segunda-feira, 24 de março de 2014

“louvor e simplificação de José Penicheiro”

Zé Penicheiro faleceu no passado dia 15.
Na altura Fernando Campos escreveu o seguinte:
E como o prometido é devido cá está o "depoimento que foi um pouco para além da ditirâmbica palermice circunstancial" do Fernando Campos (pode ser lido na íntegra, clicando aqui).
Termina assim.
“Quando o conheci, em 1981, trabalhei com ele em publicidade. Aprendi imenso (a relevância do seu contributo para a linguagem desta arte de comunicação dava para escrever um tratado, um capítulo à parte na sua vasta obra criativa (só semelhante ao de outro figueirense, Cândido Costa Pinto. Este até com obra teórica publicada sobre o assunto, embora nunca tenha exercido actividade na região). Mas em 84 (ou 85), quando trabalhei para ele - na impressão serigráfica dos seus trabalhos – já ele se dedicava finalmente, em exclusivo, à sua paixão de toda a vida, a pintura. Tinha mais de sessenta anos.

Numa idade em que a maior parte dos homens calça as pantufas e se senta ao borralho a olhar para ontem, Penicheiro preparava-se para começar outra vida. Criativa. E para consumar a sua obra – uma obra que teria, contudo, um carácter sempre reminiscente, também a olhar para ontem, numa espécie de interminável “Amarcord”.
Todavia, ao contrário de Fellini, não existe em Penicheiro o conflito, o pormenor, o improviso, a blasfémia, o humor (ou o sarcasmo), a revolta, a gargalhada, a obscenidade, a subversão, o grito.
Não há rostos, nem olhares, nem expressões na sua obra. Nem se vêem das mãos as linhas da vida, ou as unhas negras e as calosidades. Apenas vultos. Os homens, de chapéu; as mulheres, de lenço na cabeça, sempre curvada. Tudo sob um manto intrincado de manchas opacas, numa densa bruma esquartejada de harmoniosas decomposições tonais atenuadas. E uma indelével impressão de nostálgica e solene mansidão resignada.
Penicheiro não pinta o que vê, pinta o que viu. Ou melhor, a impressão com que ficou.

Foi esta visão sentimental, silenciosa e velada pela distância do tempo que talvez tenha tranquilizado os novos (e até os velhos) burgueses. A-do-ra-ram. Penicheiro tornou-se mesmo o artista mais premiado e homenageado  pelos “clubes de serviço”.  Arrematavam tudo, em alegres e selectas jantaradas. À peça ou à molhada.
A consagração popular veio depois, naturalmente. O povo, como é sabido, aplaude sempre os vencedores.


Porém, a coroa de glória de Zé Penicheiro, a verdadeira consagração, surgiu já quase no fim da sua vida (e carreira, que os artistas trabalham sempre até ao fim), em 2004: a encomenda de um mural monumental pela Universidade de Aveiro, para comemoração dos seus trinta anos.
Nada mal. Para um homem que se tinha feito a si próprio, que se gabava de nunca ter ido à escola e de toda-a-vida ter nutrido um sincero desprezo pelo conhecimento académico.”

domingo, 23 de março de 2014

Pedro Agostinho Cruz, um fotógrafo na Gala Figueira Tv (II)

III Gala Figueira Tv/ Fotógrafo Freelancer 2013, PEDRO AGOSTINHO CRUZ: “estou satisfeito por reunir quase 75 % dos votos na categoria para a qual fui nomeado. Obrigado a vocês!
Sei o que quero! Quero estar entre os melhores, e isto (ainda) não é aquilo que quero.
Obrigado pelo reconhecimento público do meu trabalho.”

Meu caro Pedro:
Quase 75%, já é alguma coisa... 
Parabéns "puto". Ficaste a saber como vai ser a tua vida: para conseguires estar entre os melhores, vais ter de de ser mesmo muito melhor.
Isso, vai dar-te muito trabalho...
Talvez melhor do que ninguém conheço a dimensão do teu sonho e, sobretudo, graças aos teus Pais, o que tens lutado por ele.
És um grande profissional, um grande trabalhador, um talento já reconhecido. 
Com a tua idade e na Figueira, "sem Pais ricos" (mas uns ricos Pais...) acredita, isso é quase um milagre ter acontecido...
Todavia, nunca te esqueças que estás em Portugal e na Figueira.
Em Portugal e na Figueira, quando havia dinheiro e trabalho, não havia tempo para ter filhos (a natalidade desceu com a melhoria das condições de vida - mas os teus pais fabricaram dois...); agora, quando não há dinheiro nem trabalho, não há condições para ter filhos (e temos cada vez mais cortes em tudo – até nos abonos).
Resumindo e concluindo: os filhos dos portugueses e dos figueirenses foram, portanto, um luxo dispensável.
Onde quer o palerma do teu tio chegar com isto, estás porventura a pensar com os teus botões?..
É simples: continua a trabalhar com o profissionalismo, a dedicação, a humildade e o talento que tens.
Porém, nunca te esqueças, que estás em Portugal e na Figueira, onde até os filhos foram um luxo dispensável...

“Puto”, a terminar, um grande abraço.
Ah, desta vez não te safas,  tens de pagar qualquer coisa...  
Um cafezinho serve. Vale?..

O que é que eu iria fazer com 45% de votos?..

Não ganhei nem perdi... Fiquei na mesma!
Hoje,  já é outro dia.
Logo mais, levantar e almoço...
Ao contrário do que muita gente pensa, sou um gajo fácil de contentar e um democrata de mão cheia...

Bom domingo

sábado, 22 de março de 2014

A verdade incomoda...

E um blogue que fale a verdade deixa de ser blogue político...
Porque poucos  votam nele.

Cada um (os que ao longo de quase 40 anos têm votado nos partidos do “arco do poder”), tem o Gaspar que merece...

Óscar Gaspar,
 o Gaspar do PS

“Começa a ser evidente que o país tem um problema com os Gaspar, depois de nos termos livrado mais ou menos do Gaspar do Passos Coelho, eis que agora temos de aturar o Gaspar do Seguro, o primeiro cortou a torto e a direito nos funcionários públicos, o segundo diz que gostaria de repor o que ganhavam mas não será possível. Isto é, o Gaspar do Seguro acabou por dar razão ao Gaspar do Passos Coelho.”

Vitupério, prosápia, alarde ou presunção?..

“O poder, todos os poderes são natural e inelutavelmente o alvo da crítica, pelo que fazem (mal) pelo que não fazem (bem) e pelo que deixam de fazer.
Arriscaria dizer que a crítica seria afinal um factor também de construção, estímulo e desafio ao (bom) desempenho do poder. Só a critica com este sentido me importa, ressalve-se.
Mas o que por regra se constata é que o poder, todos os poderes, até o poderzito local (cujos titulares se acham grandes, enormes até) convivem mal com a crítica.
E quando a máquina da propaganda oficial não chega há que explorar outras vias aptas a abafar a crítica.
Não me surpreendeu por isso que os “escribas oficiais do reino” se desdobrassem por aí, digo, por aqui em escritos de louvor ao exercício autárquico. Surpresa nenhuma pois tratando-se de assessorias remuneradas – essa praga que alastra, sem controlo, do poder central ao local – elas assim assessoram.
O que já me surpreendeu foi ler por aí, digo, por aqui textos de “ministros do reino” de louvor a obra própria, de inventariação de eventos que embora destinados ao público parecem ser do desconhecimento público (e da ausência de público!) e por isso carecem de publicitação mesmo que à posteriori.
E lá vem o auto elogio, nós fizemos isto, aquilo e aqueloutro e a conclusão isto é que é cultura, isto é que é poesia… isto é que é o nosso fado, acrescento eu. Pois é, elogio em boca própria é vitupério!”
Joaquim Gil, advogado, hoje no jornal AS BEIRAS.

Em tempo.
Esta elite intelectual que ascendeu ao poder na urbe nos últimos 5 anos, já deu para perceber,  é um magnifico exercício de análise de prosápia aplicada.
Moralmente, considera-se uma elite.
Superior, está bom de ver, pois os valores que se atribui a si própria, são os da cultura, da  probidade, da tolerância, da competência, da honestidade e da solidariedade.
Em síntese: a cultura do bem corre-lhe nas veias.
Mas, como diz o nosso povo, presunção e água benta, cada um toma a que quer.
Contudo, como água benta, porém, não rima com carnaval, ficamos recentemente melhor esclarecidos.
Parafraseando Idalécio Cação:
“Tanto que fazer / e nós aqui sentados.”

Publicidade...

Nice...

Jornal Público: "Chinês com visto gold detido em Portugal".

sexta-feira, 21 de março de 2014

Os "palhaços" também têm prazo de validade!..


A SIC decidiu não renovar o contrato com Mário Crespo, informou a estação de Carnaxide em comunicado.

Dia da Árvore

Numa actividade conjunta com a Junta de Freguesia de São Pedro e a Figueira Domus, os alunos, professores e auxiliares da EB1 de Gala foram plantar, no Bairro Social da Cova Gala, um conjunto de árvores para comemorar desta forma do Dia da Árvore, que hoje se celebra.

daqui

Em dia dessa cena marada, chamada de poesia...


Neste país em pousio,
onde reina “o salve-se quem puder”,
em dia dessa cena marada
chamada  de  poesia,
deparo com cada barretada!..
Tem mais força o pentelho de uma mulher,
por exemplo, da ministra da economia,
do que um cabo para amarra de um navio...

Zé Penicheiro

“Hoje, 17 de Março, foi a enterrar na Figueira da Foz, com 92 anos, o Zé Penicheiro. A sua obra, o modo como se desenvolve traduz um diálogo com a matéria. O artista vai às suas raízes, à vida vivida ao corpo e ao espaço do olhar, para os interpretar. Assim nasceram os seus trabalhos, sínteses de um tempo. Daí uma primeira fase, “caricatura em volume” rapidamente ultrapassada pelo realismo, pela memória “neo-realista”. Depois, ergueu os seus “cenários”, novas construções dotadas de uma dimensão funcional cubista, revivendo o real. Foi um memorialista, um moralista comprometido. Recorda, faz-nos recordar arquétipos, actividades esquecidas, lugares perdidos no tempo.
Numa pureza estética patente, marca da sua obra. Compromete-se. Está do lado dos mais fracos, do povo. Retrata-os, mostra-os, como se de uma “missão” se tratasse. Obrigação de retorno às origens, uma forma talvez de pintar a saudade.
A arte do Zé não esquece os lugares: a infância, as praias, as planícies, os estaleiros, a serra, o mar, as cidades da sua vida. É um diálogo constante na sua obra, “O Pátio das galinhas”, “Buarcos, a boneca na praia”, “Margens do Mondego”, “Feira numa manhã fria”,“Bouquinistes de Paris”,”A Casa dos Bicos”, e tantos outros, trabalhos identificadores da essência do seu mundo. Um grande abraço de até sempre, velho amigo.”


Crónica de António Augusto Menano, escritor, no jornal AS BEIRAS.

“PS admite que não será possível repor salários e pensões de 2011”

Eu não vi, nem ouvi, mas sei, porque li, que o presidente Cavaco falou recentemente aos portugueses a propósito das eleições para o Parlamento Europeu. Disse-lhes para se portarem bem. Nada de “troca de acusações e ataques“. Nada de “crispação“. Porque essas porcarias podem estragar os “entendimentos” futuros...

quinta-feira, 20 de março de 2014

E esta?..



Para já 74 portugueses + 74 estrangeiros = 148!.. E agora?

"São 74 economistas estrangeiros que agora se vêm juntar às 74 personalidades portuguesas que, na semana passada, publicaram um manifesto a defender a reestruturação da dívida pública nacional. São economistas, muitos com cargos de relevo em instituições internacionais como o FMI, editores de revistas científicas de economia e autores de livros e ensaios de referência na área. 
Estes economistas assinam um documento – com um conteúdo muito semelhante ao manifesto promovido por João Cravinho – intitulado “Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade”, no qual manifestam total concordância com o documento subscrito por vários políticos portugueses (de Manuela Ferreira Leite a Francisco Louçã), empresários, sindicalistas, académicos e constitucionalistas", segundo o Público

Em tempo.
Texto e signatários aqui.

Hoje, 20 março, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, realiza-se a apresentação pública da «Antologia de Poetas Figueirenses 1875-2013»


Há dias assim, felizes...