quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Leitura recomendada aos salazarentos


”O Estado Novo, na sequência do 28 de Maio de 1926, personificado em Salazar, nenhum benefício trouxe para o povo, debatendo-se entre as exigências dos senhores da terra e os incipientes senhores das fábricas. Para o povo chegava o «milagre» de Fátima e o «saber ler, escrever e contar». Segundo o Estatuto do Trabalho Nacional, inspirada na Carta del Lavoro fascista italiana, o povo tinha apenas o dever de trabalhar. A Lei do Condicionamento Industrial (1952) protegia a indústria portuguesa da concorrência estrangeira. Exemplo: a Siemens só entrou em Portugal depois do 25 de Abril porque já havia uma fabriqueta portuguesa que fazia lâmpadas.A PIDE/DGS controlava os ímpetos reivindicativos dos trabalhadores. Para os trabalhadores agrícolas, operariado industrial e campesinato não havia direito ao trabalho, segurança de emprego, reforma, assistência na doença e na maternidade. Para estes era o comer e calar, a miséria, a esmola, o «salto» para procurar lá fora o que não encontravam no Portugal de Salazar. Ao contrário do que dizia a propaganda do regime, nunca houve um Portugal do Minho a Timor. Angola e Moçambique apenas foram ocupadas na sequência da Conferência de Berlim (1884-1885) e do ultimato britânico (1890), que pôs fim ao Mapa Cor de Rosa, para impedir que as grandes potências as dividissem entre si como fonte de matérias primas necessárias ao desenvolvimento das respectivas metrópoles. E se Portugal na 1ª República entrou na 1ª Guerra Mundial foi para impedir que as colónias portuguesas fossem divididas entre os vencedores. Meus amigos, é preciso ler alguma coisa, antes de acusarem outros de ignorância.As colónias eram Portugal? Como assim? A maioria da população negra não falava português e tinha os mesmos direitos que a maioria do campesinato em Portugal, isto é, nenhuns. Só o começo da Guerra Colonial em 1961 levou à abertura de estradas, para facilitar a circulação das forças armadas, e permitiu o desenvolvimento industrial que até aí o Governo de Lisboa impedira.Se em Portugal havia as Universidades do Porto, Lisboa e Coimbra, estas eram as únicas em todo o chamado Portugal do Minho a Timor. Deste modo os cursos superiores não estavam ao alcance da maioria da população, fosse qual fosse a cor da pele. E nas colónias também não havia escolas para formação de quadros técnicos ou intermédios. Só quase em cima do 25 de Abril, após a morte de Salazar, foi possível criar universidades em Angola e Moçambique.Felizmente que tudo isso passou à História.”
CN (http://www.blogda-se.blogspot.com/)

P.S.- Os portugueses adoram o chicote! Somos um povo de memória curta e guardamos no coração apenas o que de menos mal ficou...
Leiam aqui.

9 comentários:

Anónimo disse...

Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação.
(Miguel Torga)

Anónimo disse...

As coisas eram más, mas agora vão pelo mesmo caminho. Temos o Código de Trabalho, que não dá garantias nem direitos a quem trabalha.
Temos o Processo de Bolonha, para permitir aos filhos dos que não trabalham continuarem a estudar, temos os hospitais a encerrarem, ainda que lentamente, para quem quiser saúde a pagar.
Quer dizer, antes estavamos parados, agora estamos a andar para trás.

Anónimo disse...

Meu caro blog:
Resolvi depois de ler este post, dar-te os parabéns por teres prestado mais um serviço importante, não só para a população em que te inseres, mas igualmente para outros, que dos seus altos carrrapichos gostam de falar sem conhecimento de causa, ou com um conhecimento enviesado dos factos, ressaltando uns e esquecendo outros. A discussão sobre o verdadeiro estado da questão, sobre o que foi, o que teria sido, o que devia ter sido, o que poderia ter sido o "Estado Novo" ( e desculpa, mas salazarento é um adjectivo que não uso! Por defeito do meu hobby principal...que não digo qual é, mas deixo nas entrelinhas)ainda vai no adro. Uma coisa se deve afirmar aqui, devemos ouvir todas as partes, quer estas sejam defensoras, acima de tudo da figura paternal ( para eles de O. Salazar), quer dos que sofreram na pele as tropelias de um regime, que organicamente, não foi fascista, "strictu senso". A iniciativa que faltava, ( uma delas, existem outras) e falo sobre o movimento recente para preservação da memória dos prisioneiros politicos, entre os quais podemos encontrar nomes como o de Edmundo Pedro e outros desencadearam essa premente necessidade de relembrar os factos e depositar nas memórias futuras os dados para que sejam estas, se possível, a ajuizar a questão e a defenir o quadro ( não necessáriamente ideológico) em que se movimentou a sociedade portuguesa durante o Estado Novo. A multifacetada e poliédrica realidade merece ser escrita com todos os dados da questão. Há tempos interiorizei que se o regime estado-novista foi ferozmente anti-comunista ( tese defendida por alguns dos seus seguidores) descobri que em Portugal nunca havia existido comunismo, então como se poderia combater o que não existia? Relembre-se que o partido comunista era apenas um partido clandestino. Uma coisa tenho presente se o anticomunismo do Estado Novo esteve contra o regime implantado na União Soviética, então para o bem e para o mal, estes, eram apenas dois sistemas similares, que se tentavam anular recíprocamente.
Tem a inteira liberdade de apagar este post. É apenas uma simples opinião, de quem nasceu em 1961, num país que começava a desenvolver as suas "províncias ultramarinas", facto que obrigou a que o território nacional tenha sido completamente abandonado em termos de investimentos cruciais para o seu futuro. Enquanto em nas ditas províncias de África se desenvolviam grandes estruturas portuárias e ferroviárias ( e etc., no cadinho europeu vivia-se de Sol a Sol, que é como dizer que se mourejava na mais apagada e vil tristeza. Essa é uma das realidades que muitos de nós nos começamos a aperceber e que terminou inglóriamente (mas seria possível fazer de outra forma) com a entrega de Cabora-Bassa.

António Agostinho disse...

Meu caro distribuidor de rebuçados:

este espaço é para trocar ideias.

as opiniões, quando expressas construtivamente, de boa fé, educadas, serão sempre publicadas neste blog.

Podem ou não estar em consonância com o que pensamos.

agora, quando expressas com intutos perversos (mentirosos, para achicalhar, para caluniar), temos de ter algum rigor e exigência.

Coordenar a publicação comentários é, talvez, a tarefa mais difícil de um blogueiro, pois anda para aí muito "brincalhão" que só está interessado em poluir.

Não é o caso do meu caro.

podemos concordar ou discordar, mas estou certo, embora não saiba a sua verdadeira identidade, que o amigo vem qaui de boa fé e para trocar e debater ideias.

Por isso será sempre bem vindo.

Daí que apagar um post fundamentado, bem escrito e que exprssa a opinião do seu autor, nunca seria um acto a consumar por estas bandas.

Alguns (muitos) comentários não vêm a luz do dia, simplesmente porque são "lixo tóxico".

Um abraço

Anónimo disse...

Pois, com toda a porrada arriada no lombil de tanto português, verifica-se, agora, que esta nunca foi sufuiciente e didáctica.
Como se pode constatar, a situação actual é bem pior em todas as faces da vida da Nação.
A corrupção tomou conta de todos os sectores. A economia funciona de baixo para cima, ou seja: o grande explora o pequeno.A Justiça, já era. O ensino, é o mais rasca de sempre e um dos piores do mundo. A qualidade de vida decresce para níveis inferiores aos de 1965.
Este país, precisa novamente de vergasta. E uns tiros, não iam nada mal.

Anónimo disse...

Ora cá está como diz o henrique Jorge, em http://henrique-jorge.blogspot.com/: "Foi debaixo de um ambiente de crise e de enorme desalento da sociedade portuguesa, que o regime por ele personalizado chegou ao poder, e é importante recordar como ali se manteve durante mais de quarenta anos." Como se observa, pelo comentário anterior, o perigo está ai, ao virar de cada esquina, sempre à espreita. Mas viver em liberdade é assim, a massa critíca constrói-se muito lentamente, enquanto isso, observamos o desmoronar de muitas certezas, a criação de um certo mal estar, face à escalada da corrupção e do aumento do fosso entre muito ricos e muito pobres. Não foi para termos uma sociedade terceiro-mundista que muitos lutaram, mas pelos vistos esta é uma luta que terá de prosseguir, com muitos de nós! Parece interminável, mas sendo-o, não nos podemos render às evidências dos profetas de desgraças, como se elas fossem eminentes! Como diria Pablo Neruda, há que lutar uma vida inteira. Sina de quem acredita na Democracia.

Anónimo disse...

Eduardo Guerra Carneiro escreveu assim um dia:
- "Estamos no extremo ocidental de uma Europa gangrenada que teima ainda em conservar limpos os punhos e o colarinho, embora tenha podres nas meias e as cuecas estejam borradas de medo antigo, caca seca, agarrada aos Pirinéus, a montecarlos, montecassinos, urais ou andorras do báltico.
Estamos e continuaremos a estar até que a bomba rebente nos nossos tomates inchados, na goteira do sexo, nas moscas que teimam em disputar-nos a cerveja, nas putas que envolvem em dança os cromados dos bares de hotéis de gare. Poârto ou Parises; Tomar ou Bruxelas; Leiria ou Malmo: a mesma merda.
Estamos quase a rebentar as costuras deste maldito soutien com que nos apertam as mamas da invenção; quase a rebentar as cuecas com que nos espartilham os caralhos da revolta. De pé, ó vítimas da Europa decadente! Nuzinhos até Trancoso! Com pezinhos de lã até Almeida!.
Avançar assim, descobrindo novo discurso, importante porque me importa, também me faz bem, talvez te ajude, vos ajude, ajude afinal a acender o rastilho que vai fazer rebentar a bomba ..." [E.G.C., À Luz de Novembro, in Como Quem Não Quer a Coisa, & etc, 1978]
Muito Obrigado pla atenção!

Anónimo disse...

Não concordo com o distribuidor de rebuçados quando diz que em Portugal nunca existiu comunismo, penso que é uma ironia do distribuidor de rebuçados que pode correr o risco de muita gente não entender. É que o Partido Comunista foi fundado em 1921 por elementos anarquistas que viram a necessidade de organização para poderem lutar por objectivos nitidamente concretos, isto em liberdade. Depois do golpe é que o PCP foi para a clandestinidade porque o regime o viu como único opositor às apetências ditatoriais. E não é falácia nenhuma dizer que os comunistas foram durante muitos anos os únicos oponentes da ditadura, isto porque as outras classes que não se revêem no PCP vão-se sempre moldando e adaptando ao regime.
Qando este se foi esclerosando é que outros sectores se juntaram aos comunistas.
O termo salazarento não se usa em questões cientificas ou discussões mais profundas, é um termo perjorativo ussdo contra qualquer tendência política pelos seus opositores, o que acaba por ser normal.
A mim, depende do sector, já me chamaram "soviético" ou mesmo a "extrema erquerda" também usava o termo de "social-fascista".
Escrevi "extrema-esquerda" propositamente, porque creio que Sartre, um extremista de esquerda nunca nos chamaria isto, a nós comunistas.
Mas salazarento rima com bafiento, que é uma palavra de defene bem o regime do dr. António de Santa Comba.

Anónimo disse...

Caro Jorge:

Quando afirmo que não existiu comunismo em Portugal, foi apenas para realçar que o regime corporativista do Estado Novo lutava contra um inimigo que se situava a muitos milhares de quilómetros de distância, um regime que acaba "orgulhosamente só" e, repare, que a frase nem minha é, pertence como bem sabe ao mentor Oliveira Salazar, ora eu não acredito que o regime português tivesse condições materiais para lutar contra o regime soviético, mas que julgava tê-las no campo ideológico. Ora, a minha afirmação, fala da existência em Portugal, do Partido Comunista, que embora clandestino, representava uma enorme afronta para o regime corporativista, fascista se lhe aprouver, no fundo essa existência, até lhe era útil, porque assim existia a possibilidade real de combater o "papão" comunista em solo português. Ora o meu ponto de vista é este. Demais, e, aí penso que pode discordar deste triste plumitivo, é nas similitudes que penso encontrar nalguns aspectos repressivos e de falta de liberdade entre os regimes, o soviético de Estaline e o português de O. Salazar. Apena isso e só. Respeito os comunistas portugueses, respeito a luta do Partido Comunista em Portugal, mas não alinho em apagar da memória certos aspectos que porventura possam ser incómodos. O percurso de um partido, é tal como o percurso de um indíviduo, saõ, de certo modo orgânicos, tem momentos de glória e apogeu como tem momentos de decadência. Bem Haja caro Jorge.