Um livro é uma extensão da memória e da imaginação.
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| "Quando se sabia publicitar a Figueira da Foz...Nos anos 60" |
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| "Quando se sabia publicitar a Figueira da Foz...Nos anos 60" |
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| Fotos Manuel Santos. Imagens da Coleção do Arquivo Municipal da Figueira da Foz |
Via O "Discurso sobre a Figueira", um panfleto que é mais uma caricatura/retrato de uma cidade que nem a areia sabe distribuir...
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| Pedro Agostinho Cruz |
Uma crónica de Silvina Queiroz, via Diário as Beiras
"No correr dos tempos, legislação “filha” do 25 de Abril tem vindo bastas vezes a receber o “título honorífico” de anacrónica! Foi o que aconteceu, por exemplo, com os diplomas que regulamentaram, felizmente por largos anos ainda, a eleição para os órgãos democráticos das escolas: a entretanto morta e enterrada “gestão democrática dos estabelecimentos de educação e ensino”. Provavelmente foi o que aconteceu com as alterações à lei eleitoral em Julho do ano transacto. Não sei. O que sei é que cada vez que se mexeu na lei foi com o intuito claro de reduzir a intervenção dos eleitores e o enfraquecimento do Poder Local. Por essa via se perderam muitos mandatos aquando de uma dessas “oportunas” revisões legislativas! O que precisamos nesta como em toda a Lei é que se respeitem os preceitos constitucionais sem tibiezas nem operações de martelamento dos diplomas, assim pervertendo a matriz, os pressupostos da sua génese. O que aconteceu nas escolas, foi que chegámos a um ponto em que já não há qualquer exercício de autêntica democracia: os professores no seu todo, os assistentes operacionais e técnicos, foram arredados da escolha electiva dos órgãos dirigentes das escola e que saudades têm desses tempos em que as suas voz e vontade tinham um amplo espaço de participação democrática! O que se pretende com a “iluminada ideia” de círculos uninominais? Exactamente a desvalorização do Poder Local, uma vez mais e desta feita de modo mais violento e, diria, ignóbil. Não concordo com o ápodo de “anacrónica” a classificar a lei eleitoral, não. Quereria era o seu aperfeiçoamento, aproximando-a da sua raiz nos já distantes anos do seu nascimento. Anacrónicos são todos os que, de uma maneira ou outra, se vão “esforçando” por subverter as heranças de Abril, os seus valores e a sua proximidade com as populações, combatendo a sua participação activa e valorada."
A tragédia fascina, devora, faz-nos sentir parte do que
quer que seja que está a acontecer. Mexe connosco. E dá audiências nas
televisões e vende jornais.
No entanto, para lá das reportagens,
do repórter que sofreu imenso e teve de voltar para trás por causa das
"chamas enormes", para lá de tudo isso há a tragédia individual, o
desastre que é para cada uma daquelas pessoas aquele fogo. Só aquele.
Já senti isso de perto. O crepitar violento que se vai
aproximando, o fumo, não conseguir ver nada, mas tentar adivinhar o que ficou
destruído, o sentimento de perder para sempre aquele espaço que nos era
familiar, olhar para o lugar de sempre e nunca mais ver o mesmo. É horrível,
faz-nos sentir medo e pânico. Perder, ou
temer perder, tudo no rasto do incêndio.
No Cabedelo o que está a acontecer tem muito de semelhante com isto.
A desgraça verdadeira, porém, não é o artigo de jornal
ou a peça de televisão, é a tragédia individual, a impotência – a sensação da
nossa pequenez e inutilidade perante as forças - da natureza e outras.
Há sempre um mal maior, haverá sempre outro mal, mas perder - ou temer perder - tudo sem poder contrariar, sem haver nada que se possa fazer, é essa a história de cada uma das vítimas dos incêndios como o do Cabedelo. Sim o Cabedelo foi queimado.
O resto - as culpas, as falhas, os desleixos, as críticas - o resto é importante, muito importante, mas é só para os outros. Para nós, quem perde uma árvore, um terreno, uma casa, um cabedelo, ou um jardim como o da foto, isso é tudo. E os figueirenses podiam ter feito tanta coisa...
Este jardim está a arder. Não sentem o crepitar violento? Ou já não conseguem ver nada por causa do fumo?
E quem paga sabem quem é? Nós, os que pagamos impostos. E pensam que pela província não acontece nada disto?
Primeira: "A lei dos eleitos locais é anacrónica?", por João Vaz.
Segunda: "Pelo poder local", por Teotónio Cavaco.
Imagem via Freguesia do Paião.