Via Campeão das Províncias
"Os deputados do PS,
incluindo os eleitos pelo
círculo de Coimbra, votaram no Parlamento contra
uma petição em defesa da
autonomia do Hospital
dos Covões. No fim-de-semana, a Comissão Política
da Federação Distrital do
partido deu-lhes o troco,
ao aprovar uma moção
onde se refere que “há
quem muito fale em António Arnaut, mas se esqueça que a Saúde e o SNS
em Coimbra é também a
valorização do Hospital
dos Covões”.
Face à posição assumida pelo deputado Pedro
Coimbra, que até foi o
porta-voz na Assembleia
na defesa do voto contra dos socialistas, assim
como por parte de Marta
Temido, ex-ministra da
Saúde, e dos outros quatro
deputados também eleitos
por Coimbra, o plenário
distrital do PS aprovou
uma moção para clarificar a posição do partido
a favor do Hospital dos
Covões.
A moção foi apresentada pelo médico Hernâni
Caniço, que é vereador
da Câmara de Coimbra,
e a ela se associou Victor
Baptista, que disputou a liderança da Federação que
continua a ser presidida
por Nuno Moita. O texto
foi aprovado por maioria,
com quatro abstenções e
os votos contra de Áurea
Andrade, enfermeira com
assento no Conselho de
Administração do CHUC,
e de José Silva (médico).
“Quando da criação
do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, no
Partido Socialista estávamos convictos que seria
um passo na valorização
da saúde em Coimbra,
nomeadamente com melhor e mais fácil acesso
aos recursos financeiros
no financiamento hospitalar”, começa por dar conta
o documento proposto e
validado, para fazer o contraditório: “No entanto,
infelizmente, a situação é
substancialmente outra e
foi pela prática e silêncio
da administração e instituições públicas regionais
da saúde que se deu o
início da tentativa de desmantelamento de um Hospital Central, o designado
Hospital dos Covões, que
tanto já deu de bom aos
cidadãos da região Centro,
particularmente à zona sul
de Coimbra”.
DELAPIDAÇÃO
DE RECURSOS
Para que não fiquem
dúvidas quanto ao que
se defende, a Comissão
Política da Federação de
Coimbra do PS “manifesta
o seu descontentamento
pela irredutibilidade no
desmantelamento e destruição de serviços de referência, a delapidação de
recursos organizativos em
saúde, bem estruturados,
de resultados de sucesso e
de renome nacional e internacional, prejudicando
Coimbra e a sua imagem
de topo na área da saúde
e serviços, contra a cidade
e contra o direito à saúde universal, e exigindo
um Plano Funcional que
respeite o Hospital Geral
Central dos Covões como
estrutura”.
Demonstrando “o seu
desagrado pelas estruturas
que se demitem das suas
responsabilidades regionais em saúde e ausência
de defesa da saúde dos
cidadãos, sem percepção
do argumentário técnico
e político”, refere-se na
moção que “é até ofensiva
uma posição conhecida
de criação de um Serviço
de Urgência Básica no
Hospital dos Covões, em
que seria predominante o
atendimento aos utentes
por médicos indiferenciados contratados por
empresas privadas”. Nesta tomada de posição apela-se ao ministro
da Saúde, Manuel Pizarro,
para que “requalifique o
Hospital Geral Central
dos Covões, contribuindo
para a melhoria da saúde
em Coimbra e na Região
Centro e para creditar o
Partido Socialista como
força política de defesa
do direito à saúde, com
ganhos superlativos no
mérito da sua posição e
numa marca partidária de
solidariedade”.
Manifesta-se, ainda,
“a abertura, mas também
a capacidade de luta pelos
ideais da saúde de António
Arnaut e de Carlos Cidade
(que defendiam o Hospital
Geral Central dos Covões), dos socialistas e da
população, conjuntamente
com as estruturas representativas institucionais
da cidade e a democracia
participativa da sociedade
civil fundamentada em
preceitos de direitos humanos”.
Refere-se, a propósito,
que “os dois Hospitais Gerais Centrais de Coimbra
(HUC e Covões) trabalhavam a par e em complementaridade (incluindo
na pandemia covid-19),
quer em áreas só existentes
num deles quer em áreas
comuns, com enriquecimento de conhecimentos e
progresso clínico e científico, e em que a concentração de escolas de saúde, de
hospitais e de laboratórios
de investigação, interagindo em proximidade,
traduzia a essência duma
cidade universitária e sua
diversidade”.