sábado, 11 de julho de 2020
Campanhas (5)
«Ir para fora
cá dentro. Esta é
a mensagem que
imediatamente relevo no seio da nova
campanha promocional do Município.
Uma mensagem
forte e arrojada, que
coloca a Figueira da Foz lado a lado
com alguns dos mais prestigiados
destinos turísticos mundiais. Uma
forma diferente de captar a atenção
dos olhares menos atentos para
o património único e diversifi cado
que temos no nosso concelho.
As comparações da Figueira da
Foz com outras paragens do globo
não são novidade, afi nal a Figueira
da Foz já há muito que é apelidada da Biarritz portuguesa. Esta
campanha leva esse imaginário
um pouco mais longe, sendo que
se enquadra perfeitamente num
ano em que as visitas ao estrangeiro serão menos procuradas do
que o normal. O nosso calçadão
da Avenida é comparável ao de
Copacabana? Em termos mediáticos, certamente não é.
Porém, em termos práticos, só na
temperatura encontramos diferenças de maior. Os nossos arrozais
são comparáveis aos do Vietname?
Certamente não são, mas encontramos ali um património único
no território nacional, que não fi ca
muito aquém (no essencial) ao
sudoeste asiático. As nossas salinas são iguais às de Cabo Verde?
Certamente não são, contudo, podemos aprender a arte milenar da
produção de sal sem sair do país. A
nossa Torre do Relógio é comparável ao Big Ben? Não é, nem nunca
será. No entanto, não deixa de ser
um marco, um verdadeiro ícone da
Rainha das Praias.
Esta campanha tem um propósito
bastante claro e que se enquadra
perfeitamente com a época que
vivemos. Na verdade, eu perceciono esta campanha como uma
ferramenta para que cada um de
nós- fi gueirenses apaixonados
pela sua terra - possa dizer a todos
os que nos visitam “aqui, na Figueira temos tudo. Pode não ser igual
ou tão mediático, mas não é preciso
ir mais longe que a Figueira da
Foz para usufruir da natureza dos
arrozais, desfrutar da praia ou até
mesmo para apreciar um tranquilo
passeio à beira do Atlântico.”»
Via Diário as Beiras
Via Diário as Beiras
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Oficial...
Sérgio Figueiredo deixa direção de informação da TVI...
O jornalista estava no grupo Media Capital desde 2015 com responsabilidades na informação da TVI.
Sérgio Figueiredo deixa a partir desta sexta-feira (10 de julho) a direcção de informação da TVI, informou a estação em comunicado. "Pedro Pinto, actual Subdiretor de Informação, assumirá interinamente as funções até à nomeação de uma nova direcção".
"A TVI informa que Sérgio Figueiredo deixará de exercer as funções de Director de Informação da estação a partir de hoje. Sérgio Figueiredo juntou-se ao GMC em janeiro de 2015, tendo conduzido os principais Jornais, durante o período mais longo de liderança da TVI", informa a estação em comunicado enviado às redações.
Não foram adiantadas razões para a saída do profissional da liderança da informação do canal. A saída surge depois da polémica envolvendo a antiga jornalista da estação Ana Leal, que saiu em conflito com o diretor de informação.
O jornalista estava no grupo Media Capital desde 2015 com responsabilidades na informação da TVI.
Sérgio Figueiredo deixa a partir desta sexta-feira (10 de julho) a direcção de informação da TVI, informou a estação em comunicado. "Pedro Pinto, actual Subdiretor de Informação, assumirá interinamente as funções até à nomeação de uma nova direcção".
"A TVI informa que Sérgio Figueiredo deixará de exercer as funções de Director de Informação da estação a partir de hoje. Sérgio Figueiredo juntou-se ao GMC em janeiro de 2015, tendo conduzido os principais Jornais, durante o período mais longo de liderança da TVI", informa a estação em comunicado enviado às redações.
Não foram adiantadas razões para a saída do profissional da liderança da informação do canal. A saída surge depois da polémica envolvendo a antiga jornalista da estação Ana Leal, que saiu em conflito com o diretor de informação.
Habituem-se!..
Na vista de olhos diária pela imprensa, gosto especialmente de passar os olhos pelas colunas de opinião de alguns cronistas. Uns, pelo gosto que me dá a leitura da prosa, mesmo que esteja em desacordo com o conteúdo muitas das vezes.
Doutros, discordo sempre. Por isso os leio, ainda com mais interesse e atenção, por serem o fermento que, diariamente, me apura aquilo que seria uma visão alternativa ao meu mundo.
A liberdade de expressão é, na liberdade, um dos direitos mais importantes que se tem.
Sem ela, nada mais existe. O meu entendimento de liberdade, de expressão e opinião, tem no centro o direito de os outros se exprimirem com toda a liberdade, mesmo que isso nos ofenda.
O direito de os outros dizerem aquilo que mais nos choca, tem de ser defendido por quem ama a liberdade.
Não há relativização possível para este critério. Isto, para quem ama a liberdade, é uma questão de vida ou de morte.
A liberdade é, por si própria, um bem inquestionável e a sua conquista um motivo de regozijo sem espaço para reticências. Não é uma matéria de direita ou de esquerda.
É um assunto transversal da sociedade.
A luta continua para quem tenta manter a lucidez.
O regime implantado no dia 28 de Maio de 1926, começou precisamente por se justificar com a necessidade de combater a anarquia e de reprimir os anarquistas, que nessa altura se organizavam em torno da Confederação Geral do Trabalho.
Hoje, é fácil perceber a natureza desse regime: na altura não o era.
Ontem, como hoje, cada um de nós tem que decidir individualmente se toma posição activa contra o que está a acontecer.
O tempo não está para brincadeiras. Os figueirenses estão fartos de partir cheios de esperança e passados 4 anos sobra desilusão. Pensando que estão a apostar numa vida melhor, recebem no troco mais dificuldades.
Os políticos perderam a noção de que são eleitos para satisfazer as necessidades dos seus eleitores. Já nem ligam a isso: o que fazem, não sei se apenas por incompetência poliítica, é contribuir para degradar a vida dos que neles confiam.
Talvez por saberem, que na votação a seguir vocês escolhem políticos cada vez piores.
Quem julgava ter-se livrado de Aguiar de Carvalho, teve Santana. Depois veio Duarte Silva e João Ataide. Agora tem ainda pior. Carlos Monteiro, é um susto que nem sequer vos fará sorrir.
Doutros, discordo sempre. Por isso os leio, ainda com mais interesse e atenção, por serem o fermento que, diariamente, me apura aquilo que seria uma visão alternativa ao meu mundo.
A liberdade de expressão é, na liberdade, um dos direitos mais importantes que se tem.
Sem ela, nada mais existe. O meu entendimento de liberdade, de expressão e opinião, tem no centro o direito de os outros se exprimirem com toda a liberdade, mesmo que isso nos ofenda.
O direito de os outros dizerem aquilo que mais nos choca, tem de ser defendido por quem ama a liberdade.
Não há relativização possível para este critério. Isto, para quem ama a liberdade, é uma questão de vida ou de morte.
A liberdade é, por si própria, um bem inquestionável e a sua conquista um motivo de regozijo sem espaço para reticências. Não é uma matéria de direita ou de esquerda.
É um assunto transversal da sociedade.
A luta continua para quem tenta manter a lucidez.
O regime implantado no dia 28 de Maio de 1926, começou precisamente por se justificar com a necessidade de combater a anarquia e de reprimir os anarquistas, que nessa altura se organizavam em torno da Confederação Geral do Trabalho.
Hoje, é fácil perceber a natureza desse regime: na altura não o era.
Ontem, como hoje, cada um de nós tem que decidir individualmente se toma posição activa contra o que está a acontecer.
O tempo não está para brincadeiras. Os figueirenses estão fartos de partir cheios de esperança e passados 4 anos sobra desilusão. Pensando que estão a apostar numa vida melhor, recebem no troco mais dificuldades.
Os políticos perderam a noção de que são eleitos para satisfazer as necessidades dos seus eleitores. Já nem ligam a isso: o que fazem, não sei se apenas por incompetência poliítica, é contribuir para degradar a vida dos que neles confiam.
Talvez por saberem, que na votação a seguir vocês escolhem políticos cada vez piores.
Quem julgava ter-se livrado de Aguiar de Carvalho, teve Santana. Depois veio Duarte Silva e João Ataide. Agora tem ainda pior. Carlos Monteiro, é um susto que nem sequer vos fará sorrir.
PS e PSD recusam cortar apoio do Estado a campanhas e partidos
"PCP, PAN e IL querem reduzir para metade ou um décimo os subsídios públicos para despesas eleitorais e financiamento anual aos partidos. BE e CDS insistem no fim da isenção de IMI.
O PS e o PSD vão chumbar, nesta sexta-feira, as propostas dos partidos mais pequenos para que sejam reduzidas as subvenções estatais que pagam boa parte das despesas das campanhas eleitorais e financiam anualmente a actividade política dos partidos que elegem deputados à Assembleia da República."
O PS e o PSD vão chumbar, nesta sexta-feira, as propostas dos partidos mais pequenos para que sejam reduzidas as subvenções estatais que pagam boa parte das despesas das campanhas eleitorais e financiam anualmente a actividade política dos partidos que elegem deputados à Assembleia da República."
Liberdade
— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
(Miguel Torga, in 'Diário XII')
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
(Miguel Torga, in 'Diário XII')
quinta-feira, 9 de julho de 2020
Campanhas (4)
"A recente campanha de promoção da Figueira apela a duas ideias fortes e simples, que estão corretas e fazem muito sentido em tempos de Covid-19, quando se anuncia que a Figueira é “espaçosa” e pode ser visitada com “segurança”, ilustrando através de imagens que destacam a vastidão das praias, do Baixo Mondego, das salinas e do oceano.
O problema é que durante anos a fio os executivos camarários foram desafiados em vão pela oposição mais à esquerda para apostar num turismo que permitisse desfrutar da natureza através de formas de mobilidade amigas do ambiente, redes de pistas cicláveis dignas desse nome, trilhos bem sinalizados que percorressem a serra, as salinas, a beira rio e a costa marítima.
Neste momento tão particular em que essas soluções seriam tão úteis, encontramos pouco ou nada no terreno. Faltam indicações nas rodovias de acesso ao concelho sobre esses pontos de interesse, faltam indicações claras no próprio terreno sobre os trilhos, incluindo mapas e códigos de cores para cada pista com indicações das distâncias e estimativa de tempo de percurso para peões e ciclistas, bem como informação sobre a geografia física, sobre a fauna e a flora, sobre a arquitetura local e os pontos de interesse arqueológicos. Como é hábito em muito do que se faz em Portugal, temos spots publicitários com imagens e vozes de fundo de cortar a respiração, mas no terreno pouco ou nada ajuda a concretizar o que é proclamado.
A parte exagerado-tontinha desta campanha são as comparações com o Vietname, Copacabana e o Havai. Os turistas que preferem estes destinos não têm grande interesse por Portugal. Grande parte porque acha a água do oceano demasiado fria, outros preferem ir de férias para resorts com agendas rígidas e comida industrial.
Do Havai apenas conheço as praias da ilha Oahu onde se situa Honolulu. Uma parte são praias artificiais sem interesse. As praias de surf da North Shore são bonitas e muito selvagens, com uma história longa e particular. A história do nosso surf local é suficientemente interessante para dispensar comparações tontinhas."
Via Diário as Beiras
O problema é que durante anos a fio os executivos camarários foram desafiados em vão pela oposição mais à esquerda para apostar num turismo que permitisse desfrutar da natureza através de formas de mobilidade amigas do ambiente, redes de pistas cicláveis dignas desse nome, trilhos bem sinalizados que percorressem a serra, as salinas, a beira rio e a costa marítima.
Neste momento tão particular em que essas soluções seriam tão úteis, encontramos pouco ou nada no terreno. Faltam indicações nas rodovias de acesso ao concelho sobre esses pontos de interesse, faltam indicações claras no próprio terreno sobre os trilhos, incluindo mapas e códigos de cores para cada pista com indicações das distâncias e estimativa de tempo de percurso para peões e ciclistas, bem como informação sobre a geografia física, sobre a fauna e a flora, sobre a arquitetura local e os pontos de interesse arqueológicos. Como é hábito em muito do que se faz em Portugal, temos spots publicitários com imagens e vozes de fundo de cortar a respiração, mas no terreno pouco ou nada ajuda a concretizar o que é proclamado.
A parte exagerado-tontinha desta campanha são as comparações com o Vietname, Copacabana e o Havai. Os turistas que preferem estes destinos não têm grande interesse por Portugal. Grande parte porque acha a água do oceano demasiado fria, outros preferem ir de férias para resorts com agendas rígidas e comida industrial.
Do Havai apenas conheço as praias da ilha Oahu onde se situa Honolulu. Uma parte são praias artificiais sem interesse. As praias de surf da North Shore são bonitas e muito selvagens, com uma história longa e particular. A história do nosso surf local é suficientemente interessante para dispensar comparações tontinhas."
Via Diário as Beiras
Lei de Bases do Património Cultural obrigava câmara a pedir parecer prévio ao organismo, mas isso não aconteceu...
"Foi pelas notícias que a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) soube que a Rua dos Bacalhoeiros tinha sido pintada de azul durante o fim-de-semana. Esta entidade devia ter dado um parecer prévio à intervenção, mas a Câmara de Lisboa nada lhe perguntou, pelo que agora vai pedir esclarecimentos à autarquia."
Liberdade: o mais precioso e frágil dos bens.
"Mário Soares tornou habitual a liberdade entre nós. Já não uma causa de combate ou uma promessa de perfeição, mas — simplesmente — um modo de vida habitual que aprendemos a usufruir tranquilamente."
POSSO CONTINUAR A PROTESTAR?
"Onde liberdade não há, abuso dela não pode haver."
A liberdade pertence a todos e exige a igualdade para se realizar.
"O valor essencial da liberdade sem a igualdade torna-se aristocrático privilégio de uns quantos."
A liberdade não é uma dádiva, nem uma concessão.
"Considero que uma liberdade dependente de poder discricionário do Governo não é uma verdadeira liberdade; fica à mercê do poder."
Por isso: "o que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for".
POSSO CONTINUAR A PROTESTAR?
(todas as frases entre aspas e a negrito são de Francisco Sá Carneiro.)
A liberdade quando se tem, em plenitude, não se dá por ela. Quando se começa a perder, quem a ama, percebe de imediato."Onde liberdade não há, abuso dela não pode haver."
A liberdade pertence a todos e exige a igualdade para se realizar.
"O valor essencial da liberdade sem a igualdade torna-se aristocrático privilégio de uns quantos."
A liberdade não é uma dádiva, nem uma concessão.
"Considero que uma liberdade dependente de poder discricionário do Governo não é uma verdadeira liberdade; fica à mercê do poder."
Por isso: "o que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for".
Campanhas (3)
"A Figueira da Foz foi um destino turístico de eleição, sendo que tendo decrescido de importância neste domínio, continua a atrair turistas. É que esta cidade e este concelho são lindos e continuam lindos, apesar das persistentes descaracterizações a que têm sido sujeitos, designadamente a sede do município.
Ao longo de décadas tem imperado o mau gosto em detrimento do que temos de melhor. Basta pensar, a título de exemplo, nas “tampas” colocadas na Rua Bernardo Lopes, fechando a vista lindíssima do rio e da outra margem por meio da implantação de mamarrachos. Aliás, mamarrachos não têm faltado na cidade, o que é tão triste e revoltante! Mas continuamos cá, a cidade e o concelho permanecem e merecem ser visitados. É pois natural que os executivos camarários se preocupem em “chamar” turistas, anunciando as belezas que por aqui moram.
Agora os métodos têm sido, também eles, um exercício de muito duvidoso gosto. A campanha do É Primo e tal e coisa, foi o que foi. Um desastre que nos ficou bastante oneroso. Agora temos uma nova e aplaudo que a Câmara Municipal invista na promoção turística do concelho. O vídeo é interessante até certo ponto e muito há a recuperar e alindar para que aumente a oferta. Mas comparar o nosso património paisagístico com outras partes do Mundo?! Pelo amor de Deus e falo sério!
Então em vez de se apostar na unicidade, na particularidade, na genuinidade, confunde-se tudo para assim atrair turistas?! Juro que comigo não funcionaria e acredito piamente que não funcione com muitos mais. Porque é ridículo e ao invés de valorizador da imagem tem o efeito contrário. Afinal somos iguais a isto e aquilo… Vista uma coisa, nem vale a pena ir a outro sítio. Somos assim iguaizinhos??!
Não subscrevo tal visão! A Florida? O Vietname? (Só se for nos mosquitos que atacam forte ali para os lados de Alqueidão e Maiorca!) Côte d’Azur? Já lá estive e não vi a parecença. Acho mais parecida, já que estamos nesta onda de paralelismos, a portuguesíssima Viana! Estas comparações, que não quero chamar de patetas, são patéticas. Viva a Figueira na sua singularidade!"
Via Diário as Beiras
Ao longo de décadas tem imperado o mau gosto em detrimento do que temos de melhor. Basta pensar, a título de exemplo, nas “tampas” colocadas na Rua Bernardo Lopes, fechando a vista lindíssima do rio e da outra margem por meio da implantação de mamarrachos. Aliás, mamarrachos não têm faltado na cidade, o que é tão triste e revoltante! Mas continuamos cá, a cidade e o concelho permanecem e merecem ser visitados. É pois natural que os executivos camarários se preocupem em “chamar” turistas, anunciando as belezas que por aqui moram.
Agora os métodos têm sido, também eles, um exercício de muito duvidoso gosto. A campanha do É Primo e tal e coisa, foi o que foi. Um desastre que nos ficou bastante oneroso. Agora temos uma nova e aplaudo que a Câmara Municipal invista na promoção turística do concelho. O vídeo é interessante até certo ponto e muito há a recuperar e alindar para que aumente a oferta. Mas comparar o nosso património paisagístico com outras partes do Mundo?! Pelo amor de Deus e falo sério!
Então em vez de se apostar na unicidade, na particularidade, na genuinidade, confunde-se tudo para assim atrair turistas?! Juro que comigo não funcionaria e acredito piamente que não funcione com muitos mais. Porque é ridículo e ao invés de valorizador da imagem tem o efeito contrário. Afinal somos iguais a isto e aquilo… Vista uma coisa, nem vale a pena ir a outro sítio. Somos assim iguaizinhos??!
Não subscrevo tal visão! A Florida? O Vietname? (Só se for nos mosquitos que atacam forte ali para os lados de Alqueidão e Maiorca!) Côte d’Azur? Já lá estive e não vi a parecença. Acho mais parecida, já que estamos nesta onda de paralelismos, a portuguesíssima Viana! Estas comparações, que não quero chamar de patetas, são patéticas. Viva a Figueira na sua singularidade!"
Via Diário as Beiras
Progresso? Insucesso? Ou retrocesso?...
Aí pelos idos de 2010, 2011, as Câmaras Municipais (a Figueira também...) colocaram as aldeias às escuras, à noite, desligando as luzes para não gastarem energia. Assim aconteceu na minha aldeia (a excepção, foi a minha Rua). Há sessenta anos atrás, a minha aldeia quase que não tinha electricidade: nem de noite nem de dia.
Em 2011 - basta consultar os jornais - a moda para as mulheres passou pelo retorno do espartilho e os "soutiens” feitos de materiais duros, como a corticite. Há sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.
Aqui há tempo a Segurança Rodoviária quis instituir a velocidade máxima de 30 km/h. Era o que acontecia há sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia carroças.
Devido ao aumento do preço do tabaco, há muita gente que ressuscistou o hábito de fumar tabaco de enrolar. Tal como era frequente há sessenta anos atrás.
As cabras voltaram a ser utilizadas para prevenir os incêndios florestais, mandando-as pastar para as florestas comer aquilo que, não sendo eliminado constitui, um figo à deflagração dos fogos. Foi recuperada uma técnica de sessenta anos atrás.
Tudo isto está aconteceu em nome do futuro, recuperando aquilo que havia no passado.
Há sessenta anos atrás, havia o barco que fazia a travessia entre a Figueira e o Cabedelo. Até hoje, apesar das promessas, não foi reatada a travessia fluvial do Mondego.
Raros são os recantos, como é o caso do Cabedelo, em que as pessoas, quase todas vindas do outro lado da cidade, consegue ter ali uma vivência e uma vida que, em conjunto, faz sentido. E que, por ser diferente e orgânica naquele lugar especial que é o Cabedelo (na sua normalidade quotidiana), emociona e dá paz e harmonia à alma de quem, vindo do lado norte da cidade, a consegue contemplar da outra margem.
Fala-se muito na requalificação do espaço e menos noutros pormenores felizes e representativos do espírito da zona: os espaços naturais de convívio que lá existem. Não têm a sofisticação – sobretudo e ainda bem - artificiosa dos recriados espaços que, dizem, estar a requalificar, mas são os autênticos do espírito do verdadeiro Cabedelo, que proporcionam, a quem o visita, sentir que está num lugar diferente e especial.
Estão a matar o Cabedelo, aquele local que ainda consegue oferecer essa antiga ilusão que ninguém consegue ver, mas alguns conseguem sentir, que se chama intimidade - talvez, a mais importante de todas as utopias.
Como qualificar este processo? Progresso? Insucesso? Ou retrocesso?
O que vai restar? Do que é que as pessoas se vão lembrar?
Não sei se é por ter me ter criado e crescido por ali, "à solta", mas do que me vou lembrar é de uma fatia que vai fazer parte do saque feito ao litoral, desde o Minho até ao Algarve.
A coberto das denominadas requalificações, sítios onde antes, e a pretexto da defesa da natureza, do meio ambiente e da protecção do ecosistema, nem sequer uma tenda de campismo selvagem se podia erguer, estão agora ocupados por urbanizações e resorts, mais as suas piscinas, campos de ténis e campos de golfe.
É disto que me vou lembrar quando pensar no Cabedelo de há 60 anos: da destruição do património natural comum para benefício de uns quantos.
Em 2011 - basta consultar os jornais - a moda para as mulheres passou pelo retorno do espartilho e os "soutiens” feitos de materiais duros, como a corticite. Há sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.
Aqui há tempo a Segurança Rodoviária quis instituir a velocidade máxima de 30 km/h. Era o que acontecia há sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia carroças.
Devido ao aumento do preço do tabaco, há muita gente que ressuscistou o hábito de fumar tabaco de enrolar. Tal como era frequente há sessenta anos atrás.
As cabras voltaram a ser utilizadas para prevenir os incêndios florestais, mandando-as pastar para as florestas comer aquilo que, não sendo eliminado constitui, um figo à deflagração dos fogos. Foi recuperada uma técnica de sessenta anos atrás.
Tudo isto está aconteceu em nome do futuro, recuperando aquilo que havia no passado.
Há sessenta anos atrás, havia o barco que fazia a travessia entre a Figueira e o Cabedelo. Até hoje, apesar das promessas, não foi reatada a travessia fluvial do Mondego.
Raros são os recantos, como é o caso do Cabedelo, em que as pessoas, quase todas vindas do outro lado da cidade, consegue ter ali uma vivência e uma vida que, em conjunto, faz sentido. E que, por ser diferente e orgânica naquele lugar especial que é o Cabedelo (na sua normalidade quotidiana), emociona e dá paz e harmonia à alma de quem, vindo do lado norte da cidade, a consegue contemplar da outra margem.
Fala-se muito na requalificação do espaço e menos noutros pormenores felizes e representativos do espírito da zona: os espaços naturais de convívio que lá existem. Não têm a sofisticação – sobretudo e ainda bem - artificiosa dos recriados espaços que, dizem, estar a requalificar, mas são os autênticos do espírito do verdadeiro Cabedelo, que proporcionam, a quem o visita, sentir que está num lugar diferente e especial.
Estão a matar o Cabedelo, aquele local que ainda consegue oferecer essa antiga ilusão que ninguém consegue ver, mas alguns conseguem sentir, que se chama intimidade - talvez, a mais importante de todas as utopias.
Como qualificar este processo? Progresso? Insucesso? Ou retrocesso?
O que vai restar? Do que é que as pessoas se vão lembrar?
Não sei se é por ter me ter criado e crescido por ali, "à solta", mas do que me vou lembrar é de uma fatia que vai fazer parte do saque feito ao litoral, desde o Minho até ao Algarve.
A coberto das denominadas requalificações, sítios onde antes, e a pretexto da defesa da natureza, do meio ambiente e da protecção do ecosistema, nem sequer uma tenda de campismo selvagem se podia erguer, estão agora ocupados por urbanizações e resorts, mais as suas piscinas, campos de ténis e campos de golfe.
É disto que me vou lembrar quando pensar no Cabedelo de há 60 anos: da destruição do património natural comum para benefício de uns quantos.
quarta-feira, 8 de julho de 2020
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