quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Helena Roseta ontem em Cantanhede defendeu a participação cívica nas políticas de habitação. “As famílias devem ter uma habitação adequada às suas necessidades”.

Revista Visão: “A vida vai dar-nos muitas lições. O povo não está a dormir”. Aos 79 anos, Helena Roseta continua “muito à frente”.

Helena Roseta, arquiteta, política e uma das cidadãs mais ativas na defesa do direito à habitação, reconhecida pela intervenção cívica e institucional no âmbito das politicas urbanas inclusivas e sustentáveis,
 deputada na Assembleia Constituinte e na Assembleia da República em diferentes legislaturas. Desempenhou também cargos relevantes no poder local (vereadora na Câmara Municipal de Lisboa (1976-1979 e 2007- 2013) e presidente da Câmara Municipal de Cascais (1982-1985), tornando-se uma das primeiras mulheres a liderar um município), esteve ontem em Cantanhede. 
Via Diário as Beiras fica o registo do muito que disse no decorrer na conferência “Cidade, Cidadania e Democracia: Participar para Transformar”, promovida pela autarquia local.
«A antiga deputada da Assembleia da República e ex-presidente da Ordem dos Arquitetos, Helena Roseta, afirmou ontem, em Cantanhede, que a habitação “é uma dimensão que está a perder espaço na ação dos responsáveis políticos”.
«O direito à habitação, a responsabilidade do Estado e a importância da participação dos cidadãos na construção dos territórios estiveram no centro da intervenção da arquiteta e política Helena Roseta, que ontem, esteve em Cantanhede, na conferência “Cidade, Cidadania e Democracia: Participar para Transformar”, promovida pela autarquia local.
Durante a sessão, a antiga deputada recuperou o artigo 65 da Constituição da República Portuguesa para sustentar “a importância de garantir a todas as pessoas e famílias o acesso a uma habitação adequada às suas necessidades”. 
Helena Roseta recordou que foi “depois do 25 de Abril que o direito à habitação passou a estar consagrado na Constituição”, sublinhando que “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”. 
“As famílias devem ter todas uma habitação adequada às suas necessidades”, apontou. 
A oradora destacou também a “importância da participação das populações nas políticas de habitação e no planeamento”. 
“É uma dimensão que está a perder espaço na ação dos responsáveis políticos. Não vejo nos governos atuais, a palavra participação. Desapareceu do mapa”, lamentou. 
A conferencista abordou ainda a realidade habitacional portuguesa, chamando a atenção para o número de habitações existentes no país em comparação com o número de famílias. “Segundo dados divulgados pelo INE, existem 5,9 milhões habitações para 4,1 milhões de famílias. Tem que haver aqui uma estratégia clara de habitação para que os problemas sejam resolvidos”, salientou Helena Roseta, considerada uma das maiores defensoras do direito à habitação. 
Durante o evento, a presidente da Câmara de Cantanhede, Helena Teodósio, agradeceu a presença da oradora e disse que a habitação é hoje um problema muito complexo, que deve ser resolvido.»

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