Ernest Hemingway: «Um homem pode ser destruído mas não vencido.»

sábado, 1 de dezembro de 2007

Uma opinião


O Dr. Luís Melo Biscaia, no Blogue Lugar para Todos (de que sou leitor atento, dada a experiência de vida, o equílibro e a justeza das suas sempre abalizadas opiniões), escreveu o seguite, que transcrevo com a devida vénia:

“Como estava anunciado, hoje os funcionários públicos e outros fizeram uma greve, promovida por vários Sindicatos.Esta forma de protesto foi, segundo se disse, determinada essencialmente pela falta de diálogo sério, franco e leal por parte do governo, relativamente a certas questões laborais, como aumentos de salários, benefícios sociais, valorização do trabalho, etc.Claro que, como sucede habitualmente os números quanto à adesão da greve foram diferentes: o governo falou em cerca de 20%, os sindicatos em 80%.Porém, sectores houve em que tal adesão foi, na verdade, quase total, como em muitos hospitais, escolas, tribunais, repartições e tesourarias de finanças.Pelo que se verificou a nível local foi decerto a grave que teve mais adesão.E, se por vezes não há mais participação em greves é porque os trabalhadores não podem dispensar os ganhos de um dia de trabalho.É nisso que os governos apostam, confiantes de que os que têm baixos salários ou ordenados não têm outros remédio senão trabalhar para que, no fim do mês, não haja redução nos seus rendimentos!Mas, quando o descontentamento é muito, quando o protesto público se impõe então fazem-se sacrifícios e vai-se para as manifestações de rua!”

Editorial do DN de Hoje
"Dos números avançados ontem pelo porta-voz do Governo conclui-se que a greve teve mais adesão na função pública do que as anteriores."

Notíca do JN de hoje
"Mais 22 mil funcionários públicos aderiram à greve de trabalhadores".

A minha admiração pelo Dr. Luís de Melo Biscaia é cada vez maior. Que falta fazem, no centro dos poderes deste país, Homens com esta personalidade, postura e elevação de carácter.

1 comentário:

carlos freitas nunes disse...

É pelo muito respeito que tenho pelas opiniões expressas que resolvo escrever o que se segue. Questiono algumas situações. É bem verdade que nas sociedades actuais a questão dos trabalhadores se coloca através da incidência dos baixos salários e das condições cada vez mais precárias de emprego. Que as contas do governo sobre o número dos grevistas são o que são. Percentagens manipuladas. As contas dos Sindicatos idem...aspas... aspas! Contabilizam os números de associados, se esses fizeram todos greve... temos os 100%, não se contabilizando os não sindicalizados, etc. etc. Já todos entenderam a conveniência dos núemros, que se reconhece e admite aos dois lados da contenda. O problema é que já não é com greves nem com as habituais manifestações de rua que os trabalhadores por contra de outrém podem ou irão conseguir lutar contra a destruição de conquistas. Não. Peço desculpa mas barulho de rua e greves tem servido para quê? Para manter mobilizados quem? Os membros dos sindicatos. O problema neste momento passa acima de tudo pela forma como o próprio Carvalho da Silva colocou a sua permanência à frente dos destinos da CGTP. É pelo conteúdo e não pela forma que os trabalhadores conseguirão deter no futuro a degradação das suas condições de vida. Uma sociedade democrática não vive sem partidos, sem sindicatos, sem patrões e sem trabalhadores. Por muito que isso custe entender ao capitalismo liberal, a decadência dos salários levará a conflitos. Embora como devemos todos saber o contigente de escravos ao dispôr seja agora mundial. Não se resolvem com o folclore da rua nem greves nas quais como se repara foram transformadas numa guerra de números onde apenas se contabilizam numeros de aderentes ou não. Contam-se soldados nas barricadas. Carne para canhão. Hoje a greve a que se assistiu que tipo efeitos produziu? Conseguir transformar uma greve - a arma doos trabalhadores, segundo alguns-numa guerra de números convém a quem? Números já nos basta o de identificação. Reflectir nas palavras de Carvalho da Silva é agora mais importante, que andar a passear bandeiras nas ruas. O trabalho de serviço da CGTP está feito. As bandeiras a partir de agora só se forem pretas.