terça-feira, 17 de maio de 2016

A propósito da crónica "privatização"...

Hoje no jornal AS BEIRAS, a colunista Isabel Maranha Cardoso, publica o que passo a citar:

"Uma das tendências relacionadas em geral com um ambiente de liberalismo, que afirma um protagonismo do mercado e a diminuição do peso da intervenção pública na economia e na sociedade, é a privatização.
Este processo passa pela rarefacção do papel do Estado e das suas responsabilidades operativas e de execução e por uma confiança muito maior nas forças da sociedade e da economia.
Habituámo-nos, em nome da muito repetida frase “ineficiência do Estado”, a acharmos normal serem os privados a executar tarefas que pertenciam ao Estado, a troco de “generosas” contrapartidas financeiras e nem sempre com o proporcional interesse público salvaguardado.
Está bem presente o caso das “PPP”, conceito importante e útil mas totalmente desajustado nos meios e fins a que se propuseram, tendo criado elevados compromissos financeiros para o Estado, muito superiores à utilidade pública que proporcionaram.
Reavivámos este tema face à avaliação das necessidades operativas, em termos de educação, que levou a cabo o ME e que dominou o debate público e político da semana passada, “desinformando” os cidadãos sobre os verdadeiros propósitos da polémica – a privatização do ensino.
Atribuiu-se à rainha de França Maria Antonieta o dito “se o Povo tem fome, dêem-lhe brioches”.
Pois eu diria, nesta questão da educação – o Estado só pode dar pão; brioches, quem os preferir, vai ter de os pagar!"

Não poderia concordar mais com a opinião que acabei de citar, expressa pela colunista Isabel Maranha Cardoso no jornal AS BEIRAS.
Só que esta maldita minha memória recorda-me a  privatização da água feita na Figueira, quando o PS estava no poder. 
Foi no último mandato do presidente Aguiar de Carvalho.
Na altura, a privatização da água na nossa cidade foi disfarçada com a utilização de um eufemismo: o termo concessão.


Ainda por cima, como foi  uma concessão de “primeira geração”, o investimento a realizar na rede, acabou por ser da responsabilidade do nosso município. 
Registe-se, que a concessão a operadores privados do sector das águas assentou no pressuposto da incapacidade financeira de alguns municípios em realizar as infraestruturas necessárias à reestruturação dos sistemas de águas e de saneamento.
Contudo, a Figueira da Foz teve um encargo de  € 8.698.396,65...
Sublinhe-se que o conjunto das concessões que registaram encargos públicos directos (58% dos contratos auditados) representou um investimento público global na ordem dos € 93.354.074,15

Os contratos de concessão com o maior nível de encargos públicos são os seguintes:
Santa Maria da Feira - € 43.543.193,11
Setúbal - € 19.960.101,71
Figueira da Foz - € 8.698.396,65
Barcelos com € 5.780.366,00

O que era público, passou efectivamente a ser privado. Por isso, de um ponto de vista prático, concessão ou privatização foi a mesma coisa.
Em termos gerais justificativos, os municípios concedentes destacaram como factores de risco “elevado” das concessões, susceptíveis de implicarem compensações directas às concessionárias, na sequência de processos de reequilíbrio, as estimativas de procura abaixo do caso base. 
Tratou-se do caso das entidades concedentes de Azambuja, de Figueira da Foz, de Ourém, de Paredes, de Santa Maria da Feira, de Matosinhos, de Vila do Conde, de Paços de Ferreira, de Marco de Canaveses e de Barcelos, o que representou cerca de 37% das concessões. 

Por outro lado, não se garantiu o interesse público.
Nomeadamente:
Não se efectuou a transferência de risco para o parceiro privado/concessionária;
O privado não assumiu riscos inerentes às actividades de exploração e financiamento da concessão;
Dos contratos não constam, de forma discriminada e detalhada, os riscos a assumir por cada um dos parceiros;
Os contratos não identificam as situações susceptíveis de gerarem partilha de benefícios entre as partes, utentes, concedente e a concessionária;
Os contratos não enunciam, de forma clara, os objectivos da parceria/concessão, bem como, os resultados que se pretendem do parceiro privado;
As concessões não contemplam um prazo de vigência do contrato adequado ao ciclo de vida e às especificidades do investimento a realizar;
O modelo de concessão não apresenta, para o concedente, vantagens relativamente a outras formas alternativas de alcançar os mesmos fins;
As tarifas - e todos sabemos quanto pagamos - apenas pretendem garantir o lucro do privado.

Por tudo isto e muito mais, não seria de encarar a remunicipalização do sector da água no nosso concelho, porque a água é um bem público e não uma mercadoria?..

Soberbo...

foto António Agostinho
...juro que também ouvi Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, dizer no programa Prós e Contras na RTP 1 que "o Estado cometeu a ilegalidade" de construir escolas públicas onde já havia colégios privados. 
E, quando aqui chegamos, já não há mais nada para discutir ou debater.
Portanto, o malandro é o Estado que ofereceu escolas e hospitais aos cidadãos... 
Os malandros não são os artistas, com bons contactos dentro dos governos PS e PSD, que se aproveitaram disso para criar empresas de caça ao subsídio e construir assim um negócio à custa da mama do dinheiro de todos nós...
Portanto, chegados aqui, o mais lógico é processar o Estado por cumprir a Constituição!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Neste momento é assim: o Benfica é o dono disto tudo...

Sportinguista - e gosto de futebol, pois claro...

Portanto, enquanto tal e preocupado com quase tudo que tem a ver com a credibilidade do desporto rei, nomeadamente, o que anda próximo do funcionamento e da "credibilidade" da FIFA.
Daí, que uma notícia como a da "aquisição" de Poiares Maduro e de Luís Figo, exactamente para atacarem essas questões, no sentido de "aproximar o funcionamento da Federação Internacional de Futebol (FIFA) das boas práticas exigidas às empresas", deixam qualquer Sportinguista que goste de desporto absolutamente tranquilo e confiante no futuro do futebol...

Na Figueira, a festa para as autárquicas de 2017 vai de vento em popa...

Miguel Almeida: o não candidato. João Ataide: o candidato. João Portugal: o emplastro...
Já tínhamos um candidato - João Ataíde.
Hoje, ficámos a saber que temos  um não candidato - Miguel Almeida ("nas próximas eleições não serei candidato a nenhum órgão autárquico, e com o afastamento de quem não se envolverá na compita eleitoral, gostava de convocar os leitores a uma avaliação.
Isto é, será que os figueirenses lhe devem confiar um novo mandato? Será que naquilo que realmente importa, a Figueira está melhor? Será que se fez o necessário para impedir a emigração ou migração dos nossos jovens? Que medidas houve para que deixássemos de ter a maior taxa de desemprego do distrito? Que captação de investimento se conseguiu? Qual a obra (da sua autoria) estruturante que deixa? São estas e outras perguntas que todos devemos fazer.")...

E pronto. Acabou a fantasia. E acabaram-se as fitas?..

Impressionante: "Petit a caminho de Fátima para agradecer milagre da manutenção"!

Eis uma notícia impressionante, que relata um acontecimento impressionante, quer para adeptos de futebol católicos,  quer para adeptos de futebol não católicos. 
No fundo, isto é  impressionante!.. Deve ser mais um milagre do empreendedorismo.


foto sacada daqui
"De Tondela a Fátima são 112 quilómetros. É essa distância que Petit se propõe percorrer nos próximos dias, em companhia dos seus colaboradores directos no Tondela.
Tudo para agradecer a tropeção divina na obtenção do milagre da manutenção.
Petit, José Vilaça, Nuno Pereira, Pedro Pereira, Paulo Silva e João Redondo arrancaram às quatro da manhã de Tondela e chegaram à hora de almoço deste domingo a Penacova, de acordo com informação do clube. 
A peregrinação será concluída na próxima terça-feira."

Sabemos que no futebol acontecem, por vezes, uns milagres...
Porém, retiro qualquer conotação religiosa a esta minha constatação.

domingo, 15 de maio de 2016

O PSD, tal como o resto, neste momento, na Figueira, parece não ser assim lá muito interessante...

O PSD vai a votos na Figueira no próximo sábado, dia 21, das 14h30 às 23h00. 
Estas eleições, pelo que se sabe até ao momento, não estão a despertar grande entusiasmo no PSD local, pelo que tudo aponta para a apresentação de apenas uma lista ao sufrágio. 
Neste momento, ao que parece, candidatar-se à câmara, em 2017, numa lista PSD, não tem o encanto do cheiro a poder de outros tempos ainda recentes.
Lá pela direita, a política resume-se a encontrar problemas. Que depois de encontrados, requerem o diagnóstico correcto e a aplicação da medicação acertada...
Ora, isso dá muito trabalho e requer enorme disponibilidade. 
Haverá outras marés e a maior parte dos marinheiros estão a reservar-se...

A Figueira da Foz continua a viver no equivoco de sempre.
Antes do turismo de massas, também por falta de concorrência, foi um sítio de veraneio de referência para uma certa e selecta  burguesia, enquanto pelo concelho profundo, o Povo vivia, como assim continua a ser, em autêntica penúria. 
Contudo, como pode ser lido aqui, a visão risonha desse passado de festas, animação e cosmopolitismo, derivou sobretudo dos efeitos de duas guerras (a de Espanha e a Mundial) cujos refugiados em trânsito enchiam (no final dos anos 30 e no início dos 40) as  ruas da Figueira de mundana animação, as esplanadas dos seus cafés de risos e os seus casinos de lucros.
Ao mesmo tempo, a maior parte dos figueirenses mourejavam na mais negra miséria. Na minha Aldeia, a alternativa era a emigração para os Estados Unidos. Para os que ficavam sobravam as secas do bacalhau, as fábricas de conservas, os estaleiros navais, as minas de carvão, fábricas de vidro e de cimento ou o degredo, na pesca do bacalhau.

Tudo isso, entretanto, acabou.
Mas a memória local é selectiva e a Figueira, hoje, continua a viver, entre a melancolia e o porreirismo figueirinhas, da recordação exclusiva de um antanho de glamour tão ilusório quanto imaginado.
Como deu conta e registou o filósofo e vereador local António Tavares, na sua obra “Arquétipos e Mitos da psicologia social figueirense”, “A Figueira da Foz está sempre à espera de algo que vem de fora”
Criar riqueza é uma coisa que não os assiste. 
Preferem servir os que têm alguma. 
Grande visão tinha o intelectual figueirense, vereador camarário e escritor de talento. Acertou na mouche, no que se tem passado no arco do poder figueirense, incluindo obviamente nos dois executivos presididos por João Ataíde, com o vereador António Tavares a fazer parte da equipa...

É neste cenário de miséria política, que varre a política figueirense da esquerda à direita, que um dos partidos do arco do poder, no sábado, 21, vai a votos... 
E o pior cenário para os figueirenses vai confirmar-se lá para Setembro de 2017: ATAÍDE, que, sem sequer ser militante do partido, faz o que quer do PS na Figueira, fica...
A tradição, na Figueira, continua a ser o que sempre foi...
O Carnaval continua a ser um caso sério.

sábado, 14 de maio de 2016

Brasil, Brasil, Brasil... Humorista da "Porta dos Fundos" diz que Michel Temer "é um golpista"

Gregório Dudivier em Portugal entrevistado pela SIC Notícias...

O Cofre da Previdência dos Funcionários do Estado...

Uma reportagem de uma investigação Sexta às 9  a não perder. Ver aqui.

Com uma esquerda assim no poder local, quem precisa da direita na Figueira?..

O paradoxo do desemprego, um crónica de Rui Curado da Silva.
"Na entrevista de fundo que deu à Foz do Mondego Rádio e ao diário As Beiras, o Presidente da Câmara é interpelado sobre a taxa de desemprego no concelho, cerca de 11 a 12%, a mais alta do distrito.
Sabendo que a Figueira é também o concelho mais industrializado do distrito, não podemos fugir ao paradoxo que estes dois indicadores levantam.
Não podemos deixar de questionar que emprego é que a indústria figueirense oferece, sobretudo quando entre estas empresas temos uma das maiores exportadoras do país.
A explicação não se esgota na progressiva automatização do trabalho. Nestas empresas, o recurso à subcontratação é generalizado. Muitos dos subcontratados passam por situações de precarizado prolongado, com passagens frequentes pelo desemprego.
Obviamente que este tipo de emprego não atrai os jovens, repele jovens. A diferença crescente entre o salário de directores e dos trabalhadores das empresas ainda piora o quadro. Os directores apanhados recentemente nos Documentos do Panamá ilustram bem a natureza do problema.
A iniciativa do executivo para a caracterização do desempregado do concelho é positiva, mas é insuficiente.
E que tal caracterizar a oferta de emprego e se o tipo de oferta potencia ou não o desemprego crónico?
Ou ainda, que tal caracterizar os interesses dos accionistas e o cadastro fiscal dos directores?
Por aí andarão algumas respostas ao problema."

sexta-feira, 13 de maio de 2016

João Portugal, presidente da concelhia do PS e vereador socialista apoia a "título pessoal" a recandidatura de João Ataíde!..

A Figueira anda muito mal servida de políticos. Este João Portugal, é disso mais um triste e lamentável exemplo, a juntar a tantos outros.
Um político não é isto: um fulano que apenas se preocupa com sua vidinha...
Um político luta, estrebucha, erra, acerta, ouve, discute, enfim, faz política. 
A gente olha em volta e vê política. 
Não podemos evitar essa fatalidade. 
Mas podemos evitar que seja uma fatalidade. 
A política não é o porreirismo que a imagem acima mostra: provoca reacções, ódios e paixões. 
Se provoca a indiferença é negativo. 
Negativo para a política, negativo para a democracia e negativo para a Figueira.
A política é um conflito saudável. 
É poder discordar do outro para poder respeitá-lo. 
Na política o que não se respeita, combate-se. 
A Liberdade passa por aí...
Isto, é o grau zero da política seja onde for. Também na Figueira.

Sou de um tempo em que a política servia para fazer avançar o concelho.
42 e dois anos depois do 25 de Abril de 1974, gostaria de poder acreditar que em democracia, os figueirenses já deveriam saber que os cidadãos podiam colaborar na discussão do seu futuro. 
Alguns dos que tiveram a possibilidade de viver o Abril de 1974, ainda gostariam de poder acreditar na possibilidade de viver numa cidade em que houvesse Liberdade e democracia. 
É também por causa disso que não aceitam reuniões de câmara à porta fechada.

Nos anos que se seguiram a Abril de 1974, a política ganhou estatuto e dignidade no dia a dia dos figueirenses. 
Mas, nos dias que passam, aqui pela Figueira, estamos a rodar no sentido contrário. 
Parece que, afinal, a possibilidade de contribuirmos para o exercício da política está acima das possibilidades do cidadão figueirense - seja, ou não, político profissional... 
De políticos profissionais, como João Portugal, apenas resta a expectativa de uma  representação lamentável que lhe permita permanecer na crista da onda, isto é, na sombra e à pala de políticos de conjuntura. 
São os novos palhaços...
Quem teve a felicidade de viver na Figueira, nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, sabe que ser político não é para todos...
Os políticos, como qualquer um de nós, vão acabar por morrer um dia. 
Mas, na Figueira, muito poucos políticos terão vivido uma vida...

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Senhor presidente: a sua entrevista é maçadora ...

Maçou-me quando falou de transparência, da dívida, do rigor, dos 90 milhões, do facilitismo, do despesismo, da justiça social, do deficit, tanga, princípios, contenção, a ver vamos, democracia, igualdade, qualidade, amanhã falo tá bem, buraco, orçamento, concelho real, coerência, os mais desfavorecidos, produtividade, abertura, convergência, alargar o prazo, cidadãos anónimos, vazio, sociedade civil, valores, investimento produtivo, engenharia financeira, cumpri a lei, verdade, trabalhadores, transparência, olhos nos olhos, engenho e arte, soluções, legitimidade, instituições, clareza de métodos, concordância, estimativa, preparação, consciência, sentir dos figueirenses, respeito, iniciativa, frontalidade, coragem, saldo, obras na praia, processo contabilístico, deve e haver, incobráveis, gestão sujeitas a erros e incólumes, taxa de desemprego, é sempre relativa, gabinete de uma empresa especializada em apoio ao empresário, conjugar a oferta com a procura, os incentivos são uma função permanente, é demagógico vir com propostas que não têm cobertura legal, processos discretos, ampliação da zona industrial de S. Pedro de Lavos (um investimento de 4 milhões de euros, não tenho esse dinheiro, temos de ir buscá-lo...) ...
E nunca mais sai o concerto no coreto do Jardim Municipal!..
Uuuuf, já chega!.. Desisto. Quem quiser saber mais, continue a ver o vídeo clicando aqui...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Encerramento dos Postos Médicos da Marinha das Ondas e da Cova e Gala, hoje em destaque no jornal "A Voz da Figueira"...

Cartas de António José de Jesus Agostinho e de Manuel Cintrão.
Para ler compre o jornal.

Só há mortos inadiáveis depois do esquecimento...

"Penafiel vai homenagear, durante o mês de maio, D. António Ferreira Gomes, assinalando o seu 110.º aniversário de nascimento, mentor da publicação do semanário “A Voz Portucalense”, que, nos tempos da ditadura, foi um arauto do combate ousado da liberdade e democracia.
Tema sob o qual decorreu na passada segunda-feira uma conferência com a participação de Ramalho Eanes. Recordo que o jornal era vendido à socapa na livraria Carvalheiro.
Não porque relevasse o carácter religioso do semanário, o facto é que, incapaz de ter acesso a outra informação e opinião, me mantive fiel à sua leitura durante o período de serviço militar passado em África.
Esta recordação remete para outros periódicos que, aqui na Figueira, foram publicados antes e depois da queda do Estado Novo. Desde logo “A Voz da Justiça”, paladino de que José Silva Ribeiro tutelou durante anos com várias interrupções impostas pela censura, mas também, que me recorde, o “Mar Alto” e a “Barca Nova”, veículos de informação partidária e ideológica (mas não só), hoje desaparecidos. Mais recentemente, “A Linha do Oeste”, com outro estilo, sistematicamente crítico e que também não resistiu.
De tal forma mudou o estilo que, se pretenderemos alcançar opinião local estamos reduzidos a dois ou três blogues com qualidade e alguns artigos ou crónicas que, intencionalmente ou não, relevam muito pouco na consideração do poder autárquico."

Nota de rodapé.
A Papelaria Carvalheiro,
ficava no início desta rua,
frente ao quiosque.
 

A propósito da crónica de opinião "A Voz Portucalense", da autoria do eng. Daniel Santos, recordo um Homem muito importante na minha vida, Manuel Leitão Fernandes, um humanista discreto, com quem dei os primeiros passos no jornalismo, fazendo uma parceria com ele, numa altura em que se encontrava já doente, como correspondentes do jornal “O Diário” na Figueira da Foz. 
Lembro-me, como se fosse hoje, o primeiro trabalho que fizemos em equipa: a cobertura da grande cheia no inverno de 1977, no Baixo Mondego. Foi o meu baptismo no mundo fascinante que é o jornalismo.
Cidadão figueirense empenhado no bem comum, dedicou-se, ao longo da sua curta vida, ao associativismo, ao jornalismo e à sua paixão pelo cinema. Registamos a sua activa passagem pelo Ginásio Figueirense, foi correspondente de vários jornais nacionais (Diário Popular, Capital, Record ou O Diário onde tinha excelentes relações), colaborou anos a fio na "Voz da Figueira" onde assinava uma coluna denominada "Quinta Coluna", pertenceu à entusiástica equipa de colaboradores do "Mar Alto" 1ª série, ainda antes do 25 de Abril e foi um dos iniciais cabouqueiros do semanário "Barca Nova".
Manuel Leitão Fernandes possuía uma diversificada biblioteca pessoal e um enorme acervo de documentação cinematográfica. Deve-se a ele e a Manuel Catarino o lançamento das bases do Círculo Juvenil de Cinema em 1970, que envolveu um punhado de jovens estudantes figueirenses que, no "Caras Direitas", viam e debatiam bom cinema de quinze em quinze dias, à tarde. É nesse contexto que irá surgir a Semana Internacional de Cinema e, depois, o Festival de Cinema da Figueira da Foz do qual, Leitão Fernandes, foi membro da Comissão Executiva durante as primeiras edições. 
Manuel Leitão Fernandes foi sempre um democrata convicto e na papelaria/livraria Carvalheiro, ali ao Jardim, que possuía em conjunto com a sua mulher Celina Carvalheiro, se juntavam, depois da hora do fecho, pequenas tertúlias conspirativas e de divulgação cultural
Foi ceifado pela morte aos 47 anos, depois de ter lutado estoicamente com uma doença que continua a não perdoar, em Agosto de 1978.

Disse um dia Passos Coelho - "Governo seco, enxuto, disciplinador e frugal"!.. *

"Lembram-se da trupe que anda sempre a reclamar por menos Estado? Menos dinheiro dos contribuintes, como costumam dizer, para isto e para aquilo?
Esqueçam.
Habituados à mama dos negócios à conta do Estado, agora choram porque um governo decidiu cortar nas gorduras. Mas mesmo nas gorduras e não nos salários e nas pensões, como fizeram esses que antes anunciaram cortes nas gorduras.
Há a possibilidade real do Estado reduzir a despesa, cortando em serviços de que não precisa – as escolas privadas onde há oferta pública. E que dizem os liberais do encosto ao Estado? Que não pode ser, pois precisam de liberdade de escolha. Como sabem, liberdade implica responsabilidade, logo peguem na carteira e assumam a liberdade da sua escolha. Tenho a certeza de que ninguém os impedirá.
O que está em causa é algo diferente. É a concepção de que o “dinheiro dos contribuintes” deverá ser gasto para proporcionar escolas de luxo a quem conseguir nelas ser aceite, em detrimento da ralé que se deve contentar com um serviço público onde a escola não passa de um depósito de crianças.
Porque é de segregação que se trata. Vejamos, se as escolas privadas não seleccionarem os alunos, todos os pais as poderão escolher e, num ápice, a escola privada em nada deferirá da escola pública. As escola privada é diferente porque tem a capacidade de seleccionar os alunos que vai aceitar, residindo neste aspecto o maior factor de sucesso nos famosos rankings.
Não se julgue que é algo de novo, pois é o que existe nas sociedades modelo destes liberaizinhos, como UK e USA.
A campanha da direita habituada aos negócios assegurados pelo Estado está na estrada. Pouco lhe importa as contradições ideológicas, como quando nuns casos defendem menos Estado, mas noutros, como neste dos colégios privados, defendem mais Estado, para pagar esses colégios. Que se salvem os colégios privados, sejam ou não precisos no sistema educativo.
Outra coisa fantástica é o recurso aos tribunais para travar a redução de despesa do Estado. Há coisas fantásticas, não há? Vamos falar de rendas?
Como diria Pinóquio Coelho, habituem-se. Saiam da zona de conforto. Olhem, emigrem."

- Texto de , via Aventar. * Título sacado daqui.

Em tempo.
ANTÓNIO ROCHETTE. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi convidado pelo Ministério da Educação de Isabel Alçada, em 2011, para fazer o estudo “Reorganização da rede do ensino particular e cooperativo com contrato de associação”.

Em 2011, a então ministra da Educação, Isabel Alçada, pediu um estudo à Universidade de Coimbra para saber se havia turmas no privado que estavam a ser financiadas pelo Estado apesar de haver oferta disponível em escolas públicas próximas. António Rochette foi o autor do estudo que concluiu que era possível cortar esses contratos de associação em 80% dos colégios. Cinco anos depois recorda ao Expresso Diário as pressões que sentiu. “Fui linchado, fui enxovalhado nas redes sociais, nos jornais. Até mata-frades me chamaram”.

terça-feira, 10 de maio de 2016

"Utilidade, privilégio e abuso dos colégios"...

... POR RUI J. BAPTISTA. 

O mar tem humores...

foto António Agostinho
Foi José Saramago que escreveu um dos  romances que mais gostei de ler - "Levantado do chão" - e escreveu-o em homenagem àqueles que não se deixaram domar  e nunca abdicaram da luta.
É em dias como o de hoje - frio, cinzento, chuvoso e agreste  - estranhamente, estando quase em meados de Maio, um dia de  Inverno perfeito, que sinto que a praia do Cabedelo é minha! 
Minha,  por conseguir, entrosar-me e usufruia-la sem quaisquer perturbações...
Um dia, estas árvores agora depositadas no areal da praia, deram  sombra aos peixes por esse Mondego acima! 
As chuvadas de Janeiro e as cheias que se seguiram arrancaram-nas das margens e trouxeram-nas, Mondego abaixo,  até ao mar da Figueira.
Por aqui andaram ao sabor das marés, dos ventos e das ondas.
Um dia, já lá vão uns meses, uma maré viva,  depositou-as na praia do Cabedelo...
Por cá continuam estes despojos do mar, deixados um dia na praia por uma maré viva.
O mar tem humores. Diz, quem sabe, que são efeitos da Lua... 
O mar pode ter humores, mas não é aluado!..

Interesses...

"Passos Coelho acusou o ministro da educação de estar a defender interesses."
Por falar em interesses...
Nessa matéria a experiência de Passos Coelho é quase imbatível.
Poderia invocar a concessão à pressa dos transportes públicos de Lisboa e Porto; a concessão da exploração de petróleo no Algarve  a Sousa Cintra, poucos dias antes de o governo cessar funções; a falta de transparência nas privatizações da TAP, da EDP ou da REN; a privatização  de empresas públicas lucrativas, como os CTT ou as condições de privatização do Oceanário ou do Meo Arena para justificar a minha afirmação, mas nem preciso de ir por aí.
Basta lembrar os interesses que o governo de Passos  protegeu, ao conceder subsídios às escolas privadas.  E que interesses foram esses?
Ora vejamos:
- Entre as 79 escolas com contratos de associação 26 são religiosas;
-   Mais de uma dezena  são indirectamente geridas  pela Igreja através de entidades terceiras 
-  Das restantes uma boa parte são geridas  por correligionários do PSD, mas também do PS, sendo que estes são entusiastas do Bloco Central. O dos negócios, da corrupção e do compadrio.
Ter a lata de dizer que Tiago Brandão Rodrigues está a defender interesses é uma declaração que ficará na história da pulhice laranja que marca o consulado de um terrorista social e de um mentecapto cultural.

As brincadeiras inocentes e despreocupadas que os políticos podem ter...

Macnamara, a convite do presidente Ataíde, vestindo um fato impecável, esteve na passada sexta-feira no Cabedelo.
Por mera casualidade, cerca do meio dia dessa sexta-feira, estive, ao mesmo tempo e no mesmo local, a admirar a vista que a foto mostra, clicando aqui – para mim, sempre estupenda e inesquecível.
O Macnamara, já foi, mas a vista que a foto, que pode ver clicando aqui, por lá permanece...

Em tempo.
Para clarificar e evitar más interpretações e confusões, que fique claro que, por aqui, adoramos brincar.
Brincar e saber brincar é importantíssimo em todas as fases da vida, mesmo na vida de um político.
E não se pense que a seriedade da vida de um político é incompatível com uma brincadeira...
As brincadeiras são oportunidades que não devem ser desperdiçadas...

A rotina da Aldeia

Uns, riem-se... 
(O que fazem os nervos... Mas, há-de passar...) 
Outros, fazem de conta...
(No fundo, tentam ignorar situações, fazer de conta que as coisas não aconteceram. Porém, os problemas apenas são adiados...  E até vão piorar...)
Outros, dizem a verdade.
("A minha forma de brincar é dizer a verdade. É a brincadeira mais engraçada do mundo. A democracia, muitas vezes. significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente."
George Bernard Shaw)
Outros, não dão por nada...
("De que serve a liberdade, quando os livres têm que viver entre os não-livres?"
Bertolt Brecht).

segunda-feira, 9 de maio de 2016

"Verdade incoveniente"...


PassosCoelho diz que Estado pode vir a ser posto em tribunal por colégios”...

Este vídeo é uma reportagem que a TVI emitiu no dia 4 de novembro de 2013, sobre o escândalo da construção desordenada e financiamento público de colégios privados, um sorvedouro de dezenas de milhões de euros do erário público em detrimento de escolas do Estado. É uma peça jornalística exemplar. “Verdade inconveniente” lhe chamou a TVI. Indispensável ver, para se ter uma noção exacta do que é o cheque-ensino.

O liberalismo dele consiste na sobrevivência dos privados a mamarem no Estado...
Honrar os compromissos do Estado, diz ele!..
Dito por Passos Coelho, só pode humorismo – e do melhor!...
Lembro-me que quando Passos começou a governar, era trabalhador no activo, durante o seu governo PSD/CDS, passei a desempregado e depois a pensionista...
Portanto, sei bem o que foi este senhor a governar...
E vocês ainda se lembram dos anos de chumbo que viveram com o governo PSD/CDS?..

Boa sorte Figueira: os políticos locais perderam o tino...

O autarca modelo
 e a maioria social
"O poder local democrático, cada vez mais sem receitas próprias, inerme perante os interesses dos grupos económicos privados, das opções cegas do poder central e dos caprichos dos fundos europeus, põe-se cada vez mais a jeito na busca daquilo a que chama, com circunspecta jactância, “o consenso” – que não passa daquilo a que, em português vernáculo e antigo se chama, muito mais prosaicamente, “conchavo”.

Um dos campeões absolutos nesta modalidade polítiqueira local é José Elísio. ZéElísio, o “pernas” - o afoito presidente da Junta de Lavos. Depois do cambalacho da reformulação das freguesias, o “pernas” acaba de participar noutra cegada patrocinada pelo governo anterior (que o meu amigo Agostinho tem vindo a comentar e a documentar com profusão de pormenores sórdidos, no seu blogue “Outra Margem”) e que decerto o coloca nos píncaros da popularidade na sua freguesia.
Elísio conseguiu, com o inepto altopatrocínio do presidente da Câmara, um Ataíde socialista, chamar a si (a Lavos), a edificação de uma espécie de super-centro-de-saúde que agrupará os “utentes” de quase todas as freguesias de sul do concelho (levando ao encerramento dos centros de saúde destas e transformando Lavos numa espécie de Meca do turismo de saúde local), digam lá que não é de génio. Os fregueses e o comércio de Lavos estão exultantes. Pimenta no cu dos outros para eles é refresco.

A verdade porém é que os utentes das freguesias despojadas dos seus centros de saúde estão invejosos. Apesar de enxofrados, nofundonofundo também queriam para eles um autarca como o “pernas” (mesmo que fosse alguém só com duas).
Afinal estamos em Portugal. Somos todos portugueses. Este é o país de “Os Lusíadas”. Onde todos os fregueses partilham dos mesmos valores - aqueles que se consubstanciam naquela palavra com que Camões culminou a sua obra. E que define uma gente que só sente que prospera com o mal dos outros. Metade nem sequer vota. A outra metade divide-se entre espíritos florentinos como ZéElísio, o presidente da junta, e simples de espírito  como Ataíde, o presidente da Câmara.

E, ao contrário do meu amigo Agostinho, não vejo alternativa a isto. Porque, ai de mim, também não vejo onde caralho enxerga Agostinho uma maioria social de esquerda."

domingo, 8 de maio de 2016

A propósito dos 78 anos do Desportivo Clube Marítimo da Gala...

Ontem, o Desportivo Clube Marítimo da Gala, a mais antiga Colectividade da freguesia de São Pedro, fundado no dia 3 de Maio de 1938, realizou a Sessão Solene comemorativa do seu 78º. aniversário.
Quem pretender tomar conhecimento do que por lá se passou, clique aqui...
Sou sócio do Desportivo Clube Marítimo da Gala, com quotas em dia, há cerca de 50 anos. Pertenci, durante muitos anos, aos seus Corpos Gerentes.
Recordo, para quem tem memória curta, o passado desta Colectividade, por exemplo, no Teatro, (poderia referir o futebol, o ténis de mesa, o voleibol, o folclore, o recreio e o convívio dos bailes e matinés da minha adolescência...) na época em que fazer teatro era considerado subversivo, como tudo o que questionava o estabelecido e indagava a vida e a realidade. 
Nessa altura, formavam-se grupos de teatro para “desfazer” essa realidade minada. Criavam-se colectividades de cultura e recreio que se transformavam em autênticos fóruns de debate e de divulgação de conhecimento. Tudo, então, era um risco. A Aldeia e o país estavam minados de situacionistas ferozes que denunciavam e levavam à prisão quem desafiava o seu poder apologista da ignorância.
Lembro-me, por exemplo, do amador teatral, professor Mário de Lima Viana, um covagalense que chegou a ser Presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz.
Era um democrata e um Homem de diálogo e  de esquerda, que militou politicamente no PS, a quem a política não queimava a ponta dos dedos. 
A política, para o professor Mário de Lima Viana, nunca foi um mundo de tricas e de enleios para alcançar a oportunidade de promoção pessoal. 
A política, para o professor Mário de Lima Viana, representava a vontade de mudar, para melhor, a vida das pessoas. 
Esta lembrança, em jeito de homenagem a um sócio, director e promotor cultural do Desportivo Clube Marítimo da Gala, é também uma forma de dizer não à asfixia dos novos tempos. 

A imagem ao lado, é a primeira página do semanário Barca Nova, de 17 de Julho de 1981, onde então eu, um jovem repórter, publiquei uma entrevista que fiz ao professor Mário de Lima Viana, que acabara de ser eleito Presidente da Assembleia Municipal da Figueira da Foz.
Dessa entrevista que me concedeu este ilustre e tão esquecido covagalense, recordo que falámos sobretudo da sua e minha Terra, focámos as necessidades e principais lacunas que então existiam: a criação da freguesia, uma estação dos correios e a abertura de uma farmácia.
Falámos ainda de outros assuntos importantes para os então cerca de 3 000 habilitantes: abordámos a necessidade de um cemitério, da nova marginal que iria libertar o trânsito da estrada 109 (hoje Avenida 12 de Julho), do plano de urbanização, da construção de blocos sociais e da abertura de uma agência bancária.
Lembro-me - como se fosse hoje, da conversa que tive com o professor Mário Lima Viana, no 1º. andar, por cima da mercearia e tasca que era do seu pai, onde ainda hoje funciona um mini mercado, no nº. 1 da Avenida Remígio Falcão Barreto - que, na altura, a preocupação principal era a passagem da Cova-Gala a freguesia. Em 1979, já o processo tinha sido apresentado na Assembleia da República pelo grupo parlamentar do PS. À época, existiam muitas resistências e dificuldades para a criação de novas autarquias, pelo que daí nada resultou em termos práticos. O processo voltou a ser apresentado na legislatura seguinte pelo mesmo partido político. Foi uma luta que durou mais uns anos, pois só conseguimos a libertação de Lavos em 1985. 

Por aqui, raramente falamos de futebol, mas hoje é um dia especial...

Foto de Ana Maria Pinto da Costa
O futebol é um jogo complexo que serve para testar os limites físicos dos atletas, a estratégia posta em campo pelos treinadores, a habilidade de cada jogador e a força do colectivo...
E, como qualquer jogo, ainda tem o sortilégio da sorte!.. 
Cito um profundo conhecedor de futebol. 
O meu amigo Custódio Cruz: "o destino é tantas vezes frio e insensível para com quem tanto luta, e que tanto, como neste exemplo, mereceu, que depois mesmo de uma reviravolta para 2-3, com 0-2 ao intervalo, voltou a fazer mergulhar os "verde e brancos", que hoje procuraram "a sorte entre o verde e o negro", para uma aparente e fatal frustração, maior ainda do que aquela que já se afigurava tremendamente injusta, quando o Marítimo numa descida esporádica e durante esta 2ª parte, concretizou um 3-3 que lhe servia a preceito.
Pois é, mas os pupilos de Marinho Serpa, aproveitaram "a vida deste jogo", no tempo que lhes faltava, e atacaram confiantes com o talento mais que certificado ao longo da época, chamando Nuno André a protagonizar o papel de um herói, que representou e traduziu uma só alma, composta por todos aqueles que só sendo uma verdadeira equipa, podiam fazer e continuar a escrever a história da Centenária Naval 1º de Maio e através dos cometimentos que obtivessem.
Nuno André, correu para a bola, e com a sua calminha, não perdoou, fazendo soltar emoções"...
E pronto: a Associação Naval 1º. de Maio,  ascendeu à 1ª Divisão Nacional em juniores, após ter vencido ontem à tarde, na Figueira da Foz o Marítimo por 4-3.
Parabéns à Naval, pela subida e parabéns à Figueira TV, pela transmissão do jogo em directo.

sábado, 7 de maio de 2016

PASSOU (SE)?..

Passos, continua a percorrer o trilho manhoso da mentira...
Se a pressa é inimiga da perfeição, então esta resposta de Passos Coelho, só pode ter sido fruto de uma ejaculação precoce!
Em declarações à imprensa sobre a inauguração do Túnel do Marão, Pedro Passos Coelho, disse ipsis verbis, o seguinte:
"Mesmo que eu fosse primeiro-ministro, coisa que hoje não sou, e a obra fosse inaugurada amanhã, eu não estaria lá. Porque nunca estive em nenhuma obra de inauguração enquanto fui primeiro-ministro, nem de estradas, nem de autoestradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma."

Nota de rodapé.
07 Agosto 2015: O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, inaugurou neste dia, uma sexta-feira, a nova Ponte da Foz do Rio Dão, uma obra que custou mais de 10 milhões de euros e fica integrada no Itinerário Principal (IP) 3, entre Mortágua e Santa Comba Dão.

O princípio da presunção da inocência

Notícia DN de hoje. 
"José Sócrates vai participar hoje pela primeira vez numa cerimónia oficial promovida pelo governo de António Costa - a inauguração do túnel do Marão -, mas na verdade não foi esta primeira vez que lhe chegou, com o mesmo remetente, um convite oficial. Foi, na verdade, a segunda.
Em janeiro passado, o antigo primeiro-ministro e antigo líder socialista, juntamente com vários outros ex-chefes de governo, foi convidado pelo executivo liderado por António Costa a participar numa cerimónia de celebração dos 30 anos de adesão de Portugal à UE."

Apesar dos confrangedores e conhecidos casos da ineficácia da nossa justiça, como o processo dos submarinos, em que nenhum português tem dúvidas que houve pagamento de luvas, mas em que nenhum responsável se vai alguma vez sentar no banco dos réus, a Constituição da República Portuguesa prevê que todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado de sentença condenatória.
Mesmo quando um hipotético interesse nacional está em causa, não se pode ceder nos princípios. A justiça não é uma aparência, uma encenação para consumo social. O está-se mesmo a ver que é culpado, é um dos mais perigosos argumentos judiciários.

Não é a política que faz o candidato a presidente virar incompetente, é o seu voto que faz o incompetente virar presidente...

Esta foto mostra uma paisagem interessante para mim e, presumo, que também para o cidadão e presidente de câmara João Ataíde
Ainda ontem, por mera casualidade, cerca do meio dia, estivemos, ao mesmo tempo e no mesmo local, a admirar a vista que a foto mostra – para mim, sempre estupenda e inesquecível
Confesso que tenho um fraquinho por ela. 
Sou um admirador furioso desta paisagem, mesmo que ela sofra as consequências da negligente mão do homem João Ataíde, na sua qualidade de presidente da câmara da Figueira da Foz!

Parabéns Senhor Doutor José Ataíde, Senhor Presidente, eleito pelo PS, como poderia ter sido eleito pelo PSD.
Não votei em si, nos dois mandatos a que se candidatou a presidente da câmara da Figueira da Foz, que venceu, por várias razões.
Sobretudo, por razões que se prendem consigo, com o seu perfil – ou, melhor, a meu ver, com o seu não perfil para Presidente de Câmara.
Apesar disso, sempre admiti que seria eleito.
Depois de eleito, esperei que, como Presidente de todos os figueirenses, soubesse exercer os poderes que lhe foram confiados aproveitando, naturalmente, os conhecimentos que tem, por mérito pessoal, e pela experiência de vida...
Lembro-lhe, que costuma dizer que está na política “para ser útil”, isto é, para servir.

Se muitos que lidam consigo mais de perto (eu, nem de perto nem de longe...) já viram que V. Exa. há muito que deixou de passar cartucho ao Partido Socialista, na Figueira, (a maneira e o método como, anteontem, fez o anúncio público da recandidatura a um terceiro mandato, sem que o assunto tivesse passado pela concelhia figueirense do PS, é só mais um episódio de uma novela já com muitos capítulos...) apenas revelam a sua imaturidade  política.
Mais cedo do que tarde, irá perceber que os excessos de arrogância e falta de humildade política se pagam caro.
E não venha com essa da humildade. Normalmente, a pessoa que se diz ser humilde, se o foi, deixou de o ser.

Para a esquerda figueirense – PCP, BE e independentes:
Que raio de democracia concelhia é esta, em que uma maioria social, nunca conseguiu materializar uma maioria política?..
Que raio de democracia concelhia é esta, em que temos assistido, por parte do PS e do PSD, ao vale tudo para alcançar o poder e, depois de o alcançarem, esquecem todas as promessas feitas e continuam a ter o voto dos eleitores passados tantos anos?..
Que raio de democracia concelhia é esta, em que se rasgam compromissos celebrados com os mais desfavorecidos e são mantidos os privilégios?..
Que raio de democracia concelhia é esta, em que mais de 50% do eleitorado se demite de votar?..
Creio que está mais do que provado que a divisão, neste tipo de eleições, não serve a esquerda.
Com essa divisão há muito que deixámos de conseguir eleger um vereador na Figueira...

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Campeonato Nacional da I Divisão de Juniores...

Amanhã, Naval e Marítimo, em juniores, jogam uma partida decisiva para uma eventual subida ao Campeonato Nacional da I Divisão de Juniores.
Face à classificação, no que diz respeito ao confronto directo entre figueirenses e insulares, a vitória é fundamental.
Contudo, há uma terceira equipa que pode contrariar as expectativas: o  Real Massamá, caso vença o Estoril deitará por terra as aspirações de navalistas e maritimistas.
Quanto à Naval, para que possa comemorar a subida duas coisas terão de acontecer:
1 – Vencer o Marítimo.
2 – Esperar que o Real Massamá não vença no terreno do Estoril.

A Figueira TV, canal televisivo da Figueira da Foz, vai transmitir o encontro em directo, via internet, se as condições climatéricas o permitirem...

Museu Municipal Santos Rocha – 122 anos de existência...

Fundado a 06 de maio de 1894, por António dos Santos Rocha, o Museu Municipal atravessou vários períodos: até 1910, sensivelmente, viveu uma fase áurea, estendendo a sua fama além fronteiras. A notável acção de Santos Rocha, os trabalhos da Sociedade Arqueológica da Figueira da Foz e as publicações inseridas no seu Boletim levaram a que o Museu Municipal se colocasse a par das melhores instituições científicas nacionais.
Instalado provisoriamente na Casa do Paço desde 1899, foi transferido para o edifício dos Paços do Concelho em 1910, onde se manteve até 1975, data da abertura oficial ao público do novo edifício, construído com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e projectado pelo arquitecto figueirense Isaías Cardoso.
Vão até lá e dêm uma olhadela...   

Voz da Figueira de 4 do corrente: relato da minha passagem pela Assembleia Municipal da Figueira da Foz...

Para ler melhor, clicar na imagem.

Não me esqueço o que é andar na Aldeia. Ando por cá todos os dias...

Nós últimos 30 dias registámos 25 473 visualizações. 
Prova evidente da importância deste blogue no dia a dia de inúmeras pessoas. Entre covagalenses, figueirenses, portugueses e não só.
Agradeço a todos aqueles que, estejam onde estiverem, não dispensam um dia sem vir cá.
Não são números, são pessoas únicas, dignas e, sobretudo, gente. 
Aqui no Outra Margem, não consideramos ninguém como um número, como mais um que pode ser utilizado à vontade, como mais um autómato sem vontade própria, que só tem direitos porque é consumidor.
Aqui no Outra Margem somos todos pessoas e seres humanos.

Encerramento dos Postos Médicos da Marinha e Cova e Gala: com a honrosa excepção do PCP, onde é que estão os outros partidos?

Em democracia há Partidos. 
Na Figueira, que eu saiba, existem o CDS-PP, o PSD-PPD, o PS, o BE e o PCP.
Os partidos têm gente lá dentro — homens e mulheres que têm os mesmos problemas da restante população.
Numa Figueira, transformada, há anos, em terra do faz-de-conta, onde as palavras já não têm o significado original, os "ajustadores" apresentam-se como a única escolha a ter direito a voz. 
Os políticos e os tecnacratas vendem as mensagens que lhes interessam, a cada momento, e é isso que passa na comunicação social. Verdade é mentira. Excelência, na prática, quer dizer empobrecimento. Direitos há muito conquistados pelas populações nas suas Aldeias, agora passam a ser luxo. 
E tudo é apresentado, por quem decidiu sem ter em conta toda a abragência das consequências das alterações que se pretendem introduzir no dia a dia das pessoas, como se viu neste caso do acesso aos cuidados médicos de proximidade de uma população envelhecida.
O que passou na comunicação social, como se não houvese alternativa,  é que é assim e nada pode ser de outra maneira. 

As poucas vozes que discordaram foram ostracizadas e  silenciadas
Contudo, logo que quem esteve na origem deste problema, nomeadamente o presidente da câmara da Figueira ou o Director-Executivo da ACES, António Morais, queriam passar a mensagem que lhes interessava, no momento, surgiam logo os "pés de microfone" oficiosos, saídos lá dos buracos onde estão atentos às ousadias da malta que só serve para colocar pedrinhas na engrenagem, para darem o amém da divulgação aos recados do "poder instalado".
Mas os partidos também ficaram chamuscados neste processo. A imagem que anexo, foi a única tomada de posição partidária de que tive conhecimento. CDS-PP, o PSD-PPD, o PS e o BE, até ao momento, a avaliar por este caso, parece que não existem na Figueira... 

Uma clarificação: apesar de não pertencer a nenhum Partido, não considero os cidadãos sem filiação partidária melhores do que os partidariamente inscritos. 
Tenho, desde sempre, uma discordância em relação ao funcionamento normal dos Partidos, que neste  caso, ficou perfeitamente visível: protestar contra a política do facto consumado não serve para nada.
O meu comité central é funcional, expedito e tem tido alguma eficácia: sou apenas eu.
Em 42 anos de democracia, também no meu concelho, dois partidos, tal como na política nacional, dois partidos, dois, alternaram no poder, sem que se veja qualquer alternativa política. 
O que eu não estaria ainda disposto a dar - essa tem sido, no essencial, a luta da minha vida... -  para que o ditado popular "mudam as moscas, mas...", não se aplicasse também a esta minha encantadora Figueira da Foz, uma cidade tradicional, demasiadamente hierarquizada,  em que as coisas acontecem quando podem acontecer, e sempre obediente a quem sempre quis que ela se mantivesse assim...

Parabéns Rui...

Os meus parabéns não são dados apenas por o Rui defender a transparência e por o dizer claramente.
Dava também os parabéns a outros se tivessem tido transparência nas opções que tomaram.
A reorganização dos serviços do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Baixo Mondego gerou receios e protestos em São Pedro e na Marinha das Ondas que são perfeitamente legítimos por dois motivos.
Em primeiro lugar, nos últimos anos habituámo-nos a diversos tipos de reestruturações, reorganizações e outro vocabulário da novilíngua da cartilha do ultraliberalismo, ser utilizado em processos que levaram ao encerramento de serviços públicos essenciais: linhas ferroviárias, centros de saúde, serviços de socorro e emergência, etc. Por vezes, com consequências trágicas para pessoas e para a sociedade.
Em segundo lugar, é obrigação de organismos públicos, como o ACES, a implementação processos totalmente transparentes quando se altera a qualidade ou a organização dos serviços prestados às populações, especialmente em regiões onde existem problemas de mobilidade, isolamento ou envelhecimento populacional.
Hoje em dia já não há desculpas para não comunicar claramente com as populações.
Existem assembleias municipais e de freguesia onde o contacto com os representantes eleitos e com as populações pode ser directo, a prática de sessões de esclarecimento também ajuda muito a melhorar a transparência e as redes sociais são hoje um eficiente complemento de comunicação.
Se não é de encerramento de que se trata, o ACES não deve recear o contacto com populações e eleitos.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Música: junta e câmara levam «puxão de orelhas» e arquive-se!..

É sempre o mesmo, passam a vida a dar-nos música.
Quando se telefona para qualquer sítio, metem uma musiquinha, só para queimar tempo. Um gajo apanha sempre música clássica ou os últimos êxitos da música portuguesa. 
Não haverá resposta para esta chaga que afecta a nossa democracia?..

... "é preciso ter formação para ser mal formado"...

A INDECÊNCIA MERECE MAIS RESPEITO...