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terça-feira, 10 de março de 2026

O vestido que abalou a civilização ocidental


"Portugal acordou em sobressalto. Não foi um terramoto, nem uma crise financeira, nem sequer uma daquelas crises governativas que brotam como cogumelos no outono. Não. Desta vez a República foi confrontada com algo muito mais grave. O preço de um vestido.

Sim, um vestido. A peça de tecido que Margarida Maldonado Freitas, empresária, farmacêutica e mulher de um Presidente recém-empossado, teve a ousadia de vestir na cerimónia. Um acto escandaloso que obrigou a imprensa especializada em assuntos de elevada gravidade nacional, como decotes, pulseiras e destinos de férias de celebridades, a mobilizar os seus mais experientes analistas têxteis.

A investigação começou como todas as grandes investigações jornalísticas. Com um zoom numa fotografia e uma busca no Google. Pouco depois surgiu a manchete: “Descobrimos o vestido!”. Um trabalho hercúleo digno de Watergate, mas com muito mais seda e muito menos Nixon.

A partir daí abriu-se um debate profundo sobre a democracia portuguesa. Não sobre salários, habitação ou política externa. Não. Sobre se uma mulher adulta, empresária e economicamente independente pode comprar a roupa que lhe apetece com o dinheiro que é dela."

Para continuar a ler clicar aqui.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Acidente de trabalho na conserveira Cofisa faz um morto e um ferido grave

"Um acidente de trabalho na alizaçãoconserveira Cofisa, na Figueira da Foz, provocou hoje um morto e um ferido grave.

Segundo apurou o DIÁRIO AS BEIRAS, ambos eram funcionários de uma empresa que estava a reparar a cobertura da fábrica, que havia sido danificada pela depressão Kristin, no dia 28 de janeiro."

Actualização dia 6.2.25

quarta-feira, 4 de março de 2026

Nova unidade industrial de combustível de baixo carbono (e-fuel) na freguesia da Marinha das Ondas

A empresa Elyse Energy vai criar uma nova unidade industrial na Marinha das Ondas para produzir combustível de baixo carbono para a indústria da aviação, obtido a partir de processos industriais combinados com hidrogénio verde
, segundo anunciou ontem o Município da Figueira da Foz
O projeto representa um investimento de cerca de 800 milhões de euros e vai criar 100 novos postos de trabalho diretos e já deu entrada nos serviços de Urbanismo.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Mas que vergonha me dá o meu Governo"

«É isto que queremos da nossa diplomacia? Dar caução às “Nações Unidas de Trump”

"Portugal vai fazer parte "como observador" do Conselho da Paz de Trump? Que vergonha! E vai ao beija-mão de Trump em Washington? Parece que não vai ao primeiro, mas vai aos outros. Será que Portugal vai pagar a senha de entrada que Trump exigiu de 800 milhões de euros? Já nada me admira. 
O nosso “observador" não viu anteontem Trump adormecer, trocar os nomes todos, е fazer vários comentários sobre o aspecto do Presidente do Paraguai, que considerou "bonito"? Depois especificou que não gosta de homens mas de mulheres, para não ser mal interpretado... E foi assim.
Na Europa, os países que ainda tem uma réstia de dignidade como a Espanha, a França e a Suécia, pelo menos, disseram que não, a Hungria disse obviamente que sim, e Itália, Roménia, Bulgária, Grécia, Eslováquia e Chipre aceitaram estar como observadores. Olhem para os países que são membros-fundadores e percebe-se logo de que lado Portugal está: Albânia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Bulgária, Camboja, Egipto, El Salvador, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Paraguai, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Vietname...
Ou seja, quem é que Portugal vai "observar" na sala onde vai estar? Milei, de motosserra; Lukashenko, o peão de Putin (Putin foi convidado e está a pensar...); Bukele, o ditador das prisões de El Salvador; M.B.S., o príncipe assassino da Arábia Saudita; o criminoso de guerra Netanyahu e uma plêiade de interessantes e "democráticos" dirigentes ditadores dos ex-países da URSS e os príncipes do Golfo, tudo gente sem sangue nas mãos e paladinos da liberdade. O que os une? Serem amigos de Trump, muitos deles para sobreviverem, e serem de países com uma boa dose, per capita, de corruptos.
O Conselho da Paz constituído por Trump com estes ditadores tem um único motivo: combater as Nações Unidas e favorecer o absurdo e demente narcisismo patológico de Trump, o tal que acabou com a "guerra entre o Azerbaijão e o Camboja", ou similar. Não me dou sequer ao trabalho de verificar a lista de guerras com que ele diz ter acabado, com guerras que já tinham acabado, com guerras que não acabaram e com guerras que nunca existiram.
É isto que queremos da nossa diplomacia? Dar caução às "Nações Unidas de Trump", o homem que disse que, depois de não ter recebido o prémio Nobel da Paz, se "desinteressou" pela paz? O homem que cauciona a ditadura de Putin na sua invasão da Ucrânia, que quer que este país se renda para acrescentar outra "paz" ao seu palmarés? O homem que publica imagens com o mapa da Grande América por trás, com a Gronelândia e o Canadá pintados com as cores da bandeira americana? O homem que está a trair, é a palavra certa, as democracias ocidentais da Europa e os seus interesses de segurança? O homem que começa todas as guerras necessárias para ir buscar petróleo, terras raras, atacar alguns maus para agradar a outros maus da sua corte, em nome de grandes princípios que ele abastarda todos os dias, como defender os cristãos na Nigéria, ou os manifestantes contra a teocracia iraniana, ou colocar Rubio como Presidente de Cuba?
Este homem, perigoso e demente, devia ser posto a milhas por qualquer pessoa normal, quanto mais pela diplomacia de um país democrático europeu. O pretexto de Gaza não colhe de todo: o chefe da "diplomacia portuguesa admite que o organismo é 'perfeitamente enquadrável' desde que se cinja ao conflito israelo-palestiniano"
Tretas! Isto é querer enganar-nos, o Conselho da Paz de Trump vai muito mais longe do que Gaza, onde aliás continuam ataques israelitas, matando palestinianos sem que o dito conselho mexa uma palha, nem se preocupe como o "cessar-fogo". Se há alguma preocupação é pela Riviera de Gaza com o prédio do meio com uma torre Trump, e israelitas (não palestinianos) a comer sorvete pelas ruas. 
Será que Portugal, um país com uma democracia que nasceu de uma revolução libertadora, aceita estar subjugado a Trump "Presidente vitalício"? Aceita. Ninguém elegeu Trump e, até morrer, mesmo depois de ser Presidente, vai mandar no Conselho da Paz? Vai, em teoria.
A Europa que Trump insulta, trata como uma nulidade, resolve dar-lhe razão, sendo mesmo uma nulidade, e Portugal vai pelo mesmo caminho. E se nós pararmos, respirarmos fundo e usarmos a cabeça, pensamos como é que está o mundo que aceita este ditador de maus costumes. Ao menos um país decente resolveu prender um homem indecente, irmão nos costumes de Trump. A este nada acontece até um dia. Nesse dia, ele cai de alto e a vergonha cairá sobre os seus serventuários americanos, europeus e portugueses. 
Se o Governo quer agradar a Trump, pode fazê-lo de muitas maneiras. Por exemplo, cria um Prémio Nobel da Paz das capoeiras, com um galo de Barcelos de ouro, cheio de coraçõezinhos, e vai lá entregá-lo, com pompa e circunstância, ao imperador do mundo, dizendo-lhe que ele é "rei" das capoeiras. Ele ficará excitado como tratamento de "rei" e... agradecerá a Espanha."

sábado, 21 de fevereiro de 2026

À atenção dos portugueses

Via jornal Público
- Os números importam na imigração

"O Governo já teve atitudes em que ajudou à estigmatização das comunidades imigrantes, mas a decisão que agora adoptou de passar a tornar público е de forma transparente, todos os meses, os montantes tanto de descontos dos imigrantes para a Segurança Social como dos apoios que recebem é positiva e vai no bom sentido. O país passa assim a saber, por exemplo, que as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social aumentaram 8,5 vezes em 11anos. E que os apoios que recebem não cresceram na mesma proporção. Aliás, a diferença entre o que os estrangeiros contribuíram e as prestações que receberam passou de 354 milhões de euros em 2015 para 3335 milhões de euros no ano passado, ou seja, uma subida de mais de nove vezes. Estes são factos que contrariam a narrativa do Chega, que repete à exaustão a ideia de que os imigrantes vêm para Portugal para viverem de apoios do Estado. O PÚBLICO tem acompanhado com regularidade a evolução dessa relação da comunidade imigrante com a Segurança Social, mas a publicação no site do ministério de todos esses números pode ajudar a que todos os cidadãos falem de forma mais informada sobre o tema. Esta decisão do Ministério do Trabalho, tutelado por Maria do Rosário Palma Ramalho, contrasta com a forma como a ministra da Saúde, por exemplo, se referiu no passado aos imigrantes que acediam ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). No ano passado, no Parlamento, Ana Paula Martins queixou-se de que a esmagadora maioria dos estrangeiros recorria ao SNS através dos serviços de urgências dos hospitais, que não pode recusar assistência a quem precise de receber cuidados urgentes. E que cerca de 40% desses cidadãos estrangeiros não tinham nem protocolos de cooperação nem seguros, o que tornava inviável qualquer cobrança dos tratamentos. A ministra referia-se a um relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, mas o próprio inspector-geral, Carlos Carapeto, veio defender que esse relatório não permitia dizer se há abuso ou fraude porque faltavam dados para aferir com rigor quem eram esses não residentes. Numa altura em que se volta a discutir a importância da comunidade imigrante, dada a escassez de mão-de-obra para a reconstrução da zona centro varrida pela tempestade Kristin, a transparência promovida pelo Ministério do Trabalho é oportuna. Esperemos que, em breve, também o Instituto do Emprego e Formação Profissional preste contas sobre os seus esforços para angariar novos trabalhadores não-residentes e se perceba se as regras da chamada "via verde" -que ainda só trouxe para Portugal cerca de mil pessoas – ainda fazem sentido."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Espera-se que a procura por parte de produtoras estrangeiras aumente após conquista do EUFCN Audience Location Award atribuído pelo público

"A Figueira da Foz (Portugal Film Commission) venceu o Prémio EUFCN Audience Location Award 2025, selecionado pelo público através de votação online, pela série "Broken Spies" (Espias) produzida pela Ukbar Filmes".
Por sua vez, o júri atribuiu o EUFCN Location Award 2025 a La Palma, nas Ilhas Canárias. 
A cidade da Figueira da Foz desempenha um papel central em ESPIAS (Broken Spies), criada por Pandora da Cunha Telles, realizada por João Maia e Laura Seixas e produzida pela Ukbar Filmes, uma série de época ambientada na Segunda Guerra Mundial que destaca Portugal como território neutro.
A candidatura foi submetida pela Portugal Film Commission, tendo como argumento a série “Espias”, com metade das filmagens feitas na Figueira da Foz. “Ganhámos, hoje [no domingo], em Berlim, na votação do púbico”, reagiu o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes, nas redes sociais. Questionado pelo o DIÁRIO AS BEIRAS se acredita que o prémio recém-conquistado em Berlim veio dar mais visibilidade internacional ao concelho como local para filmagens de séries e filmes, o autarca respondeu: “Claro que sim. E revela o acerto do caminho traçado”. 
Acerca da reativação da actividade do Film Office Figueira, gabinete criado em 2022 pelo executivo camarário para captar filmagens de séries, filmes e outras produções audiovisuais para a Figueira da Foz, com atividade até finais de 2023, Santana Lopes afirmou que “é uma decisão que ainda não está tomada”. 
O autarca ressalvou que o ex-coordenador do Film Office Figueira, Bruno Manique, “fez um muito bom trabalho, nomeadamente  no processo da candidatura da Figueira da Foz” ao prémio do EUFCN Audience Location Award. 
O figueirense Bruno Manique trabalha com produtoras de filmes e séries e é cofundador do Centro Portugal Film Commission. Questionado pelo DIÁRIO AS BEIRAS acerca do impacto do prémio, Bruno Manique sustentou que “o que vai acontecer é que vai aumentar a visibilidade da Figueira da Foz, sobretudo no estrangeiro”, porque as produtoras nacionais, destacou, “já conhecem as potencialidades do concelho”. 
A projeção internacional da Figueira da Foz através da conquista do supracitado prémio acontece durante o festival internacional de cinema Berlinale, a decorrer na cidade alemã de Berlim.
Bruno Manique defendeu que depois da Figueira da Foz ter conquistado um prémio no concurso europeu EUFCN Audience Location Award “não se pode ficar sentado atrás de uma secretária” à espera que as produtoras estrangeiras cheguem. Por isso, anotou, “é fundamental alguém começar a trabalhar o mercado lá fora”. 
O ex-coordenador do gabinete para captação de produções audiovisuais frisou que a conquista do prémio internacional é o resultado da “visão do presidente da Câmara da Figueira da Foz [Santana Lopes]” e do trabalho por realizado pelo gabinete municipal Film Office Figueira.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Nota de Pesar - falecimento de João Paulo Ramos Domingues

"O Município da Figueira da Foz manifesta o mais sentido pesar à família e amigos de João Paulo Ramos Domingues, de 37 anos, natural da freguesia de Lavos, onde era morador, falecido ontem na sequência de um acidente de trabalho, no âmbito da reposição da rede elétrica a decorrer na região de Leiria, severamente afetada após a passagem da Tempestade Kristin.

O Presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes, irá 𝗱𝗲𝗰𝗿𝗲𝘁𝗮𝗿 𝘂𝗺 𝗱𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗟𝘂𝘁𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹, 𝗮 𝗼𝗯𝘀𝗲𝗿𝘃𝗮𝗿 𝗻𝗮 𝗱𝗮𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗿𝗲𝗮𝗹𝗶𝘇𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗰𝗲𝗿𝗶𝗺𝗼́𝗻𝗶𝗮𝘀 𝗳𝘂́𝗻𝗲𝗯𝗿𝗲𝘀, ainda por agendar.
Neste momento de dor e consternação, o Município da Figueira da Foz deixa uma palavra de gratidão a todos/as os /as que, com coragem e sentido de missão, colocam a sua vida em risco em prol da comunidade e dos seus concidadãos, assim como votos de rápidas melhoras ao trabalhador ferido no mesmo acidente, morador no concelho de Montemor-o-Velho, território tão fustigado pelas cheias."

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Está encontrado o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa

António José Seguro
António José Seguro tem 63 anos, nasceu na vila de Penamacor, a 11 de Março de 1962.
É Professor Universitário na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa, nas áreas da Ciência Política e das Relações Internacionais.
Empresário nas áreas do turismo, agricultura e produtos alimentares.
Desempenhou as seguintes funções políticas:
Deputado à Assembleia da República
Membro do Conselho de Estado
Ministro Adjunto do primeiro-ministro, António Guterres, no XIV Governo Constitucional
Deputado ao Parlamento Europeu
Secretário-Geral do Partido Socialista
Presidente do Grupo Parlamentar do PS, na Assembleia República
 
Formação académica
Doutorando em Ciência Política, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas – Universidade de Lisboa (ISCSP – UL).
Mestre em Ciência Política, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL),
Licenciatura em Relações Internacionais, na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).

domingo, 1 de fevereiro de 2026

OS TRÊS TENORES: foi tudo um desastre. A tempestade e o Governo

"Num país às escuras, com telhados no chão e pessoas desesperadas a pedir ajuda, o Governo de Luís Montenegro escolheu a invisibilidade. A ministra da Administração Interna desapareceu. O ministro da Defesa, Nuno Melo, simula trabalho."

Barragem da Aguieira com mais capacidade para mitigar cheias no Baixo Mondego

Via Diário as Beiras

«O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse hoje que a barragem da Aguieira está abaixo da cota de referência e com muita capacidade de retenção de água para mitigar eventuais inundações no baixo Mondego.

Em Coimbra, no final de uma reunião de trabalho com autarcas em que participou o secretário de Estado da Proteção Civil, José Pimenta Machado salientou aos jornalistas que a barragem está com “muito encaixe” para responder a uma semana que se prevê muito difícil em termos de precipitação, segundos as previsões meteorológicas.

“Estamos muito bem preparados para o evento de hoje ao final do dia e que vai ganhar intensidade a partir da madrugada de segunda-feira”, referiu o presidente da APA, salientando que as cotas das barragens da Aguieira e das Fronhas foram descidas para existir “encaixe para amortecer a cheia”.»

Obrigado, Bangladesh

Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 30/01/2026

À saída de uma vila alentejana dou com um dos muitos cartazes que o Chega e o seu chefe, André Ventura, espalharam por Portugal inteiro: “O Alentejo não é o Bangladesh.” Pois não, não é: o Bangladesh não precisa de importar alentejanos para conseguir sustentar a sua agricultura, para fazer as sementeiras e as colheitas, para apanhar a azeitona e a amêndoa. Tivesse o Bangladesh uma barragem como a do Alqueva — “Construam-me, porra!” (a tal que ia dar trabalho a todos os alentejanos e tornar prósperos os seus agricultores) — e hoje não haveria ninguém a trabalhar no regadio do Alqueva nem a tornar próspera a sua agricultura. Mas, felizmente para os alentejanos, os “violadores, assaltantes e bandidos” com que, segundo Ventura, o “socialismo” e os “partidos de esquerda” encheram o país nos últimos anos, vindos de África, do Bangladesh ou do Brasil, não se importam de fazer o trabalho duro nos campos que a maioria dos alentejanos já não quer fazer. E, mesmo dormindo em barracões ou contentores, ou em casas onde cabem 30 no lugar de três e pagando aos senhorios alentejanos por 30 e não por três, essa gente estranha que o socialismo importou continua a trabalhar, recebendo o ordenado mínimo e vivendo em condições de indignidade. Ou mesmo fazendo trabalho forçado e semiescravo nos campos alentejanos, vigiados e ameaçados por guardas da GNR, em regime de supranumerário e ao serviço de “empresários” agrícolas apoiados por dinheiros europeus e que, tal como André Ventura, vão à missa todos os domingos e são contra o acordo com o Mercosul, porque, dizem, os do Mercosul podem vender mais barato porque não têm as preocupações sociais deles. Obrigado, Bangladesh!

Numa praça de uma aldeia algarvia entro num café cujo interior está submergido por uma intensa vozea­ria, digna de um souk árabe. Mas não — sossega, Ventura —, não são árabes, são algarvias, e esta é a sua ocupação diária: tagarelar e jogar à raspadinha. O dia inteiro, porque não há nada de necessário para fazer que os imigrantes não façam: eles trabalham e os algarvios votam no Chega — ao que parece porque temem que eles venham substituí-los e com isso fazer submergir esta nossa exaltante civilização judaico-cristã. Na mesa em frente da minha estão três mulheres em desabrida gritaria, às quais se vem juntar também uma empregada da casa. E ali estaciona à conversa, até que alguém lhe grita do balcão: “Ó Mena, anda trabalhar que há clientes à espera!” Aí, a provável votante do Chega vira-se, furibunda: “Eles que esperem, não vês que estou na conversa? Era o que faltava!” Por um momento imagino a mesma cena protagonizada por um empregado ou empregada que fizesse parte do rol dos assaltantes, violadores ou bandidos de que fala Ventura — devia ser bonito! Porque o Algarve — que vive quase exclusivamente da prestação de serviços aos turistas — dá-se ao luxo de votar no partido que quer expulsar os que prestam esses serviços e sem os quais todo o Algarve colapsaria em dois tempos. Porque os africanos, brasileiros, asiáticos, essa ralé de assaltantes e violadores, além de servirem nos hotéis, nos restaurantes e nos campos de golfe, também estão na construção civil, ajudando a construir os hotéis, vivendas e aldea­mentos onde os turistas dormem, servidos pelos imigrantes. Obrigado, Bangladesh!»

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Atlanticeagle quer a Naval Centro

«O volume de trabalho dos estaleiros navais da Figueira da Foz, concessionados à Atlanticeagle Shipbuilding, leva a administração a querer ficar também com a concessão dos estaleiros vizinhos desativados Naval Centro.

Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, o administrador da Atlanticeagle Shipbuilding, Bruno Costa, frisou que a expansão das instalações, que estão a tornar-se pequenas, é um desiderato antigo.

“A nossa estratégia desde o início é a expansão do estaleiro. O volume de trabalho começa a justificar mais espaço para trabalhar”, afirmou o empresário e administrador.

“A nossa manifestação de interesse na Naval Centro já a pus em cima da mesa há já alguns anos. [A concessão] tem estado num impasse. Teoricamente, estaria atribuída a uma empresa, mas nunca se viu nada ali”, ressalvou Bruno Costa.»

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Município da Figueira da Foz esclarece situação do Centro de Saúde de S. Julião

"Na sequência do surpreendente comunicado tornado público pelo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de São Julião, e no cumprimento do dever de esclarecimento e transparência perante a população, o Município da Figueira da Foz vem prestar os seguintes esclarecimentos relativos ao funcionamento da Unidade de Saúde Familiar de São Julião e ao estado do respetivo edifício.

𝗥𝗲𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼𝘀 𝗵𝘂𝗺𝗮𝗻𝗼𝘀 𝗲 𝗳𝘂𝗻𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲
No que respeita aos recursos humanos não clínicos, o Município esclarece que estão afetos à Unidade de Saúde Familiar de São Julião dois assistentes operacionais, contratados diretamente pela autarquia.
No âmbito do auto de delegação de competências, o Município assegura ainda três funcionárias de limpeza em regime de outsourcing, contratadas à empresa IPJ, cujos horários complementam os dos assistentes operacionais, permitindo garantir o funcionamento da unidade em regime alargado, preferencialmente entre as 08h00 e as 20h00.
O horário de atendimento ao público é definido pelo SNS (através da ULS Baixo Mondego), em articulação com o Município, tendo este sempre acomodado os horários solicitados pela entidade de saúde.
Aos sábados, o Município assegura o pagamento de horas extraordinárias, possibilitando a abertura da unidade. Existe ainda uma quarta funcionária de limpeza disponível, caso se revele necessário o alargamento do horário aos sábados e domingos.
Relativamente à segurança, esclarece-se que nunca existiu, até à data, serviço de vigilância permanente naquela unidade de saúde, não tendo essa valência sido incluída no auto de transferência de competências.
𝗘𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗼 𝗲𝗱𝗶𝗳𝗶́𝗰𝗶𝗼 𝗲 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝘃𝗲𝗻𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗽𝗿𝗲𝘃𝗶𝘀𝘁𝗮
O Município da Figueira da Foz tem plena consciência da necessidade de intervenção no edifício do Centro de Saúde de São Julião, que existe há décadas. Nesse sentido, foram desenvolvidos esforços junto da tutela da saúde, tendo sido negociado um mecanismo de investimento financeiro e elaborado um projeto de arquitetura, amplamente discutido e validado pela Coordenadora da Unidade de Saúde de São Julião, pela extinta ARS Centro e pelo Conselho de Administração da ULS Baixo Mondego.
A empreitada foi já submetida a concurso por três vezes, não tendo sido possível, até ao momento, avançar com a obra devido às vicissitudes inerentes aos procedimentos concursais. Ainda assim, este Executivo Municipal mantém-se totalmente empenhado em promover o lançamento da obra no menor prazo possível.
𝗖𝗼𝗺𝗽𝗿𝗼𝗺𝗶𝘀𝘀𝗼 𝗱𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶́𝗽𝗶𝗼
O Município da Figueira da Foz reafirma o seu compromisso com a saúde pública, com a dignidade das condições de trabalho dos profissionais de saúde e com a qualidade do atendimento prestado aos utentes, mantendo total disponibilidade para continuar a colaborar, de forma construtiva, com todas as entidades envolvidas.
A prestação de cuidados de saúde à população continuará a ser uma prioridade efetiva deste Executivo Municipal."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Clarificação natural...

 Imagem via O Jornal Económico


"Mas alguém ainda tinha dúvidas sobre o que estes tipos querem para o país? 
Preocupado com os jovens que têm salários miseráveis e que fogem do país? 
Que tal perguntar ao gestor João Cotrim Figueiredo quanto é que pagava aos operários fabris da Compal quando fazia de patrão? 
Podem exigir que explique quanto recebiam os jornalistas (em especial, os jovens) e os outros trabalhadores da TVI quando este era gestor da Media Capital? 
Não falo no Goucha, nem na Cristina Ferreira, claro. Nem na Manuela Moura Guedes. 
Defensor da iniciativa privada e do mérito e crítico do sistema de tachos? Então, explique lá porque é que foi o seu antigo patrão na Compal, Pires de Lima que o levou para Presidente do Instituto de Turismo de Portugal, enquanto o governo da Troika esmifrava quem vivia do seu trabalho? 
Ir enganar idosas/os aos lares enquanto dança com elas, a ver se leva mais uns votos? E que tal explicar-lhes o que é aconteceria às suas pensões se o seu modelo de governo vingasse e pegassem no dinheiro da Segurança Social para jogar no casino dos fundos de investimento e para lhes entregar, de bandeja, as contribuições dos que mais ganham e mais descontam? 
Preocupado com a baixa natalidade e a dificuldade dos jovens se emanciparem, terem filhos e uma casa? Que tal explicar porque quer uma legislação laboral que lhes tira direitos e os condena à precariedade eterna e subserviência ao patrão? 
Ou, então, reconhecer que foi a liberalização do mercado de arrendamento, a desregulação do turismo local e da especulação imobiliária que fez o preço das casas crescer mais 4 vezes do que os salários. 
Tenham dó. 
Hipocrisia, não. Estes privilegiados das elites que transitam entre conselhos de administração de empresas que vivem de mão estendida para o Estado construíram a economia que temos. Viveram de dependência estatal. Promoveram a endogamia. Exploraram os que vivem do seu esforço. Pagaram salários de miséria. 
E, agora, têm a distinta lata de enganar as pessoas, dizendo que só não pagaram melhores salários porque os impostos eram muito altos. 
Só se deixa enganar quem anda mesmo a viver no mundo da Lua. Vá lá ter com os seus "manos". 
Menos. Muito menos."

domingo, 21 de dezembro de 2025

A folha em branco...

O momento da folha em branco de António Filipe,  “Está aqui a minha lista de clientes”.

Comentário de Rui Pereira.

«Com a questão das revelações do interesses privados -empresariais, clientelares, etc.- dos candidatos a entrar em força na luta eleitoral, António Filipe, o candidato comunista à Presidência da República, exibiu ontem, no seu último debate televisivo, uma folha em branco: “Esta é a lista dos meus clientes. Nenhum”.

Décadas como deputado e professor universitário não impediram que, em seguida, uma comentadora proclamasse com a estúpida arrogância da "civilização" burguesa que aquela folha em branco representa o que Filipe e os comunistas querem para Portugal: - que todos sejamos “funcionários”, porque, prosseguiu a barbaridade disparando como se de uma acusação se tratasse, “é o que ele é, um funcionário do partido”.
De um modo mais interessante, outro comentador reagiu contra o que chamou o “striptease” das exigências de revelação por parte dos candidatos e dos políticos sobre os respetivos negócios privados e vidas profissionais. Se passar a ser assim “isto nunca mais acaba”, disse e com razão.
A questão consiste em saber porquê. E o motivo não é complicado. É que a corrupção - não como suspeita, mas como certeza - é a substância mesma do sistema do capital. Porque, muito simplesmente, o capitalismo consiste na apropriação privada, pelas classes que dominam o sistema, da riqueza e do trabalho socialmente produzidos. Esta é a sua essência e substância e, nesse sentido, como dizia Chomsky, é a máquina de extorsão mais perfeita que a exploração de uns homens por outros homens jamais criou.
O termo “corrupção” tem, porém, algo mais que se lhe diga. A corrupção pode ser entendida num sentido estritamente jurídico e, nesse caso, é um crime previsto e punido pela legislação. Mas, o seu sentido aqui mais interessante é um outro, o da corrupção como desvio da finalidade de qualquer criação humana que, posta ao serviço de um propósito diferente, por vezes até contrário àquele a que se destinava, inevitavelmente se corrompe.
Nesta acepção, é fácil compreender porque não há candidatos do “arco do poder”, do “consenso neoliberal”, como António Filipe lhe chama com muita precisão, para os quais a chamada a revelar as suas atividades privadas e profissionais não possa senão transformar-se num infindável “striptease”.
Não pela normatividade serôdia do moralismo declarativo (sem esquecer como por trás de todo o moralismo há sempre uma enorme dose de perversão), mas pela imoralidade estrutural do sistema do capital que os comentadores tão cuidadosamente omitem, quando apedrejam aqueles que, sobre negócios e negociatas, o que têm para mostrar é tão liso e tão limpo quanto uma folha em branco.»

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Quando pimenta no pacote (laboral) alheio é refresco

"Quando nos dizem que a flexibilização trará mais investimento externo, o que estão a dizer, no fundo, é que as multinacionais irão de bom grado para um país de brandos costumes e gente com formação que fala inglês sem se importar de receber amendoins a troco de trabalho. Do que podemos, de facto, vir a precisar, é de uma revolução."

Via Maio. 

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A prenda de Natal

Eduardo Dâmaso, jornalista

"Algumas ideias sobre o desfecho da Spinumviva, para lá das cabalas. A primeira é a de que dificilmente seria diferente. A recolha de informação depende só da vontade dos próprios. As averiguações preventivas, criadas por Cavaco Silva, são uma investigação administrativa, sem buscas, sem vigilâncias, sem inquirições. A segunda é a de que se tratava de um caso exclusivo de faturação e contratos. Se a verdade formal dos papéis estiver bem construída, mesmo que longe da verdade material, não se chega lá. A terceira é a de que abrir um eventual inquérito, nesta fase, seria facilmente atacado pela desproporção entre o arsenal a utilizar e indícios pouco densos. Deveria ter sido aberto no início e abranger a casa de Espinho.

A quarta é a de que as explicações de Montenegro não são agora escrutináveis. As averiguações não se podem consultar. Não poderemos avaliar a informação prestada, se pode haver censura ética e política, nem os fundamentos do arquivamento. A quinta é a de que o tema não tem de morrer aqui. Numa democracia com real separação de poderes, tanto a Justiça como o jornalismo têm obrigação de não se deixar intimidar por proclamações de vitimização. Neste caso, apurando os fundamentos do despacho, apesar das limitações formais, e determinar a sua solidez. Se fosse só uma prenda de Natal, seria um desastre para a República e para o Ministério Público. Acreditamos que não será, mas temos de fazer o nosso trabalho."

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Agora é tudo por gosto

"Não é só a caligrafia que resiste. Fala-se muito nas redes sociais, mas foi graças às redes sociais que conhecemos o trabalho de Paul António - e aprendemos com ele. A Internet é maravilhosa, mas tapa a vista. Pense-se nas fortunas que hoje se ganham com a rádio, com a televisão, como vinil, com o teatro, e tudo o mais que se diz ultrapassado, condenado, pronto para os museus,
Vejam-se as bicicletas. As motas iam dar cabo delas, mal ficassem mais baratas. A revolução dos transportes não passava pela bicicleta. Mas hoje há bicicletas magníficas, mais caras do que as motorizadas. E diz quem sabe que ainda há alguns ciclistas por aí. 
A caligrafia dá um grande prazer: o traço, a tinta, a resistência do papel, a autoria, a unicidade, o progresso, a expressão, a rapidez da aprendizagem, a maneira como transparece a personalidade. 
Os meios são baratos e o resultado é impressionante. Dantes era necessário escrever assim. Hoje é um gosto. Dantes só havia vinil. Hoje é um gosto. Dantes só havia a rádio para ouvir. Hoje é um gosto. Os gostos são escolhas. Libertadas da necessidade e da obrigação, estas actividades tornaram-se prazeres. Ficando como gostos minoritários, revelaram-se como deliciosas intimidades. E assim é melhor."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

No dia seguinte será que Montenegro já viu que havia razões para a greve geral?..

No dia seguinte já se começa a ver que, ao contrário do que Montenegro dizia, havia boas razões para a greve geral! 
E ela existiu
O Governo desvalorizou a paralisação e ficou sozinho.
Ventura recuou e pôs em causa medidas chave da reforma. Na manhã do  dia de greve, pela manhã, Ventura - o único parceiro que restava para negociar o pacote laboral - deu uma entrevista à Antena 1.
Nessa entrevista, Ventura (que começou por criticar a greve geral quando foi anunciada) fez um recuo estratégico, criticando Luís Montenegro por ter sido “casmurro, teimoso e quis desrespeitar quem trabalha”. E, de caminho, foi pondo em causa três das quatro traves mestras que a ministra do Trabalho Maria do Rosário Palma Ramalho definiu na pedra. O mais explícito foi o da abertura à contratação por outsourcing para as áreas das empresas onde houver despedimentos: “Se alguém despediu quase todos os trabalhadores, é porque vai pagar menos, dar menos direitos às pessoas e gerar mais precariedade”, apontou André Ventura. Mas a lista de medidas que criticou alargou-se às "questões de precariedade" (o Governo quer aumentar a duração dos contratos), assim como à permeabilidade aos “despedimentos” (cuja reintegração deixa de ser obrigatória em caso de ilegalidade), outra das críticas maiores das centrais sindicais. Em síntese, rematou Ventura, “o Governo optou por uma linha liberal que dá ideia a quem trabalha que pode ser despedido a qualquer altura, que vai perder direitos e que só interessa quem manda”.
Entretanto, em sede de concertação social: encontro com parceiros adiado.
Será que Montenegro ainda não compreendeu as razões da realização da greve geral?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Safra Justa: quem não transcreveu as escutas dos militares da GNR e do agente da PSP?

Ana Sá Lopes

"O Ministério Público tem que explicar aos portugueses porque é que as escutas dos militares da GNR e de um elemento da PSP suspeitos de estarem implicados num esquema de imigração ilegal no Alentejo não foram transcritas. Houve tempo para isso: aparentemente, estavam a ser escutados há um ano. O que é que aconteceu para não terem sido transcritas? Durante um ano não houve funcionários capazes para o fazer? Os procuradores esqueceram-se? 
No Expresso da Meia-Noite da SIC-Notícias, na passada sexta-feira, o advogado Manuel Magalhães e Silva chegou a dizer que as escutas não foram transcritas "de propósito". 
Isto é particularmente grave porque se está a falar de crimes de quase escravatura contra imigrantes. Eu sei que a opinião pública inflama-se com mais virulência relativamente às escutas algo irrelevantes em que António Costa foi "apanhado" (não era o primeiro-ministro que estava sob escuta) publicadas pela revista Sábado. Sabe-se que o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, pôs um processo aos jornalistas e que a Procuradoria sugeriu que teria sido a defesa dos arguidos a quebrarem o segredo de justiça
Mais grave do que as escutas de Costa, está a ausência de escutas por falta de transcrição- que permite que os militares da GNR e um membro da PSP, que teriam alegadamente o papel de "capatazes" junto dos empresários traficantes de imigrantes, tenham voltado esta semana ao trabalho
Como as provas do envolvimento das forças de segurança no crime eram essencialmente escutas e as escutas não foram transcritas como manda a lei, os 10 militantes da GNR e um elemento da PSP saíram sob termo de identidade e residência (a menor das medidas de coacção) e estão de novo nos seus postos
Repare-se no absurdo: estas pessoas suspeitas de terem violado a lei de forma vil neste momento são os defensores da autoridade do Estado perante violações de lei
Felizmente, não moro no Alentejo senão estaria seriamente assustada. O Pedro Candeias já fez um editorial sobre este assunto - de facto, "escutado ninguém acredita". Mas exige-se uma resposta do Ministério Público. Houve aqui um erro clamoroso que pode permitir, inclusivamente, a continuação da actividade criminosa
Estamos a falar de pessoas extremamente vulneráveis, como são os imigrantes sem papéis, que eram "controlados e vigiados" e inclusivamente "ameaçados" pelas forças de segurança ao serviço do empregador. 
No comunicado de 25 de Novembro, a GNR diz que "tudo fará para que os autores sejam criminalmente responsabilizados" e que na Guarda Nacional Republicana "não há lugar para  pessoas cujo comportamento possa corromper o compromisso de honra e exemplaridade ética" que os militares assumiram "perante a sociedade e os cidadãos"
A IGAI - Inspecção Geral da Administração Interna já abriu um inquérito aos suspeitos. Só que, por causa de uma indesculpável acção do Ministério Público, afinal na GNR "há lugar para pessoas cujo comportamento possa corromper o compromisso de honra"O regresso ao trabalho destes militares sob suspeita é de uma imensa gravidade e põe em causa a confiança dos cidadãos nas forças de segurança. 
Agora, a ideia de que o Ministério Público não tem que dar justificações sobre a Operação Safra Justa e a inconcebível não transcricão das escutas não é aceitável num Estado de direito democrático. O perfil de Amadeu Guerra inicialmente contrastou com o da sua antecessora. Parecia disposto a explicar melhor o trabalho do Ministério Público de que é a figura cimeira. A ideia parece ter-se desvanecido."