António Barreto"O bom governo
exige tempo
e serenidade,
não sofreguidão
e artimanha.
Os arranjinhos
poderão disfarçar
o inevitável, mas
não conseguirão
evitá-lo.
Ainda por cima, na maior parte
do mundo, a ditadura vai
vencendo. E, na Europа, а
democracia vai perdendo. Nos países europeus, os maiores, os
mais poderosos e outros, os
partidos nacionalistas, de direita
radical ou de extrema-direita, são
já os primeiros ou os segundos
mais votados. Custa imaginar, mas
é verdade, que o primeiro partido
francês, italiano, austríaco,
holandês ou húngaro, assim como
o segundo mais votado português,
alemão, sueco, belga, espanhol e
finlandês pertencem ao grupo dito
nacionalista, populista, de direita
radical ou da extrema-direita! Estes
partidos sabem agitar. É a
especialidade deles.
Se procuramos exemplos do que
é um Estado fraco e uma
Administração débil, presas de
interesses ilegítimos, não é preciso
ir muito longe. Como se viu de
novo ainda recentemente, todos os
assuntos e negócios ligados aos
helicópteros, aviões e
equipamento de luta contra os
incêndios, incluindo o famigerado
sistema de comunicação, são
próximos de um filme sobre a
máfia. São centenas de milhões.
São desastres. É roubo. É
impunidade.
Algumas das medidas legislativas
que o Governo tem vindo a
imaginar, como as relativas à
nacionalidade, às prestações
sociais ou à imigração, são também
exemplos de desleixo, de falta de
pensamento e de deficiente
doutrina. Questões fundamentais,
essencialmente simbólicas e de
primeira importância para um
povo e uma sociedade, são
tratadas com mesquinhez, muito
cinismo e num estilo de pequeno
negócio, como se os destinatários
de tais medidas não fossem seres
humanos e pessoas frágeis.
Último exemplo em data, a revisão constitucional, encarada como se fosse na mercearia do bairro, sem grandeza nem debate, sem seriedade nem doutrina. Pensa-se na Constituição e na sua revisão como se fosse um isco ou uma armadilha.O Governo procura satisfazer a oposição de direita e silenciar a de esquerda, navegando em terra de ninguém. Nem imagina o mal que está a fazer ao seu país!"