O mundo que temos é este em que vivemos. Portanto: «não importa para onde tentamos fugir, as injustiças existem em todo o lado, o melhor é encarar essa realidade de frente e tentar mudar alguma coisa.» Por pouco que seja, sempre há-de contribuir para aliviar...
"Não será este prédio em ruínas, a cair aos bocados, situado numa zona nobre da cidade, mais ameaçador e perigoso para pessoas e bens, do que um freixo centenário que pretendem abater supostamente sem parecer ainda do ICNF?" Na Figueira, existem prédios em ruínas, há décadas, em algumas das zonas mais valorizadas da cidade. Exemplo disso é o edifício "O Trabalho". Isto é a demonstração do que tem sido o poder político na Figueira, nas últimas 4 dezenas de anos: fraco com os fortes e forte com os fracos. A questão, para os figueirenses é esta. Passo a citar o ex-vereador António Tavares, numa crónica publicada no jornal AS BEIRAS, na terça-feira, 11 de março de 2014. "... não conseguimos perceber como pode a Açoreana, empresa proprietária do chamado edifício "O Trabalho", fazer perpetuar e permitir a degradação constante do mamarracho que todos conhecemos, para mais situando-se numa zona nobre da cidade e de grande fluxo de turistas e locais..."
Carlos Monteiro afirmou que, na sequência do incêndio ocorrido no domingo no Cabo Mondego, na encosta sudoeste da serra da Boa Viagem, a autarquia deu instruções à Protecção Civil municipal para que, em futuras ocasiões, se “avalie o espaço previamente e, sempre que possível, acompanhe o lançamento de pirotecnia”. Sempre a correr atrás do prejuízo: “estamos a fazer um reforço da segurança”, disse o presidente. Recorde-se. O incêndio aconteceu num dia bastante quente, na encosta sudoeste da serra da Boa Viagem – uma das zonas mais sensíveis do concelho em termos de risco de fogo florestal – terreno de mato e canaviais, com o vento a soprar a 30 km... Porém, para o presidente da câmara, "o problema ali foi o sítio, aquele local não parece ter condições para o lançamento”. Governar é prever e antecipar medidas. Não é correr atrás do prejuízo. Na Figueira, neste momento, Carlos Monteiro é o rosto do verdadeiro Partido de Protesto Local, que é este PS no poder autárquico há 10 anos consecutivos. Isto é fácil de explicar: Carlos Monteiro, o ícone da superficialidade reconfortante da mediocridade da Figueira em que vivemos…, nunca vai executar as medidas que na oposição preconizou. Mais: nunca irá alcançar os fins que prometeu, quando era oposição. Veja-se, decorridos estes 10 anos, a falange de protestantes dentro do próprio Partido Socialista na Figueira, à política que o seu partido tem concretizado!.. Isto é fácil de explicar: é, ao mesmo tempo, uma esquizofrénica demonstração de fidelidade "canina" ao partido da "mãozinha" e, por outro lado, de contestação partidária ao mesmo partido da "mãozinha"!.. Entenderam? Claro, é tão fácil...
A democracia proporciona o debate livre de ideias. Resultante desse debate nascem as melhores decisões. Graças a esse debate os cidadãos escolhem os projectos que são melhores para o bem comum e os que melhor os defendem e são os mais capazes para promover o desenvolvimento colectivo. Quando a “democracia” conduz um concelho à situação em que se encontra a Figueira da Foz, em 2019, penso que devemos questionar-nos sobre a saúde da democracia na nossa cidade e no nosso concelho. Se a democracia escolhe os menos capazes, os mais irresponsáveis ou os que aplicam mal os recursos, é porque algo está mal. Poderão dizer que os que ganham com maioria absoluta são os que o povo deseja. Todavia, isso é muito questionável quando vivemos onde é imposto o silêncio a quem discorde. Estar ao lado dos poderosos traz vantagens e estar do lado da razão traz prejuízo. Quem não sabe viver em democracia recorre à intimidação. Os que exprimem opiniões incómodas são importunados. Ainda há poucos dias, no decorrer da apresentação do projecto do jardim municipal, aconteceu um "sinal menos para o Presidente, ia lançando piadolas enquanto uma munícipe apresentava o seu ponto de vista". Está a cair o verniz democrático: gente que anda armada em alta sociedade não sabe, afinal “comer à mesa” da democracia. Esta escalada de agressividade parece ter chegado também às sessões do executivo camarário e às reuniões da Assembleia Municipal, onde se procura silenciar a OPINIÃO da oposição. Tudo isto, porém, tem um lado positivo: coloca a nu o desespero de quem tem medo do debate democrático por já nada ter para se defender. Já agora. "Para que o exercício da democracia possa ser realizado correctamente é necessária a existência de cidadãos bem informados e, sobretudo, interessados nos assuntos da res publica. É este o papel reservado ao jornalismo, no seu todo, e em particular ao jornalismo de opinião uma vez que o artigo opinativo tem inerente uma vocação argumentativa e doutrinária cujo objectivo é o de originar na opinião pública reacções e argumentos que favoreçam os seus interesses.
É o género opinativo do jornalismo que coloca à disposição dos cidadãos-leitores diversos pontos de vista relativamente a um mesmo assunto, fazendo com o que o leitor se torne habilitado a discutir as temáticas mais relevantes para a opinião pública, tendo já uma posição tomada. A esfera pública torna-se mais rica e os seus membros mais participativos quando estes estão devidamente informados sobre as temáticas que, directa ou indirectamente, os afectam. Deste modo, quer o exercício da democracia quer os cidadãos se tornam mais completos."
Mais do que a incompetência, a falta de recursos, a desorganização ou a falta de preocupação doentia com a imagem, o que mais impressiona no casco velho da cidade, onde está a decorrer uma requalificação, é o desmazelo. Apostou-se na obra de fachada, gastaram-se os recursos com obras feitas a pensar nas inaugurações ou nas clientelas eleitorais, e despreza-se tudo o resto. As fotos ontem tiradas pela Isabel Maria Coimbra dão disso conta de forma explícita. Os sinais de desmazelo total são visíveis. Só não vê quem não quer. Abandono, tristeza e sujidade generalizada, mostram um "casco velho" emporcalhado, numa zona onde está a decorrer uma requalificação.
A leste do Parque Aventura mais uma urbanização a nascer... Como se já não bastasse a aberração e o crime ambiental de devastação do terreno para o Aldi... Faço minhas as palavras de Isabel Maria Coimbra: