...é a "ILHA DA MORRACEIRA: UM PATRIMÓNIO NATURAL E CULTURAL QUE PRECISA DE SER VALORIZADO".
"A Ilha da Morraceira, na Figueira da Foz, é um espaço de enorme riqueza natural, cultural e paisagística, com uma extraordinária diversidade de aves e uma forte ligação à história e às tradições locais. Os seus caminhos de observação de aves são uma mais-valia para a educação ambiental, o turismo de natureza e a valorização do nosso território.
Os vereadores do Partido Socialista, na reunião de Câmara de 8 de outubro, alertaram para o estado de abandono e a falta de manutenção de alguns destes percursos, bem como a ausência de sinalética adequada, que dificultam a sua utilização e impedem que este património seja devidamente apreciado.
É urgente recuperar e melhorar os caminhos, garantir a sua manutenção e instalar sinalética que identifique os percursos e os melhores pontos de observação, com informação sobre as aves e os habitats existentes.
Valorizar a Morraceira é proteger a natureza, preservar a nossa identidade e criar melhores condições para residentes e visitantes.
A Morraceira não pode ficar esquecida! Merece cuidado, investimento e valorização."
Em tempo.
Na Morraceira, laboraram dois estaleiros navais (Carreira Naval Figueirense e Estaleiros Navais do Mondego) – e estão encerrados. Ficaram centenas de trabalhadores no desemprego.
Na Morraceira, laboraram três secas do bacalhau (Sociedade de Pesca Oceano, Atlântica Companhia Portuguesa de Pesca e Luzitânia Companhia de Pesca) – e estão todas inactivas. Ficaram centenas de trabalhadores no desemprego.
Na Morraceira, laborou uma Fábrica de Vidros há muito encerrada. Ficaram centenas de trabalhadores no desemprego.
Na Morraceira, existia um restaurante famoso (O Covil do Caçador) e a tasca do Bispo onde se comiam umas saborosas sandes de chouriço e se bebia um copo de três ou uma mini por uns parcos escudos. Fecharam há alguns anos.
Na Morraceira, existia uma fábrica de malhas (SCOTTWOOL (PORTUGAL) - MALHAS E CONFECÇÕES, SA) – que encerrou. Ficaram centenas de trabalhadores no desemprego.
Na Morraceira, apesar de tudo, ainda laboram todos os dias dezenas de pessoas. Em funcionamento, existe uma creche e jardim de infância, algumas pequenas unidades industriais, uma venda de marisco para a pesca lúdica, piscicultura e extracção de sal. Contudo, a Morraceira é, nos dias que correm, uma sombra do passado.
A Morraceira, recorde-se, teve o aeródromo concelhio e até um campo de futebol!..
Morraceira, um pedaço de terra que sobressai no estuário do Mondego, apesar de continuar entregue praticamente ao abandono, a aguardar pelo desejado plano geral de requalificação...
Em Novembro de 2011, segundo o que li no Diário de Coimbra, "a Ilha da Morraceira estava “a caminho” da valorização turística".
De harmonia com o acima citado Jornal, o “Plano de Valorização Turística da Ilha da Morraceira”, que estava a ser desenvolvido pelo Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra foi apresentado a um conjunto de empresários com actividades na área do salgado, desde salinicultores, aquacultores e operadores turísticos. Um projecto que surgiu na sequência de estudos iniciados em 2004, que agora, com a colaboração de todos, se pretendia concluir para submeter a um possível financiamento comunitário.
O documento, segundo explicou José Rochete ao Jornal, integra-se no Plano de Desenvolvimento Turístico da Figueira e envolve a criação de infra-estruturas, como percursos pedonais, ecoturismo para cidadãos com dificuldade de mobilidade, um centro de interpretação, a promoção do sal e de interligação com a aquacultura, o ecoturismo e a agricultura biológica.” Até hoje, que seja do meu conhecimento, nada aconteceu.
Depois, a 12 de fevereiro de 2015 li que a Figueira da Foz estava a desenvolver candidatura de proteção ambiental do Rio Mondego.
"A Câmara da Figueira da Foz e a concessionária Águas da Figueira assinaram um protocolo que visa desenvolver uma candidatura a fundos comunitários para a proteção ambiental do estuário do rio Mondego.
O projecto, segundo os termos do acordo assinado pelo autarca João Ataíde e por João Damasceno, diretor geral da empresa de águas e saneamento, visa a melhoria das condições ambientais do rio Mondego junto à foz, nomeadamente na zona da ilha da Morraceira, através de soluções tecnicamente evoluídas para a promoção de actividades económicas ligadas à aquacultura, produção de sal e turismo.
De entre as medidas propostas está a execução de uma “solução inovadora” para a rede de drenagem da ilha da Morraceira – com transporte de efluentes para a estação de tratamento de água residuais (ETAR) de São Pedro – e a melhoria da capacidade de tratamento desta infraestrutura.
Outras medidas preconizadas passam por um tratamento terciário de última geração (desinfeção), que, segundo João Damasceno “vai muito para além das exigências legais” nas ETAR de São Pedro e Bizorreiro de Lavos e a automatização da ETAR da Zona Urbana da Figueira da Foz “por forma a gerar eficiências energéticas” com monitorização de efluentes descarregados no estuário do rio.
Embora a Águas da Figueira tenha em curso um estudo prévio para identificar o volume de investimento necessário a incorporar na candidatura ao quadro comunitário Portugal 2020, João Damasceno estimou aquelas verbas num montante entre os três e os quatro milhões de euros.
A candidatura ficará a cargo da autarquia da Figueira da Foz, estando por definir se será o município ou a empresa, ou ambos, a assegurar a componente nacional do investimento e qual será essa taxa de esforço.
Questionado pelos jornalistas, João Ataíde estimou que se o investimento se cifrar em quatro milhões de euros a taxa de esforço poderá situar-se nos 800 mil euros, 20% do total.
De acordo com o texto do protocolo, os investimentos em causa não se encontram previstos no Plano de Investimento do Contrato de Concessão, nem são possíveis de executar “com o recurso exclusivo aos utilizadores através do sistema tarifário sem o onerar de forma incomportável”.
No mesmo texto, o município da Figueira da Foz admite que não dispõe de fundos próprios para financiar a concessionária nos investimentos previstos, “necessitando de financiamento externo não reembolsável para a sua execução”.
Resultados práticos, alguém os conhece?
Em 7 de Março de 2018, no jornal AS BEIRAS, vinha esta notícia...
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