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terça-feira, 8 de setembro de 2026

São Julião cria Comissão Social de Freguesia

«Neste momento, ainda não há números sobre os potenciais beneficiários das ações da Comissão Social de Freguesia de São Julião, mas o presidente do executivo da junta acredita que serão “muitas dezenas”. Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, Manuel Rascão Marques ressalvou que “a situação social na freguesia de São Julião não é grave”. E elogiou: “A Câmara Municipal da Figueira da Foz tem feito um trabalho atento nessa matéria.

A Junta de São Julião constituiu uma Comissão Social de Freguesia, integrando diversos parceiros com atividade na cidade da Figueira da Foz. 

“O executivo da junta sentiu necessidade de existir esta resposta social. É necessária, pela análise que fizemos da situação da freguesia. São Julião é uma freguesia que tem muitos idosos, tem algumas pessoas carenciadas e tem alguns problemas sociais, quer de alcoolismo quer de pessoas que vivem na rua”, afirmou o presidente da junta de freguesia, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS. 

Para Manuel Rascão Marques, este é o momento de agir, antes que a situação social em São Julião evolua negativamente. “É uma situação que carece da nossa atenção, para evitar uma evolução negativa”, defendeu. 

A Comissão Social de Freguesia da São Julião pode iniciar a sua atividade após a tomada de posse dos órgãos sociais, liderados pela Junta de São Julião. A cerimónia realiza-se no dia 17 deste mês, pelas 21H00, na Assembleia Figueirense.»

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Trabalhadores da restauração e hotelaria em protesto amanhã

Via Diário as Beiras


«Os trabalhadores do setor da hotelaria e restauração vão estar amanhã em protesto na Figueira da Foz.

O Sindicato de Hotelaria do Centro realiza, a partir das 14H30, uma concentração junto a restauração do Bairro Novo, na rua do Casino, com afixação de faixas e distribuição de documentos à população. Uma hora depois, a concentração desloca-se para as imediações da Torre do Relógio. As iniciativas visam denunciar o bloqueio da contratação coletiva por parte das associações patronais do setor (AHRESP, AHP, APHORT, AHISA e AHETA), que recusam responder às propostas de revisão dos Contratos Coletivos de Trabalho apresentadas pelos sindicatos. Segundo o sindicato, este impasse mantém “centenas de milhares de profissionais a auferir apenas o Salário Mínimo Nacional”

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

As coisas chegam com atraso, mas acabam por cá chegar: Chega com vida difícil também na Figueira.

Na Figueira, mesmo em Agosto, nada já é como era. Com o emergente impacto da pressão política no poder pela extrema-direita e com as performances diárias dos seus protagonistas, a estação tonta passou a corresponder ao que aconteceu antes e vai acontecer depois do verão de 2026. As trapalhadas e as ameaças veladas estão aí para o provar...
Nuno Santos, presidente da Junta de freguesia de Maiorca, fez uma publicação no facebook. Os restantes autarcas do Chega reagiram com contundência ao “post” do presidente da Junta de Maiorca e distanciaram-se em absoluto dessa publicação.
“Fiquei desagradado”, afirma Nuno Santos na edição de hoje do Diário as Beiras“O que fiz foi demarcar-me de determinadas publicações e comentários feitos nas redes sociais com os quais não me identifico. Não ataquei ninguém nem coloquei em causa o trabalho político de ninguém. Infelizmente, a minha posição não foi bem recebida por algumas pessoas e houve reações que considero desnecessárias, algumas num tom de humilhação e desvalorização pessoal. Naturalmente, fiquei desagradado com a situação".
 Hugo Fresta, vereador eleito pelo Chega, considerou “lamentável que o presidente de junta tenha exposto a sua discordância sobre certas publicações sem sequer ter exposto essas discordâncias antes nos fóruns internos convenientes”. E concluiu: “O vereador e os deputados municipais do Chega não deixarão de continuar a fazer a sua oposição construtiva e responsável devido a pressões do executivo municipal sobre um presidente de junta”.
Contactado pelo Diário as Beiras, Santana Lopes optou por não reagir às afirmações dos autarcas do Chega acerca das alegadas pressões políticas de membros do executivo camarário sobre Nuno Santos.

domingo, 23 de agosto de 2026

Quando é para mentir ou fazer demagogia a direita não brinca em serviço

A direita mente sempre muito mais do que a esquerda. As marionetas dos partidos da maioria, lá estão para aplaudir e dizer que aqui e ali se avistam sinais de recuperação económica - algo que é nitidamente desmentido pelos números oficiais.
Entretanto, como não há eleições à vista, o combate às desigualdades, objectivo essencialmente coletivo, fica para mais tarde. Este Governo AD, está interessado é na individualização das relações de trabalho e da proteção social.

Imagem jornal Público

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Ontem a Praia da Tocha ficou mais pobre: "morreu um homem do mar vítima de um trágico acidente quando fazia aquilo que mais gostava”

A Praia da Tocha ficou mais pobre e de luto. 
Partiu um dos seus homens do mar. Um pescador, uma figura emblemática da Praia da Tocha e uma parte viva da história da Arte Xávega. 
José Maria Estrela, de 85 anos, foi a vítima mortal de um atropelamento que envolveu um trator de Arte Xávega. O acidente aconteceu ontem, ao início da tarde, no areal da Praia da Tocha.
"Com ele partiu muito mais do que uma vida. Partiram memórias de madrugadas junto ao mar, redes puxadas pela força dos braços, pedaços de redes que foram feitas e emendadas por ele, histórias contadas na areia, sacrifícios e uma tradição que estes homens souberam transmitir de geração em geração. 
Porque homens assim não pertencem apenas às suas famílias. Pertencem à memória de uma comunidade, à identidade de uma terra e à história de um povo. 
Ontem, a Arte Xávega perdeu um dos seus rostos e a Praia da Tocha uma das suas figuras."
Foto: Isidro Dias
A arte xávega é um dos mais antigos e característicos processos de pesca artesanal, em toda a faixa litoral.
Os seus elementos identificativos são inúmeros, começando pela embarcação – fundo chato, proa em bico elevado, decoração simples. Também a rede possui características próprias, sendo constituída pelo saco (onde se acumula o peixe) e pelas cordas, cuja extensão varia conforme a dimensão da rede e dos lances. A companha, variável, era, na generalidade composta por 8 homens: o arrais, à ré; 3 remadores no banco do meio, os "revezeiros", os que "vão de caras pró mar", 2 no banco da proa e outros tantos no "banco" sobre a coberta; embora esta disposição não fosse rígida, labutavam, tantas vezes estoicamente, num remar vigoroso e cadenciado, a caminho dos lances dos lances que lhe davam o sustento.
Noutros tempos, quando a pesca era sustento de muitas famílias, a chegada do saco a terra era saudada com entusiasmo, se vinha cheio (“aboiado”), ou com tristeza, se vinha vazio (“estremado”). O peixe era posteriormente tirado para os xalavares (tipo de cesto), a fim de se proceder à sua venda. A lota era na praia. A licitação do peixe era feita com o tradicional “chui” – sinal que o peixe foi arrematado pela melhor oferta.
A rede era, assim, lançada de acordo com os sinais de terra e mar, a cerca de 300 braças da praia e ocupando uma extensão de cerca de 200 metros de largura. Cada lance, tinha a duração de hora e meia para a permanência da rede na água, e meia hora para a alagem (puxar a rede). Na borda d’água, estavam os camaradas de terra, para o alar da rede. Com um ritual próprio, lento e cadenciado, dois “cordões humanos” puxavam as cordas dos dois lados – mão esquerda agarrada à corda junto ao pescoço, braço direito estendido.
Agora tudo é diferente e menos penoso.
Os remos, que davam andamento ao barco, foram substituídos pelo motor fora de borda. No areal, as redes vão sendo recolhidas com a ajuda de tractores. Antigamente este trabalho, penoso, estava reservado a junta de bois e aos homens.
Em condições por vezes bastante difíceis, estes antigos homens do mar, tentam amealhar alguns cobres que lhes melhorem a parca reforma que obtiveram depois de uma vida longa de trabalho e de sacrifícios noutras pescas e noutros mares.

Citando o Professor Alfredo Pinheiro Marques, um grande defensor e lutador desta causa, «a Arte de Pesca de Arrasto para Terra é um tipo de pesca muito específico, muito especializado e bastante diferente (pois, na sua aparente simplicidade, é muito mais heroico e muito mais difícil e perigoso do que julgam os que nada sabem de mar), e que por isso não pode ser comparado com qualquer outro tipo de pesca praticada em qualquer outro litoral oceânico do mundo inteiro. É mesmo muito diferente, e muito mais impressionante, em coragem e em esforço, do que os próprios modelos originais mediterrânicos da “Xávega”, islâmica, andaluza e algarvia, que lhe estiveram na origem há muitos séculos atrás, mas que entretanto já se extinguiram (ao longo do século XX), e que já não existem hoje em dia (no século XXI). A Arte de Pesca de Arrasto para Terra, característica dos litorais portugueses da Ria de Aveiro e da Beira Litoral (hoje, legalmente, dita “Arte-Xávega”), é uma arte que nos nossos dias ainda continua a ser praticada por muitas centenas de homens e mulheres, desde as praias de Espinho até à Praia da Vieira de Leiria, e actualmente com o coração na Praia de Mira (depois de, outrora, ter irradiado sobretudo a partir das praias do Furadouro, Torreira e Ílhavo), e é uma das realidades mais impressionantes, mais autênticas e mais simbólicas — e, por isso, mais importantes — daquilo que continua a ser, ainda hoje, Portugal: um país dividido entre o Passado e o Futuro, um país sempre adiado, e sempre sem conseguir descobrir o seu caminho, entre a tradição que não consegue manter e a modernidade que não consegue construir. Um país sempre mergulhado no seu subdesenvolvimento secular e na sua insustentabilidade económica. Mas que, nem por isso, pode ou deve sacrificar os mais autênticos e verdadeiros exemplos da sua identidade nacional e da sua cultura secular em nome de quaisquer cegas burocracias estatais normalizadoras, ou de quaisquer imbecis aculturações televisivas, ou de quaisquer bizantinismos “culturais” “modernizadores”, ignorantes das verdadeiras tradições e identidades locais.»
A arte xávega da Praia da Tocha foi distinguida em 2023 pelos Prémios Europeus do Património Cultural/Prémios Europa Nostra, atribuídos pela Comissão Europeia, ao abrigo de um projeto de investigação promovido pela Câmara Municipal de Cantanhede.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Pensões: para já, o Governo parece estar às escuras

Isto não deve estar famoso.
De forma fria, todos os governos têm apetência para privilegiar os pensionistas como estratégia política. Isso nunca vai mudar. Pelo que será sempre preferível um qualquer complemento extraordinário para tentar minorar o facto de existirem pensões de miséria do que aumentos absurdos de pensões. Os bónus acontecem quando as contas públicas os permitem, os aumentos são para sempre. Mas quando já nem os bónus estão no horizonte, algo terá de estar muito mal...
"Sem poder e sem querer abrir mão dos bons resultados na frente orçamental, o Governo pode estar sem qualquer margem para repetir o bónus extraordinário nas pensões".
«É verão, estamos em Agosto, mas este não costuma ser um mês completamente descansado no Ministério das Finanças. Os trabalhos preparatórios do próximo Orçamento do Estado já terão arrancado. Por esta altura, reúnem-se dados macroeconómicos e tendências que tentam antecipar para que lado as coisas estão a ir e saber o que se consegue fazer ainda até ao final do ano. 
O aumento extraordinário das pensões é um desses casos. Ainda não foi oficialmente afastada essa possibilidade - ainda ninguém disse "este ano não será possível" -, mas os sinais que se acumulam até agora indicam que este ano não vai acontecer. 
O primeiro sinal é uma questão de calendário. No ano passado, Luís Montenegro levou o anúncio para о debate do estado da nação. Foi a 15 de Julho. As certezas chegaram cedo.
Em 2026, a ideia ainda paira no ar - ao contrário do alívio no IRS, que já foi afastado -, mas faltarão certezas sobre a margem orçamental para um aumento extra nas pensões. Um dos sinais mais reveladores dessa falta de certeza é a ausência de comentário a alguns indicadores mais positivos que têm sido conhecidos. 
Os resultados favoráveis para o Governo sobre a evolução da economia e do mercado de trabalho no segundo trimestre, o primeiro conhecido na semana passada e o segundo nesta semana, não foram capitalizados pelo Governo. Capitalizar essas boas notícias poderia contribuir para criar uma narrativa de que as contas públicas estão com uma folga. É que mais crescimento significa mais receitas fiscais, e mais emprego (e menos desemprego) significa mais receitas de contribuições para a Segurança Social e menos despesa pública. 
Sabia-se desde o início do ano que o quadro orçamental de 2026 era mais exigente. Foi assumido um saldo nulo pelo Governo, sabendo que se for a défice terá de ser um défice pequeno - sob pena de Bruxelas ver problemas nas contas públicas nacionais - e a dívida pública terá de continuar a desenhar uma trajectória de descida. 
Esta semana, os números da dívida pública revelados pelo Banco de Portugal apontaram para uma deterioração. Luís Montenegro apressou-se a descansar os portugueses, garantindo que está tudo bem e que ainda haverá uma surpresa no final do ano. Sem poder e sem querer abrir mão dos bons resultados na frente orçamental, o Governo pode estar sem qualquer margem para repetir o bónus extraordinário nas pensões. Ou, pelo menos, não ver sinais para o garantir agora, preferindo esperar por mais informação.»

terça-feira, 21 de julho de 2026

Da série, Figueira cidade do espectáculo... (2)

Assembleia Municipal em sessão extraordinária. A política industrial e ambiental do concelho é um dos dois pontos da ordem de trabalhos...
"Depois de uma reunião de câmara extraordinária, na semana passada, realiza-se esta tarde, pelas 15H00, uma Assembleia Municipal da Figueira da Foz,igualmente extraordinária. 
Na agenda, a política industrial e ambiental do concelho e o Regulamento do Programa Municipal Habitar Figueira, temas coincidentes com a ordem de trabalho da referida sessão de câmara. 
Ambas as sessões surgem na sequência da aprovação, na Assembleia Municipal ordinária de 26 de junho, da moção da coligação Evoluir Figueira (BE, Livre e PAN) que recomenda o desmantelamento da unidade industrial Bioadvance, instalada na zona portuária. 
No início do corrente mês, o presidente da Câmara da Figueira da Foz adiantava que iria solicitar uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal. Em declarações aos jornalistas, à margem da reunião de câmara de 2 de julho, Santana Lopes avançou que pretende que os deputados municipais digam se “entendem que deve ser aplicada a todas as unidades industriais que tenham efeitos poluidores a mesma medida que querem aplicar para a Bioadvance”
Na reunião extraordinária de câmara, realizada no dia 14 de julho, na qual a Bioadvance voltou à colação, o autarca frisou que o objetivo do executivo camarário a que preside pretende promover “uma discussão serena” e “unir, tanto quanto possível, o concelho [e discutir] a verdade e não a ficção” em torno de questões relacionadas com a indústria e o ambiente."

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Desta é para voar....

Via Diário as Beiras
"O primeiro-ministro, Luís Montenegro, deverá presidir ao lançamento da primeira pedra da unidade industrial alemã Hennig na Zona Industrial do Pincho, junto ao nó de Quiaios da A17 e ao futuro aeródromo municipal. 
O DIÁRIO AS BEIRAS apurou que a cerimónia simbólica se realiza no próximo dia 23. 
A firma germânica irá fabricar peças metalomecânicas para centros de dados. Para o efeito, adquiriu todos os lotes do parque industrial. 
No total, serão investidos cerca de 50 milhões de euros e criados até 600 postos de trabalho. 
Entretanto, a empresa instalou um centro de formação em Santana, freguesia igualmente situada na zona norte. 
O presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes, adiantou esta semana que o investimento de cerca de 800 milhões de euros da Elyse Energy numa unidade de produção de combustível sustentável para aviões na Marinha das Ondas, na margem sul, foi contemplado com o estatuto PIN - Potencial Interesse Nacional."

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Iniciativa envolve comunidades de dois concelhos

 Via Diário as Beiras

Parceiros

 "O espetáculo “Estamos aqui – Alqueidão e Samuel – Da Idade do Ferro à presença muçulmana”, além dos promotores, as juntas das freguesias de Alqueidão e Samuel, a primeira da Figueira da Foz e a segunda de Soure, conta ainda com o Centro Cultural Desportivo e Recreativo de Moinho de Almoxarife como parceiro da organização. A peça tem criação e coordenação artística de Emanuel Rodrigues. O ator, encenador e produtor de teatro, natural do Alqueidão, tem estado envolvido em eventos promovidos pela autarquia alqueidanense com recriações históricas e etnográficas relacionadas com a freguesia."

Iniciativas paralelas

"A peça de teatro “Estamos aqui – Alqueidão e Samuel – Da Idade do Ferro à presença muçulmana”, programada para 9 de outubro deste ano, promovida pelas juntas das freguesias de Alqueidão e Samuel, terá um programa paralelo. A programação está a ser elaborada, sendo certo que incluirá, entre outras atividades, uma caminhada histórica e gastronomia. A esteia do espetáculo, frisa nota dos promotores, resultará de “vários meses de trabalho desenvolvido com a comunidade” e representará um “momento de celebração” da identidade, do património e da história de Alqueidão e Samuel."

terça-feira, 30 de junho de 2026

CENTRO DE RESPOSTAS INTEGRADAS (CRI)

As preocupações dos vereadores do PS

"Os vereadores do Partido Socialista foram contatados por Munícipes, preocupados com o possível fecho, a partir do dia 3 de agosto de 2026, do polo da Figueira da Foz do Centro de Respostas Integradas (CRI) de Coimbra, integrado no Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).

Assim, considerando que o fecho deste Centro seria muito negativo para o concelho da Figueira da Foz e demais concelhos vizinhos servidos pelo referido Centro, face ao importante trabalho que faz junto de uma população vulnerável, questionaram o Executivo Municipal sobre o assunto, na reunião de Câmara Municipal do dia 23 de junho.
A Senhora Vice-Presidente da Câmara Municipal, informou que o Executivo Municipal, tinha arranjado uma solução pare este Centro, no edifício das antigas instalações do Centro de Diagnóstico Pneumológico (BCG). Esta solução é obviamente bem-vinda, mas comporta preocupações ao nível da instalação do CRI – Figueira da Foz nesse edifício, pois o mesmo necessita de obras de reabilitação e adequação de vulto."
Foto Diário de Coimbra

Nota de rodapé
Segundo fontes contactadas pelo Diário de Coimbra "ligadas ao processo, que acompanham de perto a realidade clínica e as necessidades logísticas da unidade avançam,  o novo espaço é tecnicamente «inviável» para o serviço do CRI, que garante apoio clínico, psicológico e social a cerca de 600 utentes da região. «As novas instalações constituem um claro retrocesso na qualidade da assistência», lamentam. Além disso, dizem não entender esta escolha, já que várias instituições estiveram lá instaladas e acabaram por sair daquele edifício.

As mesmas fontes, que pediram anonimato com receio de sofrer represálias, apontam graves limitações no novo espaço, que se revela manifestamente insuficiente para assegurar a dignidade no atendimento aos utentes e a segurança no exercício das funções da equipa técnica. Segundo foi possível apurar, a infraestrutura em causa peca pela falta de espaço adequado para consultas confidenciais e apresenta uma degradação estrutural que coloca em causa o bem-estar diário de profissionais e pacientes do CRI.

«Estamos a falar de uma população vulnerável que necessita de um ambiente protegido e de privacidade. O espaço atual falha em toda a linha, criando também um ambiente de enorme desgaste para os profissionais que ali vão operar todos os dias», indicam estas fontes ao mesmo jornal, garantindo que esta mudança viola as diretrizes básicas de segurança no trabalho e humanização dos cuidados de saúde. Nesse sentido, apelam às entidades competentes para que seja feita uma auditoria urgente ao novo espaço antes que qualquer utente seja transferido.

Refira-se que o CRI da Figueira da Foz desempenha um papel fulcral no tratamento, redução de danos e reinserção de cidadãos com dependências na região. O processo de mudança tem gerado debate na comunidade local, dividida agora entre a necessidade de garantir assistência médica especializada e as preocupações com o impacto social da estrutura no tecido urbano."

domingo, 28 de junho de 2026

EMPREENDEDORISMO PARA INGÉNUOS...

Estudar para ser Ronaldo e ter de trabalhar nos limites até aos 40 e tal anos, dá muito trabalho....
Ainda havemos de chegar ao tempo  em que os putos aprendem empreendedorismo logo no ensino básico. E cursos de formação para astronautas no pré-escolar. E um curso para presidentes e vereadores de câmara em horário pós-laboral. 
Via Município da Figueira da Foz
"Sempre sonhou em ter o seu próprio negócio? Esta pode ser a oportunidade que esperava.

O Município da Figueira da Foz tem a decorrer o concurso público para a atribuição do direito de utilização de dois espaços destinados a cafetarias, na Praça da Europa.

Se tem uma ideia, vontade de empreender e pretende dar vida a um projeto num dos espaços mais emblemáticos da cidade, este desafio pode ser o ponto de partida.

Prazo para apresentação de propostas: até 7 de julho, às 17h00."

BioAdvance: Figueira da Foz anuncia investimento de 12 milhões de euros numa unidade de combustíveis

 7 de Junho de 2022, Jornal ECO

"Figueira da Foz vai receber uma nova unidade industrial de combustíveis avançados da empresa portuguesa BioAdvance, junto ao porto marítimo, num investimento inicial de 12 milhões de euros, anunciou hoje a autarquia.

A nova unidade industrial será das mais desenvolvidas no mundo na produção de combustíveis avançados, com poupanças estimadas entre 92 e 98% das emissões de CO2 (dióxido de carbono) comparativamente aos combustíveis fósseis usados no setor rodoviário, adiantou o município em comunicado.

O presidente da Câmara da Figueira da Foz considerou que a instalação desta unidade é uma grande prova de fé dos investidores, que acreditam que a situação no porto, na barra e também no rio, vai melhorar significativamente, porque eles precisam disso naturalmente para escoar os seus produtos”.

“Este investimento representa confiança na cidade e nos seus processos de decisão e funcionamento, com a expectativa dos investidores de que a situação no porto da Figueira da Foz melhore”, disse Pedro Santana Lopes, frisando que a nova unidade “poderá acarretar a vinda também das grandes empresas de combustíveis.

O autarca sustentou, no entanto, que é necessário o Governo, através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e dos ministérios do Ambiente e das Infraestruturas, avançar com as obras de desassoreamento da barra do porto, de forma a abrir “um novo ciclo.

“As pessoas têm de perceber que se a Figueira andar para a frente e contribuir mais para a economia e mobilizar investimentos, é bom para a economia portuguesa”, sublinhou.

Pedro Santana Lopes destacou que a nova unidade vai contribuir para o crescimento do produto da Figueira da Foz, da sua capacidade produtiva, do seu rendimento per capita, além de criar “mais emprego e emprego qualificado, nomeadamente na área da investigação”.

“Esta unidade terá uma grande componente de investigação na transição energética, que será muito importante. É uma notícia muito importante para a Figueira, pelo que motiva e mobiliza também outros investimentos”, sublinhou.

A empresa dedica-se ao biocombustível e terá capacidade para produzir 20 mil toneladas por ano, com possibilidade de expansão para 60 mil toneladas por ano, permitindo a Portugal “o cumprimento da Diretiva RED II no que respeita a combustíveis avançados”.

Segundo o município, a nova unidade estava inicialmente projetada para o concelho de Pombal.

“A Figueira da Foz ganha um dos maiores projetos a nível nacional para descarbonização de economia no setor rodoviário, realçou o município em comunicado.

Dentro de dois anos, o investimento projetado será de 47 milhões de euros, tornando-se num dos grandes operadores europeus na produção de combustíveis avançados.

Numa primeira fase serão criados 36 postos de trabalho, dos quais 18 altamente qualificados e, no final, prevê-se que a empresa crie mais de 100 postos de trabalho.

A fase relevante do projeto terá a ver com o desassoreamento do Porto da Figueira da Foz, que permitirá trazer ao Terminal de Graneis Líquidos “uma nova vida”.»

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Centro de Respostas Integradas na Figueira da Foz vai continuar em novas instalações

 Via Diário as Beiras

"O Centro de Respostas Integradas (CRI) do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) vai continuar a funcionar na Figueira da Foz, mas em novas instalações, garantiu à agência Lusa aquele organismo.
Em resposta escrita enviada à agência Lusa, o ICAD adiantou que, com a Câmara da Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, foi possível encontrar uma alternativa ao atual espaço, que foi vendido.
A partir de 03 de agosto, os serviços vão passar a ficar situados na Rua Vasco da Gama, n.º 124 A, na Figueira da Foz, no edifício do Centro de Diagnóstico Pneumológico, popularmente conhecido por BCG.
“O acordo entre ICAD e o município da Figueira da Foz foi alcançado na tarde desta última terça-feira, depois de terem sido realizadas reuniões e visitas de trabalho a espaços que se encontravam atualmente disponíveis na cidade”, refere a nota.
O ICAD sublinha que após o entendimento institucional “está garantida a continuidade de respostas a uma população vulnerável que necessita de apoio especializado em comportamentos aditivos, com ou sem substâncias”.
“Ao mesmo tempo, estão asseguradas, também, as condições e os postos de trabalhos dos membros da equipa de saúde”, acrescenta aquele organismo.
Além da Figueira da Foz, o polo do CRI abrange Cantanhede, Mira, Arazede, Montemor-o-Velho, Pereira do Campo, Soure e Tocha, no distrito de Coimbra, acompanhando cerca de meio milhar de utentes.
Os CRI têm capacidade de resposta de apoio clínico médico, de enfermagem, psicológico e social, com o objetivo da reinserção social e redução de riscos para os utentes e sociedade.
Na terça-feira, o PCP tinha alertado que a indefinição que pairava sobre o polo do CRI da Figueira da Foz podia colocar em risco a sua intervenção.
Segundo um comunicado dos comunistas, naquela data não era conhecida nenhuma alternativa ao funcionamento daquele centro, cujas instalações terão sido vendidas e obrigam a equipa de intervenção a sair até agosto."


segunda-feira, 22 de junho de 2026

A MIRAGEM DOS NOVOS CENTROS SAUDE NA FIGUEIRA DA FOZ! (2)

A propósito do comunicado do Partido Socialista sobre os Centros de Saúde a resposta de Olga Brás

"Há comunicados que são exercícios de oposição. E há comunicados que são exercícios de amnésia política. O comunicado do Partido Socialista sobre os Centros de Saúde do concelho da Figueira da Foz pertence claramente à segunda categoria.
Importa recordar aos figueirenses alguns factos que o PS convenientemente omite.
A transferência de competências na área da Saúde para os municípios ocorreu em abril de 2022. Até essa data, os edifícios e equipamentos em causa eram da responsabilidade da ARS Centro, entidade tutelada pelos governos socialistas. Durante anos, não foi preparado um único projeto, não foi submetida uma única candidatura ao PRR e não foi criada qualquer condição para a concretização dos investimentos que hoje estão em curso.
Foi este Executivo Municipal que recebeu as competências, assumiu as responsabilidades, preparou as candidaturas, articulou o processo com a ACSS e garantiu a obtenção dos financiamentos necessários para avançar com um dos mais significativos programas de investimento na área da Saúde alguma vez realizados no concelho.
O PS fala agora de atrasos e dificuldades, esquecendo-se de referir que os contratos de financiamento apenas foram assinados em julho de 2024, oito meses após a abertura do aviso de candidatura, já com um novo Governo em funções. Esquece-se igualmente de referir as exigências legais, os procedimentos do Código dos Contratos Públicos, os vistos do Tribunal de Contas e uma realidade que foi transversal a todo o país: concursos públicos desertos devido à escassez de empresas e ao aumento dos custos de construção.
Apesar de todas essas dificuldades, os resultados estão à vista.
O Centro de Saúde de Vila Verde encontra-se reabilitado. O de São Pedro apresenta uma execução muito avançada. A Unidade de Saúde de Buarcos está em obra. O novo Centro de Saúde de Tavarede iniciou recentemente os trabalhos. E as intervenções no Bom Sucesso e no Paião cumprem os procedimentos legais finais para o respetivo arranque.
Esta é a realidade. Factos. Obra. Investimento.
Aquilo que o PS hoje critica é precisamente o trabalho que este Executivo teve de desenvolver para recuperar o tempo perdido por quem, durante anos, teve responsabilidades governativas e nada deixou preparado.
Por isso, a questão que se coloca é simples: de que acusa afinal o PS o Município da Figueira da Foz? De estar a executar cerca de 54 milhões de euros de investimento financiado pelo PRR? De ter assumido responsabilidades que outros não assumiram? De estar a concretizar obras que durante anos ficaram apenas no domínio das intenções?
Os figueirenses sabem distinguir entre quem faz comunicados e quem faz obra. E sabem também reconhecer quem procura resolver problemas e quem apenas procura encontrar pretextos para esconder a sua própria inércia.
A realidade é teimosa: os Centros de Saúde estão a avançar. O resto é apenas retórica de campanha."

sábado, 13 de junho de 2026

Pobres, estrangeiros e bodes expiatórios

Via jornal Público
"Temos neste momento 159 milhões de pagamentos indevidos de prestações sociais, alguns decorrentes de fraude"
e o Rendimento Social de Inserção (RSI) tem um "tempo médio de cinco anos e três meses". "Com os dados que temos hoje, sabemos que cerca de 40% dos estrangeiros que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) não têm nem protocolos de cooperação, nem seguros." As duas frases foram proferidas no Parlamento por duas ministras do actual Governo. A primeira ontem durante o debate da Prestação Social Única (PSU) e a segunda em Fevereiro do ano passado, na Comissão Parlamentar de Saúde. 
As duas declarações têm em comum a vontade de alimentar divisões e distrair do problema de fundo. No primeiro caso, a divisão entre beneficiários e não beneficiários do SI. No segundo, entre utentes nacionais do SNS e estrangeiros. Os problemas de fundo? A mudança no tipo de pobreza que existe em Portugal e as dificuldades de prestação de cuidados de saúde por parte do SNS.
Contaminado pelo efeito do Chega, o Governo iniciou funções a demonizar grupos de pessoas - como se fossem os culpados dos problemas maiores do sector - e continua alegremente a fazer esse caminho. 
A ministra do Trabalho não ignora com certeza que o número de beneficiários do RSI tem vindo a diminuir nos últimos anos. 
Actualmente, há 160.279 beneficiários, que recebem, em média, 159,96 euros por mês. Por outro lado, a proporção da população empregada em situação de pobreza continua perto dos 9%, sendo uma percentagem muito significativa e que devia merecer especial atenção numa altura em que a perda de poder de compra dos portugueses se agudiza. 
A distorção do debate é de tal ordem que se esquece que na génese da PSU esteve uma sugestão da OCDE que apontava para a unificação das prestações não contributivas como o melhor caminho para o combate à pobreza. Sugeria a acumulação, durante um período de tempo, do apoio recebido com o salário, por considerar que essa situação é a que verdadeiramente ajuda as pessoas a transitar de uma situação de beneficiários para a vida activa. Algo muito longe da ideia do actual Governo de trabalho social. 
Todo o debate sobre estas questões de apoios sociais é mais complexo e tem mais variáveis do que aquelas que uma declaração como a da ministra Maria do Rosário Palma Ramalho encerra. Não é a dizer que as pessoas passam o dia no café e não querem trabalhar que se debate a sério seja o que for. Pode resultar nas reuniões entre o Governoе о Chega. Não resulta para medidas sérias para o país.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A PSU e a perseguição ideológica aos pobres

Via Público

"Incentivar o regresso destes beneficiários ao mercado de trabalho não se consegue com castigo ou com medidas repressivas. Não tenham dúvida: os números da pobreza e da exclusão social vão disparar."

Para ler melhor clicar na imagem

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Troiadelos...

Em 2017, em toda a costa figueirense, apenas uma pequena parte se mantinha razoavelmente incólume à pressão e especulação urbanísticas induzidas pelo turismo. 
Refiro-me, à faixa litoral a sul do Mondego, entre o Cabedelo e o Campo de futebol.
Era ainda possível aí fazer férias em comunhão com a Natureza e frequentar boas praias, sem os inconvenientes das urbanizações selvagens. 
Por conhecermos o triste destino da restante costa figueirense, devemos manter-nos atentos e vigilantes. 
Recordo que o Cabedelo nunca tinha tido Bandeira Azul. E bem. Era o único pedaço de Paraíso imaculado  da costa figueirense  que ainda nos restava.
Entretanto, algo mudou. Ficámos a meio caminho. Mas, o objetivo estava lá: quem não tinha categoria para usufruir dum espaço nobre foi para o olho da rua.
Agora temos aquela coisa deserta na maior parte do ano.
O trabalho que havia a fazer foi feito por um executivo de maioria absoluta do Partido Socialista.
E assim se foi abrindo o caminho ao Portugal/2026.
O texto acima não serve para nada. Foi apenas para chamar a atenção para texto "a praia dos ricos" de José Eduardo Martins, Advogado, ex-secretário de Estado do Ambiente, publicado no jornal Expresso.

"Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Há vinte anos, o litoral alentejano entre Tróia e Melides (sim, com a Comporta e o Carvalhal a ocuparem o meio) foi palco de uma operação cuidadosamente planeada para condicionar a fruição destes 40 quilómetros de costa. Sob a bandeira dos PIN (Potencial Interesse Nacional), grandes grupos imobiliários obtiveram de Pinho e de Sócrates a luz verde para urbanizações de enorme dimensão, erguidas numa das mais sensíveis áreas protegidas do país.
O argumento invocado foi sempre o mesmo, o do turismo de qualidade, do investimento estrangeiro e da criação de emprego. A alternativa óbvia: recuperar as áreas já degradadas ao longo da costa não permitia a entrada nos paraísos pristinos da zona.
Em vez disso, entrou-se de bulldozer pela área protegida adentro, a fim de cavar infraestruturas que viriam a ficar mais de uma década abandonadas. O que ninguém se deu ao trabalho de explicar foi aquilo que verdadeiramente se congeminava e agora se executa: uma fronteira invisível a separar os que podiam e os que não podiam ir à praia.
Falo disto com conhecimento de causa, pois tenho casa em Grândola há muitos anos e sou testemunha direta do que se foi passando. Como tantos outros, fui aos poucos perdendo a paciência para frequentar estas praias, não por falta de vontade, mas por acumulação de obstáculos, sendo o escândalo dos preços a face mais visível de uma atmosfera crescente de exclusão que metade da sinalética pelo caminho nem sequer se dá ao trabalho de disfarçar.
Essa fronteira tornou-se, nos últimos dois anos, escandalosamente visível.
Foi o Expresso quem primeiro o revelou, no ano passado, ao dar conta de que 80% dos acessos ao areal, nos 45 quilómetros entre Tróia e Melides, se encontravam condicionados ou bloqueados por empreendimentos privados.
As dunas, integradas no domínio público desde que D. Luís assim o determinou em 1864, encontravam-se fisicamente cercadas por propriedade privada, entre cancelas, muros e a estratégica ausência de caminhos públicos. A resposta do Estado revelou-se algo tímida, resumindo-se a sinalização obrigatória e a promessas de novos acessos.
Vieram depois os preços, com cafés a cinco euros, espreguiçadeiras a valores de resort na Côte d'Azur e produtos a quantias que excluem as famílias portuguesas de classe média, tudo isto numa praia pública, num bem do Estado. O Governo reagiu com uma portaria de preços máximos, medida necessária, mas insuficiente face à escala do problema.
Já agora, quando vos vierem dizer que sobre o concessionário recaem muitas obrigações (lembro que fiscalizar o cumprimento do acesso de todos os banhistas às suas casas de banho seria, garanto-vos, uma boa ideia), imaginem só que eram donos do único café da vossa terra…
Chegámos agora aos chapéus de sol, a propósito dos quais a APA se viu obrigada a emitir uma norma técnica para esclarecer que os banhistas podem colocar o seu próprio chapéu à frente das concessões. Uma norma a esclarecer o que a lei nunca tinha proibido, mas tristemente necessária porque a prática, tolerada, tinha criado a aparência de uma apropriação que a concessão obviamente não permite, mas que na areia funciona tão bem como uma cancela alta.
Sabemos, no fundo, o que verdadeiramente sucede, pois aqueles que pagam a espreguiçadeira a peso de ouro querem sentir-se nas Maldivas, já que são as Maldivas que pagam, e anseiam por afastar da vista os chapéus foleiros e as sungas do povo. Já aqueles que as vendem precisam de enxotar os pobres, e é mesmo disso que se trata, sob pena de se esvair a sensação de Hamptons e de se perderem as vendas dignas do Mónaco.
Desta vez, porém, a reação foi diferente, mais rápida, mais firme e mais definitiva do que nas polémicas anteriores, e nisso não deixa de haver significado. Parece que começamos finalmente a perceber quão intolerável é, no século XXI, que estes abusos continuem a verificar-se sobre um bem que pertence a todos os portugueses.
Três polémicas a obedecerem a uma única lógica, a da privatização silenciosa e gradual do maior areal português, levada a cabo não por decreto, mas por urbanizações aprovadas onde jamais deveriam ter existido, por concessões atribuídas sem acautelar o interesse público, por sinalética equivocamente conveniente e por décadas de não-fiscalização. A lei nunca cedeu porque o domínio público hídrico é inalienável e imprescritível. Quem cedeu foi a vontade política de a fazer cumprir.
O problema de fundo é o de que aquela faixa de litoral foi, de facto, entregue a um turismo de luxo que exclui os portugueses, e a sua superação exige a revisão das concessões, a abertura efetiva dos acessos e a coragem política de dizer com clareza o que aconteceu.
A praia é pública, sempre o foi, e está na hora de o Estado se mostrar mais forte do que as pífias elites que sempre encontram maneira de o convencer de que aquilo que é nosso lhes pertence."

A luta (tal como a incerteza que tem nome: Chega) continua

Dois dias depois da Greve Geral, nada está decidido e a luta continua.
Como disse Montenegro, “esta greve não trouxe nenhuma novidade e nem uma solução"
Não trouxe nenhuma novidade, porque a mobilização de largas faixas do sector público continua a perturbar a vida do país e a transformar a greve num facto político incontornável. 
A incerteza continua a ter nome: Chega. 
Muitos terão feito greve por acreditarem que, mostrando a impopularidade desta medida, largamente comprovada por sondagens, é a melhor forma de manter o Chega arredado de um acordo. 
Para o executivo, que decidiu regressar a algumas das suas propostas iniciais, haverá sempre a hipótese de André Ventura seguir o que é a sua matriz ideológica e vir a aprovar a reforma em troca de alguns recuos.

Ventura falou para dizer que a luta pode continuar. 
Como habitualmente, numa curta declaração, disse uma coisa e o seu contrário. Que a rua nada vale e que o que interessa é a discussão no Parlamento, onde a legislação “será derrotada”. Que este "pacote laboral é mau", mas, "se houver alterações, se houver outra lei laboral, o Parlamento, mais uma vez, cá estará para a discutir”

Numa greve, os trabalhadores não recebem salário pelo dia em que faltaram.
A ausência é considerada justificada, mas não remunerada. 
Num país onde a maioria dos trabalhadores ganha mal, faltar um dia para fazer greve, deveria fazer pensar os governantes.
Será que esta greve geral fez pensar este Governo?

Esta greve geral reforçou a sensação de que este Governo é incapaz de encarar os problemas e resolvê-los nos limites das possibilidades e da sensatez.
É evidente que a greve perturbou o quotidiano, paralisou serviços e empresas, anulou a normalidade do país, causou danos na economia e agravou a sensação de que o país caminha sem rumo para destinos perigosos. Sendo tudo isto normal em democracia, importa saber se a nova legislação laboral do Governo justifica os prejuízos causados. Os tangíveis e, em especial, os danos à relação entre os cidadãos e o poder político. 

Tudo isto poderia ter sido evitado ou mitigado se a ministra do Trabalho e o primeiro-ministro fossem capazes de perceber que, no quadro de um Governo sem maioria, não há nada que se possa fazer sem cedências nem negociação. Como não há nada que seja, de facto, eficaz quando se confrontam os cidadãos com escolhas que eles não podem nem devem aceitar: ser despedido sem justa causa e não ter ao reingresso incondicional; e, fundamentalmente, poder ser despedido sabendo que as funções que desempenhava serão facilmente assumidas por trabalhadores em regime de outsourcing. 

Não admira que a maioria dos cidadãos, mesmo os que não fazem greve, esteja ao lado dos sindicatos neste conflito. 
E o Chega sabe isto.