a Comissão Política do PSD da Figueira da Foz «veio denunciar o "clima” de intimidação e de pressão inadmissível que o PS e o Sr. Dr. Carlos Monteiro, na sua dupla qualidade de Presidente da Câmara e do Partido Socialista da Figueira da Foz, têm vindo a exercer, na sequência da onda de entusiasmo que a candidatura do Dr. Pedro Machado vem despertando na sociedade Figueirense e até no todo Nacional.»
No dia seguinte, Carlos Monteiro reagiu: "O que está (no comunicado do PSD) é uma vergonha absoluta e uma mentira total!”. “Aquilo que tem acontecido com algumas pessoas que subscreveram a lista (de apoiantes de Pedro Machado) é dizerem-se que não o pretendiam fazer. Não exerci pressão, não falei com ninguém, nem pretendo falar”.
"Indagado pelo DIÁRIO AS BEIRAS sobre se, na reunião de câmara, vai apresentar as provas que sustentem as afirmações do comunicado que subscreveu, Ricardo Silva, líder da Concelhia e vereador do PSD, não respondeu à pergunta."
Afinal o que é que havia a responder?
A sensação que a leitura do comunicado do PSD deixa de que alguém está a tentar amordaçar a democracia na Figueira, quase 47 anos depois do 25 de Abril?
A sensação que a leitura do comunicado do PSD deixa de que alguém está a tentar amordaçar a democracia na Figueira, quase 47 anos depois do 25 de Abril?
A meu ver, não se deve encarar este episódio como um mero conflito entre facções do PSD e do PS. Em política nem só os factos contam. O contexto em que eles se desenvolvem empresta-lhes muitas vezes significados diversos.
No jogo do vale tudo da politiquice figueirense ganha quem tem mais força? Se a política tivesse moral esta seria a imoralidade desta história?
Embora do meu ponto de vista da maneira errada, fazem bem em trazer à colação este assunto Carlos Tenreiro e Miguel Babo. Os vereadores Tenreiro e Babo, ao confundirem um tribunal com uma sessão de câmara, deixam no ar o perfume de uma mensagem de solidariedade entre correligionários. Uma mensagem, dou o beneficio da dúvida - errada e injusta.
Contudo, há sempre quem tenha a percepção que em política, o que parece, é mesmo.
De uma reunião da Câmara Municipal da Figueira da Foz, na qualidade de espectador assíduo e atento, espero que sejam discutidas e aprovadas as medidas que levem à resolução das funções mais básicas de uma autarquia. Nomedamente, a higiene e a salubridade públicas, a base da saúde pública. Confesso, que não sou espectador assíduo e atento das reuniões de câmara, à espera de poder ter acesso a reality shows, tipo big brotter figueirinhas
Exorcismo
Os habitantes da minha aldeia
dizem que sou um homem
desprezível e perigoso.
E não andam muito enganados.
Desprezível e perigoso.
Isso, fizeram de mim a poesia e o amor.
Senhores habitantes: tranquilos, que só a mim
costumo causar dano.
Raúl Gómez Jattin
quarta-feira, 24 de março de 2021
Autárquicas 2021: ponto de reflexão...
Imagem via Pedro Agostinho Cruz
O voto que conta, o voto que decide é o dos interesses.
Com o desaparecimento da ideologia da vida política, o objectivo dos actores políticos é o alcançar um cargo que lhes permita conseguir comissões e tachos.
Como a passagem dos anos não perdoa, muitos dos velhos caciques estão a desaparecer.
Os novos jotas estão a vislumbrar janelas de oportunidade. Aspiram a ser eles os caciques que se seguem.
Com uma particularidade: são ainda mais ambiciosos, portanto, mais agressivos, mais ferozes e mais desonestos do que os anteriores.
A ética desaparaceu. De vulgares servis (assessores, chefes de gabinete, peões de brega...) alguns já se julgam os novos senhores do poder partidário. Calculistas, frios e cruéis, nada é obstáculo para as suas aspirações. Se necessário for, opta-se, sem qualquer limite, pela crueldade de procedimentos.
Sem formação académica, uns, outros com diplomas manhosos, sem competências técnicas ou profissionais, escolheram no final da adolescência a via mais fácil: a preguiça do gabinete para conspirar e promover a intriga pessoal e política (aproveitando a muleta das novas tecnologias) e o tráfico de votos nas eleições internas.
A justificação para a existência deste sub-mundo sórdido na vida política é a da defesa da tribo. Uma tribo sem moral.
No país político, o financiamento partidário é um disfarce dos negócios menos claros, de luvas interessantes e comissões que acabam, umas nos sacos azuis, outras em gavetas de casas luxuosas ou cofres de banco discretos.
É nas câmaras e nas juntas que se fixa e cimenta o poder partidário.
O sucesso, porém, é pouco.
Os partidos tornaram-se organizações opacas e nebulosas. Consequentemente, a desclassificação da democracia representativa agravou-se.
Pluralismo, no interior dos partidos, não passa de uma palavra: não tem consequência prática.
Pluralismo, no interior dos partidos, não passa de uma palavra: não tem consequência prática.
O voto que conta, o voto que decide é o dos interesses.
Com o desaparecimento da ideologia da vida política, o objectivo dos actores políticos é o alcançar um cargo que lhes permita conseguir comissões e tachos.
Como a passagem dos anos não perdoa, muitos dos velhos caciques estão a desaparecer.
Os novos jotas estão a vislumbrar janelas de oportunidade. Aspiram a ser eles os caciques que se seguem.
Com uma particularidade: são ainda mais ambiciosos, portanto, mais agressivos, mais ferozes e mais desonestos do que os anteriores.
A ética desaparaceu. De vulgares servis (assessores, chefes de gabinete, peões de brega...) alguns já se julgam os novos senhores do poder partidário. Calculistas, frios e cruéis, nada é obstáculo para as suas aspirações. Se necessário for, opta-se, sem qualquer limite, pela crueldade de procedimentos.
Sem formação académica, uns, outros com diplomas manhosos, sem competências técnicas ou profissionais, escolheram no final da adolescência a via mais fácil: a preguiça do gabinete para conspirar e promover a intriga pessoal e política (aproveitando a muleta das novas tecnologias) e o tráfico de votos nas eleições internas.
A justificação para a existência deste sub-mundo sórdido na vida política é a da defesa da tribo. Uma tribo sem moral.
As eleições internas são viciadas pelos jotas aspirantes a novos caciques. Isso pode passar pela inscrição de militantes, podendo ir até às chamadas chapeladas, quando não é possível alcançar o poder partidário de outro modo.
No país político, o financiamento partidário é um disfarce dos negócios menos claros, de luvas interessantes e comissões que acabam, umas nos sacos azuis, outras em gavetas de casas luxuosas ou cofres de banco discretos.
É nas câmaras e nas juntas que se fixa e cimenta o poder partidário.
O sistema é um só. Em Lisboa, na Figueira ou na Aldeia. Jamais aceitará a transição para um regime de democracia direta, com eleições primárias auditadas e prestação de contas pelos eleitos.
Alguém acredita na regeneração interna dos partidos e na moralização da vida política?
Sem formação cidadã, ética, sentido de servir e não servir-se, argamassa ideológica, o que vai continuar a mobilizar os aspirantes a políticos é o combate pelo tacho, as mordomias e o dinheiro.
Não é de hoje este estado de coisas.
Alguém acredita na regeneração interna dos partidos e na moralização da vida política?
Sem formação cidadã, ética, sentido de servir e não servir-se, argamassa ideológica, o que vai continuar a mobilizar os aspirantes a políticos é o combate pelo tacho, as mordomias e o dinheiro.
Não é de hoje este estado de coisas.
À minha geração, a decisão limpa e honrada que restou à maioria, foi virar costas aos partidos.
Uns, calaram-se definitivamente. Outros, armados em D. Quixotes, optaram pelo serviço público, que consiste, por exemplo, em andar por aqui a tentar alertar a consciência colectiva.
Uns, calaram-se definitivamente. Outros, armados em D. Quixotes, optaram pelo serviço público, que consiste, por exemplo, em andar por aqui a tentar alertar a consciência colectiva.
O sucesso, porém, é pouco.
A sociedade é o que é: se tiver de escolher, prefere um qualquer D. Juan em detrimento do romântico D. Quixote.
Para mudar isto, a luta passa pelo combate cultural e pela valorização da ética.
Para mudar isto, a luta passa pelo combate cultural e pela valorização da ética.
E, claro, por uma nova escola e por outros e novos meios de comunicação.
A felicidade não é uma coisa fácil...
"Ser estúpido, egoísta e ter boa saúde, são três requisitos para a felicidade.
Porém, se o primeiro faltar está tudo perdido..."
Porém, se o primeiro faltar está tudo perdido..."
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