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sábado, 2 de maio de 2026

Ontem, milhares celebraram o 1º de Maio por todo o País contra proposta de pacote laboral

Nas comemorações realizadas em Lisboa, o líder da CGTP-IN, Tiago Oliveira, afirmou que "a principal reivindicação é a rejeição total dos trabalhadores ao pacote laboral", sustentando que passados noves meses o conteúdo da legislação de alteração à lei do trabalho continua igual. "Sabemos que esta luta é prolongada , porque é um Governo que não vive as dificuldades de quem trabalha, não sabe qual a realidade da maioria dos trabalhadores e está de mãos dadas com a maioria dos patrões e tudo quer fazer para levar a cabo uma reforma laboral que é extremamente penalizadora para os trabalhadores", disse, avançando que por isso a CGTP vai hoje anunciar uma greve geral para 03 de junho para "dar continuidade a esta luta". 



quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ana Abrunhosa pede desculpa “por momento infeliz”

Via Diário as Beiras
«A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, pediu hoje publicamente desculpa, em sede de Assembleia Municipal, à Agência Lusa e ao jornalista João Gaspar pelo momento que classificou como “infeliz”, referindo-se às suas declarações proferidas na reunião de câmara de Coimbra, a 10 de abril.
“Quero aqui reafirmar o nosso compromisso de total respeito e abertura no relacionamento com os profissionais da Agência Lusa. Já falei por telefone com a diretora da Lusa, Luísa Meireles, e pessoalmente com o jornalista João Gaspar e tive a oportunidade de me desculpar por um momento infeliz, que não se voltará a repetir”, esclareceu Ana Abrunhosa.
A autarca pediu ainda aos deputados municipais, com base no trabalho dos “poucos e intensos” meses de governação, o “benefício da dúvida”

terça-feira, 28 de abril de 2026

Memória: "o mais talentoso torturador da PIDE mal sabia ler"

Entre a classe dos pobres - na qual me incluo - viver entre a raiva dos humilhados e o medo dos oprimidos e a ignorância cultivada, tão conveniente a todos os regimes autoritários, não pode justificar todos os "cheganos" desta vida.
Os pobres de todas as idades, tiveram uma janela de oportunidade a partir do 25 de Abril. Aos pobres de todas as idades que não viveram, ignoram ou desconhecem a realidade contada pelo Luís Osório neste postal do dia, não quero que passem pelo mesmo.
O dinheiro nunca deveria estar primeiro que os valores e a dignidade humana.
"1. Há precisamente 52 anos, no dia 24 de abril de 1974, na Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE, um homem sentia-se recompensado. 
Tinha subido a pulso. 
Uma vida de trabalho, de abnegação e de sacrifício pela Pátria. 
É certo que na vida nada é perfeito, o homem de que te falo estava apaziguado, mas ainda não se refizera da morte de Salazar, a figura que mais amara. 
2. Chamava-se Adelino da Silva Tinoco e nascera na aldeia de Arazede, concelho de Montemor-o-Velho. 
Abalou jovem para Lisboa onde entrou na PIDE para fazer o que fosse preciso. Tinha a 4.ª classe, mas era esperto. 
Tinha força bruta e ambição. 
Aprendeu o ofício com os mais velhos, mas rapidamente o aprendiz substituiu os mestres na arte de humilhar e espancar comunistas e subversivos.
3. Tinoco era baixo e a sua cara transformava-se nos interrogatórios. 
Não fazia distinções entre homens e mulheres, adorava rebentar a arrogância das comunistas como Conceição Matos a quem proibiu de ir à casa de banho durante vários dias, a quem espancou deliciado, a quem humilhou chamando agentes para a verem despida e suja. 
4. Não penses que era um bárbaro. 
Tinoco mal sabia ler, mas admirava Silva Pais e Barbieri que cheiravam bem, que vestiam bem, que eram de boas famílias. 
Queria ser como eles, dar aos seus a oportunidade de serem distintos. 
Chorou baba e ranho quando foi condecorado em São Bento. 
Pagava o almoço aos mais novos quando o dinheiro se acabava no final do mês. 
5. Considerava-se uma boa pessoa. 
Ia à missa. Comungava. 
Dizia o Pai Nosso e o Credo. Gostava de queimar velinhas em Fátima. Tanto como gostava de rebentar à porrada traidores de Salazar. 
Tirava-lhes as unhas, apertava-lhes mamilos, batia-lhes onde mais doía, era catedrático na máquina de choques elétricos, na tortura do sono, na estátua. 
Ia às lágrimas de tanto rir quando fazia sons que enlouqueciam presos depois de quatro ou cinco dias sem dormir.
6. Tinoco era perfeito.
Mal sabia ler, mas conhecia tudo sobre o sofrimento.
Era o mais competente dos que torturavam, o que mais confissões arrancou.
E no dia 24 de abril de 1974, há precisamente 52 anos, estava contente no seu gabinete na Rua António Maria Cardoso.
Tinha estatuto, fora nomeado inspetor-adjunto no ano anterior, sentia-se recompensado e retribuído pela vida.
Pela sua cabeça não passou a estranha e extravagante ideia de que, no dia seguinte, o seu mundo colapsaria."

"Empreitada começou ontem, custa 400 mil euros e tem um prazo de execução de seis meses"

«Foi assinado ontem o contrato de consignação da empreitada para a substituição das infraestruturas de águas e saneamento na rua Direita do Monte, na Baixa da cidade da Figueira da Foz. 

Os trabalhos começaram de imediato, com sondagens e outros preparativos. A obra foi lançada com um orçamento de 398.793 euros e um prazo de execução de 180 dias. Os trabalhos decorrerão ao longo de 300 metros, com início na zona junto à praça 8 de maio. O Município da Figueira da Foz assume cerca de 280 mil euros e o restante é da responsabilidade da Águas da Figueira, concessionária das redes de água e saneamento do concelho. 

A cerimónia foi presidida pelo presidente da câmara municipal, Santana Lopes, na qual também participaram responsáveis da Águas da Figueira e da construtora Marsilop. 

As atuais infraestruturas são obsoletas e foram construídas em ferro e fibrocimento. Por outro lado, as águas residuais domésticas partilham a conduta com as águas pluviais. A empreitada serve para separar as águas e instalar redes com materiais modernos e duradouros. “[Esta é] mais uma obra do plano de investimentos da Águas da Figueira”, frisou o diretor geral da empresa, João Damasceno, na sua intervenção. E realiza-se numa “zona muito sensível”, destacou, tendo em conta a antiguidade e as caraterísticas urbanísticas daquela zona da cidade. 

A rua Direita do Monte era a entrada da cidade, segundo registos do século 16. Daí ter estado vários anos em estudo, por parte da Câmara da Figueira da Foz e da concessionária. A empreitada tem acompanhamento arqueológico. 

Para o vereador da Câmara da Figueira da Foz com o pelouro das Obras Municipais e do Ambiente – Santana Lopes não usou da palavra - , aquela é “uma pequena obra, mas com grande importância”. E, destacou, já devia estar feita, uma vez que estava previsto arrancar no anterior mandato autárquico. “Foi sempre adiada”, frisou Ricardo Silva. Entretanto, adiantou Ricardo Silva, está a ser estudada uma intervenção semelhante na vizinha rua 10 de Agosto, onde também serão criadas condições para pessoas com mobilidade reduzida poderem circular em segurança. “[Aquela obra] requer mais trabalho”, indicou o autarca. 

Por sua vez, o início das obras da rua da Liberdade, já adjudicadas, foi adiado para 1 de setembro, para não afetar o turismo durante o verão e os diversos eventos programados para o areal urbano em plena época alta.»

Reunião da Câmara da Figueira da Foz que foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho prossegue hoje

A partir das 11 horas continua a reunião de câmara que foi interrompida no passado dia 23

Recorde-se que a autarquia da Figueira da Foz suspendeu a sessão de Câmara - na qual esteve ausente o presidente Santana Lopes - para reorganização da agenda de trabalho, após vários pontos terem sido retirados. 
Antes da suspensão da reunião, a vice-presidente Olga Brás, que conduziu a sessão, já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.
Por sua vez, a vereação do PS pediu a retirada da ordem de trabalhos da reunião de câmara a apresentação e votação das contas da câmara do exercício de 2025, alegando que o executivo camarário não enviou o dossiê, com mil páginas, com a devida antecedência, de oito dias. Ultimamente, aliás, destacou o vereador João Paulo Rodrigues, “a documentação não tem chegado a horas para as reuniões de câmara”
A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Olga Brás (FAP), que, na ausência de Santana Lopes na sessão, assumiu funções presidenciais, atendeu à proposta do principal partido da oposição.
A Ordem de Trabalhos para a reunião que tem início pelas 11 horas de hoje, pode ser consultada aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

25 de Abril: a Festa na rua é para quem ama a liberdade

Na Figueira da Foz, cidade maravilhosa, de carnaval em Abril, mas também de grandes tradições democráticas e de Manuel Fernandes Tomás, "O Patriarca da Liberdade" e da consciência cívica que, pelos vistos ficou perdida no tempo,  as Comemorações do 25 de Abril de 2026 promovidas pela autarquia ficaram reduzidas a isto.
"A sessão extraordinária da Assembleia Municipal (AM), comemorativa do 52º aniversário do 25 de Abril, que decorreu ontem pelas 10h30 no Centro de Artes e Espectáculos, contou com as intervenções do orador convidado, o professor e historiador Miguel Cardina, e do representante da Associação 25 de Abril, Coronel Gois Moço. Deu voz aos representantes de todos os partidos e movimentos de cidadãos com assento na Assembleia Municipal, bem como ao presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes."

A música e o 25 de Abril sempre andaram de mãos dadas.
A celebração do 52.º aniversário da Revolução dos Cravos fez-se de norte a sul do País este fim de semana e, entre as diferentes actividades, houve vários concertos para assistir. 
Mais: muitos deles foram ao ar livre e com entrada gratuita.
Na Figueira, onde se realizam concertos com entrada gratuita por tudo e por nada (até numa noite gélida do final de Novembro, na praia...), as comemorações do 25 de Abril deste ano limitaram-se ao formal, a que já praticamente ninguém liga.
Nem a considerada "intensa" (segundo a publicação do Município da Figueira da Foz) intervenção de Balbina Oliveira, do Chega, foi novidade na cerimónia realizada no CAE no sábado passado.
  
Se a Câmara Municipal da Figueira da Foz quisesse que o 25 de Abril fosse festa, entre nomes consagrados, novas vozes e projetos mais alternativos, teria encontrado opções para todos os gostos. 
Tal não aconteceu em 2026. Fica o registo para memória futura.
Numa terra em que é sempre carnaval, não deve ter sido por falta de dinheiro, que foi reirada a componente popular das comemorações.
A alegria que o 25 de Abril trouxe ao Povo Português é o simbolismo da data.
 
Nada disto acontece por acaso.
Há uns anos havia um certo pudor. Mas, os tempos estão a mudar, o que facilita o reescrever a história.
Não vai ser tarefa fácil. 
O 25 de Abril de 74 é o dia mais importante da nossa história contemporânea. É o dia em que nos libertámos de uma ditadura e iniciámos o caminho para vivermos numa democracia.

Vivi 20 anos em ditadura.
A quem anda desalentado com o rumo que as coisas tomaram, apenas tenho a dizer que não há nada pior do que viver em ditadura. 
Quem sonha com esses tempos, das duas uma: ou não os viveu ou era beneficiário do regime. 
Pode haver fachos no parlamento, nas câmaras e assembleias municipais e nas juntas de freguesia, mas a rua (como se viu há dois dias) estará sempre do lado da democracia, da liberdade e de quem foi torturado e assassinado para que hoje se possa dizer isto, sem medo de ir preso.

Abril não falhou. 
Abril terminou com a ditadura.
A minha geração é que falhou. 
Ao mesmo tempo que permitimos que o nosso país se arrastasse na pobreza, nos baixos salários, nas falhas da saúde e da habitação, colocámos com o nosso voto gente a governar que se tornou milionária. 
"Nós, com o nosso voto, é que permitimos e levámos ao poder gente como o Sócrates, o Montenegro, o Passos, o Durão, o Vara, o Relvas, o Ventura e demais trafulhas.
Nós é que assistimos, de braços cruzados, à construção de mais autoestradas e IPs, enquanto a cada Setembro as escolas não arrancam por falta de professores.
Nós é que apoiamos guerras, do Iraque ao Irão, de Gaza a Kiev, sem percebermos que a fatura chega sempre aos países pobres. 
Nós é que desvalorizamos a necessidade da educação e a luta por condições de trabalho. 
Nós é que vemos o país a ser vendido ao retalho, desde os sectores estratégicos até aos prédios absorvidos por fundos imobiliários.
Nós é que demos votos a gente como o Cavaco ou Marcelo, que nos garantiram a solidez do BES, do BPP ou do BPN, dias antes de nos virem apresentar a conta pelas falências. 
Assistimos, impávidos e serenos, a 50 anos de decisões erradas, apostas em falso e a uma gestão interminável de fundos europeus. Pouco ou nada se fez para crescer, inovar, ser autónomo financeiramente."

Em 2026, 52 anos depois de Abril, estamos há quatro décadas na UE, mas continuamos a ser dos mais pobres desta "união".
Os que adquiriram melhor e maior formação emigraram.
Os mais velhos esperam.
Pela morte, claro, mas antes em cada verão que se aproxima, por nova enchente de turistas. 
E "lá vamos cantando e rindo, levados, levados, sim".
Em 2026, vivemos num País onde 20% dos eleitores votam num partido que admira os feitos da ditadura.
O governo, para sobreviver, segue as políticas ditadas por esse partido.
 
Contudo, Abril continua a ser o dia que nos devia fazer pensar e acordar para a vida.
Viver em liberdade dá trabalho e nunca foi "um direito adquirido".
A liberdade vive dias difíceis, mas quem a ama não desiste.
Por isso, é que quem não gosta dela assim tanto, evita a festa da liberdade na rua.

domingo, 26 de abril de 2026

LEITÃO AMARO O SUPERMINISTRO DA COMUNICAÇÃO

Trecho de um trabalho da jornalista Margarida Davim publicada na Revista Visão, que merece ser lido com atenção.

«É um dos principais estrategas políticos do Governo, tem poder de veto sobre agendas públicas e entrevistas de ministros e vai ter acesso a uma ferramenta digital para saber o que pensam os portugueses nas redes sociais. Mas tem guerras duras e dossiers que queimam na RTP, na Lusa e na distribuição de jornais e revistas.

“Leitão Amaro tem um poder enorme. O primeiro-ministro ouve-o mais do que a Hugo Soares”, garante uma fonte do Governo, explicando que não há saída pública, conferência de imprensa ou entrevista de um ministro que não seja antes validada pelo ministro da Presidência. Este poder tem mesmo relegado para segundo plano o responsável pela Comunicação do Governo, Pedro Esteves, cada vez mais entregue apenas à gestão da comunicação de Luís Montenegro e menos à coordenação política, que é agora acertada todas as semanas numa reunião conjunta dos assessores do Governo com a equipa de António Leitão Amaro. Conta quem está no Executivo que esse poder de Leitão Amaro foi crescendo ao longo do tempo, tendo começado a ser mais visível no auge da crise desencadeada pelo caso Spinumviva, que levaria à queda do primeiro governo de Luís Montenegro.

A forma como Luís Montenegro ouve Leitão Amaro dá-lhe poder, mas, segundo fontes do Executivo, também cria “alguma rivalidade” com Hugo Soares, o líder da bancada parlamentar social-democrata, secretário-geral do PSD e há muito visto como o verdadeiro braço-direito de Montenegro.

Tanto, que é Leitão Amaro quem decide que ministros devem ou não falar em momentos críticos e, conta-se no Campus XXI (a sede do Governo), que já chegou a cancelar uma entrevista que o ministro da Agricultura tinha marcada por entender que não era o momento para José Manuel Fernandes falar.»

Comparação e razão

António Barreto

"Apesar do digno comportamento de José Pacheco Pereira, a batalha das vítimas e das malfeitorias continua. As comparações propostas por André Ventura escondem mentira e manipulação, mas são eficazes. Sobretudo perante muitas gerações que não viveram as situações e os casos referidos. Poucas pessoas se lembram, a não ser por ouvir dizer, das prisões salazaristas, da tortura da PIDE, dos crimes da polícia política, da censura permanente, da vigilância e da coacção. Também poucas pessoas viveram a tragédia da descolonização, os saneamentos, as prisões sem mandato judicial, as expropriações ilegais, as ocupações arbitrárias e as violências revolucionárias de todo o tipo. Por isso, muitas vezes, é fácil e tem êxito a expressão desbragada de comparações, mesmo ou sobretudo das desajustadas. 
Não sei se André Ventura é mentiroso. Mas sei que tem jeito para a demagogia. Não se pode comparar dois anos de revolução com a esquerda ou a democracia. Como não faz sentido comparar dois anos de agitação com cinquenta de regime. Nem que se atribua à democracia o que aconteceu de negativo durante esse período. E também não é verdade que se esconda o que aconteceu durante os dois anos de revolução. 
Comparem-se cinquenta anos de democracia com outros tantos de ditadura salazarista. Todos os factos podem ser alinhados. Prisões, torturas, detenções, crimes, medidas de segurança”, censura, despedimentos e saneamentos, em poucas palavras, direitos fundamentais: faça-se a comparação entre períodos comparáveis. O resultado está aí. A superioridade da democracia é total. Nem três Salazares conseguiriam esconder a verdade, nem três Venturas seriam capazes de inventar factos. 
Comparem-se os dois anos de revolução, adequadamente designados por “processo revolucionário em curso”, com qualquer outro período de igual duração. As conclusões são evidentes: despedimentos, perseguições, saneamentos, expropriações, expulsões, violência prisional e tortura foram certamente em número superior e em gravidade maior do que quaisquer dois anos do período anterior, o marcelismo. O que só permite condenar a revolução, não a democracia. 
Pense-se na descolonização com o seu longo inventário de responsabilidades políticas e militares portuguesas, de desatenção aos portugueses abandonados e espoliados e de guerras civis que se seguiram nas colónias: políticos e militares dos últimos anos do Estado Novo, políticos e militares dos dois anos de revolução, sobretudo de esquerdas e de extrema-esquerda, são e foram responsáveis. A história já os culpou, a democracia também. Só a demagogia pode agora, para benefício próprio, tentar encontrar novos culpados. Não foi a democracia que fez a descolonização. Foi, isso sim, a revolução, com a ajuda da guerra colonial e do antigo regime. 
André Ventura sabe isto tudo. Mas a verdade interessa-lhe pouco. Gosta é dos seus efeitos pessoais e dos benefícios que pode recolher. Como sabe também que muitos dos tios ou avós do Chega pouco fizeram para dominar os revolucionários do PREC, antes tentaram o terrorismo e esforçaram-se por actos violentos iguais aos da extrema-esquerda. Foram os democratas, a democracia, as eleições e as instituições democráticas que derrotaram a extrema-esquerda, não foi a direita, muito menos a extrema-direita. Nunca se viram os antepassados do Chega, tanto nos anos 1960 como em 1975 e 1976, nas lutas pela liberdade e pela democracia. 
A melhor comparação faz-se em poucas palavras. A democracia deixa viver os amigos de Ventura e do Chega. Não é certo que os amigos de Ventura deixassem viver as esquerdas e os democratas. 
Não sei se André Ventura é ignorante e desonesto, nem sei se é irresponsável e provocador. Mas sei que não é estúpido nem democrata. As suas intervenções a propósito das malfeitorias da democracia, em comparação com as benfeitorias de Estado Novo salazarista, são risíveis, mas eficazes. O Chega de Ventura foi derrotado nas últimas legislativas, mas teve o talento de proclamar vitória. O Ventura do Chega foi derrotado nas últimas presidenciais, mas já fez com que esse exercício fosse transformado em etapa para a vitória.  
Mas a falta de sentido político e a tentação oportunista do PSD de Montenegro, assim como a inconsistência derrotada do PS ajudam o Chega, mostram uma estranha fraqueza da democracia e assustam! A democracia ainda tem meios políticos e legais para vencer o Chega e as suas tentativas antidemocráticas. Como ainda tem condições para afastar a extrema-direita e os seus esforços de restauração. Ainda. E ainda. Mas as suas possibilidades começam a diminuir. Ou antes, as ameaças aumentam. Se os democratas e as instituições nacionais e locais não conseguirem secar as fontes da demagogia, então podemos crer que os demagogos passarão. Como se faz isso? Dando o exemplo. Sendo honesto. Melhorando as vidas das pessoas. Fazendo justiça pronta. Cuidando da saúde pública. Dialogando sempre, a fim de conseguir maiorias de governo. Garantindo a estabilidade política. Trabalhando, em concertação, para a estabilidade social. Controlando melhor os movimentos de população, designadamente a imigração. Legalizando os trabalhadores estrangeiros, os que fogem ao fisco e os que aldrabam a segurança social. Lutando contra os empresários do trabalho ilegal. Nomeando professores a tempo e horas. Colocando médicos nos hospitais segundo as necessidades. Combatendo os crimes contra as mulheres e as crianças. 
Este é o catálogo. Longo. Complexo. Difícil. Por isso já deveriam ter começado, em vez de se dedicarem aos jogos florais das negociações ou ao simulacro do trabalho feito e do dever cumprido. Por isso também o diálogo sincero entre alguns partidos democráticos deveria estar adiantado, já próximo de acordos fundamentais. Podemos ter a certeza de que estes partidos não estão a destruir a democracia. Mas estão a deixar que a destruam. A presunção ardilosa do PSD e a superioridade fantasiosa do PS estão a fazer mal ao país e à democracia. Estão a deixar que os coveiros da liberdade se infiltrem nas instituições e se passeiem vistosamente pelas vielas da conspiração."

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Reunião de câmara ontem suspensa continua no próximo dia 28

Ontem, com Santana Lopes ausente, a reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, que presidiu à sessão, suspendeu a sessão, que será retomada no próximo dia 28, pelas 10H15. Em declarações aos jornalistas, Olga Brás esclareceu que tomou a decisão, com a concordância de todos, porque havia sido informada da ausência de Santana Lopes, “por motivos imponderáveis”, 10 minutos antes da reunião de câmara, não tendo tido tempo para poder analisar todos os assuntos da agenda. “Foi por uma questão de reorganização de agenda”, afirmou, da qual já haviam sido retirados vários pontos. “Há situações que requerem melhor ponderação”, frisou ainda a autarca da FAP.

Por sua vez, a vereação do PS pediu a retirada da ordem de trabalhos da reunião de câmara a apresentação e votação das contas da câmara do exercício de 2025, alegando que o executivo camarário não enviou o dossiê, com mil páginas, com a devida antecedência, de oito dias. Ultimamente, aliás, destacou o vereador João Paulo Rodrigues, “a documentação não tem chegado a horas para as reuniões de câmara”. A vice-presidente da Câmara da Figueira da Foz, Olga Brás (FAP), que, na ausência de Santana Lopes na sessão, assumiu funções presidenciais, atendeu à proposta do principal partido da oposição. Aquele assunto deverá ser debatido e votado no dia 28.

Imagem via Diário as Beiras.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Com Santana Lopes ausente, reunião da Câmara da Figueira da Foz foi suspensa para reorganizar agenda de trabalho

 Via Diário de Coimbra

"Antes da suspensão, a vice-presidente Olga Brás já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

A autarquia da Figueira da Foz suspendeu hoje a sessão de Câmara - na qual esteve ausente o presidente Santana Lopes - para reorganização da agenda de trabalho, após vários pontos terem sido retirados.

Antes da suspensão da reunião, que terá continuidade na próxima terça-feira, a vice-presidente Olga Brás, que conduziu a sessão, já tinha aceitado adiar a discussão e votação do relatório de contas de 2025 devido à entrega fora de prazo dos documentos aos vereadores da oposição.

“Propomos o adiamento da discussão das contas porque não tivemos condições para analisar o relatório, um documento com cerca de mil páginas que nos foi distribuído há quatro ou cinco dias quando deve ser com oito dias de antecedência”, alegou o vereador socialista João Paulo Rodrigues.

Posteriormente, e depois de justificar o envio tardio dos documentos com a “grande” pressão de trabalho e falta de recursos humanos no setor da contabilidade, a vice-presidente procedeu à retirada de mais sete pontos da ordem de trabalhos e suspendeu a reunião, justificando a decisão com a necessidade de “reorganizar a agenda”.

No final, em declarações aos jornalistas, Olga Brás disse que alguns pontos foram retirados “para melhor ponderação” e que “não se sentia confortável em continuar a reunião sem estar totalmente informada”

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento...

A Figueira continua a não ter dinheiro e precisa de investimento. 
E não existem, ou pelo menos não têm expressão, a nível local, investidores. 
Por isso, porque cá não há empresários com dinheiro que se veja, em princípio, é uma boa política que se faça captação de investimento e que haja qualquer coisa de atractivo para que isso aconteça. 
Ressalvando, porém, que não se acolherão foragidos e que a Figueira não será transformada numa lavandaria de dinheiro sujo.
O investimento de que a Figueira precisa é de investimento reprodutivo. 
Um bom investimento é aquele em que há criação de riqueza, criação de postos de trabalho, pagamento de impostos.
Como vimos no passado recente, vender casas a estrangeiros não foi um investimento do tipo dos que são necessários para ajudar o País a elevar-se. 
Neste caso, admitindo que se está a falar de gente honesta e que o dinheiro é limpo, recuperar património edificado pode ser positivo.
Recorde-se, porém, que o "visto gold" foi uma criação que fugiu ao controlo do criador -  Paulo Portas.
Por isso, a vinda desses "novos portugueses" só interessa se o que vier não for gente obscura, com dinheiro em notas dentro de malas, que usará o "visto gold" para poder circular livremente na Europa.

As doações à Cultura para obter vistos gold dispararam quase 300% e atingiram 46 milhões de euros em 2025.
Há milionários estrangeiros que estão a comprar a autorização de residência em Portugal doando dinheiro à Cultura. Em 2025, o montante que entrou no país cresceu quase cinco vezes. São sobretudo norte-americanos e chineses que recorrem a este expediente legal que garante o chamado "passaporte dourado".

É o maior investimento desde que o programa foi criado há seis anos. Trata-se de um crescimento de 298% em comparação com 2024. No ano passado, as doações de cidadãos estrangeiros para projetos culturais ultrapassaram os 46 milhões de euros, face aos 11 milhões do ano anterior.

Os dados são do Ministério da Cultura e revelam também que, devido a estas doações, foram emitidas 211 autorizações de residência para investimento. Em 2024 tinham sido 50. Na prática, basta doar 250 mil euros ou mais para poder ter acesso a estes “vistos gold”Segundo o Diário de Notícias, os cidadãos norte-americanos são os que mais recorreram a este regime, com 120. Os chineses ocupam o segundo lugar, com 70 doações. Seguem-se os indianos, com 30 vistos. Sete britânicos também fizeram transferências para a cultura portuguesa. Os paquistaneses, cinco. Turcos e iraquianos, quatro. O pódio termina com a obtenção de visto por cidadãos do Bangladesh, Irão e Jordânia.

Foram ainda feitas 36 doações, mas sem indicação da nacionalidade. Os "vistos gold" no imobiliário acabaram em 2023, ainda no governo de António Costa, mas permaneceram na cultura e na economiaÉ possível obter "vistos gold" através da criação de empresas que criem no mínimo 10 postos de trabalho ou transferências de capital de valor igual ou superior a meio milhão de euros. A investigação científica também está abrangida.

"O projeto elaborado pelo Município da Figueira da Foz para a reabilitação da Casa da Criança Infanta D. Maria tem por finalidade voltar a instalar no imóvel um jardim-de-infância, com capacidade para 75 crianças. A obra tem um orçamento inicial de 1,2 milhões de euros, que será candidatado aos Vistos Gold da Cultura. Segundo adiantou Santana Lopes ao DIÁRIO AS BEIRAS, a autarquia também pretende candidatar a reabilitação do Paço de Maiorca e do Palácio Conselheiro Branco àquela fonte de financiamento. São dois imóveis históricos municipais situados na zona histórica da vila de Maiorca."

Imagem via Diário as Beiras (para ler melhor clicar na imagem)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O pacote laboral e o dilema do chega... (II)

Ontem, publiquei esta postagem no OUTRA MARGEM.

"O "pacote laboral" desde Julho de 2025, que está a perturbar Portugal, principalmente o mundo do trabalho. 

Nessa altura,  o Governo apresentou um conjunto de mais de 100 alterações à legislação laboral. 
Segundo os sindicatos, todas elas visando a retirada de direitos laborais. 
Perante a gravidade de tais propostas, a CGTP e a UGT convocaram uma greve geral para 11 de Dezembro. 
Essa iniciativa foi massivamente participada. 
A seguir, o Governo e o patronato passaram a reunir só com a UGT. 
Até hoje nada foi assinado. 
O actual Presidente da República, vai intervindo no sentido da continuação das negociações para não ser confrontado com a necessidade de vetar a legislação por não ter havido acordo, conforme se comprometeu na campanha eleitoral. 
Perante este cenário, teremos o quê?
Uma nova greve geral? 
А passagem da legislação no Parlamento com o apoio do Chega, colocando a nu a demagogia mentirosa deste partido?

Hoje, li no jornal um texto de Ana Sá Lopes, no jornal Público que confirma as minhas duvidas. (para ler melhor clicar na imagem)

domingo, 19 de abril de 2026

O pacote laboral e o dilema do chega...

O "pacote laboral" desde Julho de 2025, que está a perturbar Portugal, principalmente o mundo do trabalho. 
Nessa altura,  o Governo apresentou um conjunto de mais de 100 alterações à legislação laboral. 
Segundo os sindicatos, todas elas visando a retirada de direitos laborais. 
Perante a gravidade de tais propostas, a CGTP e a UGT convocaram uma greve geral para 11 de Dezembro. 
Essa iniciativa foi massivamente participada. 
A seguir, o Governo e o patronato passaram a reunir só com a UGT. 
Até hoje nada foi assinado. 
O actual Presidente da República, vai intervindo no sentido da continuação das negociações para não ser confrontado com a necessidade de vetar a legislação por não ter havido acordo, conforme se comprometeu na campanha eleitoral. 
Perante este cenário, teremos o quê?
Uma nova greve geral? 
А passagem da legislação no Parlamento com o apoio do Chega, colocando a nu a demagogia mentirosa deste partido? 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

"Hoje o país está melhor e os portugueses também estão melhor"!.. - diz Montenegro...

Entre impostos e baixos salários, classe média perde força em 13 anos


"Portugal tem um retrato brutal de desigualdade. 1% concentra quase um quarto do património, enquanto metade da população sobrevive. A riqueza dispara no topo enquanto a maioria empobrece.

Há números que não permitem suavizações nem discursos moderados. Entre 2011 e 2024, Portugal não apenas falhou em reduzir desigualdades, aprofundou-as de forma significativa. Os dados mais recentes mostram um país onde a concentração de riqueza atinge níveis difíceis de ignorar: enquanto uma minoria acumula património a um ritmo acelerado, milhões de pessoas continuam presas a uma realidade de escassez, mesmo trabalhando todos os dias. Pelo meio, uma classe média cada vez mais pressionada sustenta grande parte do esforço fiscal e vê a sua estabilidade deteriorar-se.

Trabalhar e continuar pobre: a nova norma

Se a concentração de riqueza impressiona, os dados relativos aos rendimentos do trabalho revelam um país ainda mais frágil. Em 2024, cerca de 66% dos trabalhadores aproximadamente 3,9 milhões de pessoas - recebiam até mil euros brutos por mês. Na prática,  após descontos, isso traduz-se em cerca de 848 euros líquidos ou menos. Mais de um milhão de trabalhadores acumulavam dois empregos. A ideia de que o trabalho garante uma vida digna está cada vez mais distante da realidade. Trabalhar deixou de ser, para muitos, um caminho seguro para sair da pobreza e passou a ser apenas uma forma de a atenuar. A distribuição salarial reforça esta perceção: cerca de 195 mil trabalhadores recebiam até 600 euros, quase 289 mil entre 600 e 80o euros, e mais de 3,4 milhões situavam--se entre 801 e mil euros mensais. Após descontos, os valores disponíveis tornam-se insuficientes para cobrir despesas essenciais, соmo habitação, alimentação, transportes e energia."

Figueira da Foz de antigamente ganha vida em cartoon 3D

Exposição do arquiteto e cartunista José Carlos Ferreira evoca a memória das profissões e edifícios que marcaram a história do município.

"A exposição "Figueira em Miniaturas - Cartoon em 3D" da autoria do arquiteto e cartoonista José Carlos Costa Ferreira (conhecido como Zé Carlos), apresenta uma reconstrução histórica da cidade a partir de peças, construídas manualmente com base na experiência do autor. No espaço estão retratados edifícios emblemáticos, tradições locais e o quotidiano de outras épocas, fundindo o desenho tradicional com o volume tridimensional para preservar a memória coletiva da região.

O acervo destaca edifícios desaparecidos, como o Teatro Príncipe Dom Carlos, destruído por um incêndio, e zonas típicas como o Bairro do Vale. A obra recupera também tradições culturais e económicas, estabelecendo o contraste entre o passado e o presente através da Arte Xávega — outrora operada com bois e atualmente com tratores — e da representação de costumes como a Queima do Judas e o Banho Santo de São João.

Uma parte significativa do trabalho é dedicada à revitalização de profissões extintas ou em declínio que caracterizavam as ruas da Figueira da Foz. Entre as figuras representadas encontram-se o recoveiro, o amolador, o fotógrafo "à minuta", o vendedor de gravatas e a mulher das pevides. Além das ocupações, a exposição imortaliza personagens populares da cidade, como o Paulino e o Visconde, cujas histórias e humor faziam parte da identidade social local.

Atualmente patente no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, o projeto visa tanto a recordação para as gerações mais velhas como a educação dos mais jovens. O autor manifesta o objetivo de encontrar um espaço para uma exposição permanente, garantindo que o património histórico e as vivências da cidade sejam transmitidos e acessíveis."

Para ver a reportagem de Manuel Portugal e João Miguel Silva no Canal de Televisão CONTA LÁ, clicar aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Olga Brás foi nomeada vice-presidente da Câmara

Via Diário as Beiras: "Olga Brás ganhou prestígio autárquico já no anterior mandato, pelo seu desempenho nos pelouros que Santana Lopes lhe delegou, merecendo elogios públicos dos seus interlocutores institucionais. No atual mandato, o presidente da câmara voltou a confiar-lhe a Educação e Formação Profissional, a Saúde, a Habitação e os Assuntos Sociais. “É uma senhora com experiência nas coletividades, nas freguesias e conhece a realidade do município. É uma senhora de muita categoria, e isso é sempre, obviamente, muito importante”, frisou ontem Santana Lopes, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS.

 A insegurança inicial, própria de quem exerce um cargo pela primeira vez, foi sendo substituída pela visibilidade do seu trabalho, sobretudo nos pelouros de políticas sociais, granjeando reconhecimento público e afirmando-se como elemento de referência do executivo camarário."

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O que nunca desistiu

Luís Osório, escritor, jornalista e cronista

"...   na vida todos temos o nosso papel, até os que desistem à primeira contrariedade - enquanto estiverem vivos poderão sempre inverter o destino.

 Aplaudimos vencedores e esquecemos os que se transcendem para que a máquina funcione. Gente de trabalho, que dáo que tem, que é talentosa, que sobe montanhas sem aplausos e reconhecimento público."

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Política: "Se acabar a minha vida política como autarca, acabo muito bem"

A presidente da Câmara de Coimbra em entrevista à Renascença e ao Jornal Público, que pode ser ouvida na íntegra clicando aqui.
- Onde vê o seu futuro político? Acaba na política autárquica ou pode voltar para o plano nacional? 
- Quero ter vida própria, um dia destes. Já fui ministra, presidente da CCDR e agora autarca. Este é o trabalho que mais me completa. Se acabar a minha vida política como autarca, acabo muito bem. Num mês, a vida muda muito. 
- Não fecha a porta, então. 
- Não fecho aa porta a nada, mas o que está bem presente na minha vida é, depois desta missão pública, ter um bocadinho mais de tempо para a família, que também é muito importante.

A propósito de obras: pelo que o Município informa o sul do concelho está a mexer....

O Município da Figueira da Foz tem em curso diversas empreitadas nas freguesias a sul do concelho. Os vereadores executivos, Manuel Domingues, Ricardo Silva e João Martins, realizaram na passada terça-feira uma visita às obras para verem in loco o andamento das empreitadas em curso.

A saber: "rede viária nas freguesias de Lavos, Paião, Alqueidão (beneficiação do Beco dos Cabecinhos, Rua do Sol Nascente, Travessa das Pintas, Rua das Marrecas e Rua da Lagoinha - freguesia de Lavos; Rua da Serra – freguesia do Paião; Rua do Facho – freguesia de Alqueidão), obras que ascendem a cerca de 423 mil euros (IVA incluído). Na Marinha das Ondas, a instalação de saneamento nas localidades de Matas, Ciprestes e Serrião, um investimento de três milhões e setecentos mil euros, através das Águas da Figueira. Na freguesia de São Pedro está em fase final de construção a nova Unidade de Saúde Familiar, uma obra no valor de um milhão de euros, financiada pelo PRR.

A visita passou ainda pelo novo polo da Zona Industrial e Empresarial da Gala, concretamente pela empresa DST, que está a concluir os arranjos exteriores da unidade produtiva para construção modular, um investimento na ordem dos 25 milhões de euros, que vai gerar 120 postos de trabalho, estando a mesma já em plena laboração."
Via Município da Figueira da Foz, alguns registos fotográficos da visita às freguesias do sul do concelho.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Mau-Tempo

A leitura de Saramago e de todos os escritores que nos contam o que foi Portugal debaixo da ditadura é mais do que obrigatória. É vital para quem não quer ser parte de um rebanho.

Eduardo Dâmaso, Revista Sábado

Um dos livros mais marcantes - e belos - de José Saramago é Levantado do Chão. A saga dos Mau-Tempo repete-se infinitamente na pobreza e repressão do Estado Novo no Alentejo. Repete-se na realidade e na ficção de autores primordiais como Manuel da Fonseca, Régio, José Rodrigues Miguéis, Fialho de Almeida, Antunes da Silva, Urbano Таvares Rodrigues.

Saramago escreve, na sua fusão estética e literária entre o neorrealismo e o modernismo, com rara beleza, densidade humana e poética, sobre a luta de um povo para se libertar da fome, do autoritarismo, do Estado, da opressão dos latifundiários. Levantado do Chão é um livro obrigatório para qualquer português interessado em ser mais do que matéria-prima do algoritmo. E essencial para a aprendizagem da dignidade humana. Vital para quem não quer ser parte de um rebanho obediente. Tal como Cerromaior, ou a Seara de Vento, adaptados ao cinema pelo talento de Luís Filipe Rocha e Sérgio Tréfaut.

Em Cerromaior (1980), Luís Filipe Rocha dá uma lição sobre como a beleza de cada fotograma é indispensável para retratar o trabalho agrícola, a crueldade, a violência sobre as mulheres, a mesquinhez de um poder medieval. Livros e filmes mostram-nos muito do que existiu - e ainda existe - para lá de uma certa visão burguesa da realidade histórica, mas, sobretudo, da espessa cortina de fumo tóxico criada pelo mundo digital. O tal mundo das redes sociais, dos algoritmos, da ideia de que chegamos a tudo, que tudo nos chega num clique, das plataformas, da padronização do gosto, do maniqueísmo polarizador, da desinformação, da ausência de memória, da fuga a todas as formas de exigência na leitura, na aprendizagem e no enriquecimento cultural.

Nunca como hoje é tão ilusória a sensação de que sabemos tudo, ou quase tudo. De que o mundo está ao alcance da nossa mão. De que as redes nos levam a todos os cantos do mundo. Elas só são um bom instrumento de trabalho para quem possui, pelo conhecimento e cultura, a capacidade de validar o que lhe é servido no ecrã. Só esses, pelo pensamento analítico e crítico, pelas leituras exigentes, pela capacidade de alimentar uma autonomia intelectual, podem usá-las em proveito próprio. Todos os outros são apenas matéria-prima conduzida pelos engenheiros do caos, da manipulação e da desinformação. Por isso, Saramago, Miguéis, Manuel da Fonseca, Lobo Antunes, Carlos Vale Ferraz, Vergílio Ferreira são tão essenciais. Por isso é tão importante continuara fazer a pedagogia da sua leitura, nas escolas e fora delas, por todo o lado e em todas as gerações. Por isso é tão importante travar esta ideia absurda, por inaceitavelmente desvalorizadora, de que Saramago, sendo um escritor "de referência", como disse o ministro da Educação, Fernando Alexandre, está submetido a uma escolha de "dimensão puramente técnica", como também disse, para continuar ou não a ser leitura obrigatória para os alunos do 12º ano. Tratar a questão assim, como se fosse um tema administrativo ou burocrático, é um atropelo à cultura e a uma ideia de memória histórica e literária. Também ao autor, ainda hoje um espectro que incomoda demasiadas cabeças. Nunca foi tão importante ler e conhecer a história dos Mau-Tempo.