quinta-feira, 14 de maio de 2026

Serra da Boa Viagem precisa de ter um novo modelo de gestão?

De harmonia com o Diário as Beiras (edição de  5 de dezembro de 2023,«o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está disponível para aplicar um novo modelo de gestão ao parque florestal da Serra da Boa Viagem em acordo com o município da Figueira da Foz.
Esta possibilidade, avançada à agência Lusa por Nuno Banza, presidente do ICNF, agradou ao presidente da autarquia, Pedro Santana Lopes, que assumiu que a Figueira da Foz “quer, em condições a acordar, como é evidente”, passar a ter a gestão do parque florestal Manuel Alberto Rei.
“Acho que não seria digno das funções que exerço se não aproveitar essa oportunidade, se ela se confirmar”, declarou Pedro Santana Lopes.
“Seria muito importante, porque, obviamente, é muito difícil os organismos da administração central assegurarem a gestão de todo o território, nomeadamente de um parque/serra com estas características. É quase um prolongamento da malha urbana, faz a interface entre duas áreas do concelho. Tem todas as razões para a autarquia ter responsabilidades, não tenho dúvida nenhuma disso”  
Hoje, via o Diário as Beiras, ficámos a saber que a Serra da Boa Viagem poderá vir a ter gestão partilhada.

Contudo, ao longo doas anos, há quem quem considere, como o eng.  João Vaz, que  "a Serra da Boa Viagem faz parte de um contínuo ecológico e deve ser gerida como parte de um todo." 
Portanto, "Municipalizar a Serra não faz muito sentido, porque iria levar a uma gestão fragmentada e provavelmente sem a necessária visão de conjunto. 
Nesta crónica, publicada em 13 de outubro de 2020, "notava-se ainda na atitude de diversos vereadores da Câmara a tentação de instrumentalizar a Serra em seu benefício político, desrespeitando o seu carácter ecológico."
Mais: "inclusivamente na parte da Serra onde houve uma gestão territorial da Câmara, zona urbanizada e acessos, observa-se um certo caos e falta de qualidade da infraestrutura. Arruamentos sem passeios, casas e anexos de génese ilegal, cérceas desencontradas, iluminação de caminhos onde não passa ninguém, deposição de lixo, etc., um rol de erros urbanísticos que desvalorizaram a Serra e a cidade."
Para o eng. João Vaz, "o objetivo da gestão da Serra da Boa Viagem deve ser a criação de uma área de fomento da biodiversidade e da beleza paisagística. E sempre que possível também um lugar de encontro entre as pessoas e a natureza, num compromisso delicado. Neste âmbito os especialistas defendem uma pedonalização maior da Serra, retirando até alguns troços de estrada e descolonizando a paisagem, tornando-a mais próxima do “original”. No mesmo sentido é necessário retirar espécies infestantes (acácias) e propensas a incêndios (eucaliptos, pinheiros), agindo de forma proactiva num quadro de alterações climáticas."

1 comentário:

CeterisParibus disse...

O Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional do Prazo de Santa Marinha (2019 – 2039) existe e está publicado ( aconselho a leitura, mesmo que seja tudo muito aspiracional, valendo pelos apontamentos históricos para conhecimento mais detalhado do que é o Prazo de Santa Marinha ). O ICNF é quem tem jurisdição há mais de 112 anos, no modelo de gestão de Regime Florestal Total ( terrenos do Estado central, gestão do Estado central ), mas parece apenas interessado em tirar de lá uns tostões de madeira e deixar a natureza seguir o seu curso. Pode-se intervir sem desvirtuar aquilo que é essencialmente um parque florestal. Se isso implica reduzir número de vias asfaltadas, façam-no. Se se pode construir acessos ( caminhos sinalizados, passadiços ) para melhor se desfrutar do muito que a serra tem para dar, façam-no. Se para isso o ICNF admite partilhar jurisdição com o município, casem-nos, mesmo não sabendo como é que o processo decisório se fará a duas mãos, e sabendo também nós como os institutos públicos colaboram exemplarmente com as autarquias ou qualquer outro poder ( APA, anyone? ). Façam, respeitando o que é natural. O que não podem fazer, é manter a serra no estado miserável que nem os incêndios ( 1993 e 2005 ) nem as tempestades ( 2013, 2018, 2026 ) explicam ou justificam. E, claramente, não se poderá dissociar o tema serra do tema Cabo Mondego, mas um dos teus posts de hoje diz que a câmara está farta de mandar fazer ( AD ELO ) e vai fazer ela mesma. Haja fé na promessa.