segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um banco de jardim...

Citando Miguel Almeida.

"Como escrevi na passada semana, o tiro de partida das autárquicas está dado.
João Ataíde anunciou a sua recandidatura e João Portugal, ao contrário de há quatro anos, vibrou com o anúncio.
António Tavares, anunciou que abandona a vida autárquica no final do mandato, deixando o desabafo de que está farto de “jogos de poder e guerras de alecrim e manjerona”.
Daniel Santos, faz “prova de vida” num artigo em que deixa no ar a possibilidade do reaparecimento do movimento Figueira 100%. Ou seja, a campanha está na rua. Parece-me demasiado cedo, mas o que é certo é que quem quiser ir a jogo, vai ter de afinar estratégias e acelerar o passo.
Todos sabemos que a política tem horror ao vazio, e quem quiser protagonizar alternativas tem de rapidamente começar a desmontar a narrativa do atual inquilino dos paços do concelho. Como repetidas vezes tenho escrito, importa fazer um debate, o mais alargado possível, sobre o paradigma de governação municipal que queremos.
É imperioso que se aproveite este súbito arrebatamento de alguns com as eleições autárquicas, para inverter este estado de letargia em que mergulhou a denominada “sociedade civil” figueirense.
Faz falta o contraditório e a discussão. Faz falta que todos se sintam convocados a proferir pensamento.
É preciso sair da zona de conforto e trazer o debate da mesa do café para fóruns mais alargados, sem clubismos nem crachás na lapela.
Se este debate for possível, as próximas eleições autárquicas serão um reflexo de um tempo novo."

Nota de rodapé.
O banco de jardim que a foto mostra, sem utilizadores, faz lembrar o vazio da tristeza em que vegeta a vida politica figueirense. 
Este banco de jardim, depois de construído foi colocado naquele lugar, para proporcionar o diálogo, mesmo em silêncio, ou em contemplação. 
Presumo que o objectivo era estabelecer algum tipo de relacionamento. 
Será que os figueirenses se vão sentar e trocar umas ideias?..

Uma empresa de sucesso...

Lusiaves/Avisabor… "Frangamente" a explorar os trabalhadores...
Recorde-se.
Avelino Gaspar, Fundador e CEO do Grupo Lusiaves, foi  condecorado por S. Exa., o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Comenda de Mérito Industrial...

Duas notas de rodapé...
1. Terá acontecido, ou fui eu que sonhei, que os fundos estruturais da Europa jorraram em apoios às ideias de reestruturação de amigos e amigos de amigos do anterior Presidente, quando era primeiro-ministro? 
E se isto tudo aconteceu, não sei onde está a surpresa... 
O PPD/PSD não é um partido político; é uma empresa de sucesso. 
Parabéns, portanto, a todos os que contribuíram, com o seu voto, para o empreendedorismo de sucesso desta gente...
2. Citação de Filipe Tourais.
Estou a achar o máximo ver o pessoal dos colégios privados a comparecer a todas as cerimónias públicas onde estejam presentes membros do Governo para dar largas ao Mário Nogueira que - afinal! - vivia adormecido dentro de cada um. É um progresso. Pode ser que ainda percam definitivamente a cabeça e daqui a uns tempos acabem por perceber qual é a diferença entre um direito e um privilégio. Por enquanto, e apesar de se manifestarem, ainda estão na fase "aquilo que em ti é privilégio em mim é direito"/"estou-me nas tintas se o meu privilégio prejudicar o teu direito".

Quem disse que os jovens figueirenses não são dinâmicos e empreendedores e que a política lhes passa ao lado?..

Citando Jot´Alves, no jornal AS BEIRAS: 
«lideram a concelhia local do PSD uma geração (quase) inteira de antigos dirigentes da JSD».

FIGUEIRA DE SEMPRE: "A BATOTA AMENA"

Viajar, é do que conheço de mais gratificante. 
E quando se fala em viagem, podemos simplesmente viajar no tempo, recuar a uma cidade que existiu lá atrás, no tempo, mas que, bem vistas as coisas, continua a Figueira de sempre.
Obviamente, que não vivi o tempo em que foi escrito o texto que publico a seguir, mas sinto que há qualquer coisa da nossa cidade que sempre ficou e permanece, vinda do passado.
Por isso, é da mais elementar justiça, recolher essa parte de nós, lá deixada, e divulgá-la.
Até porque, fisicamente, a Figueira, cidade, tem vindo a perder muito do seu encanto, a que acrescento, qualidade de vida. 
A Figueira é uma construção que os políticos consentiram - e, também, contribuíram ao longo dos anos -  que se viesse a transformar numa catástrofe onde a impiedade, a assimetria e a desconformidade estão a ser levadas ao limite. 
Neste momento, exemplo disso, são os 2 milhões para aproximar a Figueira do Mar e da Praiaquando o que deveria ser feito era  procurar a todo o custo aproximar o Mar da Cidade, como no tempo em que a Figueira era a Rainha das praias.
Quem tomou esta iniciativa, desconhece que foi a “Praia da Claridade” que deu a grandeza e beleza à Figueira e não será esta “milagrosa” obra que irá repor essa condição!
E o problema da erosão costeira continua a crescer e a agravar-se a sul da barra do Mondego... 

"Mesmo cá de longe eu estou perto; estou a ver o desvairamento com que aí na Figueira se joga a batota, sob as vistas complacentes da autoridade que neste ponto não cumpre a lei nem as determinações superiores. Estou a ver o suspiro de alívio de mesiurs, os batoteiros, donos da nossa encantadora praia, onipotentes senhores, que teem a mão na policia e o administrador do concelho e falam de papo, entricheirados nas casas de vício e de exploração que são os chamados Casino Peninsular e cafés Europa e Hespanhol; suspiro de alívio por julgarem ter-se visto livres de quem lhes põe a calva á mostra, interpretando o sentir de toda a gente honesta e trabalhadora, que vê no jogo um prejuízo para os seus legítimos interesses.
Mas enganam-se os cavalheiros da indústria do jogo. Eu cá estou. (…)
Tivessem as autoridades a noção simples do dever que são obrigadas a cumprir, e há muito que a nossa praia estaria limpa d`esses senhores, que vassouram para a burra dos patrões avaros e rapaces o que a ingenuidade e o vício atiram para cima do tentador pano verde. E limpa também d`esses mesmos patrões que mal sabem ler e escrever, cuja origem e procedência é quasi sempre incerta, mas que passeiam a sua sobranceria, acotovelando com desprezo as pessoas que ganham honradamente a sua vida.
(…)
Fechem-se as batotas! Cumpra-se a lei…"

António Amargo, O Figueirense, 10 de Setembro de 1922, via ÁLBUM FIGUEIRENSE.