
Como filho, neto e bisneto de homens do mar, não podia ficar indiferente à morte dos pescadores perto da Nazaré.
O inquérito já tirou algumas conclusões..
Quanto a nós, é necessário questionar se foi feito tudo o que era possível!..
Será que este país deu alguma vez a devida atenção aos homens do mar?
Ficou provado, se tal ainda fosse necessário, que os recursos para socorrer pescadores em apuros são escassos e que um modelo de salvamento assente em meios aéreos concentrados nas respectivas bases pode ser tragicamente insuficiente....
Mas este acidente, leva-nos também a pensar se a ganância nas pescas, que não é de hoje nem de ontem, não está a ir longe de mais, colocando em risco as embarcações e as vidas. .
Os pescadores, durante horas, a meia centena de metros da Praia da Légua, ficaram entregues a si próprios, para se defenderem do mar e da hipotermia!...
A morte era uma questão de tempo... E demorou menos, muito menos, do que os meios aéreos...
Os socorros a náufragos, só têm razão de existir se forem eficazes e se forem rápidos...
Para já o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, afirmou esta quinta-feira que o Estado precisa de reflectir sobre os procedimentos e meios de socorros a náufragos, não admitindo, no entanto, a existência de qualquer tipo de erro no resgate aos tripulantes da embarcação que na passada sexta-feira naufragou na praia da Légua, a norte da Nazaré, deixando três pescadores mortos e três desaparecidos.
«Podemos e devemos fazer uma reflexão sobre aquilo que é o sistema de coordenação, os meios e os procedimentos [de salvamento]», declarou o ministro, em conferência de imprensa no ministério da Defesa, após ter recebido o representante dos pescadores das Caxinas, de onde eram naturais os pescadores vitimados, que entregaram hoje uma petição para o reforço dos meios de salvamento.
Entretanto, o resultado do inquérito mandado realizar pelo mesmo ministro foi entregue quarta-feira e reconhece que a preparação e activação dos helicópteros, depois de recebida a ordem de descolagem, é demorada, prolongando-se por um período de tempo entre 30 a 45 minutos.
O mesmo relatório, aponta também o dedo às dificuldade de localização do barco e ao facto de os tripulantes não usarem coletes salva-vidas.
















