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"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos" na Figueira.

sábado, 26 de abril de 2014

Sala cheia ontem nos Caras Direitas para "Respirar Abril - 40 anos" ...

foto António Agostinho


Gostei de ter estado ontem à noite nos Caras Direitas para "Respirar Abril - 40 anos" depois.
Gostei de ter estado ontem à noite nos Caras Direitas para recordar o Adriano Correia de Oliveira que cantou contra o Estado Novo de Marcelo Caetano, juntamente com José Afonso, José Mário Branco, Fausto, Manuel Freire, Luís Cilia, José Jorge Letria e muitos outros. 
Adriano cantou poucos anos antes de 25 de Abril, as canções de Manuel Alegre, no Canto e as Armas e é, sobretudo, a poesia de Alegre que remete para Adriano: “ Quem poderá domar os cavalos do vento/ quem poderá domar este tropel/ do pensamento à flor da pele? Quem poderá calar a voz do sino triste/ que diz por dentro do que não se diz/ da fúria em riste/ do meu país?" 
Estas letras, como Trova do vento que passa, cantadas pela voz única de Adriano, soaram antes e depois de 25 de Abril de 1974. 
Não eram proibidas, ouviam-se na rádio, embora pouco e no disco Gente de aqui e de agora. As músicas, na sua maioria, eram de José Niza. Este disco de 1972, será porventura o mais emblemático do “trovador militante”
O trovador militante, nos anos setenta, cantava a liberdade, nas palavras de Poetas, como Manuel Alegre e Manuel da Fonseca.  
Ontem nos Caras Direitas, 40 anos depois do 25 de Abril,  onde parou a liberdade cantada por outros Poetas de Abril, como Ary dos Santos, José Gomes Ferreira, Manuel da Fonseca ou Sidónio Muralha?  
O PS, do lado esquerdo, mantém Manuel Alegre, no lugar simbólico, onde continua a congregar todas as ilusões.
O PS, há muito, colocou o socialismo numa gaveta sem fundo e retomou ideias alheias, mesmo liberais que os desvirtuam, mas os idealistas, mesmo com protestos, ainda por lá andam, a cantar e a comemorar o passado. 
Ainda por lá andam, mas sem futuro...
Vai valendo a memória poética e musical, aliás de grande riqueza e sentido, como se viu ontem nos Caras Direitas.
Termino como comecei: apesar da selecção poética ter sido pouco abrangente, gostei de ter estado ontem à noite nos Caras Direitas e ver uma sala cheia para "Respirar Abril - 40 anos" depois.

5 comentários:

anamar disse...

chamados momentos de ouro...

bom fim de semana, António.

:)

Anónimo disse...

Tambem lá estive pena é que alguns que lá estavam de socialistas e democratas nao tenham nada bom dia camarada.

Anónimo disse...

Socialistas e democratas de aviário que nada teem a ver com o 25 de abril mas porque fica bem e dá boa imagem ao povo lá estavam comprenetrados numa figura ridícula quando todos nós sabemos que alguns não passam de lacaios e lambe botas e outros escravizam os seus empregados com salários de miséria.
Claro que no meio de tanta gente tambem se encontravam pessoas com as verdadeiras costelas dos ideais de abril.
Bom dia camarada 25 de abril sempre

Anónimo disse...

Caro Agostinho:

Antes de mais, parabéns pelo post.
Ontem, conforme pudemos observar, respirou-se Abril nos Caras.
Vimos por lá bastantes comunistas, socialistas (sobretudo da ala esquerda), pessoal do Bloco, muitos independentes (a grande maioria) e até duas irmãs de uma congregação religiosa local.
Há muito tempo que não via por estas paragens uma comemoração tão aberta e descontraída da Revolução dos Cravos.
Penso que as pessoas entraram na sala expectantes mas saíram alegres e com a alma reconfortada.
Nestes tempos de cinzentismo e de perda de valores fazem falta momentos como este para partilha de emoções e sentimentos.
Como dizia o Zeca Afonso:
"o que faz falta é animar a malta..."

Anónimo disse...

Pois tambem estou de acordo consigo o que faz falta é animar a malta .
Mas como diria o zeca animar a malta com sinceridae com democracia e não com hipocrisia fantochada e falsa democracia.
VIVA O 25 DE ABRIL