(a partir das 22:30 a Antena 1 realiza uma emissão especial no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, onde Vitorino, Janita Salomé e ZéCarvalho cantarão canções do poeta)José Afonso, uma referência cívica de Portugal, morreu faz hoje 20 anos.
Possivelmente, a sua música vai ouvir-se na rádio.
Possivelmente, haverá depoimentos na televisão.
Tudo isto, possivelmente, só hoje.
"E se não fossem as efemérides talvez nunca o ouvíssemos".
"José Afonso tornou-se igualmente incómodo antes e depois do 25 de Abril. É impossível pôr em causa a sua qualidade musical, por isso houve quem preferisse atacá-lo pelo lado político."
Mais próximo das utopias do que "das grandes tramóias políticas", José Afonso tornou-se inconveniente.
"Mesmo reconhecendo o seu valor, sabendo que ele tinha um sentido harmónico extraordinário e uma voz excelente."
Em 1987, José Afonso deixou-nos, vítima de doença incurável. Além de ser, juntamente com Adriano Correia de Oliveira, um dos mentores da canção de intervenção em Portugal e um baladeiro/compositor notável, soube conciliar a música popular portuguesa e os temas tradicionais com a palavra de protesto. Zeca trilhou, desde sempre, um percurso de coerência. Na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarento, na denúncia dos oportunistas, dos "vampiros" que destroçaram Abril, no canto da cidade sem muros nem ameias, do socialismo, da "utopia”.
Injustiçado por estar contra a corrente, morreu pobre e abandonado pelas instituições. Mas não temos dúvidas, a voz de "Grândola” perdurará para lá de todos os chacais.
"O Zeca foi injustiçado em vida e continua a ser muito injustiçado depois de morrer”.Mas nem tudo é negativo: apesar de tudo, neste dia, o Zeca vai estar disperso pelo país.