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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Fernando Alexandre, ministro da Educação: o que ainda falta para para se demitir?

Fabian Figueiredo, no Público

Imagem daqui
O que passou pela cabeça de Fernando Alexandre?

«Há uma palavra que o ministro da Educação devia riscar do vocabulário: "imprudentes". Foi assim que classificou os pais que marcaram férias confiando no calendário de exames que o próprio ministério publicou em dezembro. Ou seja: para Fernando Alexandre, a imprudência, agora, é acreditar no Estado.

Esta história não começa num erro de software. Começa numa obsessão liberal.
Portugal tinha um sistema de exames a funcionar de forma estável há décadas. O aluno respondia às questões da prova, a prova era tornada anónima através da atribuição de um código, um professor corrigia-a inteira e as delegações do Júri Nacional de Exames resolviam os problemas na hora. Governos com diferentes orientações políticas geriram o sistema de exames sem o pôr em causa. Este Governo decidiu desmontá-lo, não por necessidade, mas por preconceito ideológico. Em nome do Estado mínimo, extinguiu 18 organismos e substituiu-os por sete, devolveu às escolas metade dos professores dos serviços centrais e gabou-se de ter feito poupanças orçamentais. [Notícia, Público, 10/07/26:” Ministro autoriza novos gastos de 500 mil euros com classificação digital de exames”] Chamou-lhe modernização. A comunidade educativa chamou-lhe desmantelamento. Os factos encarregaram-se de arbitrar.
Porque o ministro não pode dizer que não sabia. Em 2025, o exame de Filosofia serviu de ensaio à correção digital, com 23 mil alunos. Os professores classificadores relataram então, com precisão, tudo o que hoje se repete: provas que desapareciam, folhas em branco, respostas cortadas a meio, respostas trocadas. O ministério classificou o ensaio como "muito positivo" e generalizou o sistema a 300 mil provas. Confrontado agora, respondeu que "os erros serviram para aprender". Aprendeu-se o quê, exatamente? E fez mais: mudou o próprio modelo, centralizando toda a digitalização num único armazém: uma arquitetura que nunca tinha sido testada, nem sequer no ensaio. Onde o bom senso pedia gradualismo, alargar disciplina a disciplina, com rede de segurança, Fernando Alexandre escolheu, irresponsavelmente, o salto no escuro à escala máxima, com o futuro de 166 mil alunos lá dentro.
O resto conhece-se. Professores convocados para disciplinas que nunca lecionaram; uma docente já falecida convocada para classificar. Classificadores que entram na plataforma e encontram o perfil de outra pessoa. Respostas classificadas que desaparecem; respostas que aparecem classificadas por terceiros. Folhas de continuação em falta, deixando raciocínios a meio e o classificador perante um dilema impossível: adivinhar ou dar zero.
O próprio manual oficial admitia, desde junho, que o contador de respostas podia apresentar valores negativos, instruindo os professores a ignorá-lo. Um sistema que não sabe contar as respostas que tem por classificar.
Perante isto, o ministro seguiu um guião em três atos: negar ("a digitalização está a decorrer sem grandes problemas"), desmentir os mensageiros ("a maioria das denúncias é falsa"), transferir culpas: para os agrafos, para os diretores, para os professores, por fim, para os pais e as suas férias imprudentes. Na quarta-feira, garantiu no Parlamento que o calendário se cumpria e que "nunca nenhum aluno será prejudicado". Na sexta-feira, o Governo desmentiu-se a si próprio e adiou tudo.
E depois soube-se o resto. A plataforma teve de ser suspensa por falhas graves de segurança: encontrou-se "uma janela aberta", nas palavras do ministro, num sistema que guarda as provas e os dados de 166 mil alunos. Quem a encontrou não foi o Estado: foi a Deloitte, consultora contratada de urgência porque o EduQA admitiu precisar de mais recursos. É ela que constrói agora, a dias do prazo, a ferramenta que permite saber quantas provas cada professor corrigiu, porque isso "não tinha sido programado". E soube-se ainda que a plataforma de classificação pertence a uma empresa privada externa e é, reconhece o Governo, transitória: a substituta, financiada pelo PRR, não está pronta. Generalizou-se tudo, de uma vez, sobre um sistema de empréstimo. Pergunto, francamente, o que passou pela cabeça de Fernando Alexandre?
O que se exige agora é simples. Primeiro: nenhuma pauta sem fiabilidade demonstrada, verificar oficiosamente a integridade de todas as provas antes do dia 17, e corrigir em papel onde o digital não dê garantias. Segundo: gratuitidade da consulta e da reapreciação. Historicamente, cerca de 2% dos alunos pedem revisão; tudo indica que este ano será um recurso massivo, provocado por falhas do Ministério da Educação. Não pode custar 25 euros contestá-la: as famílias não podem pagar duplamente, agora com a carteira. Terceiro: remunerar extraordinariamente os professores que vão carregar essa vaga de reapreciações por agosto adentro; no secundário, hoje, classificam de graça.
E um pedido final, em nome da escola pública: parem. Não espalhem mais confusão. O país tem um problema gravíssimo de falta de professores, que este ano voltou a agravar-se; julho é o mês das matrículas, das turmas, da preparação do ano letivo, tudo agora em risco na cascata dos adiamentos. Não é o momento de mais experimentalismos: a revisão da carreira à pressa, o estatuto do diretor, novos modelos de gestão e educação inclusiva. Quem não conseguiu garantir a correção dos exames devia ter a humildade de não mudar tudo ao mesmo tempo.
Durante décadas, o sistema de anonimização de provas, de correção e de eventual pedido de reapreciação funcionou sem problemas e com confiança geral sobre a integridade do processo. Essa confiança destruiu-se num verão. É por isso que isto não é uma polémica de época: é a confiança pública no Estado. E é por isso que a responsabilidade tem nome. Não foi o software. Foi quem decidiu, avisado, contra o mais elementar bom senso. Chama-se a isto, com rigor, imprudência.»

sábado, 30 de março de 2024

Da série, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga... (IV)

 O poder brilha

"O investimento de milhões do dono da polaca eurocash, Luís Amaral, no observador e no menos liberdade está a começar a pagar: os liberais até dizer chega estão neste Governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos. Não há mesmo almoços grátis na luta político-ideológica. 
O menos liberdade tem por referência apoiantes de Mussolini e de Pinochet, como Mises, Hayek ou Friedman. Isso é suficiente para Luís Aguiar-Conraria, com o rigor que se lhe conhece, apodar Fernando Alexandre, membro da sua direção, de social-democrata. Ignorância ou desonestidade intelectual? 
Sendo estudioso de Mises, Hayek e Friedman, considero a qualidade intelectual relativamente independente do posicionamento político-ideológico, mas daí a chamar Fernando Alexandre de “académico brilhante”, como faz o Diretor do Público, vai uma grande distância, até porque tem tido muitos afazeres fora da academia, das polícias aos aeroportos. Dou dois exemplos da distância. 
Em primeiro lugar, mobilizo o estudo de que Alexandre e Conraria foram coautores para a Associação Portuguesa de Seguradores e onde advogam a privatização da segurança social, o que é muito social-democrata, como se sabe. Esqueceram-se aí de dois pormenores da melhor teoria económica prática: é o investimento que determina a poupança e não o contrário, estando o primeiro dependente das expectativas de vendas; o sistema de pensões por capitalização, como o de repartição, distribui em cada momento entre quem está no ativo e quem não está. Não há almoços grátis, mas nos almoços servidos por capitalização só restam ossos para os reformados, já que a carne foi comida pela finança. Da Argentina à Polónia, esta experiência neoliberal tem sido revertida, mas isso não impede Alexandre e companhia de tentarem. Os cortes nas pensões são um meio.
Em segundo lugar, lembro que Alexandre esteve no Tudo é Economia, onde debatia semanalmente com Ricardo Paes Mamede. A sua prestação era de tal forma penosa que teve de encontrar um pretexto para sair do programa, sendo substituído pelo mais capaz Ricardo Arroja. A maioria dos neoliberais não se aguenta num debate em igualdade de circunstâncias. Daí terem necessidade de monopolizar a comunicação social, no que contam com a colaboração dos proprietários. 
Enfim, Alexandre, pela sua ligação aos interesses capitalistas, tem poder anti-social-democrata. Poder não é brilhantismo, embora brilhe."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Da série, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga (V)

Da série, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

Podem ouvir aqui: "Fernando Alexandre considera que escolas e hospitais se degradam quando são utilizados por pessoas de classes sociais mais baixas."

PS considera que o ministro da Educação não tem condições para continuar, se não pedir desculpa.
Posteriormente às críticas do PS, Fernando Alexandre veio dizer que é “totalmente falso” que "considere que cidadãos mais pobres degradem os serviços públicos".
Nota de rodapé : "Sejamos sinceros...quem é que gosta de pobres? Malta que não pode ver uma parede branca sem lhe colar um rabisco. Pessoal que toma banho apenas de mar e que se assoa aos dedos. Já para não falar que só comem arroz e massa, rebentando os canos de esgoto com alguma frequência.
Quem é que quer estes gajos nas residências universitárias, com colunas carregadas de funk, e cores que nos lembram amores antigos pelas riquezas de África?
Ainda por cima nas universidades...que o Fernando já nos tinha explicado, há uns meses, que eram um local de privilégio onde o acesso devia ser pago por quem lá quisesse andar.
Ser pobre já é horrível. Mas ser um pobre que quer estudar torna-se mesmo insuportável.
O Fernando sonha com a Noruega e ainda não aceitou o infortúnio de ter chegado, apenas, a ministro de um país carregado de miseráveis."

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Ministro Fernando Alexandre, um exemplo que «poder não é brilhantismo, embora brilhe»...

"Professores em manifestações perdem “aura” da profissão, diz ministro da Educação."
Foto: daqui

Para o ministro da Educação, os professores que se manifestam nas ruas por melhores condições de trabalho — embora com razões para isso — perdem "toda a aura" da profissão, a autoridade na sala de aula e o respeito de gerações de alunos. "Não consigo perceber como é que se desvalorizou tanto, socialmente, os professores. Os professores, durante muitos anos, andaram em manifestações, com razões para isso, mas o professor é alguém que é respeitado na sociedade por ser alguém que sabe, que tem autoridade, que é respeitado por gerações e gerações de alunos. Alguém que anda em manifestações perde toda essa aura", argumentou Fernando Alexandre esta terça-feira, perante mais de duas centenas de alunos da escola secundária Dr. Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, — a mesma que frequentou entre 1984 e 1990."

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ex-presidente do Júri de Exames devolve pergunta a Fernando Alexandre: “Como é que decide sem informações do JNE?”

Fernando Alexandre exige aos diretores publicação das notas hoje. E culpa escolas por "algumas centenas" de exames suspensos

Em declarações ao Expresso, Luís Duque de Almeida desafia o ministro da Educação a responder "quantas reuniões de acompanhamento de avaliação externa" é que fez no passado ano letivo: Estarei curioso de ouvir a resposta, atira, garantindo que teria prestado todas as informações se tivessem sido solicitadas pela tutela.

sábado, 25 de julho de 2026

Os imprevistos na vida de Luís Montenegro

Estamos perante casos que fragilizam a autoridade política de dois ministros e, dependendo da forma como gerir a crise, poderão fragilizar a do próprio primeiro-ministro

"Nestes tempos de surpresa e espanto, Luís Montenegro bem podia refletir sobre a resposta do primeiro-ministro inglês Harold Macmillan (1957–1963) quando um jovem lhe perguntou qual o adversário político que mais temia: “Os acontecimentos, rapaz, os acontecimentos.” Os adversários políticos de Montenegro são previsíveis. Os acontecimentos, não. Das oposições Montenegro nada tem a temer. Do imprevisto tem. Nenhum adversário político está em condições de lançar o país numa crise. Os acontecimentos podem fazê-lo, como Luís Montenegro está a comprovar, uma vez mais. 

Quem podia imaginar que Fernando Alexandre, um dos mais competentes e populares ministros deste Governo, de repente se via metido numa trapalhada com a digitalização e correção dos exames nacionais do ensino secundário, colocando 166.339 alunos e respetivas famílias à beira de um ataque de nervos? Quem podia antecipar que Luís Neves, um homem experimentado no combate ao crime, um ministro que estava a recuperar a imagem e a autoridade do Ministério da Administração Interna, afinal tinha negócios estranhos com um amigo empreiteiro, um atrelado perigoso que estava onde não devia estar e outras peripécias ainda por explicar? A resposta é: ninguém. 

Mas é assim que, num abrir e fechar de olhos, do nada, Montenegro tem dois dos principais ministros em risco, uma crise política em mãos, sem conseguir controlar os acontecimentos. Nassim Nicholas Taleb ficou famoso com a publicação de “Cisne Negro”, onde ele demonstra que os acontecimentos mais importantes são muitas vezes os mais imprevisíveis. Ele defende que o maior erro humano é acreditar que compreendemos e podemos prever a realidade melhor do que realmente conseguimos. É provável que esta tese se aplique tanto a Fernando Alexandre como a Luís Neves, embora com contornos muito diferentes. Voluntarismo, precipitação, facilitismo, ingenuidade, arrogância, entre outras falhas possíveis, são o combustível humano do imprevisto. E, por consequência, de desagradáveis acontecimentos. Particularmente graves quando ocorrem no exercício do poder. 

Dizem os biógrafos do infeliz Macmillan que a frase famosa “os acontecimentos, rapaz, os acontecimentos” foi proferida a propósito do caso Profumo, um inesperado escândalo sexual que envolveu o então ministro da Guerra, John Profumo, com Chris tine Keeler, suspeita de ligações a um oficial soviético. O escândalo comprometeu irremediavelmente a autoridade política de Macmillan e levou à derrota do Partido Conservador nas eleições seguintes. Ainda não é claro como irão terminar os acontecimentos que atormentam a vida de Luís Montenegro por estes dias. Mas há, desde já, algo que sabemos. Não estamos, claro, perante um caso Profumo. Mas estamos perante casos que fragilizam a autoridade política de dois ministros e, dependendo da forma como gerir a crise, poderão fragilizar a do próprio primeiro-ministro. Isso já não é um imprevisto. É a realidade."

quarta-feira, 3 de abril de 2024

"De barman a super ministro"...

Segundo o
Diário as Beiras, edição de hoje, «o
 desde ontem ministro da Educação e do Ensino Superior, o figueirense Fernando Alexandre, trabalhou durante oito anos como empregado de balcão (barman) na discoteca Flashen, na Praia de Quiaios. Começou a trabalhar ali quando frequentava o ensino secundário e continuou enquanto estudava economia na Universidade de Coimbra.
“É uma pessoa com uma personalidade muito vincada. Muito honesto no trabalho, tinha um relacionamento humano bom e era profundo na análise. Trabalhava e, em simultâneo, seguia o percurso académico. Era um excelente aluno”, afirmou Álvaro Azenha, proprietário da histórica discoteca Flashen»,  ao jornal.
Como já tínhamos dado conta aqui e aqui, o novo ministro é alguém que vai ter um papel importante no governo que ontem foi empossadoVoltando a citar a edição de hoje do Diário as Beiras, o actual ministro da Educação e do Ensino Superior e ex-secretário de Estado do Governo de Passos Coelho fez o seu percurso escolar no concelho que o viu crescer, na Escola do 1.º Ciclo da Murtinheira - localidade vizinha da Praia de Quiaios, onde tem casa - , na Escola João de Barros (2.º e 3.º ciclos) e na Escola Secundária Joaquim de Carvalho. licenciatura e o mestrado na Universidade de Coimbra e o doutoramento na Universidade de Londres - Birkbeck College. 
Álvaro Azenha, “tem um orgulho enorme em Fernando Alexandre. Era muito trabalhador e muito dedicado aos estudos. Em tudo o que ele fazia, gostava da perfeição”O melhor é não acreditar em rankings...

quinta-feira, 19 de março de 2026

Galáctico

O verdadeiro artista

 

"O ministro da Educação afirma que as residências públicas devem ter alunos de vários estratos sociais e não apenas estudantes de meios mais desfavorecidos. Isto porque, acrescentou, dando prioridade aos bolseiros, as residências irão degradar-se mais rapidamente."

      Fernando Alexandre, 16 de Dezembro de 2025

"O ministro da Educação admitiu, esta terça-feira, repensar a coexistência de turmas com contratos de associação e da oferta privada no mesmo colégio, considerando que a coexistência dos dois regimes [...] "põe a claro" desigualdades."

      Fernando Alexandre, 17 de março de 2026

domingo, 16 de junho de 2024

Não se esqueçam de ir aos lares que deverá haver por lá alguns para aproveitar...

«Os professores que cheguem à idade da reforma e queiram continuar a dar aulas vão ganhar até mais 750 euros brutos por mês acima da sua remuneração. E, caso não estejam no 10.º e último escalão da carreira, vão poder recuperar parte do tempo de serviço que têm congelado, o que o Ministério da Educação vê, em resposta ao PÚBLICO, como um “incentivo” para que consigam “atingir esse patamar”. Esta é uma das medidas de um pacote que foi apresentado ontem pelo ministro, Fernando Alexandre, para conter o “problema mais grave da escola pública”: a falta de professores. A remuneração extra dos até 750 euros para estes professores à beira da reforma será uma medida transversal e entrará em vigor em 2025. Segundo as contas do Ministério da Educação, havia, no final de Maio, 2002 professores a dar aulas com idades entre os 67 e os 71 anos. A medida, porém, deverá abranger 1000 docentes e custar nove milhões de euros por ano. É a medida mais cara deste plano que, no total, custará cerca de 20 milhões de euros. O Governo quer ainda responder à falta de professores, contratando os docentes que já se aposentaram. Mas isso será apenas para os nove grupos de recrutamento mais deficitários (Educação Pré-Escolar, Matemática e Ciências da Natureza, Português, Inglês, Filosofia, Geografia, Matemática, Física e Química, Informática) e em territórios onde o Ministério da Educação identifica as maiores carências de professores. Para estes docentes, que já saíram do sistema de ensino, o Governo acena com uma remuneração extra equivalente ao índice 167, que corresponde ao 1.º escalão da carreira e a 1657,53 euros brutos. A previsão do executivo é que possam ser contratados 200 docentes e que esta medida tenha um impacto de três milhões. “Temos muitos alunos que estão muito tempo sem aulas a muitas disciplinas. Adicionalmente, este grave problema afecta sobretudo as famílias que provêm de contextos mais desfavorecidos, o que põe em causa a igualdade de oportunidades no acesso a um ensino de qualidade”, notou Fernando Alexandre.»

sexta-feira, 29 de março de 2024

Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga...

Segurem-se. Anti-Alexandre.

"Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, é o rosto da desvalorização da Ciência e Ensino Superior, que deixa de ter Ministério. Será o rosto da desvalorização da educação, da escola pública, podeis ter a certeza, se esta gente tiver alguma margem de manobra.

Membro do cortejo fúnebre da economia portuguesa, coautor de um estudo para a Associação Portuguesa de Seguros, onde defendeu a privatização da segurança social, é um dos dirigentes do menos liberdade, o stink-tank dos liberais até dizer chega, com financiamento milionário (na foto a direção). Alexandre está em todo o lado, os interesses estão em todo o lado, até na comissão técnica independente do aeroporto, vejam lá.

Polivalente, foi secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna no Governo de Passos Coelho, tendo saído em circunstâncias misteriosas. Menos Estado social, mais Estado penal, já se sabe.

O seu colega do menos liberdade, Pedro Santa Clara, terá um aliado de peso no topo do Ministério. Servirá para todas as engenharias de destruição da escola pública, em modo PPPs, como defendeu ontem. O recuo de 5 milhões de Moedas em Lisboa, será agora, aposto, avanço em todo o país. Haverá muitos mais milhões para estes neoliberais brincarem ao capitalismo educativo, incluindo a aposta na destruição da integridade que resta nas instituições de ciência. 

Os sindicatos, os cientistas, os estudantes e não só têm de estar mesmo vigilantes desde o primeiro dia."

Continuem a segurar-se. Anti-Sarmento.
"Repesco um texto para recordar o viés anti-laboral de Joaquim Miranda Sarmento, o novo Ministro do Estado e das Finanças, e o seu desamor pelos factos básicos da economia sempre política.


Tendo 1999 como ano de referência, usando dados da Ameco, concretizando-se as previsões do Governo e, a partir delas, fazendo estes cálculos, no fim de 2024 a produtividade terá crescido 23,9% e os salários reais apenas 11,9%. A reversão desta injusta e economicamente perversa transferência de riqueza do trabalho para o capital está tão longe de acontecer que, no gráfico, acima, não se avista. 

Repetindo-me, se os salários reais aumentam, ou não, na mesma proporção da produtividade, depende da forma como evolui o conflito distributivo, da força relativa objetiva dos seus atores e da sua determinação volitiva, das circunstâncias políticas e institucionais de cada momento histórico. 

Com esta realidade socioeconómica em mãos, o PSD não se coibiu, contudo, de mais um eco patronal e, pela voz de Joaquim Miranda Sarmento, de se juntar ao indecoroso coro dos que, ignorando, descarada e demagogicamente, os factos apregoam que o “aumento dos salários depende da produtividade”. 

Conversa típica de uma certa direita que dispensa factos porque possui abundante financiamento para produzir a sua própria ‘verdade’ e controlar as, mal, chamadas redes sociais, assegurando a sua massiva disseminação. 

Como se sabe e se tem aqui recordado, o valor do PIB varia anualmente de acordo com as quantidades produzidas por trabalhador (produtividade) e com o seu preço (deflator do PIB/inflação). 

Assim sendo, manter constante o peso dos salários no PIB implica que estes salários sejam atualizados também de acordo com aquelas duas variáveis, produtividade e inflação. Ou seja, a variações de PIB nominal por trabalhador devem corresponder iguais variações de retribuição nominal por trabalhador. 

Em alternativa, com igual resultado, podem deflacionar-se simultaneamente PIB e salários, ou seja, expurgar estas variáveis do efeito da inflação, obtendo-se assim PIB real por trabalhador (produtividade) e remuneração real por trabalhador, variáveis que também têm de evoluir de modo igual para que o peso dos salários no PIB se mantenha. 

Quando, no fim do século passado, o país renunciou à sua soberania monetária (e consequentemente, também à orçamental) e aceitou um, passe a repetição, quadro regulatório neoliberal e pós democrático que, de modo automático, quando não passivamente golpista, impõe um ajustamento regressivo, o peso da remuneração ajustada do trabalho no PIB situava-se em cerca de 60%. 

A partir dali,  acompanhando, é certo, um padrão que se generalizou nas economias capitalistas mais desenvolvidas, a parcela de riqueza produzida no país e usada para remunerar o trabalho diminuiu fortemente e alcançou o seu valor mais baixo deste século, 51%, em 2016. Em 2023, o governo assume, implicitamente, que esta variável se situa nos 53,4% e prevê 54% para o fim de 2024.

Nessa altura, no fim de 2024, estarão ainda por recuperar 6 dos 9 pontos percentuais que o peso das remunerações (ajustadas) do trabalho no PIB perdeu desde a transição de milénio. 

Desmontar propaganda, questionar os termos da participação nacional na distopia que revelou ser a zona Euro, derrotar a direita e a extrema-direita, robustecer a esquerda à esquerda do PS. Nos próximos tempos, a meu ver, é disto que, essencialmente, vai depender uma evolução salarial justa no nosso país, uma evolução que garanta a justa repartição do rendimento entre trabalho e capital."

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vale tudo... De Durão, o "indignado", ao Fernando, o "entalado"!..

E agora que os programas da UE falharam, ainda temos de aturar Durão Barroso, o "indignado", ("a austeridade tem de ter limites", disse ele!...)  e Fernando Alexandre, o "entalado" novo secretário de Estado Adjunto da Administração Interna ("tenho que admitir que este Governo não merece o povo que governa. Os portugueses, mesmo aqueles que aparentemente dela beneficiaram, perceberam o absurdo da decisão do Tribunal Constitucional. A decisão do Ministro das Finanças de congelar as despesas mostra que, de facto, ele, embora não viva cá, deve estar de partida para outro lugar. Desejo-lhe boa viagem",  escreveu ele a 8 de Abril p.p!..)!..
Porca miséria...

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Mau-Tempo

A leitura de Saramago e de todos os escritores que nos contam o que foi Portugal debaixo da ditadura é mais do que obrigatória. É vital para quem não quer ser parte de um rebanho.

Eduardo Dâmaso, Revista Sábado

Um dos livros mais marcantes - e belos - de José Saramago é Levantado do Chão. A saga dos Mau-Tempo repete-se infinitamente na pobreza e repressão do Estado Novo no Alentejo. Repete-se na realidade e na ficção de autores primordiais como Manuel da Fonseca, Régio, José Rodrigues Miguéis, Fialho de Almeida, Antunes da Silva, Urbano Таvares Rodrigues.

Saramago escreve, na sua fusão estética e literária entre o neorrealismo e o modernismo, com rara beleza, densidade humana e poética, sobre a luta de um povo para se libertar da fome, do autoritarismo, do Estado, da opressão dos latifundiários. Levantado do Chão é um livro obrigatório para qualquer português interessado em ser mais do que matéria-prima do algoritmo. E essencial para a aprendizagem da dignidade humana. Vital para quem não quer ser parte de um rebanho obediente. Tal como Cerromaior, ou a Seara de Vento, adaptados ao cinema pelo talento de Luís Filipe Rocha e Sérgio Tréfaut.

Em Cerromaior (1980), Luís Filipe Rocha dá uma lição sobre como a beleza de cada fotograma é indispensável para retratar o trabalho agrícola, a crueldade, a violência sobre as mulheres, a mesquinhez de um poder medieval. Livros e filmes mostram-nos muito do que existiu - e ainda existe - para lá de uma certa visão burguesa da realidade histórica, mas, sobretudo, da espessa cortina de fumo tóxico criada pelo mundo digital. O tal mundo das redes sociais, dos algoritmos, da ideia de que chegamos a tudo, que tudo nos chega num clique, das plataformas, da padronização do gosto, do maniqueísmo polarizador, da desinformação, da ausência de memória, da fuga a todas as formas de exigência na leitura, na aprendizagem e no enriquecimento cultural.

Nunca como hoje é tão ilusória a sensação de que sabemos tudo, ou quase tudo. De que o mundo está ao alcance da nossa mão. De que as redes nos levam a todos os cantos do mundo. Elas só são um bom instrumento de trabalho para quem possui, pelo conhecimento e cultura, a capacidade de validar o que lhe é servido no ecrã. Só esses, pelo pensamento analítico e crítico, pelas leituras exigentes, pela capacidade de alimentar uma autonomia intelectual, podem usá-las em proveito próprio. Todos os outros são apenas matéria-prima conduzida pelos engenheiros do caos, da manipulação e da desinformação. Por isso, Saramago, Miguéis, Manuel da Fonseca, Lobo Antunes, Carlos Vale Ferraz, Vergílio Ferreira são tão essenciais. Por isso é tão importante continuara fazer a pedagogia da sua leitura, nas escolas e fora delas, por todo o lado e em todas as gerações. Por isso é tão importante travar esta ideia absurda, por inaceitavelmente desvalorizadora, de que Saramago, sendo um escritor "de referência", como disse o ministro da Educação, Fernando Alexandre, está submetido a uma escolha de "dimensão puramente técnica", como também disse, para continuar ou não a ser leitura obrigatória para os alunos do 12º ano. Tratar a questão assim, como se fosse um tema administrativo ou burocrático, é um atropelo à cultura e a uma ideia de memória histórica e literária. Também ao autor, ainda hoje um espectro que incomoda demasiadas cabeças. Nunca foi tão importante ler e conhecer a história dos Mau-Tempo.

terça-feira, 31 de março de 2026

Saramago: curiosa e incómoda esta personagem...

«SE PUDES OLHAR, VÊ. SE PODES VER, REPARA».

«A escola pública, em particular, vai-se transformando quase sem ruído, mas nem por isso de forma menos profunda. E é precisamente por isso que recuso a ideia de uma escola que, aos poucos, vá desistindo daquilo que lhe dá vida no essencial: a exigência, o debate e a construção do pensamento. É neste contexto que não pode ser ignorada a secundarização de José Saramago, o único Prémio Nobel da Literatura em língua portuguesa nas escolas. O debate em torno desta decisão não se resume à defesa de um autor ou do seu valor institucional. Trata-se, acima de tudo, de defender aquilo que a escola deve ser. E Saramago representa, como poucos, essa dimensão exigente: ler o que incomoda, pensar o que inquieta, desafiar-se a ver o mundo para lá da espuma dos dias».

Daniel dos Reis NunesSaramago e a escola que desiste de pensar

"«Se podes olhar, vê. Se puderes ver, repara». Numa frase (em duas, na verdade) - e entre muitas outras possíveis - a razão pela qual se torna incompreensível a intenção de retirar José Saramago da lista de autores de leitura obrigatória no 12º ano. Reparem, aliás, naquele que é provavelmente mais um caso de gradualismo como método de ação política: antevendo as críticas, retira-se Saramago e coloca-se, em alternativa, Mário de Carvalho (escritor e antifascista, com ligação ao PCP). Depois é só deixar cair também este último e o processo fica concluído, atingindo-se assim, em modo suave, o objetivo pretendido.

Diz o ministro Fernando Alexandre que ainda nada está decidido e que a possibilidade de José Saramago deixar de ser leitura obrigatória no 12.º ano, «é absolutamente técnica». Esquecendo-se, porém, que não é a primeira vez que tenta transfigurar questões políticas em meras questões técnicas, como sucedeu - de forma clamorosa - no embuste que inventou (e que mantém, para dissimular o seu fracasso) em torno da falta de professores."

terça-feira, 2 de abril de 2024

CUIDADO COM O MINISTRO

Soares Novais

"Luís Marques Mendes (LMM) avaliou positivamente os ministros que integram o Governo que hoje toma posse. Joaquim Morais Sarmento, Rita Júdice, Paulo Rangel, Nuno Melo e Fernando Alexandre, apenas para citar alguns dos 17 novos governantes, integram, segundo ele, um dream time que guindará Portugal ao topo. Confirme aqui.

Tal avaliação não espanta se se tiver em linha de conta que LMM é “psd”desde pequenino, e assumido porta-voz das aspirações e dos desejos presidenciais. Acontece, porém, que esta verdadeira equipa de galáticos, segundo tal comentador, integra um elemento envolto em questões misteriosas. Os sectores da Educação, Ciência e Inovação devem ter bem presente esta história protagonizada pelo agora senhor ministro. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém…"

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Formação do Cova-Gala



Complexo Desportivo do Cabedelo
Árbitra: Ana Teixeira
Cova-Gala 1 / Águias 3


João Pedro; Cláudio, Carlos Rafael, João Diogo, Carino (cap.), Ruben, Dário, Tiago, João Morgado e Léo
Treinadores: João Cravo e Pedro Nunes


Micael; Alexandre, Jorge, Rui, David, Henrique, Cristiano, Afonso, João Pedro, Hugo (cap.) e Diogo
Treinador: Fernando Torres

Resultado ao intervalo: 1 – 2
Golos: Tiago aos 11m, Hugo aos 18m e Alexandre aos 19m e 32m

Infantis:
Por sua vez a equipa treinada por João Camarão e Rui Camarão deslocou-se a Arazede onde defrontou e venceu o Águias por 10 – 0.