Camilo é um escritor de ruínas e contaminações, mas, para além disso, é um escritor entre dois mundos.
O livro traça, alegoricamente, o percurso da contaminação do Portugal antigo por modas politicas, sociais e culturais a partir de uma personagem.
Calisto Elói, é a representação da reserva da sabedoria moral e dos bons costumes, figura conservadora que o faz ser eleito deputado. Este deputado de província, era uma esperança de mudança num Parlamento como palco fechado e circular de disputas pessoais que os próprios discursos políticos geram, em vez de tentarem conhecer e resolver os verdadeiros problemas nacionais.
Ao longo desta narrativa camiliana, a contaminação da personagem e os indícios da queda expressam-se exteriormente através da primeira visita a um alfaiate lisboeta, impulsionada pela intenção de impressionar...
É o primeiro passo de um percurso que culminará na transformação de um anjo, num homem "subordinado ao alvitre do alfaite, cheio de meneios, posturas e jeitos a quem o descostume restituíra o aprumo da espinha dorsal"...
A sua própria mulher não o reconhecerá.
Assistimos a uma metamorfose moral, dos princípios dos bons costumes, e a uma queda irreversível, não apenas do "anjo", mas, também da esperança da mudança.
Camilo mistura a sátira com a tragédia da inutilidade dos ideais, do absurdo e incoerência de todas as coisas, configurando uma paródia sorridente, mas, também, o desespero dos seus próprios dramas, que afinal, também são mais do que nunca, os nossos dramas de hoje.
Perante aquilo que acabamos de assistir na politica figueirense, é caso para dizer:
- Não havia necessidade de levarem o rapaz ao alfaite, mas não descansaram enquanto ele não vestiu o "fato politico" de acordo com o corte dos "alfaites" figueirenses, da actual loja maçónica - Fernandes Thomas, liderada pelo "estilista" José Fernando...
É óbvio que o "anjo" não sai impune, nem isento de culpas de tudo isto.
Perdeu definitivamente as asas e com elas a sua liberdade politica, por sua livre escolha.
Rui Duarte, está definitivamente "subordinado ao alvitre do alfaite".
A sua ilusória ascensão, não é mais do que a sua queda politica e, com ela, a desilusão de muitos, que depositaram em Rui Duarte, a esperança de uma lufada de ar fresco dos políticos da Figueira, que também é da Foz.
Nota de rodapé:
Para quem gosta de viver de sentimentos, de estados de espírito, de sorrisos, enfim de coisas simples, há sempre algo que o limita.
Ou é a consciência (o interior) ou é o que o cerca (o exterior)...
Esses, só assim conseguem viver...
Isto, sem esquecer, contudo, que o instinto de prevaricação espreita sempre.
Porém, "mais vale morrer de pé, do que viver ajoelhado toda a vida".
Um conteúdo produzido pela ANC-CARALHETE NEWS


























