Filipe Luís
"Dificilmente os senhores deputados se
debruçarão sobre o caso do são-tomense
Manuel dos Santos, que, no bairro do Talu
de, em Loures, reuniu os materiais que apa
nhou dos escombros da demolição da sua
habitação precária, umas tábuas, uns ara
mes, um cobertor, para construir um abrigo
ainda mais débil, uma casa igual às dos
dois mais novos dos três porquinhos, onde
“dormiu bem”. Mas onde receia o “sopro”
do socialista Ricardo “Lobão”, perdão, Leão,
presidente da Câmara de Loures: “Antes
quero viver numa barraca do que debaixo
da ponte”, disse à Antena 1 este operário da
construção civil que, embora apenas ganhe
o salário mínimo, foi mandado “procurar
casa”. Ele não procura casas, ele constrói-as
para que outros as procurem. Sim, se todos
resolverem construir uma barraca à espera
de receber uma “casinha” da câmara, isto
nunca mais acaba. Sim, é preciso reprimir
a construção clandestina e impedir que
regressemos ao tempo das barracas, que
costumam alastrar como mancha de óleo.
Mas isso faz-se a montante, prevenindo,
não demolindo. Ou então, como apontou o
socialista Miguel Prata Roque – que pediu
a retirada da confiança política do PS a Ri
cardo Leão… –, a câmara demolidora terá de
arranjar um teto para as pessoas que desa
loja. Se o seu presidente não for o lobo mau,
claro. E este é, também, o estado da Nação."